História da China
Os primeiros registros escritos conhecidos da história da China datam de 1250 a.C., da Dinastia Shang. Textos históricos antigos como os Registros do Grande Historiador e os Anais do Bambu descrevem uma Dinastia Xia antes dos Shang, mas nenhuma escrita é conhecida do período, e os escritos de Shang não indicam a existência da Dinastia Xia. Documentos que datam do século XVI a.C. em diante é que demonstram que aquele país é uma das civilizações mais antigas do mundo com existência contínua. Os estudiosos entendem que a civilização chinesa surgiu em cidades-Estado no vale do rio Amarelo. O ano 221 a.C. costuma ser referido como o momento em que a China foi unificada na forma de um grande reino ou império, apesar de já haver vários estados e Dinastias antes disso. As Dinastias sucessivas desenvolveram sistemas de controle burocrático que permitiriam ao imperador chinês administrar o vasto território que viria a ser conhecido como a China.
Na pré-história, a China foi habitada, entre 550 mil a 300 mil anos antes de Cristo, pelo Homo erectus, antepassado do Homo sapiens cujo um dos espécimes mais famoso é o Homem de Pequim, descoberto em 1927 em Zhoukoudian que usava instrumentos de pedra e o fogo. Os primeiros indícios de fogo são de 460 mil anos atrás pelo Homo Erectus, sessenta mil anos depois alimentavam-se de carne, nozes e bagas. Também foram descobertos restos de alimentos de frutos selvagens, especialmente ginginha do rei, juntamente com rebentos de plantas e tubérculos, insetos, répteis, aves, ovos, ratos e grandes mamíferos. Viviam em grutas, em abrigos nos rochedos e acampamentos ao ar livre. Os caçadores-coletores primitivos de 200 mil anos atrás moviam-se de um sítio a outros aproveitando os diversos e diferentes recursos sazonais Entre 200 e 50 mil anos a.C. o Homo sapiens passou a habitar algumas regiões do que hoje conhecemos como China e o mais recente, o Homo Sapiens Sapiens esteve em Zhoukoudian 40 mil anos a.C.. Também esteve no mesmo sítio o Homo Erectus, há meio milhão de anos. Os Homo sapiens fixaram-se no nordeste da China há cerca de 25 mil anos, após a parte mais quente do sul já ter sido explorada.
A espécie humana arcaica Homo erectus chegou à Eurásia algures entre 1,3 e 1,8 milhões de anos atrás (Ma), tendo sido encontrados numerosos restos das suas subespécies no que é hoje a China. O mais antigo destes é o Homem de Yuanmou (元谋人; em Yunnan), no sudoeste, datado de c. 1,7 Ma, que viveu num ambiente misto de matagal e floresta ao lado de calicotérios, cervos, do elefante Stegodon, rinocerontes, gado, porcos e da hiena-gigante-de-face-curta. O mais conhecido Homem de Pequim (北京猿人; perto de Pequim), de 700.000–400.000 AP, foi descoberto na gruta de Zhoukoudian juntamente com raspadeiras, cutelos e, datados de um período ligeiramente posterior, pontas, buris e furadores. Outros fósseis de Homo erectus foram encontrados amplamente por toda a região, incluindo o Homem de Lantian, no noroeste em Shaanxi, bem como espécimes menores no nordeste em Liaoning e no sul em Guangdong. As datas da maioria dos sítios paleolíticos foram longamente debatidas, mas foram estabelecidas de forma mais fiável com base na magnetoestratigrafia moderna: Majuangou entre 1,66–1,55 Ma, Lanpo a 1,6 Ma, Xiaochangliang a 1,36 Ma, Xiantai a 1,36 Ma, Banshan a 1,32 Ma, Feiliang a 1,2 Ma e Donggutuo a 1,1 Ma. Evidências do uso de fogo pelo Homo erectus ocorreram entre 1–1,8 milhões de anos AP no sítio arqueológico de Xihoudu, na província de Shanxi.
