Clube do Remo
O Clube do Remo, ou simplesmente Remo, é um clube esportivo brasileiro de Belém, capital do estado do Pará, fundado em 5 de fevereiro de 1905 como Grupo do Remo por dissidentes do Sport Club do Pará. Interrompeu as suas atividades em 1908 até ser reorganizado em 15 de agosto de 1911. Em 1914, foi rebatizado para o seu nome atual.
Fundação
Belém, no início do século XX, vivia um momento próspero. A Amazônia como um todo estava em evidência devido ao ciclo da borracha e a capital paraense era o símbolo maior da riqueza e transformações socioculturais ocorridas na região, caracterizando a sua Belle Époque, refletidas nas diversas reformas de modernização instauradas pelo prefeito Antônio Lemos. Belém chegou a ficar conhecida como a “Paris n’América” ou “Paris Tropical”. Foi nesse contexto que o esporte começou a se desenvolver, com destaque para o remo, cuja disputa atraía um acentuado número de adeptos às margens da baía do Guajará. Era o início do surgimento de diversas equipes, dentre elas estava o Sport Club do Pará, uma das potências esportivas da época. A partir de então começaria uma grande história.
Extinção e reorganização
No ano de 1908, o Grupo do Remo não conseguiu renovar o contrato de aluguel de sua sede junto à Intendência Municipal. A situação forçou alguns de seus associados a realizarem um acordo secreto com integrantes do Sport Club do Pará, abrindo procedentes para um recurso. Diante de uma severa crise, a Assembleia Geral se reuniu em 14 de fevereiro e o desembargador Alfredo Barradas decretou a extinção do Grupo do Remo. Uma pequena parcela não concordou com a decisão, tomando como medida o sequestro dos barcos pertencentes à agremiação para que não caíssem em “mãos erradas”. As embarcações foram levadas a um galpão no terminal de inflamáveis de Miramar, cujo proprietário era Francisco Xavier Pinto, onde ficaram escondidas.
Início no futebol
No Pará, há indícios de que o futebol começou a ser praticado em fins do século XIX, com relatos de partidas disputadas desde 1892. Entretanto, foi a partir do ano de 1900 que alguns desportistas iniciaram o desenvolvimento do esporte, com a realização de jogos. Em 1906, ocorreu a primeira tentativa de se organizar uma competição futebolística, mas não vingou. No mês de agosto de 1908 funda-se a Liga Paraense de Foot-Ball que pôs em prática o primeiro Campeonato Paraense da história, vencido pelo União Sportiva. Dois anos mais tarde, em 1910, uma segunda edição foi realizada e o União sagrou-se novamente vencedor. Dessa forma, o futebol começava a ganhar espaço na sociedade paraense, com a adesão de várias equipes. Em 1913, é a vez do Grupo do Remo implantar o futebol no seu quadro esportivo, contando com os concursos de atletas vindos de outros clubes, dentre eles o próprio União Sportiva, até então bicampeão paraense, e o Sport Club do Pará, vice-campeão em 1908. Dessa forma, o Grupo do Remo montava o seu time com os melhores jogadores que havia na época.
Profissionalismo
Nos anos 40, o Clube do Remo deu início à importação dos jogadores. Em 1945 trouxe três jogadores: Manolo, Jambo e Arquimedes. Estes foram os três primeiros atletas registrados como profissionais no futebol paraense. Este foi o marco do profissionalismo no estado, no qual os clubes passaram a remunerar os seus atletas, seguindo uma tendência que começou oficialmente no Brasil em 1933, pelo estado de São Paulo. Após um jejum de nove anos sem títulos estaduais – o maior em toda a história do clube – o Clube do Remo sagrou-se supercampeão paraense de futebol em 1949, ao golear o Paysandu na grande final por 4 a 1 em pleno estádio da Curuzu no dia 8 de janeiro de 1950. A campanha azulina registrou 10 partidas, com oito vitórias, um empate, uma derrota, 28 gols marcados e nove gols sofridos. Mantendo a base campeã, o Leão Azul conquistou o bicampeonato paraense em 1950.
