Cirurgia refrativa
Cirurgia refrativa é uma subespecialidade da oftalmologia que trata das opções cirúrgicas ou qualquer tipo de cirurgia ocular feita com o objetivo de melhorar o estado refracional do olho. São tipicamente realizadas para reduzir ou eliminar a necessidade de correção visual por uso de óculos e/ou lentes de contato. Refere-se, em sua forma eletiva e mais comum, às cirurgias que visam corrigir miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia, assim como em sua forma terapêutica, para tratar doenças da córnea, como o ceratocone. A visão nítida é resultado da focalização das imagens na retina, tão logo passem através dos meios transparentes do olho transformando-se em impulso nervoso que é, então, transmitido ao cérebro. Quando a imagem não é focalizada sobre a retina, a visão não é nítida, estabelecendo-se, assim, os diferentes erros de refração.
Imagem: Fábio Pinheiro · BY-NC-ND · Openverse
O primeiro trabalho teórico sobre o potencial da cirurgia refrativa foi publicado em 1896 pelo Dr. Lendeer Jans Lans, um professor de oftalmologia na Holanda. Ele propôs um método para corrigir o astigmatismo a partir de uma série de cortes penetrantes na córnea. Em 1930, o oftalmologista japonês Dr. Tsutomu Sato realizou as primeiras tentativas desse tipo de cirurgia, visando corrigir a visão de pilotos militares. Sua abordagem se baseou em fazer cortes radiais na córnea, corrigindo os efeitos em até 6 dioptrias. Contudo, o procedimento infelizmente produziu uma alta taxa de degeneração da córnea e foi logo rejeitado pela comunidade médica. A primeira técnica eficaz de cirurgia refrativa foi desenvolvida na Clínica Oftalmológica Barraquer (Bogotá, Colombia) em 1963 pelo Dr. José Barraquer. Sua técnica, chamada de ceratomileuse (keratomileusis em inglês), que significa “remodelação da córnea” em grego (κερατο (kerato): prefixo de córnea e σμίλευσις (smileusis): talhar), permitiu a correção não só da miopia, mas também da hipermetropia. Ela consiste na remoção de uma camada da córnea, congelá-la para poder moldá-la manualmente na forma necessária e finalmente reimplantar a camada moldada no olho. Apesar de essa forma inicial de cirurgia refrativa (ceratomileuse com congelamento) ter sido aperfeiçoada em 1986 pelo Dr. Swinger (ceratomileuse sem congelamento), ainda se tratava de uma técnica relativamente imprecisa.[carece de fontes?]
Sintomas dos erros de refração
A visão é diminuída, há desconforto ocular e dores de cabeça, além de lacrimejamento e ardor nos olhos. O uso de óculos ou lentes de contato normalmente é suficiente para fazer desaparecer os sintomas.
Procedimentos de flap
A ablação por meio de laser é feita abaixo de uma aba, ou flap, lamelar da córnea com espessura parcial.
Procedimentos superficiais
O laser excimer é usado para a ablação da maior parte anterior do estroma córneo. Estes procedimentos não requerem um corte de espessura a parcial no estroma e os métodos de ablação da superfície se diferem apenas na maneira em como a camada epitelial é manuseada.
A cirurgia é indicada para pessoas a partir dos 18 anos, quando é esperada a estabilização do grau. Após os 40 anos, somam-se ao grau de longe e de perto (presbiopia ou vista cansada), devendo-se considerar nesse caso, a possibilidade do uso de óculos para leitura. Pode-se, ainda, fazer cirurgia em báscula (um olho para longe e outro para perto), o que possibilita menor dependência de qualquer tipo de correção. Na avaliação pré-operatória, além da consulta oftalmológica normal, serão realizados alguns exames complementares mais específicos para afastar a possibilidade de haver alterações ou degenerações oculares que contra-indiquem a cirurgia. Pesquisas realizadas pelo Centro de Pesquisa do Magill Vision Center e pela Universidade Médica da Carolina do Sul mostraram que a taxa geral de satisfação dos pacientes depois da cirurgia primária de LASIK foi de 95,4%. Depois eles diferenciaram tal taxa entre LASIK para miopia (95,3%) e LASIK para hipermetropia (96,3%). Então, eles concluíram que a grande maioria dos pacientes estavam satisfeitos com seus resultados após cirurgia LASIK.
Ainda que a cirurgia refrativa esteja se tornando mais acessível e segura, ela não é recomendada a todos. Pessoas com certos tipos de doenças oculares envolvendo a córnea ou a retina, em especial as infecciosas em atividade (conjuntivite, blefarite, ceratite, úlcera de córnea, etc), mulheres grávidas e pacientes com glaucoma, diabetes, doenças vasculares não controladas ou doenças autoimunes não são bons candidatos a essa cirurgia. Ceratocone é uma doença corneana muito comum que provoca um afinamento progressivo da córnea e, quando ocorrida depois de uma cirurgia refrativa, é chamada de ectasia corneana (distensão da córnea). Acredita-se que o afinamento adicional da córnea causado pela cirurgia refrativa pode contribuir para o avanço da doença e que pode levar à necessidade de um transplante de córnea. Dessa forma, o ceratocone é uma contraindicação à cirurgia refrativa, sendo indicado o uso de lentes de contato, cirurgia de Corneal Ring (anel corneano) ou mesmo o transplante de córnea. A topografia de córnea e a paquimetria são usados para identificar córneas anormais. Ademais, a forma dos olhos de algumas pessoas podem não permitir cirurgias refrativas efetivas sem que se removam quantidades excessivas de tecido da córnea. Nesses casos, deve-se realizar um exame ocular completo antes da cirurgia a laser.
A avaliação pré-operatória é feita através da consulta oftalmológica completa, que inclui os exames de refratometria (avaliação do grau), tonometria (medida da pressão intra-ocular), mapeamento da retina e o estudo detalhado das condições da córnea, através de exames complementares: topografia corneana (mapa do relevo anterior e posterior da córnea - ORBSCAN II Z), paquimetria ultrasônica da córnea (medida da espessura corneana), microscopia especular corneana (contagem das células da camada posterior da córnea) e quando necessário a aberrometria baseada na análise da frente de onda (ZYWAVE II), que identifica e quantifica aberrações ópticas de até 5ª ordem, para que possam ser realizadas cirurgias personalizadas da córnea (ZYLINK). Antes da cirurgia, o paciente deve suspender o uso das lentes de contato. No pós-operatório com a aplicação do LASIK, não existe necessidade do uso de nenhum tipo de curativo. Na técnica de PRK, há a necessidade do uso de lentes de contato gelatinosas terapêuticas durante 5 dias, período em que ocorre a re-epitelização da área tratada.
Crianças
Cirurgias refrativas pediátricas envolvem outros riscos que a cirurgia refrativa em adultos, mas pode ser indicada principalmente para crianças cujo desenvolvimento cognitivo ou visual é frustrado pelos erros refrativos, em especial nos casos de altos erros refrativos bilaterais in particular in cases of bilateral high refractive error, anisometropia, ambliopia anisometrópica ou esotropia acomodativa. Intervenções em crianças pequenas podem requerer uma anestesia geral, a fim de evitar movimentos involuntários, e crianças tem um risco maior de esfregar ou mexer em seus olhos após a cirurgia. Além disso, mudanças dos erros refrativos podem ocorrer durante o processo de desenvolvimento conforme a idade e também devem ser levados em consideração, fazendo com que as crianças tenham mais chance de desenvolverem neblina de córnea pós-operatória, chance essa particularmente relevante em relação a crianças com miopia.