Neolítico
No início do período Neolítico, que na China é entre 8000 e 2000 a.C, o clima da Ásia Oriental era tropical. O Norte chinês possuía densas florestas, onde havia crocodilos e elefantes. Descobertas arqueológicas recentes revelaram que várias culturas regionais efetuaram separadamente a transição da recoleção para a produção de alimentos. Nelas incluem-se as culturas de Yangshao no curso médio do rio Amarelo, que cultivava painço e outros cereais a 6500 a.C, talvez 7000 e também tinha galinhas e porcos, a Dawenkou em Shandong. Os agricultores do norte chinês tinham de enfrentar secas e cheias frequentes, apesar dessas dificuldades a sofisticada cultura da aldeia de Yangshao usava uma forma primitiva de irrigação, estava florescente em 5000 a.C. e tinha 100 casas. A Majiabang no curso inferior do rio Yangzi (Iansequião) e a Dapenkeng ao longo da costa sul e de Taiwan. A cultura Majiabang emergiu no sexto milénio a.C. e caracterizou-se pelo cultivo de arroz, cerca de 6500 a.C., apesar de já o terem aclimatado 1500 anos antes e de se pensar que já era cultivado em 8500 a.C.. A agricultura chinesa tornou-se bem-organizada e intensiva ao longo dos séculos seguintes, especialmente no sul. já possuindo porcos e búfalos aquáticos e pelo uso da cerâmica com motivos gravados por incisão.
Dinastia Xia
A Dinastia Xia é algo mítico. A tradição chinesa diz que os humanos têm a sua origem nos parasitas do corpo do criador, Pangu. A seguir ao seu óbito governantes sábios introduziram as invenções e instituições fundamentais da sociedade humana. O primeiro governante chamava-se Fuxi, que domesticou os animais e instituiu o casamento. Depois foi Shennong, que introduziu a agricultura, a medicina e o comércio. Mais tarde veio Huangdi, o Imperador Amarelo, a quem foi atribuída a invenção da escrita, da cerâmica e do calendário. Séculos mais tarde surgiu o imperador Yao que governou sabiamente e introduziu o controle de cheias. O seu feito mais notório foi a sua decisão de não eleger o filho como futuro imperador, por não o considerar digno, mas um sábio humilde de nome Shun. Os reinados de Shun e Yao seriam mais tarde admirados como uma idade dourada. Voltando ao tema, Shun nomeou por sua vez o seu fiel ministro Yu como sucessor. É nesta altura que a pré-história da China se funde com a história. O reinado de Yu teve segundo a tradição início em 2205 a.C., Yu terá alegadamente fundado a Dinastia Xia, a primeira das três Dinastias da China antiga: Xia, Shang e Zhou.
Dinastia Shang
O registro mais antigo do passado da China data da Dinastia Shang (ou Chang), possivelmente no século XIII a.C., na forma de inscrições divinatórias em ossos ou carapaças de animais, segundo a tradição chinesa começou em 1766 e acabou em 1122 a.C. A Dinastia Shang teve uma série de capitais das quais a mais importante era Zhengzhou, capital durante o período inicial e intermédio da Dinastia que tinha uma muralha com cerca de 6,4 km de comprimento e 10 metros de altura que protegia um grande povoado, e Anyang ocupada entre 1300 e 1050 a.C.. As casas e oficinas ali (em Zhengzhou) encontradas indicam que a sociedade Shang era altamente organizada e socialmente estratificada. Nos arredores de Anyang, em Xiaotun, foram descobertos indícios do que teria sido o centro cerimonial e administrativo do estado Shang na sua fase tardia. Em Xibeigang, 3 quilómetros ao norte foram descobertos 11 grandes túmulos cruciformes que podiam pertencer aos 11 monarcas Shang, que segundo os registos existentes teriam reinado em Anyang.
