Coca-Cola
Coca-Cola é um refrigerante carbonatado vendido em lojas, restaurantes, mercados e máquinas de venda automática em todo o mundo. Ele é produzido pela The Coca-Cola Company, sediada em Atlanta, Estados Unidos, e é muitas vezes referido apenas como Coca-Cola. Originalmente concebida como um remédio patenteado quando foi inventada no final do século XIX por John Pemberton, a Coca-Cola foi comprada pelo empresário Asa Griggs Candler, cujas táticas publicitárias levaram a bebida ao domínio do mercado de refrigerantes no mundo ao longo do século XX.
Fundação
A história da Coca-Cola inicia com a chegada do farmacêutico John Pemberton na cidade de Atlanta nos Estados Unidos, logo após a Guerra Civil americana. Ele havia acabado de participar da guerra e estava disposto a mudar de vida, em busca de uma nova clientela que comprasse suas ideias e medicamentos. Por não ter nenhuma habilidade em vendas, sempre fracassou em suas criações, até conhecer o contador Frank Robinson, que acaba tornando-se sócio. Em 1884, foi lançada a bebida alcoólica chamada "Pemberton's French Wine Coca", anunciada como uma bebida intelectual, vigorante do cérebro e tônica para os nervos, sendo, inicialmente uma mistura de folhas de coca, grãos de noz-de-cola e álcool. Em 1886, o puritanismo religioso estava em alta e havia todo um movimento antiálcool. Nenhuma mulher ou homem decente poderia ser visto em lugares que fornecessem esse tipo de bebida. Neste mesmo ano, todos os estabelecimentos que vendiam álcool foram fechados e Pemberton e Robinson se viram na procura por outro produto que lhes rendessem dinheiro.
De 1891 a 1920
O empresário Asa Griggs Candler acreditava no produto e queria que a Coca-Cola fosse conhecida. Naquela época, não existiam meios de comunicação nacionais e, a grande maioria dos consumidores encontrava-se isolados nas pequenas cidades do interior que visitavam as grandes cidades. Uma das formas encontradas foi contratar pessoas para distribuir cupons que davam o endereço e um brinde, experimentar de graça a Coca-Cola, fazendo com que os estabelecimentos fossem procurados. Candler também acaba disponibilizando outros brindes nos estabelecimentos, como calendários e posters que serviam como uma forma dos consumidores olharem para o nome da Coca-Cola e lembrar onde compraram.
De 1921 a 1972
Quando os Estados Unidos entraram na Primeira Guerra Mundial, a Coca-Cola já tinha se tornado a maior consumidora de açúcar do mundo para a fabricação de seus produtos. Com a guerra, começou a ter racionamento, colocando em perigo os negócios da companhia. Em 1923, com o final da Primeira Guerra Mundial, houve a recessão que quase faliu com a companhia [nota 1]. Este fato fez o conselho que comandava a The Coca-Cola Company escolhesse um novo presidente, sendo eleito Robert Woodruff,[nota 2] o mesmo dirigiria a companhia pelos próximos 60 anos. Em 1929, a Coca-Cola lança uma caixa de metal, que a conservava gelada nos postos de vendas, chamado de "open-top cooler". Em 1931, a Coca-Cola encomenda uma série de quadros a Haddom Sundblom, representando a imagem do Papai Noel, para uso em publicidade. A figura acaba tornando-se a identidade do Papai Noel. Mas, em 1927 os mesmos traços já haviam sido utilizados no jornal New York Time.
Ingredientes
O refrigerante Coca-Cola normal tem como ingredientes, aromatizantes naturais, água gaseificada, açúcar, cafeína, extrato de Noz de cola, corante caramelo IV, acidulante Ácido Fosfórico (INS 338). É um produto não alcoólico, sem glúten e não contém quantidades significativas de proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans e fibras alimentares. A fórmula exata da Coca-Cola é um segredo industrial, e nem sequer são conhecidas quais as matérias-primas usadas. Segundo a revista Veja "a Coca-Cola mantém equipes de degustadores que retiram de quinze em quinze minutos garrafas de refrigerante da linha de produção para beber um gole e checar se o sabor está de acordo com as especificações da bebida".
A publicidade da Coca-Cola tem tido um impacto significativo na divulgação da cultura norte-americana, sendo frequentemente creditada à bebida a "invenção" da imagem moderna do Papai Noel(pt-BR) ou Pai Natal(pt-PT?) como um homem idoso em roupas vermelhas e brancas, justamente as cores da Coca-Cola. Apesar disso, a companhia começou a promover esta imagem de Papai Noel somente na década de 1930, nas suas campanhas de inverno, mas a imagem do Papai Noel, com os mesmos traços já havia sido publicada num artigo do "New York Times" em 1927, sem os créditos da Coca-Cola. A Coca-Cola tem sido destaque em inúmeros filmes e programas de televisão. Desde a sua criação, permanece como um dos elementos mais importantes da cultura popular, principalmente no mundo ocidental. A bebida foi um elemento importante da trama de filmes como One, Two, Three, The Coca-Cola Kid e de Os Deuses Devem Estar Loucos, entre muitos outros. Nas músicas "Come Together", dos Beatles, e "All Summer Long", dos The Beach Boys também há referências sobre o refrigerante.