Cronologia
14 de junho de 1914 – Remo 2 x 1 Paysandu (1º Re-Pa). 7 de agosto de 1914 – Mudança do nome para Clube do Remo. 15 de agosto – Inauguração do estádio Evandro Almeida. 15 de novembro – Remo 0 x 0 Tuna (1º Re-Tu) Remo 21 x 0 Combinado francês (maior goleada da história do clube). Bicampeão do Campeonato Paraense (16º título). Campeão do Torneio Quadrangular de Belém (1º título). Campeão do Torneio do Norte (1º título). Campeão da Taça Norte–Nordeste (1º título). Vice-campeão do Campeonato Nacional de Clubes da 1ª Divisão (Série B) . Campeão do Torneio Pará-Goiás (1º título). Campeão do Torneio Internacional de Belém (1º título). 25 de outubro – Flamengo 1 x 2 Remo (primeira vitória de um clube paraense no Maracanã).
Escudo
No 15º artigo do Estatuto Social de 1905, a primeira bandeira do Remo consistia em um retângulo azul-marinho, “tendo ao centro uma âncora branca, em sentido oblíquo, circulada por treze estrelas da mesma cor”. Após a reorganização de 1911, a âncora deu lugar a um escudo de formato semelhante a uma boia salva-vidas, cruzada por um par de remos. Na parte superior, vinha a descrição “Grupo do Remo” e ao meio, as iniciais “GR” entrelaçadas. Em 1914, a agremiação passa a se chamar Clube do Remo. Com essa mudança, o escudo também se renova. A uniformidade circular do distintivo anterior é mantida, adicionando-se os recortes laterais simétricos típicos da heráldica britânica – herança de alguns fundadores do clube com formação acadêmica na Europa, especialmente na Inglaterra. A sigla GR dá lugar ao CR.
Bandeira e flâmula
O escudo azulino está presente também em outros dois importantes símbolos do Clube do Remo: a bandeira e a flâmula. No esporte, estes objetos possuem diferentes significados. Enquanto a bandeira é identificar e representar o clube e seus torcedores, a flâmula tem como objetivo homenagear os adversários antes do início das partidas, independente do esporte. Atualmente, ambas são assim definidas no artigo 19 do Estatuto Social do Clube do Remo: "I- A bandeira do CLUBE DO REMO será de forma retangular, na cor azul marinho, contendo no ângulo superior esquerdo o respectivo escudo, sendo respeitada a distância mínima de 1/6 do tamanho total da imagem aplicada com relação às margens da Bandeira".
Mascote
A mascote oficial do Clube do Remo é o leão, popularmente chamada de "Leão Azul", em alusão à cor oficial do clube. A versão classicamente propagada da sua origem remete ao ano de 1944, quando o Remo enfrentou e venceu a equipe do São Cristóvão-RJ por 1 a 0, no dia 30 de janeiro. O adversário azulino, que possuía o cartaz de terceiro colocado no Campeonato Carioca de 1943, realizava uma excursão pelo Norte e Nordeste do Brasil e ainda não havia perdido em solo paraense, fato que valorizou ainda mais o triunfo remista. No dia seguinte, o saudoso jornalista Edgar Proença reportou-se à partida da seguinte forma no jornal O Estado do Pará: Porém, alguns registros mais antigos apontam que Edgar Proença teria alcunhado o Clube do Remo de "Leão Azul" desde meados dos anos 30.
Hino
O hino do Clube do Remo surgiu de uma adaptação feita pelo poeta Antônio Tavernard da marcha carnavalesca criada por Emílio Albim para o bloco Cadetes Azulinos, criado em 1933 e era formado por atletas, associados, dirigentes e torcedores que percorriam as ruas de Belém com destino à Praça da República. Tavernard trocou 30 palavras da marcha para criar o Hino dos Atletas Azulinos, publicado pela primeira vez no jornal O Estado do Pará, de 4 de fevereiro de 1941.
