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Código Hays

O Código Hays foi um conjunto de normas morais rigorosas que regeram a produção cinematográfica nos Estados Unidos entre 1930 e 1968. Criado e aplicado pelos grandes estúdios, sob a liderança de Will H. Hays, presidente da Associação de Produtores e Distribuidores de Filmes da América (MPPDA), este código funcionou como um sistema de autocensura, detalhando o que era aceitável ou não nos filmes. Sua aplicação mais rígida começou em 1934, moldando décadas de produções de Hollywood.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 16/07/2026

Pontos-chave

  • O Código Hays foi um conjunto de normas morais para filmes nos EUA, aplicado de 1930 a 1968.
  • Will H. Hays liderou a MPPDA, que adotou o código como autocensura para evitar intervenção governamental.
  • A Suprema Corte dos EUA decidiu em 1915 que a Primeira Emenda não se aplicava ao cinema, abrindo caminho para a censura.
  • A 'Era Breen' (1934-1954) marcou a aplicação mais rigorosa do código, com a exigência de um selo de aprovação da PCA.
  • O código foi abandonado em 1968, sendo substituído por um sistema de classificação indicativa, devido a novas ameaças competitivas e mudanças no mercado.
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A Origem da Autocensura em Hollywood

Em 1922, após escândalos e filmes controversos, os estúdios de Hollywood fundaram a Associação de Produtores e Distribuidores de Filmes da América (MPPDA) e nomearam Will H. Hays como presidente. Com um salário extravagante de US$ 100.000 anuais (equivalente a US$ 1,4 milhão atualmente), Hays tinha a missão de restaurar a imagem da indústria. A pressão por censura era crescente, com mil projetos de lei em discussão em 37 estados, impulsionada pela decisão da Suprema Corte de 1915 que excluía o cinema da proteção da Primeira Emenda. Estados como Nova York (1921) e Virgínia (1922) já tinham comitês de censura. Com o advento do cinema falado, oito estados possuíam tais comitês, gerando preocupação entre os cineastas sobre a necessidade de múltiplas versões de filmes para diferentes regiões, o que levaria a custos e atrasos. Essa situação estimulou a discussão sobre a autocensura como uma alternativa.

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Como o Código Hays Foi Criado

Após a Crise de 1929, a influência das instituições religiosas nos Estados Unidos aumentou. Em 1929, Martin Quigley, editor do Motion Picture Herald, e o padre jesuíta Daniel A. Lord desenvolveram um código de conduta moral para filmes, preocupados com o impacto do cinema falado nas crianças. Em fevereiro de 1930, chefes de estúdio, incluindo Thalberg, se reuniram com Lord e Quigley e, após revisões, concordaram em adotar o código. A principal motivação era evitar a intervenção governamental na produção cinematográfica, que era legalmente possível devido à decisão da Suprema Corte de que filmes não eram protegidos pela liberdade de expressão. O Coronel Jason S. Joy, chefe do SRC, foi encarregado de supervisionar as produções e recomendar cortes. Em 31 de março de 1930, os estúdios da MPPDA formalizaram a adoção do código.

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A Regulamentação do Código Hays

Era Pré-Breen: Aplicação Inicial (1930-1934)

Em 19 de fevereiro de 1930, a revista Variety publicou o Código Hays na íntegra, prevendo o fim dos comitês estaduais de censura. No entanto, os primeiros responsáveis pela fiscalização, Jason Joy (chefe do SRC até 1932) e seu sucessor, Dr. James Wingate, mostraram-se ineficazes. O filme 'O Anjo Azul', aprovado sem cortes por Joy, foi considerado indecente na Califórnia. Apesar de Joy ter negociado cortes em algumas produções, muitos materiais 'lascivos' foram lançados. Com uma equipe limitada, Joy precisava analisar cerca de 500 filmes por ano. Sua habilidade em reescrever cenas o levou a ser contratado pela Fox como roteirista, evidenciando a falta de rigor na fiscalização inicial.

Era Breen: O Rigor da Censura (1934-1954)

Em 13 de junho de 1934, o Código Hays foi emendado, criando a Administração do Código de Produção (PCA), que substituiu o SRC. A partir de 1º de julho de 1934, todos os filmes lançados deveriam receber um selo de aprovação da PCA, que tinha escritórios em Hollywood e Nova York. 'The World Moves On' foi o primeiro filme a receber esse selo. Durante os trinta anos seguintes, a maioria dos filmes americanos aderiu ao Código Hays, e sua aplicação rigorosa resultou no fim dos comitês locais de censura, diminuindo a influência política direta sobre a indústria cinematográfica.

Decadência: Desafios e Mudanças (1954-1968)

Nos anos 1950, Hollywood, embora ainda sob o Código Hays, enfrentou sérias ameaças competitivas. A televisão oferecia entretenimento doméstico, com um código de censura ainda mais restritivo, forçando o cinema a buscar algo diferente. Filmes estrangeiros, como 'Ladrões de Bicicletas' (1948), 'Um Verão de Felicidade' (1951) e 'Monika e o Desejo' (1953), que abordavam o sexo de forma mais explícita e não estavam sujeitos à MPAA, também representavam concorrência. Além disso, a decisão da Suprema Corte em 1948, no caso 'United States v. Paramount Pictures, Inc.', proibiu os estúdios de possuírem salas de cinema, desintegrando a verticalização da indústria e abrindo o mercado para produções independentes e estrangeiras.

O Abandono do Código Hays

O Código Hays foi completamente abandonado em 1968, quando a MPAA implementou um novo sistema de classificação indicativa em 1º de novembro daquele ano, com quatro indicações etárias. Como consequência, a PCA foi dissolvida e Geoffrey Shurlock perdeu seu cargo na MPAA no final de 1968. Embora o fim do código tenha concedido maior liberdade de expressão à indústria cinematográfica, ele também resultou num aumento da crueldade animal nos sets de filmagem, pois o monitoramento do bem-estar animal dependia da estrutura da PCA. Segundo um colaborador do Turner Classic Movies, o acesso da organização American Humane aos sets de filmagem só retornou aos níveis da era Hays em 1980.

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