Cidade do México
Cidade do México é a capital e a cidade mais populosa do México, bem como a cidade mais populosa da América do Norte. É um dos principais centros culturais e financeiros do mundo e, de acordo com o ranking de 2024 da Globalization and World Cities Research Network, é classificada como uma cidade global alfa. Localizada no Vale do México, no alto Planalto Central Mexicano, a cidade situa-se a uma altitude de 2.240 metros. É dividida em 16 distritos, ou alcaldías, que são subdivididos em bairros, ou colonias.
O gentílico informal para os residentes da Cidade do México é chilango, termo historicamente usado pejorativamente por pessoas que viviam fora da Cidade do México para "conotar uma pessoa barulhenta, arrogante, mal-educada e grosseira". Por sua vez, aqueles que vivem na Cidade do México designam de forma insultuosa aqueles que vivem em outros lugares como vivendo em la provincia ('as províncias', 'a periferia') e muitos adotam com orgulho o termo chilango. Os residentes da Cidade do México são formalmente chamados de capitalinos (em referência ao fato de a cidade ser a capital do país), mas "porque por capitalino ser a palavra mais educada, específica e correta, ela quase nunca é utilizada". A Cidade do México era tradicionalmente conhecida como La Ciudad de los Palacios ("a Cidade dos Palácios"), um apelido atribuído ao Barão Alexander von Humboldt. Quando visitou a cidade no século XIX, ele escreveu uma carta para a Alemanha, dizendo que a Cidade do México poderia rivalizar com qualquer grande cidade da Europa. O político inglês Charles Latrobe escreveu o seguinte: "... observem suas obras: os molhes, aquedutos, igrejas, estradas — e a luxuosa Cidade dos Palácios que surgiu das ruínas de barro de Tenochtitlán...", na página 84 da Carta V de The Rambler in Mexico.
Período asteca
A cidade de México Tenochtitlán foi fundada pelo povo asteca em 1325. A antiga capital asteca, agora chamada simplesmente de Tenochtitlan, foi construída em uma ilha no centro do Lago de Texcoco, no Vale do México, região que partilhava com uma cidade-Estado menor chamada de Tlatelolco. Segundo a lenda, o principal deus responsável pelos mexicas, Huitzilopochtli, indicou o local onde eles deveriam construir a sua casa. O deus apresentou uma águia empoleirada em um cacto nopal com uma serpente em seu bico como um símbolo de onde a civilização asteca deveria construir a sua cidade. Entre 1325 e 1521, Tenochtitlan cresceu em tamanho e força, acabou dominando as outras cidades-Estados em torno do lago Texcoco e no Vale do México. Quando os espanhóis chegaram, o Império Asteca tinha conquistado grande parte da Mesoamérica, desde o Golfo do México até o Oceano Pacífico.
Conquista espanhola
Após o desembarque em Veracruz, o explorador espanhol Hernán Cortés avançou sobre Tenochtitlan com a ajuda de outros povos nativos, chegando à capital asteca em 8 de novembro de 1519. Cortés e seus homens marcharam ao longo da calçada que conduzia à cidade de Iztapalapa e o governante da cidade, Moctezuma II, cumprimentou os espanhóis; eles trocaram presentes, mas a camaradagem não durou muito tempo. Cortés colocou Moctezuma sob prisão domiciliar, na esperança de governar através da autoridade dele. As tensões aumentaram, até que na noite de 30 de junho de 1520 - durante uma luta conhecida como "La Noche Triste" - os astecas levantaram-se contra a invasão espanhola e conseguiram capturar e expulsar os europeus e seus aliados tlaxcaltecas. Cortés reagrupou-se suas forças em Tlaxcala. Os astecas pensaram que os espanhóis tinham ido embora permanentemente e elegeram um novo rei, Cuitláhuac, mas ele morreu logo; o próximo rei foi Cuauhtémoc.
