Christina Aguilera
Christina María Aguilera é uma cantora e compositora norte-americana. Conhecida por sua extensão vocal de quatro oitavas e pela habilidade de sustentar notas altas, ela é referida como a "Voz da Geração". Aguilera alcançou o estrelato com seu álbum homônimo, com o qual é creditada por influenciar o renascimento do teen pop no final da década de 1990 e início da década de 2000. Seus trabalhos, que abordam temas como feminismo, sexualidade e violência doméstica, receberam elogios da crítica e também geraram controvérsia na mídia, sendo frequentemente citada como influência por diversos artistas.
Infância e primeiros trabalhos (1980–1998)
Christina María Aguilera nasceu no dia 18 de dezembro de 1980 em Staten Island, Nova Iorque, sendo a primeira filha de Shelly Loraine Fidler (1960) e Fausto Wagner Xavier Aguilera (1949). A irmã mais nova de Aguilera é Rachel (1986). Seu pai, um equatoriano com cidadania norte-americana, atuava como sargento no exército dos Estados Unidos, enquanto sua mãe, com ascendência irlandesa e alemã, trabalhava como professora de espanhol e possuía habilidades com violino e piano. Por conta do serviço militar de seu pai, sua família se mudava constantemente, passando uma temporada nos estados do Texas e da Nova Jérsei, até partirem para o Japão, onde permaneceram por pelo menos três anos. Durante sua infância, presenciou brigas constantes entre seus pais, com algumas partindo para agressões físicas; quando Aguilera se tornou alvo da violência doméstica, Shelly fugiu levando as crianças para morar com a mãe no subúrbio de Rochester, na Pensilvânia, entrando com pedido de divórcio posteriormente. Enquanto explorava discos antigos de sua avó, Christina desenvolveu seu interesse pela música e foi incentivada por familiares à ingressar em competições de talentos locais.
Sucesso internacional (1999–2001)
Após ouvir seu desempenho em "Reflection", Ron Fair — diretor executivo da RCA Records — ofereceu à Aguilera um contrato com o selo, afirmando ter ficado "impressionado com seu talento puro". Imediatamente após a assinatura do contrato, ela deu início às sessões de gravação de seu disco de estreia, desejando criar um projeto inspirado pelo R&B; no entanto, executivos da gravadora insistiram para que gravasse um material direcionado ao público adolescente, ao passo em que era crescente a popularidade do teen pop no final da década de 1990. Em 24 de agosto de 1999, seu álbum de estreia foi disponibilizado para o público, sendo recebido com opiniões divididas da crítica especializada; apesar de não se mostrarem otimistas com seu conteúdo, Ann Powers, jornalista do The New York Times, noticiou que o trabalho "sugere o surgimento de uma cantora de verdade [com] poder e alcance vocal impressionante". Em termos comerciais, distribuiu cerca de 252 mil cópias em sua primeira semana, chegando à liderança da Billboard 200, principal tabela dos Estados Unidos. Ao redor do mundo, a obra alcançou sucesso semelhante; em menos de um ano de divulgação, havia comercializado aproximadamente 10 milhões de exemplares, fazendo com que a BBC News a reconhecesse como "um dos talentos mais bem-sucedidos [e] observados da América".
Mudança de imagem e controvérsias (2002–2003)
Em 2002, Aguilera confirmou que estava planejando seu próximo material, afirmando que assumiria o controle criativo sobre o seu conteúdo, ao passo em que estava insatisfeita com sua imagem de artista direcionada ao público adolescente. Ela explicou que o novo disco serviria como "um novo começo, uma reintrodução de [si mesma] como uma nova artista". Durante esse período, adotou uma imagem mais provocante; com os cabelos pretos e um vestuário mais revelador, passou a denominar-se como Xtina. A primeira prévia para o projeto veio em "Dirrty", faixa que não foi bem avaliada, especialmente após a divulgação de seu vídeo musical, onde a artista fazia referência à diversos fetiches sexuais. Em uma revisão da obra, Josh Tryangiel, editor da revista Time, exclamou que "Aguilera parecia ter chegado diretamente de uma convenção intergalática de prostitutas", ao passo em que também recebia críticas de artistas como Shakira e Jessica Simpson. Na Tailândia, houve protestos para que ele deixasse de ser exibido na televisão, denunciando os pôsteres presentes no vídeo que divulgavam o turismo sexual no país. David LaChapelle, diretor da obra audiovisual, afirmou que não sabia o que estava escrito nos cartazes.
