Chiquititas (1997)
Chiquititas é uma telenovela brasileira co-produzida pelo SBT e pela argentina Telefe e exibida pelo SBT entre 28 de julho de 1997 e 17 de janeiro de 2001, em 786 capítulos, divididos em cinco temporadas.
Após Gabriela (Cláudia Santos/Vanusa Ferlin) dar à luz um bebê, seu pai, o arrogante e poderoso Dr. José Ricardo de Almeida Campos (Rogério Márcico), sequestrou a neta porque não aceitava o fato da filha ter se envolvido com um empregado. Como sua neta Mili (Fernanda Souza) precisava de um lugar para viver, ele criou o orfanato Raio de Luz. Mili cresceu nesta mansão ao lado de outras meninas, que chegaram mais tarde. Hoje, suas companheiras são Bia (Gisele Frade), Ana (Beatriz Botelho), Cris (Francis Helena) e as irmãs Tati (Ana Olivia Seripieri) e Vivi (Renata del Bianco). Carmem (Débora Olivieri), irmã de José Ricardo, uma mulher ambiciosa, é a diretora do orfanato. Ernestina (Magali Biff) é a rigorosa zeladora. E Chico (Gésio Amadeu), o chef adorável e amado pelas meninas. Pata (Aretha Oliveira), uma nova garota, entra no orfanato e, inicialmente, não se dá bem com as outras meninas. Porém, mais tarde, torna-se grande amiga de Mili. Pata conhece seu meio-irmão, Mosca (Pierre Bittencourt), considerado um delinquente por Carmem. Ele é o primeiro garoto no local, despertando os sentimentos românticos de Vivi e Cris.
Baseada na telenovela argentina de mesmo nome, de Cris Morena, foi adaptada para o Brasil por Ecila Pedroso na primeira temporada e Caio de Andrade nas seguintes, com colaboração de Gustavo Barrios, Patricia Maldonado, Delia Maunas, Horacio Marshall e Ricardo Morteo, sob direção de Hernan Abrahamsohn, Eugenio Gorkin, Gustavo Luppi e Claudio Ferrari. Foi inteiramente gravada na Argentina. Em 1997, após a experiência com dramatugia infantil em Colégio Brasil (1996), Silvio Santos decidiu continuar investindo no gênero e comprou os direitos do Disney Club e da telenovela argentina Chiquititas. A primeira temporada teve um orçamento estimado de 7 milhões de reais. Originalmente pensou-se em chamar a novela de "Pequeninas" ou "Cantinho de Luz", porém decidiu-se manter o título em espanhol. Ecila Pedroso assinou a tradução dos textos na primeira temporada e Caio de Andrade a partir da segunda. Cada criança recebia um salário de 1200 reais – cerca de 10 salários mínimos na época – e mais uma ajuda de custo de 3000 reais para se manter na Argentina.
Gravações
Como a Chiquititas original ainda estava sendo gravada, o SBT firmou uma parceria com a emissora argentina Telefe para que a versão brasileira também fosse gravada em Buenos Aires, aproveitando os cenários e equipe já disponível e evitando assim gastos para montar a mesma estrutura no Brasil. Em maio de 1997, o produtor Roberto Monteiro e todo o elenco se mudaram para Buenos Aires. As crianças foram acompanhadas por um familiar responsável e se instalaram em dois prédios alugados exclusivamente para eles pelo SBT. As gravações começaram na Telefe em 2 de junho. Com exceção de "Era Uma Vez", "Até 10", "Sinais", "Mentirinhas" e "Por que Deus?", todos os demais videoclipes da primeira temporada foram gravados no Brasil antes da viagem, em maio de 1997, usando locações externas como o Museu do Ipiranga, a Avenida Paulista, o Viaduto do Chá, o Largo da Memória, o Theatro Municipal de São Paulo e o Memorial da América Latina, lugares históricos da cidade de São Paulo. Nas temporadas seguintes as gravações dos videoclipes continuaram sendo divididos: parte gravada na Argentina e parte no Brasil, na quinta e última temporada, o elenco viajou para Fernando de Noronha gravar os vídeos de "Passarinho", "Liberdade", "Estrela", "Não Pode Ser" e "No Começo". A direção dos videoclipes era feita por Carlos Dell'Isola e Jose Luis Massa e as músicas eram adaptadas para o português por Caion Gadia.
Escolha do elenco
Flávia Monteiro foi convidada especialmente por Nilton Travesso, diretor de teledramaturgia do SBT na época, para interpretar a protagonista Carol, tendo que fazer aulas de canto e dança para o papel. Na primeira temporada, testes com 3000 atores mirins enviados por agências de publicidade foram realizados para escolher as crianças iniciais. Nesses testes participaram atores que futuramente ficariam conhecidos, como Paloma Bernardi e Karina Dohme. Carla Diaz e Beatriz Botelho não fizeram testes, sendo convidadas por Cris Morena após ver a primeira em um comercial e a segunda no filme A Origem dos Bebês segundo Kiki Cavalcanti. Para Mili, Nilton queria uma criança com mais experiência pela carga emocional da personagem, escolhendo nos testes Fernanda Souza, que já tinha interpretado uma órfã em Razão de Viver.