Alcunhas
Carlos Ferreira Lopes, mais conhecido pelo nome Periçá, nasceu em 18 de outubro de 1898. Filho do Juiz de Direito, Jorge Victor Pereira, ex-Intendende de Cametá, foi um dos atletas mais completos que já defenderam as cores do Clube do Remo, disputando competições como jogador de futebol, remador, nadador, além de participar de provas de resistência. Quando disputava uma prova de mergulho, em 16 de maio de 1921, Periçá demorou a voltar para a superfície. Imediatamente seus irmãos e outros atletas mergulharam em sua busca e o encontrou preso no fundo da baía do Guajará. O atleta foi retirado com vida e rapidamente levado ao hospital Dom Luiz I, onde ficou hospitalizado por sete dias até falecer aos 23 anos de idade. Pela bravura demonstrada como atleta, o apelido "Clube de Periçá" ficou marcando para sempre na história do Clube do Remo.
Remo
Surgido como Grupo do Remo, em 1905, o clube sempre manteve a sua tradição no esporte. É o maior campeão paraense náutico, tendo conquistado o seu primeiro título em 16 de novembro de 1911. A conquista mais significativa veio em 1934 quando o Remo conseguiu a posse definitiva do Troféu Lauro Sodré, que hoje ocupa um lugar de destaque na sede social social do clube. Durante 17 anos de disputa, entre 1917 e 1934, o Troféu Lauro Sodré era ofertado ao vencedor da prova "Yole com Quatro", do Campeonato Paraense. A posse definitiva do troféu só seria concedida ao clube que ganhasse a prova por três vezes seguidas. Após vários anos de intensos embates nas águas da baía do Guajará, o Clube do Remo finalmente conquistou o valioso troféu ao sagrar-se tricampeão em 1931, 1933 e 1934, em 1932 não houve campeonato, sempre a bordo do barco "Tuchaua". Até então, o Remo já havia sido campeão em seis oportunidades (1917, 1918, 1921, 1923, 1926 e 1929). O troféu simboliza um gladiador defendendo uma mulher e uma criança, pesa 45 quilos, tem 60 centímetros de altura e 25 de largura. A estatueta foi construída na França por Jaeger.
Principais títulos
Abaixo estão listados os principais títulos conquistados pelo Clube do Remo no futebol reconhecidos pela Confederação Brasileira de Futebol.
Outras conquistas
Abaixo estão listados os principais títulos não oficiais conquistados. ¹ O Torneio Internacional de Caracas é considerado por alguns autores como o precursor da Pequena Taça do Mundo. Em toda a sua história, o Clube do Remo já realizou 76 partidas internacionais, obtendo 45 vitórias, 20 empates, 11 derrotas, 172 gols marcados e 66 gols sofridos. Dentre os adversários que o Leão Azul enfrentou, 13 são Suriname, 8 da Venezuela, 4 da Holanda, 3 da Guiana Francesa, 2 da França, 2 de Portugal, 2 do Uruguai, 2 da Iugoslávia, além das seleções de Bucareste/Romênia, Paraguai, Etiópia, Suriname e Caiena. Na sua história, o Clube do Remo já disputou jogos contra diversas seleções, sejam elas nacionais, estaduais ou municipais. Dentre as seleções estrangeiras que já enfrentaram o Leão Azul estão a do Suriname, Bucareste/Romênia e Caiena. O principal jogo contra uma seleção estadual aconteceu no dia 17 de outubro de 1928, quando o Remo goleou por 5 a 1 a seleção do Ceará, que disputou o Campeonato Brasileiro de Seleções daquele ano.
Desde que surgiu, o Clube do Remo apresenta o azul-marinho e o branco como suas cores oficias. Sendo assim, os uniformes principais de todas as modalidades adotam o azul-marinho como cor predominante, invertendo-se a ordem nos uniformes secundários. Curiosamente, a camisa utilizada pelo time em sua primeira partida de futebol possuía listras horizontais. A partir de 2020 a Kappa será a responsável por produzir o matérial esportivo do clube. Em 2013, quando a fornecedora era a Umbro, a camisa oficial do Clube do Remo daquela temporada foi eleita pelo site Goal como a mais bonita do Brasil e uma das dez mais do mundo. Primeira partida da história do Clube do Remo. Primeira vitória do Clube do Remo. O primeiro gol da história foi marcado por Rubilar. Primeiro jogo e primeira vitória no Campeonato Paraense. O Remo terminaria como campeão invicto desse ano. A estreia do até então Grupo do Remo no Campeonato Paraense de 1914 foi justamente contra o time que se tornaria seu maior rival no futebol, o recém-fundado Paysandu. O primeiro Clássico Rei da Amazônia também marcava a inauguração do estádio da firma Ferreira & Comandita, alugado pela Liga Paraense de Foot-Ball. Cerca de dois mil torcedores - maioria remista - estiveram presentes no histórico confronto. O Grupo do Remo venceu com gols de Bayma (contra) e Antonico; Mateus marcou o tento bicolor. Era o início do clássico mais disputado do mundo.