Período colonial
A cidade foi a capital do Império Asteca e na era colonial, a Cidade do México tornou-se a capital do Vice-Reino da Nova Espanha. O vice-rei vivia no palácio vice-real na praça Zócalo. A Catedral Metropolitana da Cidade do México, a sede do arcebispado da Nova Espanha, foi construída em outro parte do Zócalo, sobre as ruínas do antigo Templo Mayor. As cidades espanholas coloniais eram construídas em um padrão de quadras, ao menos se nenhum obstáculo geográfico impedisse. Na Cidade do México, o Zócalo (a praça principal) era o lugar central a partir do qual os quarteirões da cidade foram construídos. Os espanhóis viviam na área mais próxima à praça principal no que era conhecido como traza, em ruas tranquilas e bem ordenadas. As residências dos povos nativos foram colocadas fora dessa zona exclusiva e as casas eram remotamente localizadas.
Independência e Guerra Mexicano-Americana
A ocupação espanhola durou três séculos, até que Miguel Hidalgo, um padre da povoação de Dolores, proclamou o famoso "grito de Dolores", iniciando a Guerra da Independência do México, que foi conquistada três anos depois. Após a proclamação da independência, em 27 de setembro de 1821, os conflitos que se travaram até final do século XIX dificultaram o desenvolvimento da cidade. Nos princípios do referido século, a cidade expandiu-se e nasceram as primeiras "colônias" residenciais, mas após a revolução o seu crescimento populacional aumentou. A Batalha da Cidade do México, parte da Guerra Mexicano-Americana, refere-se à série de enfrentamentos ocorridos entre 8 e 15 de setembro de 1847, na vizinhança da cidade. Incluem-se as principais ações nas batalhas de Molino del Rey e Chapultepec, culminando com a queda da Cidade do México. O Exército dos Estados Unidos, sob o comando de Winfield Scott, teve um grande sucesso que terminou com a guerra. A invasão estadunidense do Distrito Federal foi rejeitada pela primeira vez durante a Batalha de Churubusco, em 8 de agosto, quando o batalhão de São Patrício, que era composto principalmente de irlandeses católicos e imigrantes alemães, mas também por canadenses, ingleses, franceses, italianos, poloneses, escoceses, espanhóis, suíços e mexicanos, lutou pela causa mexicana ao repelir os ataques estadunidense. Depois de derrotar o Batalhão de São Patrício, a Guerra Mexicano-Americana chegou ao fim depois dos Estados Unidos implantar unidades de combate no México, o que resultou na captura da Cidade do México e de Veracruz pela 1ª, 2ª, 3ª e 4ª Divisões do Exército dos EUA. A invasão culminou com a tomada de Castelo de Chapultepec, na própria cidade.
Revolução Mexicana e período contemporâneo
Conflitos como a Guerra Mexicano-Americana, a Intervenção Francesa e a Guerra da Reforma deixaram a cidade relativamente intocada, especialmente durante o governo do presidente Porfirio Díaz. Durante este período, a capital mexicana desenvolveu uma moderna infraestrutura, como estradas, escolas, além de sistemas de comunicação e transporte. No entanto, o regime concentrou recursos na cidade, enquanto o resto do país definhava na pobreza. O rápido desenvolvimento levou à Revolução Mexicana. O episódio mais significativo deste período para a cidade foi a La decena trágica ("Os Dez Dias Trágicos"), em 1913, um golpe de Estado contra o presidente Francisco I. Madero e seu vice, José María Pino Suárez. Victoriano Huerta, general chefe do Exército Federal, viu uma chance de tomar o poder, forçando Madero e Pino Suárez a assinar suas renúncias. Os dois foram assassinados mais tarde, enquanto eram levados para a prisão.
