Clarice Lispector
Clarice Lispector foi uma escritora e jornalista de origem ucraniana-judaica (asquenazita). Radicada no Brasil desde a primeira infância, naturalizou-se brasileira em 1943. Autora de romances, contos e ensaios, é considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes do século XX. Sua obra está repleta de cenas cotidianas simples e tramas psicológicas, reputando-se como uma de suas principais características a epifania de personagens comuns em momentos do cotidiano. Quanto às suas identidades nacional e regional, declarava-se brasileira e pernambucana.
Nascimento
Registrada como Chaya Pinkhasivna Lispector (em ucraniano: Хая Пінкасiвна Ліспектор; romaniz.: Chaya Pinkhasivna Lispector) Clarice Lispector nasceu em 10 de dezembro de 1920 na aldeia de Chechelnyk, região da Podólia, então parte da República Popular da Ucrânia e hoje parte da moderna Ucrânia. Filha dos judeus russos Pinkhas Lispector e Mania Lispector (nascida Krimgold), seu nascimento se deu em meio aos preparativos da família para a fuga do país, em razão do antissemitismo resultante da Guerra Civil Russa no século XX (1918–1920). Pinkhas Lispector era um comerciante, filho do religioso Shmuel Lispector e da burguesa Heived. Pinkhas e Mania se casaram no ano novo de 1889, por determinação dos pais. Do casamento nasceriam três filhas: Leah, em 1911; Tania, em 1915; e Chaya (ou Haia), em 1920.
Infância
Em Maceió, Alagoas, a família continuou vivendo em condições precárias e enfrentou dificuldades econômicas e também por causa do choque cultural. Para sustentar a família, Pedro tornou-se um pequeno mascate, comprando roupas velhas e usadas em áreas carentes para revendê-las aos comerciantes da cidade, e também dando algumas aulas particulares de língua hebraica para filhos de alguns vizinhos, além de vender cortes de linho. A situação melhorou somente quando Pedro, ao lado de José, passou a fabricar sabão, como fazia na Ucrânia. Em 1924, aos quatro anos de idade, Clarice ingressou no jardim de infância. Em 1925, após três anos morando em Maceió, mudou-se para Recife com sua mãe e irmãs pouco depois de seu pai, possivelmente em consequência dos conflitos familiares e do desejo de Pedro de melhorar as condições da família mudando-se para um centro econômico com uma população judaica mais expressiva, fixando-se no bairro Boa Vista.[carece de fontes?] O pai trabalhava como mercador ambulante, vendendo roupas a prestação pelos bairros mais afastados da cidade.
Adolescência
Em 1932, aos doze anos, Clarice foi aprovada, ao lado da irmã Tania e da prima Bertha, no Ginásio Pernambucano. Em 1933, decidiu tornar-se escritora quando “[tomou] posse da vontade de escrever ... [viu-se] de repente num vácuo. E nesse vácuo não havia quem pudesse [ajudá-la]”. Em sua última entrevista em vida, disse a respeito de sua formação literária: “Misturei tudo. Eu lia romance para mocinhas, livro cor-de-rosa, misturado com Dostoiévski. Eu escolhia os livros pelos títulos e não pelos autores. Misturei tudo. Fui ler, aos treze anos, Hermann Hesse, O Lobo da Estepe, e foi um choque. Aí comecei a escrever um conto que não acabava nunca mais. Terminei rasgando e jogando fora”. A família mudou-se para uma casa própria na avenida Conde da Boa Vista.
Em 1939, morando na rua Lúcio de Mendonça, no bairro do Maracanã, ela ingressou no curso superior na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que trabalhava como secretária em um escritório de advocacia e em um laboratório, além de já estar fazendo traduções de textos científicos para revistas. Em 1940, aos dezenove anos, seu interesse por direito havia diminuído ao passo que aumentara sua atenção à literatura, de modo em que publicou, em 25 de maio, seu primeiro conto conhecido, Triunfo, na revista Pan, no qual descreve os pensamentos de uma mulher abandonada por seu companheiro. A posição política da revista de apoio aos regimes ditatoriais, que era semelhante às de outras revistas desse período, todas censuradas, não foi levada em conta por Clarice ao publicar o conto. Insatisfeita com o trabalho de escritório, ela buscou entrar na área do jornalismo, apesar das dificuldades levantadas às mulheres. De acordo com o que diria anos mais tarde em uma entrevista, passou a andar pelas redações de revistas oferecendo seus contos, até que provavelmente um dia chegou à redação da revista Vamos Ler!, direcionada ao público masculino de classe alta. A imprensa na época era estritamente censurada pelo governo de Getúlio Vargas e estava sob o domínio do órgão recém-criado do Departamento de Imprensa e Propaganda, que permitia a circulação de determinados periódicos, como a Vamos Ler!, em cuja redação Clarice mostrou seus textos ao jornalista Raimundo Magalhães Júnior, secretário do ministro de Propaganda, Lourival Fontes.