Camisa do Centenário
Em comemoração aos 100 anos do clube, a Finta lançou uma linha exclusiva e limitada de camisas douradas com detalhes em azul-marinho. Vale-se ressaltar que o maior jogador de futebol de todos os tempos, Pelé, quando veio jogar em Belém em 1965, vestiu o manto sagrado azulino.
Camisas retrô históricas
No ano de 2009, a RemoStore, em parceria com a marca esportiva Pieri Sports, lançou o seu primeiro modelo retrô homenageando o tricampeonato paraense de 1924, 1925 e 1926. Em 2011, foi lançada uma camisa réplica da utilizada pelo time azulino nos anos 80. Mais recentemente, no dia 2 de agosto de 2012, a loja oficial do Clube do Remo lançou um modelo alusivo ao ano de 1971, quando o Filho da Glória e do Triunfo conquistou a Taça Norte–Nordeste. Trata-se de uma cópia idêntica às camisas utilizadas pelo elenco azulino, em especial o craque Alcino, maior ídolo da história remista. A camisa traz a inscrição “Campeão Norte–Nordeste 1971”, abaixo do escudo do clube.
Rivalidades
O maior rival do Remo é o Paysandu Sport Club, com quem faz Clássico Rei da Amazônia ou Re-Pa, o maior da região Norte. O primeiro jogo ocorreu em 14 de junho de 1914 e terminou com vitória remista por 2 a 1. Nenhum outro confronto no mundo foi disputado tantas vezes quanto este. Ver estatísticas abaixo: Último jogo considerado: Paysandu 1 x 1 Remo em 20 de fevereiro de 2022, 7ª rodada do Parazão. Último jogo considerado: Paysandu 1 x 1 Remo em 20 de fevereiro de 2022, 7ª rodada do Parazão. De 31 de janeiro de 1993 a 7 de junho de 1997, o Clube do Remo impôs o inesquecível tabu de 33 jogos sem perder para o seu maior rival, o Paysandu, sendo 21 vitórias e 12 empates. Segundo a revista Placar (setembro de 2007), essa foi a maior série de invencibilidade, em número de jogos, entre os maiores clássicos do futebol brasileiro.
Ao longo de sua existência, o Clube do Remo construiu um patrimônio imobiliário digno do seu tamanho e que hoje é utilizado para desenvolver atividades relacionadas ao dia-dia do clube assim como de seus sócios e atletas. Tudo isso possibilita praticar as atividades esportivas tanto amadoras quanto profissionais em seu próprio espaço, como por exemplo, a natação no parque aquático, o vôlei, o basquete e o futsal no Ginásio Serra Freire e assim por diante. A estes se juntam ainda o Estádio de Futebol Evandro Almeida, popularmente conhecido como Baenão, a Sede Náutica que da fundo para a baía do Guajará, local de treinamentos dos atletas de Remo e é claro a sede social onde funciona as atividades administrativas do Clube. Tem ainda o que muitos considerariam como o maior e mais bonito patrimônio do Clube, a torcida, também conhecida como Fenômeno Azul. As dimensões são inimagináveis, não se sabe ao certo a quantidade mais entre tantas pesquisas já realizadas sempre foi apontada como a maior do estado, estando ainda entre as maiores do Brasil. Fato que comprova isso foi à média alcançada durante a disputa do Campeonato Brasileiro de Futebol da Série C onde a torcida atingiu a maior média de público entre todos os outros módulos do campeonato.