Remake
Em agosto de 2012 foi anunciado que Chiquititas ganharia uma segunda versão, readaptada pela autora Iris Abravanel para substituir Carrossel. A obra estreou em 15 de julho de 2013 e ficou no ar até 2015, tendo duas temporadas. Diferente de 1997, que era fiel à original argentina, a versão de 2013 teve os rumos da história alterados e eliminou alguns personagens centrais da primeira versão, como Fran e Estrela.
Chiquititas foi a telenovela brasileira com o maior número de capítulos, somando 786. No entanto, não é considerada a mais longa da história, uma vez que houve duas interrupções durante sua exibição. O fato passou a acontecer após os pais dos atores mirins reinvindicarem férias para eles, que estavam trabalhando há quase 2 anos sem parar, sendo que o SBT passou a ceder 3 meses de folga a cada início de ano. Entrou no ar em 28 de julho de 1997, substituindo a mexicana Maria do Bairro. Entre 4 de janeiro e 5 de abril de 1999 foi exibida a mexicana Luz Clarita durante as férias entre as duas fases da terceira temporada. Entre 3 de janeiro e 24 de abril de 2000 foi exibida a mexicana O Diário de Daniela durante as férias da quarta para a quinta temporada. O último capítulo foi ao ar em 17 de janeiro de 2001, totalizando cinco temporadas e sendo substituída pela mexicana Gotinha de Amor.
Reprises
A primeira temporada e os capítulos iniciais da segunda foram reprisados entre 22 de novembro de 2004 e 9 de abril de 2005 às 18h30 com a intenção de fazer frente à A Escrava Isaura, na Record, que havia tirado a vice-liderança do SBT. A reprise, no entanto, contou com edições significativas: diversos episódios foram condensados, resultando em capítulos editados de forma fragmentada, reunindo cenas de vários episódios originais em um só. Os problemas com direitos autorais da Telefe unido ao fato de não conseguir recuperar a vice-liderança fez Chiquititas sair do ar dando lugar ao Programa do Ratinho. Foi exibida pelo +SBT Novelas somente com os cinco primeiros capítulos em loop entre 24 e 25 de dezembro de 2024, como especial de Natal.
Outras mídias
Foi disponibilizada com capítulos mensais pelo +SBT em paralelo de sua reprise no canal fast +SBT Novelas a partir de 23 de janeiro de 2025.
Gravação
As músicas foram todas adaptadas em português das versões originais em espanhol de Chiquititas e gravadas por cantores profissionais dos quais não faziam parte da novela, sendo que nenhum ator mirim realmente cantou. O fato deu-se por Nilton Travesso, diretor de dramatugia da emissora na época, ter dificuldade de encontrar atores mirins que também cantassem bem. Entre os nomes que gravaram, estiveram Lais Yasmin (voz de Tati em "Mentirinhas"), Letícia Bello (voz de Maria em "Coração com Buraquinhos", Neco em "Lu-Lucita e Fran em "Crescer" e "O Que Você Fez?"), Maria Diniz (voz de Mili em "Era Uma Vez", "Mentirinhas" e "Me Passam Coisas"). Já as músicas dos atores adultos foram gravadas por eles mesmos, como Débora Olivieri e Magali Biff em "Bruxas Malvadas" e Gésio Amadeu em "O Chefe Chico", tendo como exceção Débora Falabella, Alex Benn e Marcos Pasquim, os dois últimos tendo suas vozes em "Te Encontrei" e "Estou Louco" respectivamente gravadas por Caio Flávio, e Flávia Monteiro no primeiro disco, cuja voz em "Por que Deus?" e "Te Encontrei" é de Thais Saccomani. Flávia, porém, se sentiu desconfortável e solicitou que a partir do segundo álbum ela mesma gravasse as músicas.
Produtos licenciados
Logo após sua estreia, a telenovela tornou-se extremamente popular atraindo centenas de merchandising e vendendo mais de 3 milhões de álbuns. No ano de 1998 a Revista Chiquititas promoveu um concurso de fã-clubes brasileiros das Chiquititas e o segundo ganhador foi o Chiqui-Sede, de São Paulo, que tinha como presidente Dodi Leal, hoje produtora cultural e professora de artes cênicas.
Audiência
Em termos de Ibope, em pouco tempo a novela chegou a registrar médias expressivas que chegavam a acima dos 18 pontos. Ao final da primeira temporada, a novela registrou médias de 17 pontos, sendo considerada um grande sucesso, mantendo a audiência da sua antecessora, a mexicana, Maria do Bairro. Os bons índices se mantiveram até o fim da terceira temporada. No entanto, a partir da quarta temporada a audiência começou a cair. A quinta temporada foi decisiva para o encerramento da novela: Enquanto Uga Uga da Rede Globo, registrava 43 pontos no mesmo horário, Chiquititas marcava apenas 10. Além disso, as mexicanas Luz Clarita e O Diário de Daniela registraram maior audiência que Chiquititas, 14 e 12 pontos, respectivamente.
As Crianças mais Amadas do Brasil
Após deixarem a novela, Paulo Nigro, Gisele Frade, Renata del Bianco, Beatriz Botelho, Giselle Medeiros, Luan Ferreira, Polyana López, Jéssica Nigro e Janderson Ferreira formaram o grupo As Crianças mais Amadas do Brasil em 1999, que chegou a lançar um álbum homônimo e uma turnê, quando Thiago Oliveira e Fabio Bruci Wu também se juntaram a eles, percorrendo o Brasil até se desfazer em 2000.