Dinastia Zhou
Segundo a tradição a Dinastia Zhou reinou entre 1122 e 256 a.C.. Este período enorme é divido em Zhou Ocidental, de 1122 a 771 a.C., e Zhou Oriental, estando este ainda subdivido nos períodos de Primavera e Outono, de 771 a 481 a.C., e dos Estados Combatentes, de 481 a 221 a.C.. A capital dos Zhou era perto da atual Xi'an. No apogeu do poder dos Zhou a China chegava tão a norte como a Mongólia. Na tradição historiográfica chinesa, os líderes de Zhou dissiparam a família Yin (Shang) e legitimaram seu domínio invocando o Mandato do Céu - noção segundo a qual o rei (o " filho do céu ") governava por direito divino, mas a perda do trono indicaria que ele havia perdido o tal direito. O Mandato do Céu estabelecia que os Zhou assumiam ascendência divina (Tian-Huang-Shangdi) sobre a ascendência divina dos Shang (Shangdi). A doutrina explicava e justificava o fim da Dinastia Xia e Dinastia Shang, ao mesmo tempo que dava suporte à legitimidade dos governantes atuais e futuros. A Dinastia Zhou foi fundada pela família Ji e tinha sua capital na cidade de Hao (ou Haojing, próxima da atual Xi'an). Possuindo o mesmo idioma e uma cultura similar à dos Shang, os primeiros reis Zhou, através da conquista e colonização, gradualmente estenderam a cultura chinesa pelas terras bárbaras das Planícies Centrais.
Período das Primaveras e dos Outonos
No século VIII a.C., o poder político tornou-se descentralizado, durante o chamado Período das Primaveras e dos Outonos, cujo nome advém dos Anais das Primaveras e dos Outonos. Naquele período, chefes militares locais empregados pelos Zhous começaram a agir com autonomia e a disputar a hegemonia. A situação agravou-se com a invasão de outros povos a partir de nordeste, como os qins (ou chins), o que forçou os Zhous a mover sua capital a leste, para Luoyang. Isto marca a segunda grande fase da Dinastia Zhou: os Zhous Orientais. Em cada uma das centenas de Estados que vieram a surgir (alguns meros vilarejos com um castelo), potentados locais detinham a maior parte do poder político e sua subserviência aos reis Zhous era apenas nominal. Este período foi marcado por batalhas e anexações entre uns 170 pequenos estados. O lento progresso da nobreza resultou num aumento na alfabetização; o incremento na alfabetização estimulou a liberdade de pensamento e o avanço tecnológico. Este período viu surgir movimentos intelectuais e filosóficos influentes como o confucionismo, o taoísmo, o legalismo e o moísmo, parcialmente como reação às mudanças políticas da época. Para efeito comparativo este período poderia ser comparado com o período das cidades-estados da Grécia Antiga da mesma época, devido a descentralização política e grande desenvolvimento de escolas filosóficas.
Período dos reinos combatentes
Após um processo de consolidação política, restavam, no final do século V a.C., sete Estados proeminentes. A fase durante a qual estas poucas entidades políticas combateram umas contra as outras é conhecida como o Período dos Reinos Combatentes. Durante este período, existiam sete reinos combatentes: Qin, Qi, Zhao, Han, Wei, Chu e Yan. Além desses sete estados principais, outros estados menores sobreviveram no período. Eles incluem: o Território Real do Rei Zhou e os estados de Yue, Zhongshan, Song, Lu, Zheng, Wey, Teng e Zou e no extremo sudoeste, os estados não-Zhou de Ba e Shu. O Reino de Qin acabou por conquistar todos no final do período, ficando a China unificada sob um mesmo governo e o mesmo sistema de escrita e de pesos e medidas.
