Comando Operacional do Continente
O Comando Operacional do Continente (COPCON) foi um comando das Forças Armadas Portuguesas, criado com o objetivo de criar condições para que aquelas pudessem garantir o cumprimento dos objetivos do seu programa, apresentado à Nação no 25 de abril de 1974, tendo como área territorial de responsabilidade o teatro de operações de Portugal continental. O COPCON existiu durante o período que se seguiu à revolução de 25 de Abril de 1974, sendo associado à chamada "esquerda revolucionária" e consequentemente extinto após o golpe de 25 de novembro de 1975.
No seio do Movimento das Forças Armadas (MFA), o que viria a ser o COPCON foi constituído a seguir ao 25 de Abril, com o nome de Comando de Coordenação e Controlo Operacional (CCCO), integrada na Junta de Salvação Nacional de Spínola, tendo comando referente à manutenção da ordem do novo regime, que incluiria a captura de membros da então extinta polícia política PIDE/DGS. Segundo Otelo, o COPCON era um comando-chefe que, usando a experiência da Guerra do Ultramar, congrega as todas as forças do Exército e algumas forças de intervenção da Marinha e Força Aérea. Destinava-se a fazer cumprir o programa do MFA e a ordem pública por ele ditada, podendo colaborar congregando a GNR e PSP se necessário. Em agosto de 1975, surge o chamado “Documento dos Nove” também conhecido como "Documento Melo Antunes". Em resposta, com autoria de Mário Tomé, os oficiais do COPCON, ainda com a intervenção, entre outros, de Carlos Antunes e Isabel do Carmo publicaram o documento “Autocrítica revolucionária do Copcon/Proposta de trabalho para um programa político”. Este propunha um modelo assente no poder popular basista e viria a ter o apoio do PRP/BR, do MES e da UDP.
Proteção dos trabalhadores e moradores
Durante o PREC, o COPCON ficou associado à defesa do "poder popular", tendo apoiado as ocupações de casas pelos moradores de barracas, ocupações de terras pelos trabalhadores rurais e de empresas pelos seus trabalhadores. "Começa a haver uma grande desresponsabilização de quem exerce outras funções, sobretudo governativas, e começam-nos a chegar problemas gravíssimos, laborais, sociais, às vezes até pessoais e de saúde. Por exemplo, começam a fugir empresários, que fecham as empresas e levam o dinheiro, os trabalhadores vão ao Ministério do Trabalho e de lá mandam-nos para o COPCON! E eu, nós, assumimos isso. Talvez não o devêssemos ter feito, o que me teria livrado de uma grande carga de trabalhos"
Proteção do regime de interferências internas e externas
O seu quartel no Forte do Alto do Duque era um dos seguintes alvos militares da Intentona de 11 de Março de 1975, sofrendo "voos de intimidamento", aos quais os soldados do COPCON reagiram com disparos. A 12 de março, na embaixada alemã que albergava temporariamente golpistas da GNR, o seu embaixador Fritz Caspari ao sair do edifício é forçosamente travado por uma “multidão em fúria”, que lhe revista o carro. Os militares do COPCON presentes não só não impedem o desacato diplomático, como mantém os passageiros do carro sob mira das suas pistolas-metralhadoras. Sobre o comportamento das tropas do COPCON, o governo viria em tom de desculpa confessar ao embaixador a sua incapacidade de garantir "a obediência das tropas".
Mandatos de captura em branco
Durante 1974/1975, o COPCON foi acusado da emissão de mandato de captura em branco à direita e à esquerda, uma das partes mais controversas da sua ação. Nas imediações e no seguimento da manifestação da Maioria silenciosa no 28 de setembro, emitiu mandatos contra figuras de direita e/ou associadas ao antigo regime, ou com acusações de sabotagem económica, mas sem que existisse qualquer acusação formal. Prisões que, apesar das críticas, se revigoraram após a tentativa de golpe de 11 de março pela direita liderada por António de Spínola. Famosa ficou também a detenção de cerca de 400 militantes do MRPP, a 28 de Maio de 1975. O COPCON justifica que o MRPP sequestrou e torturou "ex-fuzileiro Coelho da Silva", "alferes comando Marcelino da Mata" e "primeiro cabo comando reformado, mutilado de guerra, Maximino dos Santos".
Em setembro de 1975 é esvaziado de funções com a criação do AMI (Agrupamento Militar de Intervenção) e em 20 de Novembro, Otelo é substituído no comando da Região Militar de Lisboa por Vasco Lourenço. Além de Otelo, fizeram parte desta organização João Pedro Tomás Rosa (mais tarde administrador da RTP e ministro do Trabalho do VI Governo Provisório) e Eurico Corvacho (comandante da Região Militar do Norte e representante do COPCON no Norte).