Músicas
Cantores internacionais como Julio Iglesias (Ron Y Coca Cola), Cyndi Lauper (Right Track Wrong Train), Inna (Cola Song) e os conjuntos musicais U2 (Billy Boola), The Beatles (Come Together), Red Hot Chili Peppers (Desecration Smile), Bee Gees (Another Cold And Windy Day) Oasis (Come Together), Nickelback (She Keeps Me Up), Green Day (The Static Age), entre outros já fizeram referências do refrigerante Coca-Cola em suas canções. Na música brasileira, o refrigerante Coca-Cola já foi utilizado como referência de forma não-comercial da marca. Grupos e cantores que fizeram menção à Coca-Cola em canções que acabaram virando parte da história da música popular brasileira.
Colecionismo
Uma das grandes estratégias da Coca-Cola no Brasil visando o público infanto-juvenil é o colecionismo, apesar de não ser algo forte como nos Estados Unidos, Canadá e França. Os itens são praticamente os mesmos em todo o mundo, com pequenas diferenças culturais que favorecem as propagandas e os slogans criados em cada país. No Brasil, os itens mais colecionados são os anúncios originais de época, garrafas, latas, tampinhas, pôsteres e réplicas. Um dos primeiros itens promocionais lançados no Brasil foi a réplica do caminhão que entregava as bebidas na década de 1940, e que atualmente está valendo cerca de R$ 1 500,00. Outro item de grande destaque são as miniaturas de garrafinhas em um engradado (Promoção Tampinhas por Garrafinhas).
Popularidade
A Coca-Cola é a bebida mais vendida na maioria dos países, mas não em todos, como a Escócia, onde a bebida local Irn Bru é a líder de mercado; a Argentina, onde a Pepsi é a líder do mercado; e em duas províncias do Canadá: no Quebec e na Ilha do Príncipe Eduardo. A Coca-Cola também é menos popular em países do Oriente Médio e Ásia, como os territórios palestinos e a Índia — por um lado devido ao sentimento antiocidental, por ser extremamente popular em Israel e, por outro, por não ter condições de ser fabricada. Há poucos anos, a Mecca-Cola, [nota 3] uma versão "islâmica" da Coca-Cola, tem feito grande sucesso no Oriente Médio. O diretor de Saúde de Lisboa - Ricardo Jorge - mandou apreender o produto existente no mercado e deitá-lo ao mar. Ricardo Jorge justificava o seu entendimento argumentando que se do produto faz parte a coca, da qual é extraído um estupefaciente, a cocaína, a mercadoria não podia ser vendida ao público, para não intoxicar ninguém; mas se o produto não tem coca, então anunciá-lo com esse nome para o vender seria burla, o que igualmente justificava que ele não fosse permitido no mercado.
A Coca-Cola tem sido criticada devido aos alegados efeitos adversos para a saúde humana, por suas agressivas campanhas publicitárias voltadas para crianças, por práticas de exploração laboral, por altos níveis de pesticidas em seus produtos, pela construção de fábricas na Alemanha nazista que empregavam trabalho escravo, por destruição ambiental, por práticas comerciais monopolistas e por contratar unidades paramilitares para assassinar dirigentes sindicais. Em outubro de 2009, em um esforço para melhorar a sua imagem, a Coca-Cola fez uma parceria com a Academia Americana de Médicos de Família e doou 500 mil dólares para ajudar a promover a educação de estilo de vida saudável; a parceria gerou fortes críticas sobre ambos os parceiros por parte de médicos e nutricionistas. A Bolívia anunciou em janeiro de 2013 que está a considerar a proibição da venda de Coca-Cola em seu território.
Efeitos na saúde
Estudos indicam que "refrigerantes e bebidas açucaradas são a principal fonte de calorias na dieta americana", o que faz a maioria dos nutricionistas recomendarem que a Coca-Cola e outros refrigerantes podem ser prejudiciais se consumidos em excesso, particularmente para crianças pequenas, cujo consumo de refrigerantes atrapalha, ao invés de complementar, uma dieta equilibrada. Estudos têm mostrado que os consumidores regulares de refrigerantes possuem um menor consumo de cálcio, magnésio, ácido ascórbico, riboflavina e vitamina A. A bebida também tem despertado crítica por utilizar cafeína, o que pode provocar dependência física. Além disso, foi demonstrada uma ligação entre a ingestão regular de bebida de cola a longo prazo e de osteoporose em mulheres mais velhas (mas não em homens). Isto ocorre provavelmente devido à presença de ácido fosfórico nesse tipo de bebida e o risco foi considerado mesmo para as colas com cafeína e descafeinadas, bem como o mesmo para as colas diets e açucaradas.
Desvio de água no Brasil
Em 2014 (ano da seca histórica de São Paulo) a Coca-Cola foi alvo de uma investigação sobre desvio de água de um rio para uma das empresas em Jundiaí, São Paulo. Foi iniciada uma investigação após ser constatada uma contradição no documento da Coca-Cola, onde afirmava usar água "bruta" (imprópria para consumo) de um rio que era captada pelo DAE (Departamento de Água e Esgoto), que negou a informação. Segundo o promotor Rodrigo Sanches Garcia, do Gaema (Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente) "A captação é para abastecimento público. O DAE não pode fornecer água bruta ou está descumprindo a outorga [uma autorização do DAEE para uso dos recursos hídricos]".