Amadurecimento e aclamação crítica (2004–2009)
No início de 2004 Aguilera estava em um relacionamento com o executivo Jordan Bratman; o casamento entre eles ocorreu no final do ano seguinte, em uma propriedade privada no Condado de Napa, na Califórnia. No mesmo período, colaborou como vocalista para os temas "Car Wash" e "Tilt Ya Head Back" em parceria com Missy Elliott e Nelly, respectivamente. Ao passo em que planejava seu quinto projeto de inéditas, voltou a reformular sua imagem quando adotou o loiro platinado em seus cabelos e aderiu um vestuário inspirado por modelo pin-up, passando a se referir como Baby Jane. Em 2006, estrelou como garota-propaganda em comerciais promovidos pela Pepsi e divulgou a primeira prévia de sua nova direção artística, "Ain't No Other Man". Recebida com elogios da crítica em decorrência de sua mistura de estilos atuais com elementos da velha guarda, foi comparada à obras de Aretha Franklin. Em âmbito comercial, posicionou-se entre as dez mais vendidas em diversos países, incluindo o Reino Unido; nos Estados Unidos, chegou ao sexto lugar da Billboard Hot 100.
Estreia nos cinemas e The Voice (2010–2012)
Ao encerrar as gravações de seu primeiro filme, Aguilera afirmou que divulgaria seu sexto álbum de inéditas, descrevendo-o como um "[projeto] sobre o futuro — sobre o meu filho em minha vida me motivando a experimentar, brincar e me divertir" ao passo em que seria diretamente inspirado pela música eletrônica. Em 8 de junho de 2010, o resultado final foi disponibilizado sob o título Bionic; diferentemente de seu antecessor, a crítica especializada foi menos otimista quanto ao seu conteúdo, considerando-o "forte, mas apenas em partes", outros opinavam que a artista estava "se aproveitando" da alta do electropop no mercado fonográfico. Comercialmente, não causou o mesmo impacto de seus últimos trabalhos; apesar de alcançar o topo no Reino Unido, teve o terceiro lugar como a sua melhor posição nos Estados Unidos. Desde então, estima-se que tenha sido distribuída mais de 800 mil unidades em seu país de origem. "Not Myself Tonight" e "You Lost Me" foram lançadas como meios de divulgação ao trabalho, mas não foram recebidas com entusiasmo por parte do público.
Parcerias e retorno aos palcos (2013–presente)
Em 2013, Aguilera retornou ao quadro de mentores na quinta temporada de The Voice, onde foi noticiado que receberia cerca de 12 milhões mensais. Durante o mesmo período, colaborou com os artistas Pitbull e A Great Big World para os temas "Feel This Moment" e "Say Something", respectivamente, com ambas atraindo um bom desempenho em termos comerciais. Com esta última, a vocalista chegou à ocupar o quarto lugar da Billboard Hot 100, sua melhor posição em território norte-americano desde 2011; além disso, foi responsável por distribuir mais de 6 milhões de unidades em apenas um ano de divulgação, posicionando-se entre as mais vendidas digitalmente no mundo. Durante a 57.ª cerimônia do Grammy Awards, recebeu ainda o prêmio de Melhor Performance de Pop em Dueto ou Grupo. No ano seguinte, Aguilera ficou noiva de Matthew Rutler e deu à luz sua segunda filha, Summer Rain. Seus esforços seguintes foram como atriz coadjuvante na terceira temporada de Nashville (2015), além de papéis menores nos filmes Zoe e Life of the Party (ambos de 2018).
Investimentos
Fora de sua atuação na indústria fonográfica, Aguilera tem trabalhado em outros empreendimentos. Em 2016, após a fundação de sua própria produtora, MX Productions, assinou contrato com a companhia Lions Gate Entertainment para desenvolver um programa de competição musical destinado à Spike TV. No mesmo ano, começou a atuar como investidora de companhias como MasterClass, Lyft e Pinterest. Além disso, a intérprete atua com a comercialização de produtos próprios; em 2011, divulgou sua primeira linha de roupas através da São Paulo Fashion Week sendo, posteriormente, disponibilizada por estabelecimentos da C&A. Em 2004, deu início à sua linha de perfumes através da Procter & Gamble (P&G); com lançamentos anuais, suas fragrâncias se posicionaram entre as mais vendidas do Reino Unido entre 2007 e 2009. Em 2016, seu negócio foi adquirido pela Elizabeth Arden, Inc, onde foi levantado que a marca faturou mais de 10 milhões de dólares apenas em janeiro daquele ano.