Em 18 de junho de 618, Gaozu tomou o poder e estabeleceu a Dinastia Tang (família Li). Iniciou-se então uma era de prosperidade e inovações nas artes e na tecnologia. O budismo, que se havia instalado gradualmente na China a partir do século I, tornou-se a religião predominante e foi adotada pela família imperial e pelo povo. Os Tangs, da mesma forma que os Hans, mantiveram abertas as rotas comerciais para o Ocidente e para o sul; diversos comerciantes estrangeiros fixaram-se na China. O segundo imperador, Taizong, é amplamente considerado como um dos maiores imperadores da história chinesa, que lançou as bases para a Dinastia florescer durante séculos além de seu reinado. Combinações de conquistas militares e manobras diplomáticas foram implementadas para eliminar ameaças de tribos nômades, estender a fronteira e submeter estados vizinhos a um sistema tributário. As vitórias militares na bacia do Tarim mantiveram a Rota da Seda aberta, ligando Chang'an à Ásia Central e áreas mais a oeste. No sul, rotas lucrativas de comércio marítimo começaram a partir de cidades portuárias como Guangzhou. Houve comércio extensivo com países estrangeiros distantes, e muitos comerciantes estrangeiros se estabeleceram na China, incentivando uma cultura cosmopolita. A cultura Tang e os sistemas sociais foram observados e imitados pelos países vizinhos, mais notavelmente o Japão. Internamente, o Grande Canal ligava o centro político de Chang'an aos centros agrícolas e econômicos nas partes leste e sul do império.
Dinastia Qin (221 – 206 a.C.)
Os historiadores costumam denominar de China Imperial o período entre o início da Dinastia Qin (também chamada Dinastia Chin) (século III a.C.) e o fim da Dinastia Qing (no começo do século XX). Em 230 d.C., o Estado Qin iniciou as várias campanhas que levaram à unificação da China. Os outros estados formaram alianças para tentarem impedir o seu avanço, e em 227 a.C. houve uma tentativa de assassinato do rei Ying Zheng. Os esforços de resistência fraquejaram e em 221 d.C. o rei Zheng do estado Qin assumiu o título de Qin Shi Huangdi, primeiro imperador da Dinastia Qin. Embora seu reinado sobre uma China unificada tenha durado apenas doze anos, o imperador Qin logrou subjugar grande parte do que se constitui no cerne das terras hans chinesas e uni-las sob um governo altamente centralizado com sede em Xianyang (a atual Xian). A doutrina do legalismo, pela qual se orientava o imperador, enfatizava a observância estrita de um código legal e o poder absoluto do monarca. Tal filosofia, embora muito eficaz para expandir o império pela força, mostrou-se inservível para governar em tempo de paz. Os qins promoveram o silenciamento brutal da oposição política, cuja epítome foi o incidente conhecido como a queima de livros e o sepultamento de acadêmicos (vivos).
Dinastia Han (202 a.C. – 220 d.C.)
A Dinastia Han emergiu em 202 a.C., como a primeira a adotar a filosofia do confucionismo, que se tornou a base ideológica de todos os regimes chineses até o fim da China Imperial. A Dinastia Han foi governada pela família conhecida como o clã de Liu. Durante esta fase dinástica, a China logrou grandes avanços nas artes e nas ciências. O Imperador Wu consolidou e ampliou o império ao expulsar os xiongnus (que alguns identificam com os hunos) para as estepes do que é hoje a Mongólia Interior, tomando-lhes o território correspondente às atuais províncias de Gansu, Ningxia e Qinghai. Isto permitiu abrir as primeiras ligações comerciais entre a China e o Ocidente: a Rota da Seda.
