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Chioggia

Chioggia é uma comuna italiana da província de Veneza, com cerca de 49.832 habitantes.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Geografia física

Território

A cidade de Chioggia encontra-se na foz do Ádige, na parte mais a sul da província de Veneza. O centro histórico da cidade situa-se na extremidade meridional da lagoa sobre um grupo de pequenas ilhas divididas por canais e ligadas por pontes. Ao contrário de Veneza, grande parte da sua área urbana pode ser percorrida por automóveis e transportes públicos. Graças à construção da Ilha da União (e da sua ponte homónima que atravessa a lagoa do Lusenzo), forma um único centro urbano juntamente com a vizinha Sottomarina - situada na faixa de terra que separa a lagoa do mar. O resto da cidade está localizada no interior e compreende a foz dos rios Brenta e Ádige - juntamente com muitos outros rios e canais menores a Sul – e com o litoral interno lagunar junto do Valle di Millecampi a Noroeste de Chioggia. Igualmente relevante é a presença da Reserva Natural do Bosco Nordio entre as duas fracções de Sant'Anna e Cavanella d'Adige. Este proporciona um raro exemplo do que foi o ponto alto do litoral do alto Adriático; este, que nos tempos antigos foi o mais distinto de todo o território do Golfo de Veneza.

Clima

Segundo a escala de Köppen-Geiger, Chioggia possui um clima de tipo Cfa, isto é, quente mas temperado (típico do Vale do Pó) dado a proximidade do mar. Ali existe uma pluviosidade significativa ao longo do ano. Mesmo o mês mais seco tem uma elevada pluviosidade. A temperatura média anual em Chioggia é 13.4°C e a sua pluviosidade média anual é de 779mm. A precipitação é mais intensa na Primavera e no Outono, enquanto que no Inverno a neve não é muito frequente nem duradoura. Isto deve-se ao sal proveniente do mar e das águas lagunares. A névoa do Inverno e o calor estival são frequentes dada a elevada humidade da zona. Os ventos principais são o Bora, o Scirocco, que causa o fenômeno da água alta, e o Libeccio, um vento quente de Sudoeste, proveniente do deserto do Saara.

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História

As origens

A lenda sobre as origens de Chioggia está ligada a Eneias, mítico herói troiano fugido da destruição de Troia que navegou pelo Mediterrâneo para, posteriormente, se fixar no Lácio. Com Eneias partiram também Aquilio e Cláudio que, a meio da viagem, se separaram do seu concidadão para a lagoa veneziana, fundando, respectivamente Pádua, Aquileia e Clodia. Uma prova desta fundação mítica é o símbolo da cidade, um leão vermelho rampante sobre prata, escolhido pelo próprio Cláudio em memória da sua cidade natal, e o nome da própria cidade. A partir de achados arqueológicos recentes e estudos recentes, podemos situar, como hipótese, o nascimento da cidade por volta do ano 2 000 a.C. pelos Pelasgos, povo de navegadores originário da Tessália, que colonizaram muitas cidades na costa do Adriático. O nome de Chioggia, deriva de Cluza, "construída artificialmente", para explicar a natureza insular-lagunar da cidade que, sem intervenção humana, estaria submersa a cada maré alta. Outros nomes são, indubitavelmente, de origem pré-helénica como Lusenzo - canal e lagoa localizados entre Chioggia e Sottomarina - Bebe (antiga torre que serviu de posto avançado na fronteira entre os territórios venezianos e de Pádua), Perotolo e Evrone. Os primeiros assentamentos da cidade de Chioggia, devem estar, portanto, localizados junto da foz do Brenta, que, naquela época, era uma das entradas da lagoa, com o nome de Brondolo, na pequena ilha de Vicus a levante da Fossa Clodia, canal que corresponde agora à Lagoa de Lusenzo, e em Evrone, que corresponde ao porto de Chioggia.

História antiga

Certo é que a cidade já existia no período romano. Uma prova é a típica estrutura geométrica rectangular que distingue Chioggia; formada por um cardo, o actual Corso del Popolo, e um decúmano. Como todas as cidades do Veneto, Chioggia fazia parte da Região X, a "decima regio", que compreendia ainda a Ístria. As primeiras fontes históricas provêm de Plínio, o Velho que na sua Naturalis Historia descreve a zona lagunar veneta como "a terra dos rios" dizendo ainda que: ... saindo do Delta de Pádua, depois de Adria, porto etrusco que deu o nome ao Mar Adriático, encontram-se as fozes originais da superabundância de águas, ditas "Fossas Filistinas" nas quais está o Ádige, que flui desde os Alpes tridentinos e o Togisono (Bacchiglione) que desce dos campos de Pádua. parte desta água alimenta ainda o porto de Brondolo, como os dois Meduaci, o Menor e o Maior (os dois ramos do Brenta) e o Bacino de Chioggia (Fossa Clodia-Canal Lombardo) alimentam Porto Evrone. A estas águas também se juntam as do Pó.

História medieval

Em 568, os Lombardos apareceram em solo itálico, descendo os Alpes e passando por Veneza, comandados pelo seu rei Alboino. Em menos de um século cai o Império Romano do Ocidente e sucedem-se os domínios Érulos, Ostrogodos, Bizantinos e, por fim, o dos Lombardos. No que concerne a Chioggia e às outras cidades lagunares, foram dominadas pelos povos sobreditos, excepção feita aos Lombardos que não conseguiram conquistar os territórios, mas, ainda assim, mantiveram uma importante independência, causada pela dependência do distante Império de Constantinopla. Formou-se assim, o primeiro Estado Veneziano, composto pelas maiores cidades do litoral adriático governadas por tribunos. As ilhas mais importantes eram: Grado, Bibione, Caorle, Eraclea, Equilio, Torcello, Murano, Rialto, Malamocco, Poveglia, Chioggia major e Chioggia minor. A Chioggia major correspondia à actual Chioggia no interior da lagoa, enquanto que a menor correspondia, aproximadamente, à fachada marítima da actual Sottomarina.