Filantropia
Aguilera tem feito trabalhos filantrópicos durante sua carreira. Em 2001, ela assinou uma carta aberta organizada pelo People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) em direção à Coreia do Sul, apelando para que os governantes proíbam o consumo de cachorros e gatos. Em 2006, a cantora substituiu uma peça de autoria de Roberto Cavalli de seu figurino presente na Back to Basics Tour depois que descobriu que ele havia utilizado pele de raposa em sua composição. Em 2010, a intérprete leiloou ingressos para seus concertos através da Christie's, destinando os rendimentos para grupos ambientais sem fins lucrativos, entre eles o Conservação Internacional e o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais. Aguilera também trabalhou na conscientização ao HIV/AIDS; em 2004, foi rosto para uma linha de maquiagens da MAC Cosmetics cujos lucros foram destinados no combate ao vírus. No ano seguinte, participou de um livro de fotografias destinado à levantar fundos para a Elton John AIDS Foundation, além de participar de uma campanha organizada pelo YouthAIDS.
Habilidade vocal
Profissionais definem o tipo vocal de Aguilera como soprano, apresentando uma extensão vocal de quatro oitavas (de Dó3 à Dó♯7), além de ser capaz de executar o registro de apito. Após divulgar seu primeiro material, Ron Fair — executivo da RCA Records — afirmou apostar na cantora devido à sua "incrível entonação", considerando que ela possuía "poder vocal para se tornar a próxima Barbra Streisand ou Céline Dion". Em um artigo para a revista Slate, Maura Johnston considerou que embora a intérprete atue dentro da música popular contemporânea, ela dispõe de "um instrumento que, apesar de sua capacidade de pular oitavas, tem uma base grave semelhante àquela possuída por cantores de ópera". Destacando sua versatilidade vocal, o jornal The Boston Globe opinou que a artista é "uma verdadeira cantora [...] abençoada vocalmente com uma elasticidade deslumbrante, notas preciosas e poder puro que separam as divas de amadoras". Além disso, Aguilera é reconhecida por fazer uso da melisma em suas canções e apresentações; Jon Pareles, jornalista do The New York Times, observou seu empenho na modalidade, enfatizando que ela "consegue atingir notas tão rapidamente quanto um míssil e transformar seu alcance em uma espiral acrobática de melismas saltitantes, trêmulas e escalonadas". De acordo com críticos da Rolling Stone, a artista modelou sua "técnica dramática e melismática" acompanhando e replicando a extensão vocal de Etta James.
Influências
De acordo com Pier Dominguez, a violência doméstica que Aguilera sofreu durante a infância impactou diretamente na sua personalidade em formação. No entanto, o autor afirma que, diferente de outras crianças que testemunham a violência em casa, a cantora não demonstrava sentimentos de culpa, distúrbio emocional ou um comportamento agressivo com as pessoas; pelo contrário, ela criou um "mecanismo de defesa interna". Por outro lado, Chloé Govan afirma que o fato de ter sido vítima de bullying na escola a tornou uma pessoa introvertida e insegura. O papel de sua mãe foi crucial para mudar esse cenário, com quem afirma ter aprendido "lições sobre autorrespeito". De fato, diversos críticos concordam que o aprendizado exerceu forte influência sobre o comportamento de Aguilera na transição para a idade adulta e, principalmente, em seus primeiros sucessos na música, "Genie in a Bottle" e "What a Girl Wants" (ambos de 1999), que trazem como referência o empoderamento feminino.