A Cidade do México está localizada no Vale do México, às vezes chamada de Bacia do México. Este vale está localizado no Eixo Neovulcânico, nos planaltos do centro-sul do México. Tem uma altitude mínima de 2 200 metros acima do nível do mar e é cercada por montanhas e vulcões que atingem altitudes de mais de 5 000 metros. Este vale não tem drenagem natural para as águas que fluem das montanhas, o que torna a cidade vulnerável a inundações. A drenagem foi manipulada através da utilização de canais e túneis a partir do século XVII. A Cidade do México repousa principalmente sobre o que era o lago Texcoco. A atividade sísmica é frequente na região. O Texcoco foi drenado a partir do século XVII. Embora o lago tenha desaparecido, a cidade repousa sobre seu saibro fortemente saturado. Esta base macia está em colapso devido ao excesso de extração de águas subterrâneas. Desde o início do século XX, a cidade afundou cerca de nove metros em algumas áreas, o que causa problemas com o escoamento e a gestão de águas residuais, levando a problemas de inundação, especialmente durante a estação chuvosa. Todo o leito do lago está agora pavimentado e a maioria das áreas florestais restantes da cidade encontram-se nos bairros de Milpa Alta, Tlalpan e Xochimilco, na região sul.
Parques
Chapultepec, o parque público mais emblemático da cidade, tem uma história que remonta aos imperadores astecas, que usavam a área como refúgio. Fica ao sul do bairro de Polanco e abriga o Zoológico de Chapultepec, o principal zoológico da cidade, vários lagos e sete museus, incluindo o Museu Nacional de Antropologia. Outros parques emblemáticos da cidade incluem a Alameda Central, reconhecida como o parque público mais antigo das Américas o Parque México e o Parque España, no moderno bairro de Condesa ; o Parque Hundido e o Parque de los Venados, em Colonia del Valle ; e o Parque Lincoln, em Polanco. A Cidade do México tem três zoológicos: Chapultepec, San Juan de Aragón e Los Coyotes. O Zoológico de Chapultepec está localizado na primeira seção do Parque Chapultepec, no Parque Miguel Hidalgo. Foi inaugurado em 1924. Os visitantes podem ver cerca de 243 exemplares de diferentes espécies, incluindo cangurus, panda-gigante, gorilas, caracal, hiena, hipopótamos, onça-pintada, girafa, lêmure, leão, entre outros. O Zoológico San Juan de Aragón fica próximo ao Parque San Juan de Aragón, no Parque Gustavo A. Madero. Neste zoológico, inaugurado em 1964, há espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada e o lobo-mexicano. Outros animais que podem ser vistos são a águia-real, o antílope-americano, o carneiro-selvagem, o caracará, as zebras, o elefante-africano, a arara, o hipopótamo, entre outros. O Zoológico Los Coyotes é um zoológico de 11,2 hectares localizado ao sul da Cidade do México, em Coyoacán. Foi inaugurado em 2 de fevereiro de 1999. Possui mais de 301 exemplares de 51 espécies de fauna selvagem nativa ou endêmica da região, incluindo águias, ajolotes, coiotes, araras, linces, lobos-mexicanos, guaxinins, pumas, teporingos, raposas e veados-de-cauda-branca.
Clima
O clima da Cidade do México é considerado oceânico (Cwb de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger). A temperatura média anual é de 17 °C. O verão é morno, com precipitação, e o inverno é fresco, com pouca precipitação. Ao longo do ano, normalmente, a temperatura mínima nos meses mais frios é de 6 °C e a temperatura máxima nos meses mais quentes é de 26 °C e raramente são inferiores a 1 °C ou superiores a 30 °C. A região do Vale do México recebe sistemas anticiclónicos. Os ventos fracos destes sistemas não permitem a dispersão, fora da bacia, dos poluentes atmosféricos que são produzidos pelas 50 mil indústrias e 4 milhões de veículos que circulam em torno da área metropolitana.
Problemas ambientais
Na década de 1990, a Cidade do México tornou-se famosa como uma das cidades mais poluídas do mundo; no entanto, a cidade tornou-se um modelo por reduzir drasticamente os níveis de poluição. Em 2014 a poluição por monóxido de carbono caiu drasticamente, enquanto os níveis de dióxido de enxofre e dióxido de azoto foram quase três vezes menores do que os registrados em 1992. Apesar dos esforços de limpeza, a região metropolitana ainda é a parte mais poluída por ozônio do país, com os níveis de ozônio até 2,5 vezes superiores aos limites de segurança definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para acabar com a poluição, os governos federal e locais implementaram vários planos, como o acompanhamento constante e relatórios de condições ambientais, como de ozônio e óxido de nitrogênio. Quando os níveis destes dois poluentes atingem patamares críticos, ações de contingência são implementadas, como fechamento de fábricas, mudança do horário escolar e prorrogação do programa um dia sem carro para dois dias da semana.