Período dos Três Reinos
No século II d.C., o império havia declinado em crises tributária em meio a aquisições de terras pela elite, invasões de povos estrangeiros e disputas entre clãs da nobreza e os eunucos. A Rebelião do Turbante Amarelo eclodiu em 184 d.C., inaugurando uma era de senhores da guerra. Na turbulência que se seguiu, três estados tentaram ganhar predominância no período dos Três Reinos. Este período de tempo foi muito romantizado em obras como Romance dos Três Reinos. Depois que Cao Cao reunificou o norte em 208, seu filho Cao Pi forçou o Imperador Xian de Han a abdicar, após isso se autoproclamou imperador e inaugurou a Dinastia Wei (liderada pelo clã Cao) em 220. Logo, os rivais de Wei, Shu (liderado pela família imperial deposta, o clã de Liu) e Wu (liderado pelo clã de Sun) proclamaram sua independência, levando a China para o período dos Três Reinos (Wei, Shu e Wu). O termo próprio “três reinos” é um tanto inexpressivo, sendo que cada estado foi dirigido eventualmente por um Imperador que reivindicou a sucessão legítima da Dinastia Han, não por reis. Não obstante o termo tornou-se padrão entre sinologistas e será usado neste artigo. Este período foi caracterizado por uma gradual descentralização do estado que havia existido durante as Dinastias Qin e Han, e um aumento no poder das grandes famílias.
Dinastia Jin
Embora os três grupos tenham sido temporariamente unificados em 278 pela Dinastia Jin, esta foi severamente enfraquecida por conflitos internos entre príncipes imperiais e perdeu o controle do norte da China depois que colonos chineses não-han se rebelaram e capturaram Luoyang e Chang'an. Em 317, um príncipe Jin em Nanjing tornou-se imperador e continuou a Dinastia, agora conhecida como Jin Oriental, que ocupou o sul da China por mais um século. O norte da China se fragmentou em uma série de reinos independentes, a maioria dos quais foi fundada por governantes dos povos Xiongnu, Xianbei, Jie, Di e Qiang. Os grupos étnicos não-hans controlavam boa parte do país no início do século IV. Em 303, o povo di revoltou-se, capturou Chengdu e estabeleceu o Estado de Cheng Han. Os xiongnus, chefiados por Liu Yuan, rebelaram-se também e fundaram o Estado de Han Zhao. Seu sucessor, Liu Cong, capturou e executou os dois últimos imperadores jins ocidentais. O Período dos Dezesseis Reinos assistiu a uma pletora de breves Dinastias não-chinesas que, a partir de 303, governaram o norte da China. Os grupos étnicos ali presentes incluíam os ancestrais dos turcos, mongóis e tibetanos. A maioria daqueles povos nômades, relativamente pouco numerosos, já havia sido achinesada muito antes de sua ascensão ao poder. Na verdade, alguns deles, em especial os chiangs e os xiongnus, já habitavam as regiões de fronteira no interior da Grande Muralha desde o final da Dinastia Han, com o consentimento desta. Durante o período dos Dezesseis Reinos, a guerra devastou o norte e provocou migrações de hans em grande escala para a margem sul do YangTzé. O colapso da Dinastia Jin Ocidental e a ascensão de regimes bárbaros na China durante este período se assemelha ao declínio e queda do Império Romano do Ocidente em meio a invasões pelos hunos e tribos germânicas na Europa, que também ocorreram nos séculos IV e V.
Dinastias do Norte e do Sul
No início do século V a China entrou num período conhecido como as Dinastias do Norte e do Sul, em que os regimes paralelos dominaram as metades norte e sul do país. No sul, os Jin Orientais deram lugar as Dinastias Liu Song (família Liu), Qi Meridional e Liang (ambas governadas pela família Xiao) e finalmente Chen (família Chen). Cada uma dessas Dinastias do sul foi liderada por famílias governantes chinesas Han e usou Jiankang (moderna Nanjing) como a capital. Eles detiveram ataques do norte e preservaram muitos aspectos da civilização chinesa, enquanto os regimes bárbaros do norte começaram a significar. No norte, o último dos Dezesseis Reinos foi extinto em 439 pelo Reino de Wei, um reino fundado pelos Xianbei, um povo nômade que unificou o norte da China. O Reino de Wei finalmente se dividiu em Wei Oriental e Ocidental, que então se tornou Qi do Norte e o Zhou do Norte. Esses regimes eram dominados pelos xianbei ou chineses han que haviam se casado com famílias xianbei. Durante esse período, a maioria dos Xianbei adotou os sobrenomes Han, levando a completa assimilação dos Han.
