Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis
Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings é um filme estadunidense de super-herói de 2021 baseado no personagem Shang-Chi da Marvel Comics. Produzido pelo Marvel Studios e distribuído pela Walt Disney Studios Motion Pictures, é o vigésimo quinto filme do Universo Cinematográfico Marvel. O filme foi dirigido por Destin Daniel Cretton, a partir de um roteiro que ele escreveu junto com David Callaham e Andrew Lanham, e é estrelado por Simu Liu como Shang-Chi, ao lado de Awkwafina, Meng'er Zhang, Fala Chen, Florian Munteanu, Benedict Wong, Michelle Yeoh, Ben Kingsley e Tony Leung. No filme, Shang-Chi é forçado a confrontar seu passado quando seu pai, Wenwu (Leung), o líder da organização Dez Anéis, atrai Shang-Chi e sua irmã Xialing (Zhang) em uma busca por uma vila mística.
Há milhares de anos Xu Wenwu descobriu os dez anéis, braceletes místicos que dão imortalidade e poderes divinos a seu usuário. Ele então usou-os para batizar seu exército e eventualmente organização pessoal, os Dez Anéis, que ao longo da história conquistaram terras e manipularam governos. Em 1996, Wenwu foi atrás da mitológica Ta Lo para buscar formas de expandir seu poder, para na entrada do lugar ser confrontado pela guardiã da vila Ying Li. Os dois se apaixonam, e quando a vila rejeita Wenwu, ambos voltam para a China, onde tem dois filhos, Shang-Chi e Xialing, e Wenwu larga os Dez Anéis para criar sua família. Quando Shang-Chi tinha sete anos, Ying Li foi assassinada por uma gangue inimiga de Wenwu. Ele retalia voltando a usar os anéis para matá-los, e então reassumir o controle dos Dez Anéis e ordenar que os filhos passassem por intenso treinamento de artes marciais. Sete anos depois, Shang-Chi é ordenado para matar o assassino de sua mãe, e após realizar a missão foge para San Francisco, se escondendo sob o nome "Shaun".
Também aparecem no filme Ronny Chieng como Jon Jon, o braço direito de Xialing e locutor em seu clube de luta; Yuen Wah como Guang Bo, um dos líderes de Ta Lo; Jodi Long como Sra. Chen, mãe de Katy; Dallas Liu como Ruihua, irmão de Katy; Paul He como Chanceler Hui; Tsai Chin como avó de Katy; Andy Le como Death Dealer, um dos assassinos de Wenwu; Stephanie Hsu e Kunal Dudhekar como Soo e John, amigos casados de Shang-Chi e Katy; Zach Cherry como Klev, um passageiro de ônibus que transmite ao vivo uma das lutas de Shang-Chi (depois de interpretar um vendedor de rua em Spider-Man: Homecoming (2017)); e Dee Baker como a voz de Morris, um hundun que faz amizade com Slattery. Jade Xu reprisa seu papel como uma Viúva Negra chamada Helen, de Black Widow (2021), enquanto Tim Roth fornece sua voz não creditada para o personagem Emil Blonsky / Abominável, de The Incredible Hulk (2008). Mark Ruffalo e Brie Larson fazem uma aparição não creditada na cena no meio dos créditos como Bruce Banner e Carol Danvers, respectivamente, reprisando seus papéis do UCM.
Desenvolvimento
De acordo com Margaret Loesch, ex-presidente e CEO da Marvel Productions, Stan Lee discutiu um potencial filme de Shang-Chi ou uma série de televisão com o ator Brandon Lee e sua mãe, Linda Lee, nos anos 80, com a intenção de ter Brandon como personagem-título. O pai de Brandon, a lenda das artes marciais, Bruce Lee, foi a inspiração visual do artista, Paul Gulacy, ao desenhar Shang-Chi em seus anos de posse na série de quadrinhos Master of Kung Fu, na década de 1970. Em 2001, Stephen Norrington, anunciou que tinha intenção de dirigir um filme do personagem, intitulado The Hands of Shang-Chi. Em 2003, o filme estava em desenvolvimento pela DreamWorks Pictures, com Yuen Woo-Ping substituindo Norrington como diretor e Bruce C. McKenna contratado para escrever o roteiro. Ang Lee ingressou no projeto como produtor em 2004, mas o projeto acabou não indo para frente e, após isso, os direitos do personagem voltaram para a Marvel. Em setembro de 2005, o presidente e CEO da Marvel, Avi Arad, anunciou Shang-Chi como uma das dez propriedades que estavam sendo desenvolvidas como filme pelo recém-formado estúdio, Marvel Studios, depois que a recém-adquirida empresa recebeu financiamento para produzir a lista de dez filmes que seriam lançados e distribuídos pela Paramount Pictures. Shang-Chi foi colocado em uma lista de personagens que a Marvel pensou que poderiam fazer ótimos filmes, apesar de serem relativamente desconhecidos, já que ele tinha uma "história muito Disney" nos quadrinhos.