Perto do Coração Selvagem
Por intermédio de Cardoso, passou a frequentar um grupo de amigos que se encontrava no bar Recreio, na Cinelândia, e era composto por literatos como Vinicius de Moraes, Cornélio Penna, Rachel de Queiroz e Otávio de Faria. Através da Agência Nacional também conheceu o poeta Augusto Frederico Schmidt, que foi entrevistado por ela a respeito de fibras industriais, mas que, frente à admiração que Clarice expressou por sua poesia, desenvolveram uma amizade que duraria pelo resto de sua vida. Os textos escritos para a Agência Nacional nessa época seguem a linha editorial feita para agradar a censura do regime de Vargas, resumindo-se a entrevistas com coronéis e generais estrangeiros de passagem pelo Brasil e de coberturas de inaugurações de locais ligados ao governo.
O Lustre
Em novembro de 1944, O Lustre foi concluído em Nápoles, escrito de forma linear, ao contrário do anterior. Em 23 de novembro de 1945, Manuel Bandeira enviou uma carta pedindo o segundo romance e alguns poemas para publicação em antologia. Em resposta à leitura desses poemas, Bandeira enviou uma carta criticando fortemente a poesia de Clarice, o que fez com que ela queimasse todos os poemas que havia escrito. Mais tarde, Bandeira lamentaria ter feito aquele comentário, dizendo: “Você é poeta, Clarice querida. Até hoje tenho remorso do que disse a respeito dos versos que você me mostrou. Você interpretou mal as minhas palavras [...] Faça versos, Clarice, e se lembre de mim”.
Família
Em 1941, Clarice já trocava cartas com Maury Gurgel Valente, seu colega na Faculdade de Direito da Universidade do Brasil. No ano seguinte, ele formalizou o pedido de namoro por meio de um bilhete. Casaram-se em 23 de janeiro de 1943; na mesma semana, em 12 de janeiro, ela havia obtido a naturalização brasileira. Após o matrimônio, Clarice passou a assinar "Clarice Gurgel Valente" e, em julho de 1944, partiu para a Itália, onde o marido a esperava em seu primeiro posto diplomático, em Nápoles. No fim do ano de 1946, frequentou o terapeuta Ulysses Girsoler. Ela e Maury passaram o réveillon na França, com o casal Wainer, a convite de Bluma. Em 10 de agosto de 1948, nasceu o seu primeiro filho, Pedro Lispector Valente, em Berna, Suíça. Em 10 de fevereiro de 1953, nasceu Paulo Gurgel Valente, o segundo filho de Clarice e Maury, em Washington, D.C., nos Estados Unidos.
Lispector trabalhou em Um sopro de vida: pulsações, que seria publicado postumamente em meados da década de 1970. A obra consiste em um diálogo entre um "Autor" e sua criação, uma personagem cujo nome foi emprestado de um conto de Onde Estivestes de Noite. Em um ensaio de 2025 intitulado "Escribir para no morir", o escritor peruano Gunter Silva Passuni descreve o livro póstumo de Lispector, A Breath of Life, não como um romance convencional nem como um diário, mas como um texto montado a partir de fragmentos, no qual a escrita é encarada como uma forma de "continuar respirando" enquanto se enfrentava a morte. Ele observa que o livro é estruturado como um diálogo entre duas vozes — o Autor e Ângela Pralini — cujas trocas encenam uma tensão entre razão e intuição, controle reflexivo e entrega intuitiva, perguntando repetidamente quem fala quando se escreve e o que resta do eu no limite da vida. Silva caracteriza ainda a prosa como um "estado de consciência" anterior à linguagem, onde pensar e sentir já não se distinguem.
Laços de família
No Brasil, Lispector enfrentou dificuldades financeiras e tentou encontrar uma editora para o romance que havia concluído em Washington, D.C. vários anos antes, bem como para seu livro de contos, Laços de família. A obra reunia os seis contos de Alguns contos e mais sete inéditos, alguns dos quais já haviam sido publicados na revista Senhor. Foi lançada em 1960. Fernando Sabino, amigo da autora, escreveu-lhe que o livro era "exato, sincero, indiscutível e até humildemente o melhor livro de contos já publicado no Brasil". E Érico Veríssimo declarou: "Não escrevi sobre seu livro de contos por puro constrangimento de lhe dizer o que penso dele. Vamos lá: a mais importante coletânea de contos publicada neste país desde Machado de Assis".
