Chico Picadinho
Francisco da Costa Rocha, mais conhecido como Chico Picadinho, é um assassino brasileiro condenado pelos assassinatos de duas mulheres, em 1966 e 1976, respectivamente. O caso foi listado pelo portal de notícias g1 de São Paulo, em 2014, como "9 casos de assassinos que chocaram o país com seus crimes".
Primeiros anos
Nascido e criado em Vila Velha, no Estado do Espírito Santo, teve uma infância muito pobre. Seu pai era exportador de café e o abandonou ainda criança, junto de sua mãe. Tendo que trabalhar, ela deixava Francisco com uma amiga na cidade de Cariacica. Nas entrevistas, o assassino revelou ter sofrido diversos abusos sexuais do marido da mulher que cuidava dele, mas que esta nunca soube, e que ficava semanas sem ver a mãe, já que ela raramente ia visitá-lo, além de diariamente ver este homem, que abusava dele, e espancava essa amiga de sua mãe. Além disso, quando desobedecia, ele apanhava muito da mesma mulher. Um de seus passatempos na infância era algo muito cruel: matar gatos. Após crescer um pouco, voltou a viver com a mãe em Vila Velha, onde presenciava a visita de diversos homens em casa, quando ela o mandava ir para o quarto e só sair de lá após amanhecer. Isso o fez perceber que ela se prostituía para sustentá-los. Saber deste fato, somado aos abusos que sofreu, foi um grande trauma para ele, que culminaria numa explosão de ódio futuramente.
1º crime
Francisco da Costa Rocha cometeu seu primeiro assassinato em 1966, aos 24 anos, na Boca do Lixo, centro da Cidade de São Paulo. Nesta época vivia uma vida muito boêmia, com muita bebedeira e mulheres, e também usava drogas. Com o passar do tempo, sentia necessidade de ter relações sexuais diariamente, além de drogar-se e beber muito. A vítima, Margareth Suida, era uma bailarina austríaca separada do marido que vivia há poucos anos no Brasil. Ela também era uma mulher de vida boêmia e eventualmente fazia programas sexuais. Gostava da noite e era conhecida de seus amigos. Após beberem muito e passarem por diversos bares e boates da região, Francisco a convidou para terem relações sexuais. Ela aceitou ir ao apartamento na Rua Aurora, local que Francisco dividia com Caio, seu amigo, que era médico-cirurgião da Aeronáutica.
2º crime
Dez anos após o crime brutal, foi liberado por bom comportamento, mas Francisco voltou a atacar: em setembro de 1976 estuprou e tentou estrangular a prostituta Rosemarie Michelucci, em um motel da Zona Leste de São Paulo, mas ela se defendeu com chutes, mordidas, socos e gritos, conseguindo se livrar dele. Apesar de ter levado uma facada, ela sobreviveu e perdeu o filho que esperava grávida de três meses. Chico conseguiu escapar.
3º crime
Um mês depois, em outubro, ele voltou à Boca do Lixo. Num bar, conheceu a prostituta Ângela Silva, conhecida como "Moça da Peruca". Após beberem bastante, acertaram o preço do programa, e ele a levou a um apartamento em que vivia, alugado há poucos meses, na Avenida Rio Branco, a poucos minutos de onde estavam. Após o ato, espancou e estrangulou-a com seu cinto. Já morta, ele a esquartejou, porém, desta vez, destrinchou sua vítima com um cuidado muito maior e tentou jogar alguns pedaços pelo vaso sanitário. Depois de matá-la e esquartejá-la, tentando fazer com que o vaso levasse partes do corpo, não conseguiu pôr o corpo todo no vaso sanitário. Para livrar-se dele, pôs pedaços dentro de sacolas de plástico e em malas neste mesmo apartamento onde tudo aconteceu. Acabou fugindo em seguida para a cidade do Rio de Janeiro, mas avisou seu amigo Joaquim dizendo que foi embora. Já sabendo do crime, ficou sem saber ao certo o que deveria fazer e contatou a Delegacia de Homicídios. Chico Picadinho foi preso 28 dias depois, em uma praça de Duque de Caxias (Rio de Janeiro), na Baixada Fluminense, enquanto lia uma revista que relatava sua vida de crimes.
Preso pelo primeiro crime no dia 5 de agosto de 1966, Francisco foi condenado a 18 anos de reclusão por homicídio qualificado, somados a mais 2 anos e 6 meses pela destruição do cadáver. Posteriormente, teve a pena comutada para 14 anos e 4 meses de reclusão. Na prisão, estudou, trabalhou diretamente com a diretoria da cadeia e até mesmo casou. Em 1974, oito anos após o primeiro crime, obteve a liberdade, tendo o parecer realizado pelo Instituto de Biotipologia Criminal excluído o diagnóstico de personalidade psicopática. Dois anos e cinco meses após obter a liberdade, Francisco cometeu o segundo homicídio, em 1976. No julgamento, a sua defesa alegou que o motivo do crime não seria torpe, salientando que Francisco sofria de insanidade mental. Nesse momento o acusado, após examinado, foi considerado semi-imputável, por se tratar de portador de personalidade psicopática de tipo complexo. Mesmo assim, o Conselho de Sentença condenou Francisco – por quatro a três – a 22 anos e 6 meses de reclusão.


