Clark Gable
William Clark Gable foi um ator estadunidense, muitas vezes referido como "O Rei de Hollywood". Ele teve papéis em mais de 60 filmes de variados gêneros durante uma carreira que durou 37 anos, três décadas dos quais atuou como protagonista. Gable morreu de ataque cardíaco aos 59 anos; sua última aparição na tela foi como um caubói em "The Misfits", lançado postumamente em 1961.
Gable era filho do fazendeiro e perfurador de petróleo William Henry Gable, e de Adeline Hepshelman, descendente de alemães e irlandeses. Com alguns meses de vida, Clark perdeu sua mãe, devido à fragilidade, às condições do parto que a debilitaram, e à epilepsia; há a probabilidade de ela ter falecido de um tumor cerebral. Antes de morrer, a mãe o batizou na religião católica, mas após sua morte, o lado paterno da família não aceitou tal batismo, criando problemas com a família de Adeline, problemas esses que só foram resolvidos quando o pai o mandou para morar com o tio materno, Charles Hershelman, em Vernon, na Pensilvânia. Até os dois anos, Clark esteve sob cuidados dos tios maternos, e então seu pai o levou de volta para Hopedale, Ohio. O pai casara novamente, em abril de 1903, com a chapeleira Jannie Dunlap, mulher culta e gentil que criou Clark como se fosse seu filho. Gable cursou a Hopedale Grade School, depois a Edinburg High School. Fazia parte de um time esportivo, além de tocar trompete no colégio. Um de seus amigos, Andy Means, conseguira emprego em uma fábrica de pneus, B. F. Goodrich, em Akron, e Gable resoveu acompanhá-lo, abandonando os estudos aos dezesseis anos.
Em 1924, quando Josephine Dillon foi para Hollywood, Gable a seguiu, e em 13 de dezembro daquele ano, estavam casados. Ele trocou seu nome, na época, de W. C. Gable para Clark Gable. Com a influência de Josephine, conseguiu participação como figurante em filmes como "The Plastic Age" (1925), estrelado por Clara Bow, "Forbidden Paradise" (1924), e uma série intitulada "The Pacemakers". Entre 1927 e 1928, Gable atuou com a Laskin Brothers Stock Company, em Houston, onde fez diversos papéis, ganhando considerável experiência e se tornando um ídolo local. Gable, então, foi para Nova Iorque, e conseguiu trabalho na Broadway. O Morning Telegraph considerou: "He's young, vigorous and brutally masculine" ("Ele é jovem, vigoroso e brutalmente masculino"). Em 1930, após uma impressionante atuação como Killer Mears na peça teatral "The Last Mile", bancada por sua esposa, em Los Angeles, Gable teve ótima recepção da crítica, o que lhe angariou vários testes para o cinema. Um desses testes ficou famoso, quando Darryl F. Zanuck o testou para o papel em "Little Caesar" (1931), e o rejeitou, alegando: "Ele não serve para o cinema. As orelhas são grandes e se parece com um macaco".
Em 1933, Gable se iniciou na Maçonaria, na Loja No. 528, em Beverly Hills, Califórnia.
Casamentos e filhos
Em 1930, divorciou-se de Josephine Dillon e, em viagem a Houston, conheceu uma rica socialite do Texas, 17 anos mais velha do que ele, Rhea Franklin Prentiss Lucas Langham, que se tornou sua companhia constante, ensinando-o a se vestir como um nova-iorquino, com chapéu-coco, polainas e bengala. Eles viriam a se casar em poucos dias, em 30 de março de 1930, mas em junho de 1931 casaram-se novamente, na Califórnia, provavelmente devido às dúvidas pela diferença de leis entre os estados. Ao trabalhar em "Call of the Wild" (1935), de William Wellman, Gable envolveu-se com Loretta Young, com quem teve um caso extraconjugal que resultou no nascimento de uma filha, Judy Lewis. Na época, Loretta relatava ter adotado a menina, com alguns meses de idade. Acabou se divorciando de Rhea em 1939. Emprestado à Paramount em 1932 para fazer "No Man of Her Own", contracenou com Carole Lombard, na época casada com William Powell, e se tornou seu admirador. Lombard, posteriormente, se divorciou, e o interesse de Gable aumentou. Menos de um mês após o divorciar-se de Rhea, Gable casou-se com Carole Lombard em 29 de março de 1939, em Kingman, no Arizona. Era no período da Segunda Guerra Mundial, e Gable foi nomeado pelo Presidente Franklin Roosevelt como Presidente do Comitê de Hollywood, e Carole foi incluída na primeira viagem pelo esforço de guerra. Em janeiro de 1942, o avião em que Carole e sua mãe estavam caiu, a 50 km a sudoeste de Las Vegas, Nevada, matando todos a bordo. Gable sentiu para sempre a perda de Lombard, e em 1976 foi feito um filme, "Gable and Lombard", contando sobre a história do casal.