Pré-produção
Em meados de julho de 2019, a Marvel começou a testar atores na casa dos 20 anos para o papel de Shang-Chi, incluindo Lewis Tan e Simu Liu; Tan já havia interpretado Zhou Cheng em Iron Fist. O estúdio foi inflexível para que os atores fossem de ascendência chinesa para fazer o teste para o personagem. Liu foi considerado no início do processo de audição e foi trazido de volta para uma segunda audição quando os criativos estavam encontrando dificuldades para escalar o papel. Ele fez o teste novamente para o papel em 14 de julho e foi oficialmente escalado em 16 de julho. Awkwafina, que foi a primeira atriz escalada para o filme, fez testes de química com os possíveis atores e disse "que era evidente que [Liu] era o Shang-Chi desde o início". A escalação de Liu e Awkwafina foi anunciada pelo diretor Cretton e pelo produtor Kevin Feige no painel da Marvel Studios na San Diego Comic-Con International 2019, em 20 de julho, onde o título completo do filme foi anunciado como Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings. Feige observou o papel da organização Dez Anéis em todo o UCM e disse que o Mandarim seria apresentado neste filme com Tony Leung no papel.
Filmagens
As filmagens começaram em fevereiro de 2020, filmando no Fox Studios Australia em Sydney e em todo o estado de Nova Gales do Sul, sob o título provisório de Steamboat. William Pope atua como diretor de fotografia do filme, filmando com uma Arri Alexa LF. Cretton escolheu Pope, porque achava que seu estilo poderia ser tanto naturalista quanto elevado, e por causa do trabalho de Pope em Matrix (1999), que Cretton acreditava ter o tom certo para um filme do UCM focado em personagens asiáticos e asiático-americanos. Cretton foi inspirado pela filmografia de Jackie Chan, pela franquia Yip Man, Tai Chi Master e Kung Fu Hustle, entre outras artes marciais e gêneros de kung-fu, bem como anime e videogames.
Pós-produção
Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings é dedicado ao supervisor coordenador de dublês do filme, Brad Allan, que morreu em agosto de 2021. Nat Sanders e Elísabet Ronaldsdóttir são os editores do filme, ao lado de Harry Yoon. Em dezembro de 2020, a Marvel revelou que Awkwafina interpreta Katy, amiga de Shang-Chi, e que Yeoh foi escalada como Jian Nan e Chieng como Jon Jon. Além disso, eles anunciaram Fala Chen como Ying Li, Meng’er Zhang como Xialing e Florian Munteanu como Razorfist; Munteanu foi escalado depois que a Marvel Studios ficou impressionada com seu papel em Creed II (2018). Em março de 2021, a data de lançamento do filme foi adiada mais uma vez para 3 de setembro de 2021, quando Black Widow foi alterada para a data de julho de 2021, e Dallas Liu foi revelado para aparecer.
Efeitos visuais
16 fornecedores de efeitos visuais trabalharam no filme, com até três fornecedores em uma determinada tomada, criando mais de 2.000 tomadas, das quais mais de 1.700 estavam no corte final. O supervisor de efeitos visuais Joe Farrell descreveu o processo como "mover peças de xadrez". De 40 a 50 das 168 tomadas na sequência de luta de ônibus foram em sua maioria digitais, com todo o ambiente exigindo peças digitais, incluindo o ônibus, prédios e pessoas. Farrell afirmou que o movimento da sequência dificultou a edição, principalmente no que diz respeito aos nove passageiros. Eles foram mapeados para saber onde estavam o tempo todo e, às vezes, foram movidos digitalmente. Farrell, que teve que permanecer em Sydney devido à pandemia de COVID, planejou a filmagem em São Francisco usando o Google Street View e contratou membros da equipe que haviam trabalhado na franquia The Fast and the Furious para filmar a sequência. Como a sequência da luta em Macau se passa em um andaime fora de um prédio de vidro, as equipes construíram uma tela azul de 360 graus ao redor do set para evitar que o reflexo da equipe apareça no filme, com a Rodeo FX fazendo o trabalho de rotoscopia necessário para o sequência. Grande parte do centro de Macau foi criado digitalmente, com Farrell supervisionando remotamente a sequência de Sydney após ter equipes de drones mapeando a área no Google Earth. A Rising Sun Pictures contribuiu para mais de 300 tomadas de efeitos visuais no filme e foi a principal responsável pela criação do ambiente digital para Ta Lo. Artistas da empresa criaram a geografia da floresta, e se inspiraram em locais do Sudeste Asiático e também integraram alguns elementos práticos do material filmado em Sydney, que depois foi ajustado para iluminação adequada na pós. Os cenários para Ta Lo foram cuidadosamente projetados para permitir a combinação mais fácil entre elementos práticos e CG, como adicionar erosão a várias árvores e também adicionar mais água, espécies de árvores e outras plantas nas tomadas. A equipe também trabalhou com o Australian Institute for Machine Learning para desenvolver uma técnica avançada de substituição facial, alimentada por inteligência artificial (IA), que foi usada para substituir os rostos dos dublês pelos atores principais nas cenas de ação localizadas na região.