Estilos musicais e temas
"Elastic Love" é uma obra que incorpora o electropop, com elementos da música eletrônica e o new wave da década de 1980. Liricamente, Aguilera faz uso de equipamentos de escritório como metáfora para seu relacionamento amoroso. Em "Like I Do", uma parceria com GoldLink, Aguilera flerta com o hip-hop misturado com instrumentos de sopro e sintetizadores eletrônicos ao fundo. Descrita como uma "canção autoconfiante", discursa sobre um relacionamento com um amante mais jovem e menos bem-sucedido que a intérprete. Geralmente referida como uma artista de música popular, Aguilera experimentou diversos gêneros musicais ao longo de sua carreira. Ela explica que sempre tenta trazer algo novo em seus projetos e "testar" com sua voz porque costuma entediar-se facilmente ao repetir suas inspirações, além de verbalizar sua preferência em trabalhar com colaboradores mais "obscuros" e que ela não sente a necessidade de contratar "os números um das tabelas musicais" por conta de sua demanda popular. Revisando-a como artista, Alexis Petridis, jornalista do The Guardian, reconheceu que a "ousadia em se reinventar" em cada um de seus trabalhos divulgados "sempre foi uma de suas facetas mais impressionantes", enquanto Kelefa Sanneh do The New York Times destacou positivamente sua "decisão de esnobar produtores de renome das quais estrelas da música geralmente necessitam".
Aguilera tem reinventado sua imagem pública inúmeras vezes ao longo de sua vida artística. No início da carreira, foi comercializada como uma cantora de bubblegum pop devido ao alto retorno financeiro do gênero no final da década de 1990, tornando-se ídolo entre o público adolescente. Por outro lado, foi acusada de cultivar uma imagem sexual, atraindo críticas em relação às suas roupas reveladoras; em uma entrevista à MTV News, Debbie Gibson acusou a intérprete de "influenciar garotas [a] vestirem cada vez menos", considerando que "ela vive e respira um imagem sexual". Em respostas aos comentários negativos, Aguilera afirmou: "Só porque tenho uma certa imagem, todos querem que eu sirva de modelo. Mas ninguém é perfeito e ninguém pode viver como se fosse". Além disso, durante seus primeiros anos, passou a receber comparações com Britney Spears. David Browne, autor da Entertainment Weekly, notou que a vocalista "parecia agir como uma garota boa tentando ser má" quando comparada à música e imagem de Spears. Em contrapartida, a revista Time a considerou uma artista mais impressionante do que Britney. Megan Turner, jornalista do New York Post, comparou a "batalha" entre ambas artistas na mídia com a ocorrida anteriormente entre The Beatles e The Rolling Stones; no entanto, destacou a diferença entre elas, observando que "enquanto Britney era sexualmente atraente [...] Aguilera possuía charme e um maior apelo juvenil".
Diversos jornalistas musicais e autores têm notado o legado de Aguilera na indústria do entretenimento, considerando-a uma das maiores artistas da música popular contemporânea. Em 2004, ela foi escolhida como uma das musicistas de maior influência na indústria fonográfica pelo jornal The Independent; em 2012, listou-se entre as dez mulheres mais importantes da música pelo canal VH1. No início de sua carreira, cultivou popularidade como um ídolo adolescente; além de ser referida como uma das artistas responsáveis por reviver o teen pop no final da década de 1990, a revista Time noticiou que ela "foi pioneira de um tipo diferente de estrelado adolescente", creditando sua habilidade vocal como a responsável pelo fenômeno. Desde então, Aguilera tem sido nomeada como uma das maiores vocalistas da música popular; através da MTV, foi citada como uma das maiores vozes surgidas desde a década de 1980, enquanto a Rolling Stone e Consequence of Sound a incluíram em suas listas de maiores cantores de todos os tempos. Em 2013, o periódico Latina a honrou com o título de maior intérprete de origem latina da história. Graças à sua capacidade vocal e influência no mercado da música, passou a ser referida na mídia internacional sob os títulos de "Princesa do Pop" e "Voz da Geração".
Ao longo de sua carreira, Aguilera acumulou diversos prêmios e reconhecimentos. Aos dezenove anos, venceu o Grammy Award de Artista Revelação, sendo reconhecida através da The Recording Academy como uma das pessoas mais jovens a receber tal honraria — através da mesma premiação, recebeu outras quatro estatuetas. Além disso, foi vencedora de dois Grammy Latinos, dois MTV Video Music Awards e possuí um feito reconhecido pelo Guinness World Records. Em 2010, foi imortalizada na Calçada da Fama de Hollywood em "honra às suas contribuições para a indústria fonográfica"; do mesmo modo, em 2019, teve seu nome imortalizado como uma Lenda da Disney em "agradecimento às suas notáveis contribuições para a história da Walt Disney Company". Além de ser geralmente citada como uma das artistas de origem latina mais proeminentes da indústria do entretenimento, em 2013, Aguilera fez parte de uma das listas anuais da revista Time, sendo reconhecida como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time em 2013.