Durante o período Porfiriato, no início do século XX, as classes média e alta ricas começaram a migrar para o oeste e para o sul da periferia da cidade. Isso levou a uma divisão de classes entre as classes alta e baixa da Cidade do México. Os bairros ricos, como Colonia Roma, Polanco e Anzures, localizavam-se na zona oeste da cidade, perto do centro histórico, enquanto os bairros operários ficavam na zona leste, no leito do antigo Lago Texcoco. Ao longo do século XX, isso levou à criação de assentamentos menos desenvolvidos, como Iztapalapa e Tláhuac, na zona leste. De acordo com o censo de 1921, 54,78% da população da cidade era considerada mestiça (indígena misturada com europeia), 22,79% considerada europeia e 18,74% considerada indígena. Até a década de 1990, o Distrito Federal era a entidade federal mais populosa do México, mas desde então, sua população se manteve estável em torno de 8,7 milhões de habitantes. O crescimento da cidade estendeu-se para além dos limites da cidade propriamente dita, abrangendo 59 municípios do Estado do México e um no estado de Hidalgo. Com uma população de aproximadamente 19,8 milhões de habitantes (2008), é uma das conurbações mais populosas do mundo. No entanto, a taxa anual de crescimento da área Metropolitana é muito menor do que a de outras grandes aglomerações urbanas no México, um fenômeno provavelmente atribuível à política ambiental de descentralização. A taxa de migração líquida da Cidade do México de 1995 a 2000 foi negativa.
Metrópole
A área metropolitana, Grande Cidade do México (Zona Metropolitana del Valle de México ou 'ZMVM' em espanhol), é composta pela própria Cidade do México, mais 60 municípios no Estado do México e um no estado de Hidalgo . Com uma população de 21.804.515 (censo de 2020), a Grande Cidade do México é a maior e mais densa área metropolitana do país. Dos cerca de 21,8 milhões, 9,2 milhões vivem na Cidade do México propriamente dita e 12,4 milhões no Estado do México (cerca de 75% da população do estado), incluindo os municípios de: A Grande Cidade do México, por sua vez, faz parte de uma megalópole ainda maior, oficialmente conhecida como Corona regional del centro de México (megalópole da Cidade do México), com uma população de 33,4 milhões, mais de um quarto da população do país, segundo o censo de 2020. A megalópole, conforme definida pela Comissão Ambiental da Megalópole (CAMe), abrange a Cidade do México e os estados do México, Hidalgo, Puebla, Tlaxcala, Morelos e, desde 2019, Querétaro, englobando, portanto, as áreas metropolitanas da Cidade do México, Puebla, Querétaro, Toluca, Cuernavaca, Pachuca e outras.
Religião
A maioria (82%) dos residentes da Cidade do México é católica, um pouco abaixo da porcentagem nacional de 87% registrada no censo de 2010, o que a torna a maior denominação cristã, embora seu número tenha diminuído nas últimas décadas. Muitas outras religiões e filosofias também são praticadas na cidade: diversos grupos protestantes, diferentes tipos de comunidades judaicas, budistas, islâmicas e outros grupos espirituais e filosóficos. Há também um número crescente de pessoas sem religião, sejam agnósticas ou ateias. O santo padroeiro da Cidade do México é São Filipe de Jesus, um missionário católico mexicano que se tornou um dos Vinte e Seis Mártires do Japão.