Dinastia Sui: reunificação
A Dinastia Sui (família Yang) logrou reunificar o país em 581, após quase quatro séculos de fragmentação política na qual o norte e o sul se desenvolveram independentemente. Do mesmo modo que os soberanos qin haviam unificado a China após o Período dos Reinos Combatentes, os Suis uniram o país e criaram diversas instituições que terminaram por ser adotadas por seus sucessores, os Tangs. Fundada pelo imperador Wen em 581 em sucessão ao Zhou do Norte, os Sui conquistaram os Chen em 589 para reunificar a China, encerrando três séculos de divisão política. Os Sui foram pioneiros em muitas novas instituições, incluindo o sistema governamental de Três Departamentos e Seis Ministérios, concursos públicos para selecionar funcionários públicos entre os plebeus, melhorou os sistemas de recrutamento do exército e adotou um sistema de igualdade de distribuição de terras. Essas políticas, que foram adotadas por Dinastias posteriores, trouxeram um enorme crescimento populacional e acumularam riqueza excessiva para o Estado. A cunhagem padronizada foi aplicada em todo o império unificado. O budismo criou raízes como uma religião proeminente e foi apoiado oficialmente. A China era conhecida por seus numerosos projetos de mega construções. Destinado a embarques de grãos e transporte de tropas, o Grande Canal da China foi construído, ligando as capitais Daxing (Chang'an) e Luoyang à região sudeste, e em outra rota, à fronteira nordeste. A Grande Muralha também foi ampliada, enquanto séries de conquistas militares e manobras diplomáticas pacificaram ainda mais suas fronteiras. No entanto, as invasões maciças da Península Coreana durante a Guerra Goguryeo-Sui falharam desastrosamente, provocando revoltas generalizadas que levaram à queda da Dinastia.
As duas Guerras do Ópio e o tráfico daquela droga foram custosos para a Dinastia Qing e o povo chinês. O tesouro imperial quebrou duas vezes, por conta do pagamento de indenizações devidas às guerras e à grande evasão de prata causada pelo tráfico de ópio. A China sofreu duas fomes extremas vinte anos após cada uma das Guerras do Ópio nos anos 1860 e 1880, quando a Dinastia Qing se mostrou incapaz de acudir a população. Tais eventos tiveram um profundo impacto ao desafiar a hegemonia de que os chineses gozavam na Ásia há séculos e mergulharam o país no caos. Uma vasta revolta, a Rebelião Taiping, fez com que cerca de um terço do país passasse ao controle de um movimento religioso pseudocristão chefiado pelo "Rei Celestial" Hong Xiuquan. Somente ao cabo de catorze anos é que as forças qings lograram destruir o movimento, em 1864. Estima-se que a rebelião teria causado entre vinte e cinquenta milhões de mortos.