A gravação da trilha sonora do filme, composta por Joel P. West, começou no Abbey Road Studios em Londres, em junho de 2021. West fez a trilha de quatro filmes anteriores de Cretton. A trilha do filme foi lançada digitalmente pela Marvel Music e Hollywood Records em 1 de setembro de 2021. Marvel Music, Hollywood Records e Interscope Records também lançaram quatro singles separados antes do lançamento do filme: "Lazy Susan" de 21 Savage e Rich Brian, "Every Summertime" de Niki, "Run It", de DJ Snake, Rick Ross e Rich Brian, e "In the Dark" de Swae Lee. O álbum completo da trilha sonora foi lançado em 3 de setembro e também incluirá canções de JJ Lin, Saweetie, Anderson Paak e outros artistas, e foi produzido por Sean Miyashiro e 88rising.
Em 19 de abril de 2021, aniversário de Simu Liu, ele compartilhou o primeiro teaser pôster do filme, enquanto a Marvel lançou o primeiro teaser trailer. Adam B. Vary, da Variety, chamou de "gratificante finalmente ver Liu em ação como Shang-Chi" e observou como o teaser forneceu mais insights e novas informações para o filme, como uma atualização dos anéis usados pelo mandarim nos quadrinhos. Cole Delbyck, do HuffPost, disse que a ação "de arregalar os olhos" foi diferente de tudo visto em filmes anteriores do UCM. Escrevendo para o io9, Rob Bricken sentiu que o teaser não decepcionou com sua ação, mas o drama familiar foi o que fez o filme "parecer tão atraente". Adam Chitwood, do Collider, chamou o teaser de "muito fantástico", comparando sua história e tom com Pantera Negra, e dizendo que Shang-Chi parecia ser "uma experiência emocionante, fresca e nova do Universo Cinematográfico Marvel" com base no teaser. As reações ao pôster e ao trailer nas regiões de língua chinesa da Ásia foram mais críticas, com os comentaristas acreditando que ambos apresentavam uma visão "um tanto estereotipada" do povo e da cultura chineses.
Cinemas
Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings teve sua estreia mundial no El Capitan Theatre e no TCL Chinese Theatre em Los Angeles em 16 de agosto de 2021, e foi exibido no CinemaCon em 25 de agosto. O filme começou a ser lançado nos mercados internacionais em 1º de setembro, com lançamento em 66% dos mercados ao final do primeiro fim de semana. Na Austrália, Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings foi lançado em 2 de setembro, com lançamento planejado em Nova Gales do Sul, Vitória e Território da Capital Australiana em 16 de setembro por causa dos lockdowns estaduais relacionados ao COVID-19. Foi lançado nos Estados Unidos em 3 de setembro, em mais de 4.200 cinemas, com 400 IMAX, mais de 850 em formato grande premium, 1.500 3D e 275 em especial D-Box, 4DX e ScreenX.
Home Video
O filme foi lançado em download digital em 12 de novembro de 2021, assim como no Disney+ como parte da celebração do "Disney+ Day". O Disney+ também recebeu a versão IMAX do filme. Foi lançado em Ultra HD Blu-ray, Blu-ray e DVD em 30 de novembro. O Home video inclui áudio com comentários, cenas excluídas, erros de gravação e várias filmagens de bastidores. Após o lançamento de Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings no Disney+, o aplicativo de rastreamento de visualização Samba TV relatou que mais de 1,7 milhão de lares americanos assistiram ao filme em seu primeiro fim de semana disponível. O Samba TV também divulgou a visualizações para o Reino Unido (250.000), Alemanha (85.000) e Austrália (17.000), enquanto a TV Time relatou que foi o filme mais transmitido nos Estados Unidos durante o mesmo período. A Nielsen afirmou que foi o segundo filme mais transmitido com uma audiência de 1,072 bilhão de minutos em sua primeira semana. Os americanos asiáticos representaram 10% do público, a porcentagem mais alta para qualquer título no gráfico. Na segunda semana, foi o terceiro filme mais transmitido de acordo com a Nielsen, com 878 milhões de minutos assistidos, e o segundo filme mais transmitido de acordo com a TV Time, uma posição que manteve na semana seguinte. Na quarta semana caiu para a terceira posição, e na quarta na semana seguinte. Ele subiu de volta para a terceira posição na sexta semana.