Sede náutica
A sede náutica azulina está localizada no bairro da Cidade Velha, berço de Belém, cercada por monumentos históricos da cidade como o Forte do Presépio, a Casa das Onze Janelas e a Igreja da Sé, com fundos para a baía do Guajará. O terreno e o prédio onde funciona a sede foram alugados por integrantes do Grupo do Remo, junto à Intendência Municipal, em 1905. A inauguração se procedeu no dia 1 de outubro, quando foi efetuado o batismo e o lançamento ao mar da primeira embarcação do clube, uma baleeira denominada “Tibiriçá”. O contrato de aluguel durou até 1908, quando os azulinos não conseguiram renová-lo, gerando uma crise interna dentro do clube que culminou com a sua extinção no em 14 de fevereiro. Três anos mais tarde, o Cordão dos Onze conseguiu alugá-la mais uma vez.
Estádio
O estádio Evandro Almeida foi inaugurado em 15 de agosto de 1917, na comemoração do aniversário de 6 anos de reorganização. Inicialmente, o Baenão, como é popularmente conhecido, tinha capacidade para apenas 2 500 pessoas. Com o passar do tempo, o futebol foi se popularizando entre os paraenses, especialmente nos torcedores do Clube do Remo, tornando o Beanão obsoleto. Após várias reformas estruturais (1935 e 1962), a capacidade do estádio aumentou para cerca de 20 mil espectadores fazendo com que fosse o único do Pará com condições de abrigar jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol a partir de 1972, já que o Mangueirão ainda não havia sido construído.
O Retorno do Rei
Em 2013, na gestão do presidente Zeca Pirão, foi elaborado um ambicioso projeto que visava transformar o estádio em uma moderna arena de futebol. Dentre as mudanças, constava a troca do gramado, a substituição do alambrado por placas de acrílico, novo sistema de iluminação e a construção de uma nova ala de camarotes. Porém, apenas os dois primeiros itens foram cumpridos. No ano seguinte, a área onde ficavam as cadeiras vips do estádio (onde seriam construídos os camarotes) foi demolida bem como o sistema de iluminação desinstalado, mas a não reeleição de Zeca Pirão impediu o prosseguimento da reforma. No dia 1 de maio de 2014, o Remo venceu o Independente por 4 a 0 - revertendo uma vantagem de 3 a 0 do clube de Tucuruí - e classificou-se para a final do Campeonato Paraense, do qual seria campeão. Essa foi a última partida de caráter oficial disputada pelo Leão em sua casa, já que nos anos que se sucederam, a estrutura do Baenão foi progressivamente se deteriorando, tornando-o inapto a sediar jogos válidos por competições oficiais. Tal situação era um reflexo dos momentos de instabilidade política em que o Clube do Remo se encontrava.
Sede social
O Clube do Remo apresenta como sua sede social um belíssimo imóvel de 3.275m², localizado na Av. Nazaré, centro de Belém. Denominada de "Palácio Azul", lá é oferecida aos sócios e torcedores, uma imensa estrutura que permite a prática de várias atividades esportivas assim como recreativas. A sede social do Clube do Remo foi construída onde antes era o prédio do Sport Club do Pará. O imóvel foi adquirido em 11 de agosto de 1938 em um leilão e custou 150 contos de reis, na administração do Dr. Adriano Guimarães. Passou por ereformas no ano de 1942. Em 1955 o prédio foi totalmente reconstruído pelo engenheiro Arthur Carepa e seu amigo e auxiliar José Heimar Lacerda, sendo entregue em 1959.
Parque aquático
O parque aquático azulino funciona dentro da sede social do clube, localizada na Av. Nazaré. Foi inaugurado em 1 de fevereiro de 1959, pela Comissão de Construção, custando cerca de CR$3 milhões. No total são três piscinas, sendo duas com dimensões semi-olímpicas e uma destinada a natação infantil. Por lá são realizadas três modalidades esportivas, a natação, hidroginástica e o nado sincronizado. No espaço funciona ainda o departamento administrativo de natação, uma casa de bombas para o tratamento da água utilizada nas piscinas, academia e vestiários.