Frustrados com a resistência da corte qing em reformar o país e a fraqueza da China, jovens funcionários, oficiais militares e estudantes - inspirados nas ideias revolucionárias de Sun Yat-sen - começaram a defender a derrubada da Dinastia Qing e a proclamação da república. Um levante militar, conhecido como Revolta de Wuchang, iniciou-se em 10 de outubro de 1911 em Wuhan, após soldados do Novo Exército (tropas chinesas treinadas e equipadas à maneira ocidental) serem descobertos de estarem planejando um levante, que culminou com o evento sendo adiantado e formalizando a queda do controle monarquico sobre a província de Hubei. Isto levou à formação de um governo provisório da República da China após a queda da cidade de Nanquim em 2 de Dezembro de 1911, Em 28 de Dezembro daquele mesmo ano, a recém criada Assembléia Nacional daria inicio a Eleições Presidenciais Provisórias de 1911 e Sun Yat-sen foi o primeiro a assumir a presidência. Yat-sen, na meia-noite do primeiro dia do ano, em 1º de Janeiro de 1912, formalizou a criação do governo provisório da República da China, e mais tarde em público, Proclamou a República da China. Apesar disso, a Dinastia Qing continuava a resistir ao norte, sob o gabinete do primeiro-ministro Yuan Shikai, que comandava o Novo Exército, que posteriormente ficou conhecido como Exército de Beiyang, e como parte do acordo para a abdicação do último monarca da Dinastia, Sun Yat-sen deveria entregar a presidencia para Yuan Shikai, em troca, ele forçaria o imperador a renunciar. Em 12 de março de 1912, Shikai assumiu efetivamente a presidência e moveu a capital para Pequim, onde aboliu as assembleias nacional e Provinciais, entregou o controle destas para os seus generais, do Exército de Beiyang; estas manobras politicas resultaram na Segunda Revolução, liderada por sun Yat-sen e seu recém fundado partido, o Partido Nacionalista da China, e mais tarde declarou-se imperador em 1915, que tece como efeito a Guerra de Proteção Nacional. Suas ambições imperiais encontraram forte oposição por parte de seus subordinados, de modo que terminou por abdicar, morrendo em 1916 e deixando um vácuo de poder na China. Com o governo republicano em frangalhos, o país passou a ser administrado por coligações variáveis de chefes militares provinciais, que haviam sido designados por Shikai anteriormente como governadores, dando ínicio ao Governo dos Senhores da Guerra, mais conhecido por Governo de Beiyang (nome originário do Exército de Yuan Shikai, Exército de Beiyang, mencionado anteriormente). Em 1917, o Partido Nacionalista deu ínicio ao Movimento de Proteção Constitucional, também designado pela historiografia chinesa como Terceira Revolução, que criou ao sul da China um governo paralelo de cunho revolucionário, o Governo da República da China em Guangzhou, sediado em Cantão (Guangzhou), que foi sucedido pelo Reduto Nacionalista da República da China em 1925. Um evento pouco notado, ocorrido em 1919 - o Movimento do Quatro de Maio -, haveria de ter repercussões a longo prazo para o restante da história da China no século XX e teve início como uma resposta ao que teria sido um insulto imposto à China pelo Tratado de Versalhes, que encerrara a Primeira Guerra Mundial, mas tornou-se um movimento de protesto contra a situação interna do país. Entre os intelectuais chineses, a adoção de ideias mais radicais seguiu-se ao descrédito da filosofia liberal ocidental, o que resultaria no conflito irreconciliável entre a esquerda e a direita na China que dominaria a história do país pelo restante do século.
Década de 1920