Doença e morte
Em 6 de novembro de 1960, Gable foi enviado para o Centro Médico Presbiteriano de Hollywood, em Los Angeles, onde os médicos descobriram que ele havia sofrido um ataque cardíaco. Relatórios de jornais no dia seguinte listaram sua condição como satisfatória. Na manhã de 16 de novembro, ele parecia estar melhorando, mas morreu naquela mesma noite, aos 59 anos, com um segundo ataque cardíaco causado por uma infecção. A equipe médica não executou RCP por medo de que o procedimento prejudicasse o coração de Gable, e um desfibrilador não foi disponibilizado. Gable foi enterrado no mesmo santuário que havia construído para Carole Lombard e sua mãe, no The Great Mausoleum, em Forest Lawn Memorial Park, Glendale, Califórnia. Um guarda de honra e um portador de caixão militar, Spencer Tracy e James Stewart estavam presentes. Vinte e dois anos depois, Kathleen Gable foi enterrada juntamente com seu finado marido.
Em um ensaio fotográfico de estrelas de cinema de Hollywood, a revista Life disse: "Todo homem... e mais alguns." Doris Day resumiu a personalidade única de Gable: "Ele era tão masculino quanto qualquer homem que eu já conheci, e tanto um menino quanto um homem adulto poderia ser – foi essa combinação que teve um efeito tão devastador nas mulheres".:352 Oito vezes co-estrelando em seus filmes, a amiga de longa data e romance intermitente, Joan Crawford concordou, afirmando no programa de David Frost em janeiro de 1970, que: "Ele era um rei onde quer que fosse. Ganhou o título. Andava como um, se comportava como um, e ele era o homem mais masculino que eu já conheci na minha vida. Gable tinha bolas." Robert Taylor disse que Gable "foi um grande, grande cara, e certamente uma das grandes estrelas de todos os tempos, se não o maior. Acho que duvido sinceramente que algum dia haja outro como Clark Gable; ele era único."
Alguns desenhos da Warner Bros. caricaturaram Gable. Exemplos são: "Have You Got Any Castles?" (em que seu rosto aparece sete vezes dentro do romance "The House of the Seven Gables"), "The Coo-Coo Nut Grove" (em que suas orelhas batem sozinhasn), "Hollywood Steps Out" (em que ele segue uma mulher enigmática), e "Cats Don't Dance" (em que ele aparece em um outdoor, promovendo "Gone With The Wind", no lote da MGM). Juntamente com o ator Kent Taylor, Clark Gable serviu de inspiração para o nome do alter-ego de Superman, Clark Kent. No filme "Broadway Melody of 1938", Judy Garland (aos 15 anos) canta "You Made Me Love You" enquanto olha para uma imagem composta de Gable. As linhas de abertura são: "Caro Sr. Gable, estou escrevendo isso para você, e espero que você leia para que você saiba. Meu coração bate como um martelo, e eu gaguejo e gaguejo, toda vez que vejo você nos filmes. Acho que sou apenas mais uma fã sua, e pensei em escrever e dizer isso. Você me fez amar você, eu não queria fazer isso, não queria fazer isso ..."