A Maçã no Escuro
A Maçã no Escuro, que Lispector começara em Torquay, foi concluído em 1956, mas repetidamente rejeitado por editoras, para desespero da autora. Seu romance mais longo e talvez o mais complexo, foi finalmente publicado em 1961 pela mesma editora que lançara Laços de família, a Livraria Francisco Alves, em São Paulo. Movido mais pelo diálogo interior do que pelo enredo, seu suposto tema é um homem chamado Martim, que acredita ter matado a esposa e foge fundo para o interior do Brasil, onde encontra trabalho como trabalhador rural. As verdadeiras preocupações desse romance altamente alegórico são a linguagem e a criação. Em 1962, a obra recebeu o Prêmio Carmen Dolores Barbosa de melhor romance do ano anterior. Por essa época, Clarice iniciou um relacionamento com o poeta Paulo Mendes Campos, um velho amigo. Mendes Campos era casado, e a relação não perdurou.
A Paixão segundo G.H. e A Legião Estrangeira
Em 1964, Lispector publicou um de seus livros mais impactantes e famosos, A Paixão segundo G.H., que narra a história de uma mulher que, no quarto de empregada de sua confortável cobertura carioca, passa por uma experiência mística que a leva a comer parte de uma barata. No mesmo ano, publicou outro livro de contos e miscelâneas, A Legião Estrangeira.[carece de fontes?] O tradutor norte-americano Gregory Rabassa, que conheceu Lispector em meados da década de 1960, durante uma conferência sobre literatura brasileira no Texas, recordou ter ficado "estupefato ao conhecer aquela pessoa rara [Lispector] que se parecia com Marlene Dietrich e escrevia como Virginia Woolf".
A Mulher que matou os peixes e Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
Em 1968, Lispector participou das manifestações políticas contra o endurecimento da ditadura militar brasileira e publicou dois livros: seu segundo trabalho infantil, A Mulher que Matou os Peixes, em que a narradora, Clarice, confessa ter esquecido de alimentar o peixe do filho, e Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. Seu primeiro romance desde A Paixão segundo G.H., Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres era uma história de amor entre uma professora primária, Lóri, e um professor de filosofia, Ulisses. O livro se baseou em seus escritos nas colunas de seu jornal, assim como de entrevistas que realizava para a sofisticada revista Manchete. A obra recebeu uma nova tradução em abril de 2021 pela New Directions. A Cleveland Review of Books o definiu como "um romance sobre a distância entre as pessoas, mas também sobre as distâncias entre o eu e o eu, entre o eu e 'o Deus'".
Felicidade clandestina e Água Viva
Em 1971, Lispector publicou outro livro de contos, Felicidade Clandestina, vários dos quais remetiam a memórias de sua infância em Recife. Ela começou a trabalhar no livro que muitos considerariam sua obra-prima, Água Viva, embora tenha enfrentado dificuldades para concluí-lo. Olga Borelli, uma ex-freira que entrou em sua vida por essa época e se tornou sua fiel assistente e amiga, recordou: Ela estava insegura e pedia a opinião de algumas pessoas. Com outros livros, Clarice não demonstrava essa insegurança. Com Água viva, sim. Foi a única vez em que a vi hesitar antes de entregar um livro ao editor. Ela mesma dizia isso. Quando o livro saiu, em 1973, foi imediatamente aclamado como uma obra-prima. "Com esta ficção", escreveu um crítico, "Clarice Lispector desperta a literatura que ora se produz no Brasil de um letargo deprimente e degradante e a eleva a um nível de perenidade e perfeição universais". O livro é um monólogo interior, com uma narradora em primeira pessoa sem nome que se dirige a um "você" também inominado, e já foi descrito como dotado de uma qualidade musical, com o retorno frequente de certas passagens. Água viva foi traduzido pela primeira vez para o inglês em 1978 como The Stream of Life, com uma nova tradução de Stefan Tobler publicada em 2012.
Onde estivestes de noite e A via crucis do corpo
Em 1974, Lispector publicou dois livros de contos: Onde estivestes de noite — que foca em parte na vida de mulheres idosas — e A via crucis do corpo. Embora seus livros anteriores muitas vezes tivessem levado anos para serem concluídos, este último foi escrito em apenas três dias, depois que seu editor, Álvaro Pacheco, a desafiou a escrever histórias sobre temas ligados ao sexo. Parte da razão pela qual ela escreveu tanto pode ter a ver com o fato de ter sido inesperadamente demitida do Jornal do Brasil no final de 1973, o que aumentou sua pressão financeira. Ela começou a pintar e intensificou sua atividade como tradutora, publicando traduções de Agatha Christie, Oscar Wilde e Edgar Allan Poe.
Pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela, Clarice foi hospitalizada e diagnosticada com um câncer de ovário inoperável por ter sido detectado tarde demais. A doença havia se espalhado por todo o seu organismo. Clarice faleceu em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu aniversário de 57 anos. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, no dia 11 de dezembro. Até a manhã de seu falecimento, mesmo sob sedativos, Clarice ainda ditava frases para sua melhor amiga, Olga Borelli, que estava sempre ao lado da amiga em seus últimos anos.
O crítico Alfredo Bosi apresenta três características do estilo narrativo de Clarice Lispector: o uso intensivo de metáfora incomuns, a entrega ao fluxo de consciência e a ruptura com o enredo factual. Bosi afirma que, na gênese das histórias da autora, há uma exacerbação tal do momento interior que a própria subjetividade entra em crise, fazendo com que o espírito procure um novo equilíbrio, trazido pela "recuperação do objeto", "não mais [no nível psicológico], mas na esfera da sua própria e irredutível realidade." Para Bosi, "trata-se de um salto do psicológico para o metafísico". Bosi vê também, na escrita da autora, exemplos de três crises literárias: a crise da personagem-ego ("cujas contradições já não se resolvem no casulo intimista, mas na procura consciente do supra-individual"); a crise da fala narrativa ("afetada agora por um estilo ensaístico, indagador") e a crise da velha fundação documental da prosa de romances.
Influências e diálogos filosóficos
Na época do lançamento do segundo livro, mais de uma vez, negou conhecer Sartre quando, na verdade, o conhecia suficientemente até para poder se diferenciar dele, pelo menos desde o seu segundo livro, O Lustre, conforme ela mesma afirmou mais tarde: "Acontece que só vim a saber da existência de Sartre no meu segundo livro.". A estudiosa Nádia Battella Gotlib observa que "uma das possíveis razões de o livro ter sido bem recebido na França pode ter sido mesmo a ideia de que teria tido ele influência do existencialismo". Muitos dos trabalhos críticos sobre a obra da autora confirmam a relação dela com a filosofia existencialista de Sartre. Essa influência não se limita a O Lustre, a obra de Clarice, A Maçã no Escuro é também entendida como influenciada pelo pensamento filosófico de Sartre. Rodrigo Guimarães, por exemplo, compara A Maçã no Escuro ao romance A Náusea, de Sartre. Em sua análise, ele nota traços de esquizofrenia no personagem principal, Martim, por este apresentar um pensamento fragmentado e com ausência de elos.Segundo Guimarães, a consciência, tanto de Martim, quanto de Roquentin (protagonista do romance de Sartre), "opera por contiguidade, adesão, coexistência em relação aos circunstantes e não por identificação, à maneira psicanalítica". No mais, muitos críticos literários discutiram a influência do existencialismo de Sartre e da discussão de papéis de gênero de Simone de Beauvoir nas narrativas de Clarice Lispector.
Como tradutora
Sabe-se que Clarice Lispector dominava pelo menos sete idiomas: português, inglês, francês e espanhol, fluentemente; hebraico e iídiche, com alguma fluência; e alguma fluência em russo, vindo da infância. Como tradutora para o português, entretanto, utilizou somente o inglês, o francês e o espanhol.[nota 4] Além de contos e artigos, ela traduziu ao todo 35 livros de diversos gêneros e escritores: 13 do inglês; 10 do francês; e 2 provavelmente do inglês ou do francês e talvez do espanhol ou do grego. Junto de contos, foram mais de 40 traduções. Em 1941, antes de dar início à sua carreira literária, quando começou a trabalhar na revista Vamos Ler! como repórter, também contribuía com traduções, sendo a sua primeira o conto Le missionaire, de Claude Farrère.
Traduções no exterior
No total, a obra de Clarice Lispector recebeu mais de 200 traduções para mais de 10 idiomas, sendo mais de 179 traduções integrais de livros e 25 de contos publicados em periódicos. Seus livros mais traduzidos são principalmente romances: A Hora da Estrela, com 22 traduções; A Paixão segundo G. H., também com 22; Perto do Coração Selvagem, com 18; Laços de Família, com 16; e Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, com 15. Em 1954, seu primeiro livro a ser traduzido foi lançado na França: Perto do Coração Selvagem, em tradução de Denise-Teresa Moutonnier pela editora Plon. A tradução desagradou Clarice, que enviou reclamações sobre erros ao editor, Pierre de Lescure, mas acabou por preferir fingir que a tradução nunca existiu. Em 1955, veio a primeira tradução para o espanhol: Água Viva, por Haydeé Yofre para a Sudamericana. Em 1961, a primeira para o inglês: A Maçã no Escuro, por Gregory Rabassa para a editora da Universidade do Texas.
Coletâneas de contos
(.*) Contos escritos entre 1940 e 1941, mas publicados apenas póstumamente.