Notícias históricas

Uma página importante da história da cidade deu-se durante a chamada Guerra de Chioggia (re-evocada no Palio della Marciliana), o último confronto entre a Sereníssima República de Veneza e a República de Génova, sendo por esta conquistada em 1378 e, finalmente, por Veneza em Junho de 1380. Embora a cidade tenha permanecido largamente autónoma, ficou depois sempre subordinada a Veneza. A 14 de Março de 1381, Chioggia firmou uma aliança com Zadar e Trogir contra Veneza. Foi aí, então que, perante a tomada do monopólio do comércio (e consumo do sal) no Adriático por Šibenik, que Chioggia ficou melhor protegida por Veneza em 1412. Em 1438 é fundado o que é considerado o primeiro estaleiro do mundo, o Estaleiro Naval de Camuffo, transferido em 1840 para Portogruaro.

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Monumentos e locais de interesse

Carlo Goldoni - que habitou alguns anos no Palazzo Poli - colocou esta cidade como pano de fundo de uma das suas comédias mais conhecidas, a Le baruffe chiozzotte (As zaragatas em Chioggia), representada pela primeira vez no Teatro San Luca de Venezia em 1762. Assim descreve Goldoni a cidade de Chioggia no prefácio de Baruffe: Chiozza (Chioggia em dialecto veneto-chiozziotto) é uma bela e rica cidade, distante vinte e cinco milhas de Veneza, plantada também essa sobre lagoas, isolada mas ligada à Península por meio de uma longuíssima ponte de madeira que comunica com terra firme. Tem um Governador que possui o título de Podestà, que é sempre uma das principais Casas Patrícias da República de Veneza e à qual pertence. Tem um Bispo, para lá transportado da antiga Sé de Malamocco. Tem um porto com muita vida, cómodo e bem fortificado. Lá existe uma classe nobre, civil e mercantil. Há pessoas de grande mérito e distinção. O Senhor da Cidade tem um título de Grande-Chanceler, e tem o privilégio de usar uma túnica de mangas longas e largas, como o Procurador de S. Marcos. Em suma, ela é uma cidade respeitável.

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Demografia

Arquitectura religiosa

São numerosas as igrejas católicas presentes no território. Santa Maria Assunta é Sé catedral da diocese homónima. A Basílica contém o cepo sobre o qual (segundo uma lenda popular) se sentou a Virgem Maria com Cristo morto nos braços, e a imagem que, segundo a tradição, retrata a cena (Não se conhece o nome do artista porque se pensa ter sido um dom divino). A igreja contém alguns frescos e a escultura dos "Sete Dons". Em Março de 1906, o papa Pio X elevou-a à dignidade de basílica menor. Junto à Basílica encontram-se a Pinacoteca e a Chiesa dei Rossi, ou da Santíssima Trindade, com um claustro privado no seu interior. A Igreja de Santo André, que remonta ao século XVIII, tem ao seu lado uma torre de estilo românico - dita Torre do Relógio que data do século XI-século XII é, ao mesmo tempo, uma torre de defesa e de vigia militar. Possui no seu interior o relógio de torre mais antigo do mundo, realizado por Giovanni Dondi dell'Orologio (estudos recentes provaram a sua precedência sobre um outro de Salisbury). No interior do edifício religioso está presente uma Crucifixão de Jacopo Palma, o Velho (1480-1528) e o baptistério atribuído a Jacopo Sansovino. O órgão de Gaetano Callido foi restaurado em 2005 pelo Maestro Alessandro Girotto.

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Cultura

Educação

Desde 2001 Pela sua proximidade ao mar, Chioggia é sede de uma cátedra de Estudos de Biologia Marinha, dependente da Universidade de Pádua. Situa-se no Palazzo Grassi, nas margens do Canal Vena, não muito distante da Ponte Vigo e do Museo di zoologia adriatica Giuseppe Olivi, que expõe a mais antiga colecção de animais marinhos do Mar Adriático. Na Ilha de San Domenico situa-se a Estação Hidrobiológica Umberto D'Ancona, sede de investigação da sobredita Universidade. De relevo cultural encontramos o Museo Civico della Laguna Sud localizado perto da Catedral e a pouca distância da Porta de Santa Maria, no Campo Marconi 1. Hospedado no antigo convento de S. Francisco fora dos muros, documenta a evolução histórico-ambiental do território chioggiotto.

Media

Os jornais locais vendidos na cidade que lidam com notícias locais são dois: la Nuova Venezia e Il Gazzettino. Também o Corriere della Sera edita um jornal local: o Corriere del Veneto vendido como a parte do Veneto do famoso jornal nacional. No entanto, ao contrário de outros jornais, o Il Corriere del Veneto não trata de assuntos locais clodienses de um modo continuado, mas somente em caso de notícias particularmente relevantes. Outros periódicos difundidos nesta cidade são: o Nuova Scintilla (Semanal), o Il Dialogo (imprensa livre), e o La Piazza (mensal).

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Fontes consultadas

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