Criminalidade
Entre 2000 e 2004, uma média de 478 crimes foram relatados por dia na Cidade do México; no entanto, acredita-se que a taxa real de criminalidade seja muito maior, "já que a maioria das pessoas reluta em denunciar crimes". Sob as políticas implementadas pelo prefeito Marcelo Ebrard entre 2009 e 2011, a cidade passou por uma grande modernização da segurança, com as taxas de crimes violentos e pequenos delitos caindo significativamente, apesar do aumento da criminalidade violenta em outras partes do país. Algumas das políticas implementadas incluíram a instalação de 11 mil câmeras de segurança pela cidade e uma grande expansão da força policial. A Cidade do México tem uma das maiores proporções de policiais por habitante do mundo, com um policial uniformizado para cada 100 cidadãos. Desde 1997, a população carcerária aumentou em mais de 500%. O cientista político Markus-Michael Müller argumenta que os vendedores ambulantes informais são os mais afetados por essas medidas. Ele vê a punição "relacionada com a crescente politização das questões de segurança e crime e a consequente criminalização das pessoas que vivem à margem da sociedade urbana, em particular aquelas que trabalham na economia informal da cidade".
Grupos étnicos
Representando cerca de 18,74% da população da cidade, os povos indígenas de diferentes áreas do México migraram para a capital em busca de melhores oportunidades econômicas. O náuatle, o otomí, o mixteco, o zapoteco e o mazaua são as línguas indígenas com o maior número de falantes na Cidade do México. De acordo com o Censo de 2020, 2,03% da população da cidade se identificou como negra, afro-mexicana ou de ascendência africana. Além disso, a Cidade do México abriga grandes comunidades de expatriados e imigrantes do resto da América do Norte (Estados Unidos e Canadá), da América do Sul (principalmente da Argentina e Colômbia, mas também do Brasil, Chile, Uruguai e Venezuela), da América Central e Caribe (principalmente de Cuba, Guatemala, El Salvador, Haiti e Honduras); da Europa (principalmente da Espanha, Alemanha e Suíça, mas também da República Tcheca, Hungria, França, Itália, Irlanda, Holanda, Polônia e Romênia), e do mundo árabe (principalmente do Líbano e de outros países como Síria e Egito).
Distrito Federal
A Acta Constitutiva de la Federación de 31 de Janeiro de 1824, e a Constituição Federal de 4 de outubro de 1824 fixa a organização política e administrativa dos Estados Unidos Mexicanos depois da Guerra da Independência. Além disso, a Secção XXVIII do artigo 50 deu ao novo Congresso o direito de escolher a localização do governo federal. Esta localização, então, seria apropriada como terra federal, com o governo federal agindo como autoridade local. Os dois principais candidatos para se tornar a capital eram a Cidade do México e Querétaro. Devido em grande parte à persuasão do representante Servando Teresa de Mier, a Cidade do México foi escolhida porque era o centro populacional e histórico do país, apesar de Querétaro ser mais perto do centro geográfico do país. A escolha foi oficializada em 18 de novembro de 1824 e o Congresso delineou uma superfície de duas léguas quadradas centrada na Praça da Constituição, ou El Zócalo. Esta área foi então separada do Estado do México, forçando o governo daquele estado a mover a partir do Palácio da Inquisição (hoje Museu de Medicina do México), na cidade de Texcoco. Esta área não inclui os centros populacionais das cidades de Coyoacán, Xochimilco, Mexicaltzingo e Tlalpan, todos as quais permaneceu como parte do estado do México.
Estrutura política
A Cidade do México não tem uma constituição, como os estados da União, mas sim um Estatuto de Governo. Como parte de suas recentes mudanças de autonomia, o orçamento é administrado localmente; é proposto pelo chefe de governo e aprovado pela Assembleia Legislativa. No entanto, é o Congresso da União que define o teto para a dívida pública interna e externa emitida pela Cidade do México. De acordo com o artigo 44 da Constituição mexicana, no caso da capital ser movida para outra cidade, o Distrito Federal seria transformado em um novo estado, que seria chamado "Vale do México". Em 2012, foram realizadas eleições para o cargo de chefe de governo e para os representantes da Assembleia Legislativa. Chefes de governo são eleitos para um mandato de 6 anos sem a possibilidade de reeleição. Tradicionalmente, esta posição tem sido considerada como o segundo cargo executivo mais importante no país.