Ginásio
O ginásio do Remo foi inaugurado em 31 de julho de 1963. Na época, a sua construção, comandada pelo engenheiro Evandro Bonna, foi considerada um marco da engenharia paraense. Para se ter uma ideia, a sua cobertura possuía o maior arco laminado da América Latina. Denominado oficialmente de Serra Freire – homenagem a um remista histórico, com larga folha de serviços prestados ao clube – o ginásio possibilitou o desenvolvimento dos esportes de quadra do Clube do Remo, que coleciona inúmeras conquistas no basquete, vôlei e futsal. O ginásio comporta ainda vestiários, salas administrativas e um prédio comercial com dois pavimentos. O Serra Freire está em anexo à sede social azulina, porém a sua entrada se dá pela Av. Braz de Aguiar, justamente para evitar o percurso por dentro da sede, com destino à quadra poliesportiva. Em 2014, foi reinaugurado após a realização de reformas em sua estrutura, como a substituição da arquibancada original de madeira da região por concreto, a revitalização da quadra principal, de banheiros, vestiários, pintura, entre outras melhorias.
Originalmente, o Leão Azul nasceu voltado para a prática do remo, esporte muito praticado principalmente da elite paraense no início do século XX, fazendo com que a agremiação tornar-se a preferência clubistíca entre as famílias dos chamados “barões da borracha”. Com a inclusão do futebol em 1913, iniciando uma histórica sequência de sete títulos consecutivos, o Clube do Remo foi aos poucos atingindo outros segmentos da sociedade paraense, contribuindo para o rápido crescimento do número de simpatizantes. Prova disso foi a pesquisa realizada pelo jornal A Vanguarda, em 1947, que condecorou o Clube do Remo como o “Mais Querido da Cidade”, alcunha pela qual o clube é conhecido até hoje. A votação durou mais de dois meses. Durante esse período, os leitores preenchiam cupons, publicados no jornal, com o nome do time de sua preferência e os depositavam em urnas espalhadas pela cidade. No dia 4 de dezembro de 1947, foi feita a apuração dos votos e o Clube do Remo foi considerado vencedor com 43 038 votos, cabendo ao Paysandu o segundo lugar com 39 639 votos e a Recreativa Bancrévea em terceiro com 26 429. A votação registrou 53 clubes em toda a capital paraense. Como prêmios, o Clube do Remo recebeu o bronze “A Província do Pará” e 3 000 tijolos da Fábrica Cerâmica da Cidade Limitada.
O Fenômeno Azul
O Clube do Remo não é conhecido apenas pelo tamanho de sua torcida, mas também pelos seus fanáticos torcedores. A maior demonstração desse fanatismo foi em 2005, quando o Leão disputava pela primeira vez a Série C. A torcida azulina deu show nas arquibancadas do estádio Mangueirão, conquistando a fantástica média de 30.869 torcedores por partida, a maior do Brasil, superando clube como Flamengo-RJ, Corinthians-SP e Atlético-MG. O apelido de Fenômeno Azul foi dado pelo repórter da Rádio Clube do Pará, Paulo Caxiado que faz a cobertura do dia-a-dia do Remo. No jogo contra a equipe do Nacional no dia 16 de outubro de 2005, mais de 45 000 pessoas compareceram ao Mangueirão. Tamanha grandiosidade supreendeu até o técnico do time adversário, o ex-jogador da Seleção Brasileira de Futebol Luís Carlos Winck que fez uma declaração emocionada sobre o Fenômeno Azul:
Torcidas organizadas
De acordo com o livro Parazão Centenário – A História do Campeonato Paraense de Futebol, a primeira torcida organizada do Clube do Remo foi criada em 1967. Tratava-se de uma charanga, que instituiu o grito de guerra “Remo, Remo, Clube Macho sim senhor!”. O chefe da torcida era o torcedor Rui Pereira, filho do ex-presidente azulino, Jarbas Pereira. O segundo chefe foi José Alencar, o terceiro foi Edílson Dantas, e o quarto foi José Miranda. Nos anos 70, a principal torcida azulina era a Sangue Azul, extinta anos mais tarde. No dia 12 de outubro de 1985, surgia a tradicional Trovão Azul, famosa pela sua bateria. A Piratas Azulinos surgiu em 12 de outubro de 1986, no bairro do Guamá. Em março de 1989 fundou-se a Remista, antiga Remoçada, a maior organizada azulina atualmente, donde parte a maioria dos cânticos e coreografias. Seu lema é “Porque amor e paixão pelo Clube do Remo são eternos”.