Na década de 1920, Sun Yat-sen estabeleceu uma base revolucionária no sul da China e lançou-se à unificação de seu fragmentado país (como mencionado anteriormente): O Partido nacionalista deu ínicio em 1924 ao seu 1.º Congresso Nacional do Kuomintang, que teve como participante também o Partido Comunista da China, que a época era integrado ao partido nacionalista e possuía auxílio da União Soviética (recém estabelecida por Vladimir Lenin). Após a sua morte por câncer em 1925, se irrompeu uma rivalidade entre as facções do Partido Nacionalista da China, a Esquerda do partido nacionalista, apoiada pelo partido comunista, era liderada por Wang Jingwei e Lin Sen, enquanto a direita era liderada por Chiang Kai-shek, que após as 4ª e 5ª sessões do 2.º Congresso Nacional do Kuomintang, havia sido apontado como o novo líder do partido, vulgo, Secretário-Geral do Kuomintang, o que não foi bem recebido pela ala esquerda. Kai-Shek logrou reunir sob seu governo a maior parte do sul e do centro da China numa campanha militar conhecida como a Expedição do Norte. Após derrotar os senhores da guerra daquelas regiões e dissolver em Dezembro de 1928 o Governo de Beiyang, Chiang obteve a fidelidade nominal dos líderes do norte após a Reunificação chinesa de 1928. Em 1927, voltou-se contra o partido comunista e expurgou os exércitos comunistas em Xangai, após estes desobedecerem ordens de Chiang, no episódio que ficou conhecido como Massacre de Xangai de 1927; Com a expedição do norte, a sede do governo nacionalista foi movido de Guangzhou (Cantão) para Wuhan em Dezembro de 1926, e após o massacre de Xangai, a capital da República da China foi estabelecida, pela primeira vez novamente desde 1912, em Abril de 1927 como Nanquim. Todavia, após o massacre em Xangai, a ala esquerda do partido nacionalista não quis se mover para Nanquim, expulsou Chiang Kai-Shek do partido nacionalista no que ficou conhecido como Governo Nacional de Wuhan. Em resposta a isso, Chaing apenas moveu suas tropas para Nanquim e se restabeleceu por lá, até 1927, quando ocorre o Golpe de Wuhan e os comunistas e esquerdistas do partido nacionalista são expurgados pela segunda vez. Irritados com a liderança de Chiang, o Partido comunista iniciou, em 1º de Agosto de 1927, a Revolta de Nanchang, dando ínicio a Guerra Civil Chinesa; As forças comunistas foram derrotadas pelo Exército Revolucionário e formaram a República Soviética da China em 1931, até as tropas do PCC empreenderam a Longa Marcha em 1934, através da região mais inóspita da China a noroeste, onde estabeleceram uma base guerrilheira em Yan'an, na província de Shanxi. Durante a Longa Marcha, os comunistas reorganizaram-se sob um novo chefe, Mao Tse-tung, e com auxilio politico e militar de Zhou Enlai e Zhu De, isto após a queda de Chen Duxiu na liderança do partido comunista da China.
Década de 1930
Seguindo a Expedição do Norte e a formação de um novo governo da república da China, se dá inicio a Década de Nanquim, também chamado como a Década de Ouro, um período colocado como próspero para a China e de crescimento econômico e social. Se inicia em Abril de 1927, com a captura de Nanquim pelos nacionalistas e finaliza com a invasão japonesa a China em 1937, dando um tempo, quase, exato de 10 anos. Neste periodo a economia chinesa teve um crescimento devido ao boicote da população após os eventos de 1919, que parou após a invasão da manchúria, região industrializada da China, pelo Japão. Outra caracteristica deste periodo são os "incidentes", que são pequenas crises ou conflitos que ocorreram entre diferentes facções, sejam do governo, ou dos senhores da guerra e do Japão, como por exemplo o Incidente da Ponte Marco Polo em 1937 ou o Incidente Huanggutun em 1928, que culminou na morte do senhor da guerra Zhang Zuolin.
Com a proclamação da República Popular da China (RPC) em 1 de outubro de 1949, o país viu-se novamente dividido entre a RPC, no continente, e a República da China (RC), em Taiwan e outras ilhas. Cada uma das partes se considera o único governo legítimo da China e denuncia o outro como ilegítimo. A RPC foi moldado por uma série de campanhas e planos de cinco anos. O plano econômico e social conhecido como Grande Salto Adiante foi um fracasso e causou uma estimativa de 45 milhões de mortes (Grande Fome Chinesa). O governo de Mao realizou execuções em massa de proprietários de terras, instituiu a coletivização e implementou o sistema de campos de Laogai. Execução, mortes por trabalho forçado e outras atrocidades resultaram em milhões de mortes sob Mao. Em 1966, Mao e seus aliados lançaram a Revolução Cultural, que continuou até a morte de Mao, uma década depois. A Revolução Cultural, motivada pelas lutas pelo poder dentro do Partido e pelo medo da União Soviética, levou a uma grande reviravolta na sociedade chinesa.