Cidades-irmãs
A Cidade do México participou, no dia 12 de outubro de 1982 da União das Cidades Capitais da Iberoamérica, estabelecendo relação de cidade-irmã com as seguintes cidades:
Para efeitos administrativos, a Cidade do México encontra-se dividida em 16 demarcações territoriais, antes conhecidas como delegações. Trata-se de divisões territoriais e político-administrativas semelhantes a dos municípios mexicanos, embora haja diferenças jurídicas e administrativas. As demarcações territoriais da Cidade do México, de acordo com a seção 4 do artigo 53 da Constituição Política da Cidade do México, são as seguintes:
A Cidade do México foi, durante boa parte da história do México independente, seu principal centro econômico. No século XIX, os municípios periféricos da entidade possuíam uma economia baseada na agricultura e no comércio dos bens produzidos por esta atividade e outras manufaturas complementares. Tanto os produtos agropecuários como os obrajes eram bens de consumo cujo principal ponto de comércio era a Cidade do México. Esta, por seu caráter de capital nacional, se especializava na prestação de serviços associados à administração pública. Alguns de seus habitantes também eram trabalhadores agrícolas, mas quase todos eles estavam concentrados nos setores de serviços e na insuficiente indústria. Durante o século XIX, as principais atividades industriais no Distrito Federal foram nos ramos têxtil e papeleiro. No final desse século, durante o governo porfirista foram introduzidos teares mecânicos em fábricas como La Magdalena e La Fama, tanto que a produção papeleira florescia em Peña Pobre e Loreto.
Saúde
A Cidade do México abriga alguns dos melhores hospitais privados do país, incluindo o Hospital Ángeles, o Hospital ABC e a Médica Sur. O IMSS, instituição pública nacional de saúde para funcionários do setor privado, possui suas maiores instalações na Cidade do México — incluindo o Centro Médico Nacional e o Centro Médico La Raza.
Educação
A Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), é a maior universidade no continente, com mais de 300 mil estudantes de todas as origens. Três prêmios Nobel, vários empresários e a maioria dos presidentes contemporâneos do México estão entre os seus ex-alunos. A UNAM realiza 50% da pesquisa científica nacional e tem presença em todo o país, com campi satélites, observatórios e centros de pesquisa. A UNAM foi classificada na 74.ª posição na classificação universitária publicada pela Times Higher Education (então chamado Times Higher Education Supplement) em 2006, sendo a instituição de ensino superior melhor classificada no mundo de língua espanhola. O principal campus da universidade, conhecida como Ciudad Universitaria, foi nomeado Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2007.
Transportes
Em 2019, o designer gráfico Lance Wyman foi contratado para criar um mapa integrado do sistema de transporte público multimodal; ele apresentou um novo logotipo para o Sistema de Movilidad Integrada, descrevendo oito modos distintos de transporte. A chefe do governo, Claudia Sheinbaum, disse que a marca seria usada para um novo cartão de pagamento único para simplificar a cobrança de tarifas de transporte público. O Aeroporto Internacional da Cidade do México é o principal aeroporto da Cidade do México (código IATA : MEX) e serve como hub da Aeroméxico (SkyTeam). O Aeroporto Internacional Felipe Ángeles (código IATA: NLU), mais conhecido como AIFA, é o segundo aeroporto da Cidade do México e foi inaugurado em 2022. Ele serve como hub da companhia aérea estatal Mexicana de Aviación. Está localizado em Zumpango, Estado do México, 48,8 quilômetros a nordeste do centro histórico da Cidade do México.
Mídia
A cidade é o centro mais importante do país para as indústrias de mídia impressa e publicação de livros. São publicados dezenas de jornais diários, incluindo El Universal, Excélsior, Reforma e La Jornada. Outros jornais importantes incluem Milenio, Crónica, El Economista e El Financiero. As duas maiores empresas de mídia do mundo hispânico, Televisa e TV Azteca, têm sede na Cidade do México. A Televisa costuma se apresentar como a maior produtora de conteúdo em espanhol.
