Chevrolet Opala
O Chevrolet Opala é o primeiro automóvel de passeio desenvolvido e fabricado pela General Motors do Brasil, de 1968 a 1992.
Projeto
Enquanto a Ford planejava, desde 1965, um sedã de luxo com base no Galaxie americano, a General Motors só reagiu após o lançamento do Galaxie brasileiro, no V Salão do Automóvel de São Paulo, em 1966. Para acelerar seu desenvolvimento, o novo modelo, denominado projeto 676, foi baseado no Opel Rekord Série C lançado na Alemanha em 1967. No entanto, o primeiro problema do projeto alemão foi o uso de unidades de medida do sistema métrico, enquanto no Brasil a General Motors empregava o sistema imperial. Para aproveitar o conjunto mecânico e motorização existentes no país, a fábrica adotou uma configuração incomum no novo modelo, com a metade traseira baseada no Rekord, com peças construídas no sistema métrico, enquanto a metade dianteira aproveitou projetos do Chevrolet Impala americano, feito no sistema imperial. A adoção dos dois elementos em um projeto obrigou a General Motors a manter duas linhas de montagem para o Opala, problema sanado apenas em 1979, com a unificação para o sistema métrico.
Para o ano de 1980, a linha Opala passou por uma remodelação mais profunda, assumindo formas mais retangulares nas lanternas dianteiras e traseiras. Embora recebesse uma reformulação externa, o interior do veículo só foi alterado na linha 1981, também com desenho retangular, com exceção do painel de instrumentos, que manteve relógios circulares, junto com um novo volante e novo acabamento. Quanto ao reposicionamento da alavanca do freio de estacionamento, esta veio nos modelos de 1979. Nos modelos de 1980 surgiria também a nova versão topo-de-linha denominada Diplomata, mantendo como opcionais o revestimento de vinil, total ou parcial e oferecidos opcionalmente até 1982, e outros itens de conforto. Em 1985 ocorrereu uma leve reestilização da linha Opala, como novas lanternas traseiras tricolores, atendendo a resolução do CONTRAN, e a incorporação faróis de milha aos faróis principais. O destaque maior foi nos itens de conforto oferecidos, como vidros, travas e retrovisores elétricos, assim como itens funcionais melhorados, como o desembaçador traseiro e direção ajustável.
Standard / Especial
Com o lançamento da linha Opala, em novembro de 1968, foram disponibilizadas duas versões, a básica, denominada Standard, que a partir de 1971 teve o nome alterado para Especial, e a Luxo.
Luxo
A versão Luxo era a mais cara, com acabamento superior e cromados exteriores, sendo ofertados como opcionais freios a disco, teto de vinil e motor 3800. Posteriormente foi lançada uma versão superior, deixando esta como intermediária.
Gran Luxo
Lançada em 1971, a Gran Luxo era posicionada como a versão topo de linha, com acabamento superior ao Luxo. Poderia-se optar pela versão coupé ou sedan, duas opções de motor, sendo a de quatro cilindros 2500 e a seis cilindros 3800, logo substituído pelo 4100, que antes era exclusividade da versão SS, e câmbio no assoalho.
Opala SS
Em 1971, a versão esportiva SS, na carroceria quatro portas, foi lançada para disputar o mercado de carros esportivos, vindo com acabamento diferenciado, como volante de 3 raios, rodas esportivas, painel com conta-giros de escala até 6 mil rpm e faixas esportivas com a inscrição SS nos para-lamas, tendo como destaque o então novo motor 4100, bancos individuais e câmbio de quatro marchas no assoalho. A denominação original para SS é Super Sport, mas criou-se uma lenda que dizia ser as iniciais de Separated Seats, já que foi a primeira linha a sair de fabrica com dois bancos na frente, ou até mesmo Super Star, porém a GM nunca confirmou nem desmentiu tais afirmações.
Caravan
Desde o lançamento do Opala, a Chevrolet já pensava numa versão perua, conhecida por Caravan, o que ocorreu apenas em 1975, quando a linha Opala recebeu uma reestilização mais abrangente. Ela oferecia as mesmas opções de motores e acabamento, inclusive a esportiva SS, lançada em 1978. Ao contrário dos modelos de duas e quatro portas, a Caravan não recebeu a versão Diplomata, em 1980, quando esta fora lançada, mas apenas cinco anos depois. Cogitou-se ainda a versão quatro portas, que nunca foi produzida em série, porém, a indústria de cabines duplas Sulam, em conjunto com a Concessionária Guaporé, desenvolveu uma reestilização com quatro portas, porém poucas unidades foram montadas. Nessa época seu concorrente direto era a Volkswagen Santana Quantum.