Bilheteria
Em 3 de outubro de 2021, Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings arrecadou 224,5 milhões de dólares nos Estados Unidos e Canadá, e 207,7 milhões de dólares em outros territórios, com um total mundial de US$ 431,9 milhões de dólares. O filme arrecadou 13,2 milhões de dólares em todo o mundo com o IMAX, que foi um recorde no fim de semana do Dia do Trabalho. Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings arrecadou 29,6 milhões de dólares em seu dia de abertura (que incluiu 8,8 milhões de dólares nas pré-estreias de quinta-feira à noite), que foi o terceiro melhor dia de abertura desde o início da pandemia de COVID-19 em março de 2020. As bilheterias da pré-estreia de quinta-feira à noite foram a segunda maior da pandemia, atrás de Black Widow (13,2 milhões de dólares). Arrecadou 75,5 milhões de dólares em seu fim de semana de abertura de três dias, o segundo maior da pandemia, atrás de Black Widow (80,3 milhões de dólares). O IMAX contribuiu com 8 milhões de dólares, o que foi um recorde para um lançamento no fim de semana do Dia do Trabalho. Arrecadou 94,67 milhões de dólares durante o fim de semana do Dia do Trabalho de quatro dias, ultrapassando os 30,6 milhões de dólares de Halloween (2007) como a maior abertura de fim de semana do Dia do Trabalho de todos os tempos. O filme ultrapassou 100 milhões de dólares em cinco dias, o filme mais rápido a atingir esse marco desde que Star Wars: The Rise of Skywalker (2019) ultrapassou essa quantia em seu fim de semana de estreia. Permaneceu como o filme número um em seu segundo fim de semana, arrecadando 35,8 milhões de dólares, que foi a segunda maior bilheteria de final de semana da pandemia. Em seu terceiro fim de semana, o filme foi mais uma vez o filme número um, ganhando 21,7 milhões de dólares, tornando-se a segunda maior bilheteria no terceiro fim de semana para um lançamento em setembro atrás de It (2017). Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings foi novamente o filme principal em seu quarto fim de semana, o terceiro filme do UCM após Guardians of the Galaxy (2014) e Black Panther (2018) a permanecer como filme principal por quatro semanas consecutivas, e se tornou o filme de maior bilheteria de 2021 nos Estados Unidos, ultrapassando a bilheteria de 186,7 milhões de dólares de Black Widow. O filme ultrapassou 200 milhões de dólares nos Estados Unidos e Canadá em 30 de setembro, tornando-se o primeiro filme da era da pandemia a atingir o marco, e foi o terceiro filme de maior bilheteria em seu quinto fim de semana. Em seu quarto fim de semana, o Deadline Hollywood projetou que o filme teria uma bilheteria interna total de cerca de 250 milhões de dólares.
Crítica
No Rotten Tomatoes, site do agregador de avaliações, o filme tem 92% de aprovação com base em 345 críticas, com média de 7,50 / 10. O consenso crítico do site diz: "Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings não é inteiramente livre da fórmula familiar da Marvel, mas esta empolgante história de origem expande o UCM em mais de uma maneira". No Metacritic, o filme tem uma pontuação média ponderada de 71 em 100, com base em 51 críticas, indicando "críticas geralmente favoráveis". O público entrevistado pela CinemaScore deu ao filme uma nota média de "A" em uma escala de A+ a F, enquanto o PostTrak relatou que 91% dos membros da audiência deram uma nota positiva, com 78% dizendo que definitivamente o recomendariam.
Reconhecimentos
Em dezembro de 2021, Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings recebeu o Prêmio Vanguard no Unforgettable Gala's 19th Annual Asian American Awards, uma homenagem anteriormente concedida para The Farewell (2019).
Em fevereiro de 2021, a série de documentários Marvel Studios: Assembled foi anunciada. O especial Assembled: The Making of Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings, vai aos bastidores do making of do filme e foi lançado no Disney+ em 12 de novembro de 2021.
Em dezembro de 2021, foi anunciado que uma sequência está em desenvolvimento, com Cretton retornando para escrever e dirigir. No mês seguinte, esperava-se que Liu reprisasse seu papel na sequência, dizendo que queria que o filme explorasse o que seu personagem faria com seu "novo poder" dos dez anéis e também como ele se encaixa no UCM.