Arte
Como foi a capital de um vasto império pré-hispânico e também a capital do mais rico vice-reinado dentro do Império Espanhol (que dominava vastos territórios na América e nas Índias Ocidentais), e, finalmente, a capital do Estados Unidos Mexicanos, a Cidade do México tem uma história rica de expressão artística. Desde o período pré-clássico mesoamericano os habitantes dos assentamentos em torno do lago Texcoco produziram muitas obras de arte e artesanato complexos, alguns dos quais são hoje exibida no mundialmente famoso Museu Nacional de Antropologia e no museu do Templo Mayor. Grande parte do início de arte colonial resultou de códices (livros ilustrados astecas), com o objetivo de recuperar e preservar alguma iconografia indígena asteca. A partir de então, as expressões artísticas no México eram em sua maioria religiosas. A Catedral Metropolitana ainda exibe obras de Juan de Rojas, Juan Correa e uma pintura a óleo cuja autoria foi atribuída a Murillo.
Museus
A Cidade do México possui inúmeros museus dedicados à arte, incluindo arte colonial mexicana, arte moderna e contemporânea e arte internacional. O Museu Tamayo foi inaugurado em meados da década de 1980 para abrigar a coleção de arte contemporânea internacional doada pelo pintor mexicano Rufino Tamayo. Além disso, segundo a Secretaria de Turismo, a cidade possui cerca de 170 museus — figurando entre as dez cidades com maior número de museus no mundo. O Museu Tamayo foi inaugurado em meados dos anos 1980 para abrigar a coleção de arte contemporânea internacional doada pelo famoso pintor mexicano Rufino Tamayo. A coleção inclui obras de Picasso, Klee, Kandinsky, Warhol e muitos outros, embora a maior parte da coleção fique armazenada enquanto exposições são realizadas. O Museu de Arte Moderna é um repositório de artistas mexicanos do século XX, incluindo Rivera, Orozco, Siqueiros, Kahlo, Gerzso, Carrington, Tamayo, entre outros, e também organiza regularmente exposições temporárias de arte moderna internacional. No sul da cidade, o Museu de Arte Carrillo Gil reúne um mostruário com artistas de vanguarda, assim como o Museu Universitário de Arte Contemporânea, projetado pelo famoso arquiteto mexicano Teodoro González de León e inaugurado no final de 2008.
Música
A Cidade do México abriga diversas orquestras que oferecem programas de temporada. Entre elas, a Filarmônica da Cidade do México, que se apresenta na Sala Ollin Yoliztli; a Orquestra Sinfônica Nacional, cuja sede é o Palácio de Belas Artes, uma obra-prima dos estilos art nouveau e art déco; a Orquestra Filarmônica da Universidade Nacional Autônoma do México (OFUNAM), e a Orquestra Sinfônica Minería, ambas se apresentam na Sala Nezahualcóyotl, que foi a primeira sala de concertos com palco envolvente no Hemisfério Ocidental quando inaugurada em 1976.
Gastronomia
Considerado outrora comida plebeia, no século XIX os tacos já eram um prato básico da culinária da Cidade do México. Enquanto as autoridades lutavam para tributar as taquerias locais, impondo exigências de licenciamento e penalidades, registravam alguns detalhes sobre os tipos de comida servidos por esses estabelecimentos. A referência mais frequente era aos tacos de barbacoa. Também eram mencionadas enchiladas, tacos de minero e gorditas, além de lojas de ostras e barracas de peixe frito. Há evidências de que algumas especialidades regionais eram disponibilizadas para imigrantes recentes; pelo menos duas lojas serviam pozole, um tipo de ensopado semelhante ao hominy, prato típico de Guadalajara, Jalisco.
Esportes
O futebol é o esporte mais popular e com maior número de transmissões televisivas no México. Seus principais estádios na Cidade do México incluem o Estádio Azteca, casa da seleção mexicana e dos gigantes América e Cruz Azul, com capacidade para 91.653 torcedores, o que o torna o maior estádio da América Latina. O Estádio Olímpico, na Cidade Universitária, é a casa do gigante do futebol Universidad Nacional, com capacidade para mais de 69 mil pessoas. O Estádio Cidade dos Esportes, com capacidade para cerca de 34 mil torcedores, fica próximo ao World Trade Center da Cidade do México, no bairro de Nochebuena, e abriga o histórico Estádio Atlante.