Nação Azul
O Nação Azul é o projeto de sócio-torcedor do Clube do Remo. Criado em 2009 o programa visa buscar uma maior proximidade entre o clube e o seu torcedor. Após alguns anos de estagnação, o Nação Azul cresceu assustadoramente em 2015 com o lançamento da campanha "Pelo Remo Somos Leões", ano que o Remo foi o 5º clube brasileiro com maior número de adesões. Segundo o Torcedômetro do Movimento por um Futebol Melhor, o Leão possui atualmente mais de 16 mil associados, classificando o Nação Azul como o 15º maior programa de sócio-torcedor do Brasil.
Escola de samba
A Embaixadores Azulinos é uma escola de samba oriunda da comunidade da Sociedade Cultural do Pará Luiz Otávio Cardoso dos Santos (Socult), fundada em 1983. A Embaixadores é a representante da torcida do Clube do Remo no carnaval de Belém. Em 2008, sagrou-se campeã do grupo 3, conquistando o seu segundo título, com o samba-enredo “Socult é jubileu, é história... São 25 anos de glória”. Em 2016 a Embaixadores levou para a Avenida do Samba o enredo "Feliz Lusitânia, berço do Filho da Glória e do Triunfo", em homenagem aos 400 anos da cidade de Belém a ao local de origem do Clube do Remo. O bloco de carnaval "Leões na Folia" é um bloco de empolgação do carnaval de Abaetetuba (Pará).
O basquete é outro esporte que rendeu muitas glórias ao Clube do Remo. Até hoje, o Leão é o único heptacampeão paraense na categoria adulto masculino, um feito conquistado entre os anos de 1959 e 1965. Os únicos jogadores que participaram de todos os sete títulos foram Sérgio Paiva e Guilherme Maia. Durante esse período, o Remo disputou 49 partidas, vencendo 40 e perdendo apenas 9. Os elencos responsáveis pela histórica conquista foram os seguintes: No ano de 2002, o Leão conquistou o título mais importante de sua história: a Copa Brasil Norte de Basquete, torneio que teve a chancela da Confederação Brasileira de Basketball (CBB). A grande final foi decidida em Macapá (AP) contra a equipe da Sociedade Esportiva e Recreativa São José, uma das maiores forças da região no esporte. Os amapaenses ganhavam a partida por 68 a 67, até que o jogador azulino Luis Pinho acertou uma cesta de 3 pontos, em uma bola arremessada do meio quadra, quando faltava 4 segundos para o fim da partida. A cesta garantiu a vitória e o título, o que o credenciou a participar da Supercopa dos Campeões, ficando injustamente em quinto lugar – poderia ser em terceiro caso tivesse passado pelo desconhecido Univila, do Espírito Santo.
Um dos fundadores da Fepabol (Federação Paraense de Boliche), em dezembro de 1997, o Clube do Remo foi o primeiro campeão do Campeonato Paraense de Clubes no ano seguinte. Em 2000 conquistou o bicampeonato estadual. Desde então, o Leão se consolidou entre os principais times do estado, sempre figurando nas primeiras posições dos campeonatos que disputa. Em 2019, o Clube do Remo montou um time de boliche feminino, que passou a render grandes resultados para o clube.
Esporte eletrônico
Também chamados de Ciberesporte ou eSports, os esportes eletrônicos cresceram muito nos últimos anos e aumentaram a proporção de jogadores profissionais. Em 2016, seguindo essa perspectiva visionária, o Clube do Remo fechou parceria com a Brave e-Sports, uma tradicional equipe paulista que disputa em diversas modalidades, como League of Legends, Heroes of the Storm, CrossFire e Counter-Strike:GO. Assim surgiu a Remo Brave que já conquistou excelentes resultados: foi vencedor invicto do Circuito Desafiante, o que garantiu a equipe na elite do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL). Além disso, a partida entre Remo e IDM, de 7 de junho de 2016, entrou na lista de jogos perfeitos da eSpotsWiki.com.


