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Lima Barreto (escritor)

Afonso Henriques de Lima Barreto foi um jornalista e escritor brasileiro, identificado com o pré-modernismo. Publicou romances, sátiras, contos, crônicas e uma vasta obra em periódicos, principalmente revistas populares ilustradas e periódicos anarquistas do início do século XX.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 05/07/2026
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Biografia

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1881. Era filho de João Henriques de Lima Barreto — filho de uma antiga escrava e de um madeireiro português — e de Amália Augusta, filha de uma escrava e agregada da família Pereira Carvalho. Ao nascer, a família morava na rua Ipiranga, próxima ao Largo do Machado. Seu pai ganhava a vida como tipógrafo, e aprendeu a profissão no Imperial Instituto Artístico, que imprimia o periódico "Semana Ilustrada". Foi funcionário da Imprensa Oficial e publicou a tradução do Manual do Aprendiz Compositor, de Jules Claye. Sua mãe foi educada com esmero, sendo professora da 1ª à 4ª série. Foi proprietária e diretora da Escola Santa Rosa, no Rio de Janeiro. Ela faleceu de tuberculose, aos 25 anos, quando Lima tinha apenas seis anos. O viúvo trabalhou muito para sustentar os quatro filhos do casal — o caçula com apenas 1 ano. João Henriques era monarquista, ligado ao visconde de Ouro Preto, padrinho do futuro escritor. Entretanto, as relações entre padrinho e afilhado não eram boas. As lembranças de um período frutífero que era do Segundo Reinado de Dom Pedro II, bem como a participação da Princesa Isabel na Abolição da Escravatura, marcaram a visão crítica de Lima Barreto sobre o regime republicano.

Morte

Com a saúde cada vez mais debilitada, em razão da tuberculose e do alcoolismo, Lima Barreto faleceu de um colapso cardíaco no dia 1º de novembro de 1922, aos 41 anos, em sua casa, no bairro de Todos os Santos, no Rio de Janeiro. Seus restos mortais, bem como os de seus pais, estão no cemitério de São João Batista (Q. 14 - J. 8024). No mesmo cemitério, encontra-se o mausoléu dos imortais da Academia Brasileira de Letras.

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Publicações póstumas

Em dezembro de 1922, Jacinto Ribeiro dos Santos publicou Os Bruzundangas, com uma nota afirmando que se tratava do último livro que Lima Barreto havia revisado. O prefácio, contudo, indicava que o manuscrito fora completado em 1917. Além desse, também foram publicados Bagatelas, em 1923, e Clara dos Anjos, serializado entre 1923 e 1924, na Revista Santa Cruz, mas escrito entre dezembro de 1921 e janeiro de 1922. A maior parte de seus escritos, tais como Cemitério dos Vivos, Diário Íntimo e parte da correspondência pessoal, foram publicados postumamente, entre as décadas de 1940 e 1950, a partir de pesquisas de Francisco de Assis Barbosa, um de seus principais biógrafos.

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Obra

Crítica

Muitos críticos apontam que a obra literária de Lima Barreto ora alcança altos níveis de criatividade e realização estética, ora abdica de maiores preocupações artísticas para se assumir como panfleto ou meio de documentação social, política e histórica. Antonio Candido (1918), por exemplo, observa que a concepção literária de Lima Barreto "de um lado, favoreceu nele a expressão escrita da personalidade (...) e, de outro, pode ter contribuído para atrapalhar a realização plena do ficcionista". O crítico ressalta o valor de sua "inteligência voltada com lucidez para o desmascaramento da sociedade e a análise das próprias emoções", mas também afirma ser ele um escritor que não atingiu toda a sua potencialidade como narrador, sendo algumas vezes malsucedido na transposição de uma ideia numa realização literária criativa.

Temas

Lima Barreto foi o crítico mais agudo da época da Primeira República Brasileira, rompendo com o nacionalismo ufanista e pondo a nu a roupagem republicana que manteve os privilégios de famílias aristocráticas e dos militares. Definindo seu projeto literário como o de escrever uma "literatura militante" — apropriando-se da expressão de Eça de Queiroz — sua produção literária está quase inteiramente voltada para a investigação das desigualdades sociais, da hipocrisia e da falsidade dos homens e das mulheres em suas relações dentro da sociedade. Em muitas obras, como no seu célebre romance Triste Fim de Policarpo Quaresma e no conto O Homem que Sabia Javanês, o método escolhido por Lima Barreto para tratar desses temas é o da sátira, cheia de ironia, humor e sarcasmo.

Legado

Em 2016, uma vasta parte de sua obra escrita publicada sob pseudônimos foi descoberta por Felipe Botelho Corrêa, que organizou o livro Sátiras e Outras Subversões que traz à tona 164 textos que permaneciam inéditos em livro. No mesmo ano, o pesquisador Rogério Nascimento publicou o livro Cartas de um Matuto e Outros Causos, afirmando que os textos publicados originalmente na revista Careta foram escritos por Lima Barreto. Carlos Drummond de Andrade, contudo, disse em seu Dicionário de Pseudônimos Brasileiros que os textos da coluna foram escritos por Mário Behring. A chave para esse pseudônimo também apareceu na própria revista Careta, de 8 de junho de 1912, em texto que afirmou ser de Mário Behring a pena por trás do Coronel Tibúrcio d'Anunciação.

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Lista de obras

Coletâneas de contos

(.*) Texto também classificado como teatro. (.**) Texto também classificado como crônica. (.***) Conto posteriormente expandido em romance.

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Fontes consultadas

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