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Ciência da religião

A Ciência da Religião, ou Religiologia, é uma disciplina acadêmica das ciências humanas e sociais/culturais que investiga sistematicamente as religiões em todas as suas manifestações, adotando uma perspectiva empírica e um distanciamento metodológico. Seu objetivo é compreender as religiões como fenômenos humanos universais, sem julgar sua 'verdade' ou 'qualidade'.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 17/07/2026

Pontos-chave

  • A Ciência da Religião é uma disciplina acadêmica empírica que estuda sistematicamente as religiões.
  • Ela se distingue da teologia por seu compromisso com o agnosticismo metodológico, não questionando a 'verdade' das religiões.
  • Seu objetivo é inventariar, compreender historicamente e comparar fenômenos religiosos, identificando semelhanças e diferenças.
  • A disciplina busca definir elementos que caracterizam o fenômeno religioso como universal.
  • Max Müller é considerado um dos pais fundadores, com suas obras marcando o início explícito da Ciência da Religião.
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Definição e Propósito da Ciência da Religião

Imagem: CCJ - Centro Cultural da Juventude · BY-NC-SA · Openverse

A Ciência da Religião é uma disciplina acadêmica com uma perspectiva empírica, dedicada à investigação sistemática das religiões em todas as suas manifestações. Um princípio fundamental é o distanciamento e respeito em relação aos objetos de estudo, conhecido como agnosticismo metodológico, termo cunhado por Ninian Smart em 1973, com raízes em Max Müller. Esta abordagem não questiona a 'verdade' ou 'qualidade' de uma religião, tratando-as como 'sistemas de sentido formalmente idênticos', apesar de sua rica diversidade. Este princípio metateórico a diferencia da teologia e a aproxima de outras ciências humanas e sociais, como antropologia, história e sociologia. O objetivo é criar um inventário abrangente de fatos do mundo religioso, entender o surgimento e desenvolvimento histórico de religiões específicas, identificar seus contatos mútuos e investigar suas inter-relações com outras áreas da vida. Através do estudo de fenômenos religiosos concretos e análise comparada, busca-se compreender semelhanças e diferenças em formas, conteúdos e práticas, permitindo a identificação de traços comuns que caracterizam o fenômeno religioso como universal.

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História e Evolução da Disciplina

Imagem: Radis Comunicação e Saúde · BY-NC-SA · Openverse

A história da Ciência da Religião abrange desde o interesse antigo pelo estudo das religiões até sua institucionalização como disciplina acadêmica moderna.

Precursores Antigos e Medievais

O interesse pelo estudo das religiões é antigo, com registros de estudiosos de diversas civilizações. Na Grécia Antiga, Hecateu de Mileto (546-480 a.C.) e Heródoto (485-420 a.C.) são exemplos. O orador romano Cícero (106-43 a.C.) analisou o fenômeno religioso em 'Sobre a natureza dos deuses' sob uma ótica filosófica. Segundo Eliade, as viagens de Alexandre, o Grande (356-323 a.C.), foram um marco para o conhecimento direto das tradições religiosas orientais pelos gregos. Escritores como Bérose ('Babyloniká'), Megasténe ('Indiká'), Hecateu de Abdera ('Aigyptiaká') e o sacerdote egípcio Manéton contribuíram para o mundo alexandrino conhecer mitos, ritos e costumes religiosos exóticos.

Origem Institucional e o Iluminismo

A Ciência da Religião, como disciplina sistemática e histórica, é um produto do Iluminismo europeu, impulsionada pelo encontro de povos durante o imperialismo mercantilista e os movimentos de reforma cultural do Renascimento e Iluminismo. As tradições asiáticas (islâmicas, persas, indianas e chinesas), especialmente seus textos sagrados, foram objetos de estudo privilegiados. O livro 'Mitologia Comparada' (1856) de Max Müller (1823-1900) é considerado precursor. Embora o termo 'ciência da religião' já fosse usado esporadicamente antes, Müller o empregou no sentido rigoroso que se tornou amplamente adotado. Acadêmicos do 'círculo de Göttingen', como Johann Gottfried Immanuel Berger, Karl Friedrich Stäudlin e Christian Wilhelm Flügge, mencionaram termos similares, mas sem a concepção de uma disciplina autônoma. As obras 'Chips from a German Workshop' (1867–75) e 'Introdução à Ciência da Religião' (1873) de Max Müller marcaram o início explícito da disciplina, seguidas pelo compêndio 'Livros Sagrados do Oriente' (1879), um marco na história das religiões com plano acadêmico e secular unificado.

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Tradições Teóricas e Metodológicas

Imagem: Senado Federal · BY · Openverse

A Ciência da Religião possui uma estrutura curricular e metodológica diversificada, refletindo diferentes abordagens teóricas ao longo de sua formação histórica.

Estrutura Curricular e Subdisciplinas

Tradicionalmente, a Ciência da Religião é subdividida em religiões comparadas (ou ciência da religião sistemática) e história das religiões (ou ciência da religião empírica), conforme proposto por Joachim Wach em 1924. Nas últimas três décadas, emergiu uma terceira subdisciplina: a ciência da religião aplicada ou prática. Esta busca oferecer contribuições pragmáticas e diretas à sociedade, como em política cultural e internacional, ou na educação (ensino religioso laico).

Metodologia de Pesquisa

A metodologia de pesquisa clássica da Ciência da Religião baseia-se na pesquisa empírica, principalmente a partir de fontes textuais religiosas. Ela emprega métodos analíticos com abordagens classificatórias e comparativas, fundamentadas em bases filosóficas hermenêuticas, e métodos filológicos/linguísticos e históricos. Em termos de teoria metodológica, a disciplina exibe uma ambiguidade entre um universalismo iluminista, que busca generalizações, e um historicismo contextualista contra-iluminista, que visa entender fenômenos em suas especificidades. Mircea Eliade, por exemplo, criticava o historicismo e a relutância em criar teorias gerais, sendo associado à corrente romântica. Raffaele Petazzoni, por sua vez, desenvolveu um método histórico-comparativo que fundia estudos específicos (históricos e filológicos) com a vertente teórico-sistemática.

Principais Tradições Teóricas

Matheus Costa (2019) identifica três momentos na formação histórica da Ciência da Religião, cada um com a prevalência de certas abordagens teóricas e metodológicas. As raízes da disciplina, como concebida por Max Müller, são variadas: noções evolucionistas de cultura (com críticas ao darwinismo), filosofia natural (especialmente a Naturphilosophie do Romantismo alemão), filologia clássica (alemã, holandesa, francesa e inglesa), autores teológico-filosóficos (Kant, Espinoza, Schleiermacher), Etnologia (Frazer e Tylor) e precursores antigos como Akbar e Asoca. Autores como W. Robertson Smith, Joseph Estlin Carpenter e Cornelis Petrus Tiele seguiram essas tendências, desenvolvendo estudos culturais, filológicos e comparativos, frequentemente com uma visão desenvolvimentista ou evolucionista, e buscando classificar religiões de um modo 'enciclopédico', com rica descrição de detalhes.

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A Ciência da Religião no Contexto Brasileiro

Imagem: Histórias Puritanas · BY-SA · Openverse

No Brasil, a Ciência da Religião tem uma história que remonta a citações de precursores no início do século XX, mas sua institucionalização ocorreu apenas na segunda metade do século, com o surgimento de cursos de graduação e pós-graduação.

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