Comodoro
No ano de 1975, somado à remodelação visual da linha e do lançamento da Caravan, houve a entrada de uma nova versão de luxo, em substituição à Gran Luxo, batizada de Comodoro, que trazia diferenciais como o interior com apliques de jacarandá, meio teto de vinil Las Vegas (exclusivo para o modelo coupé) e um filete pintado na linha de cintura da carroceria. Em 1980, a versão Comodoro seria reposicionada como opção intermediária na linha Opala (permanecendo até o encerramento desta) em função do lançamento da versão Diplomata, mas como versão topo de linha para a station wagon Caravan, esta lançada na versão Diplomata somente em 1986. Com o advento da linha 1988, a versão Comodoro seria rebatizada para Comodoro SL/E. Algumas edições especiais do Comodoro, na época sem distinção documentada, tinham teto vinílico, rodas esportivas de magnésio ou ainda teto solar. Essas versões, assim como a versão caminhonete (inspirada no V-8 El Camino) que teve apenas alguns poucos exemplares fabricados, são motivo de muitas discussões entre os especialistas em carros antigos.
Várias organizações no Brasil adotaram o Opala como veículo de suas frotas, foram muito utilizados como viaturas de Polícia Civil e Militar, Guardas Municipais, Carro Oficial da Presidência da República, Carro Resgate do Corpo de Bombeiros e Ambulâncias. Sua robustez, facilidade de manutenção e baixo consumo de combustível na versão 2.5 gasolina, também fizeram do carro um dos mais utilizados como táxi. Sua mecânica serviu de base para vários outros carros esportivos fora-de-série e réplicas fabricadas artesanalmente, a exemplo do Santa Matilde, Puma GTB e o Fera XK, réplica do Jaguar XK de 2 lugares. Foi um carro bem sucedido na Stock Car, modelo único para todas as equipes, e Turismo, onde o Opala era concorrente direto do Ford Maverick GT V8, e em provas de arrancada. Opala fez um recorde particular de velocidade máxima em julho de 1970, na Rodovia Castelo Branco, em São Paulo, quando o piloto Bird Clemente, a bordo do seu modelo quatro portas bateu o recorde brasileiro de velocidade ao cravar 225km/h, com motor preparado e taxa de compressão um pouco mais elevada, válvulas maiores e três carburadores Weber. Vinte e um anos depois, em 1991, na direção de outro Opala, o piloto Fábio Sotto Mayor, estabeleceu o novo recorde de velocidade, ao atingir 303,157 km/h, com uma versão de duas portas, em um trecho da Rodovia Rio-Santos. O carro tinha seu motor original, mas foi providenciada uma taxa de compressão maior, bem com o uso de três carburadores Weber de corpo duplo.
O Opala é um carro luxuoso, com mecânica confiável. Graças a tais características é um dos mais cultuados veiculos e com vários clubes dedicados ao modelo. São inúmeras as aparições em filmes, novelas, livros e músicas. Dentre os filmes, destaca - se Muito Gelo e Dois Dedos d'Água, onde um modelo Luxo vermelho vira um dos personagens principais, e também Nossa Vida não Cabe num Opala, Bingo: O Rei das Manhãs, Faroeste Caboclo e La vingança.
Opalapa
Evento realizado na cidade da Lapa/PR, cidade tema de conflitos históricos para o Brasil, em comemoração ao aniversário do veículo que ocorre sempre próximo a data de 19 de novembro. O Opalapa reúne anualmente na casa de 700 Chevrolet Opala e Caravan, além de um público medio de mais de 8 mil pessoas.
Quatro cilindros
Aos primeiros anos do Opala, o motor quatro cilindros de 2509 cm³ (153 pol³) basicamente era uma versão quatro cilindros do Stovebolt Americano. Originalmente desenvolvido para equipar a linha básica do Chevrolet Nova, de 1961. Em 1974, com o objetivo de conferir maior suavidade, seu motor de quatro cilindros recebeu alguns aperfeiçoamentos, a saber: aumento do diâmetro dos cilindros, com pistões mais leves, bielas mais longas, virabrequim com menor curso, e volante com maior massa. Com isso, a cilindrada foi ligeiramente reduzida para 2474 cm³ (151 pol³), tendo maior giro. Este motor ainda passou por mais alguns refinamentos, caracterizando-o como 151-S, com novo coletor de admissão de alumínio, carburador de corpo duplo. Essas alterações visaram tornar o motor mais eficiente na opção SS.
Seis cilindros
O motor de seis cilindros de 3.8L (230 pol³) utilizado no Opala deriva da 3a geração do veterano Stovebolt. Tinha por características um bloco leve, e sete mancais no eixo virabrequim. Originalmente destinava-se a alguns modelos da GM Americana, dentre eles: Chevrolet Nova, Impala, Chevelle, Camaro e alguns utilitários leves. No Brasil, este motor seguiu passando por várias atualizações e, inclusive após o encerramento da produção do Opala. Logo em 1970, adotou virabrequim de maior curso, elevando seu deslocamento para 4.1L (250 pol³). Posteriormente, ao longo do tempo, recebeu pistões mais leves e bielas mais longas. A Chevrolet desenvolveu em 1974 o motor 250-S, onde uma leve preparação era conferida ao motor 4100, como tuchos mecânicos, carburador duplo, comando de válvulas com maior duração de abertura, e também taxa de compressão mais elevada.


