Roberto Gómez Bolaños
Roberto Mario Gómez y Bolaños, conhecido como Roberto Gómez Bolaños e também pela alcunha Chespirito, foi um ator, comediante, músico, diretor, produtor, escritor, roteirista e filantropo mexicano.
Início de vida
Filho da secretária bilíngue Elsa Bolaños Cacho (1902–1968) e do pintor, cartunista e ilustrador Francisco Gómez Linares (1892–1935), Roberto Gómez Bolaños nasceu na Cidade do México em 21 de fevereiro de 1929. Roberto teve dois irmãos: Francisco e Horacio. O pai de Roberto sofria com o vício em bebida e morreu vitimado por um derrame cerebral em 1935, quando Roberto tinha apenas seis anos. Na época, Roberto ficou na janela de casa, esperando seu pai chegar, até se dar conta de que ele não voltaria mais. Sua mãe Elsa então criou os filhos praticamente sozinha e, mesmo com algumas dificuldades econômicas, conseguiu matricular os filhos nas melhores escolas da cidade e lhes dar uma vida digna. Quando Roberto ainda era criança, gostava muito de jogar futebol e praticar boxe. Ele chegou a tentar se tornar jogador de futebol, mas não pôde seguir carreira devido ao baixo peso e estatura. No boxe, chegou a ganhar um campeonato amador, mas também não seguiu adiante. Anos depois, Roberto disse que deixou de gostar do boxe.
Adolescência
Já crescido, Roberto passou a gostar de fazer pinturas e desenhos, fazia muitas paisagens e rostos. Também chegou a servir ao exército por um ano. Por influência de um dos seus tios, que era engenheiro eletromecânico, Bolaños estudou engenharia mecânica na Universidade Nacional Autônoma do México, mas não chegou a se formar e nunca exerceu a profissão. Decidiu mudar de carreira e começou a trabalhar como escritor criativo, escrevendo para rádio e televisão durante a década de 1950.
1952–69: Primeiros trabalhos
Em 1952, Roberto viu no jornal um anúncio da agência publicitária D'Arcy, que estava contratando um aprendiz de produtor de rádio e televisão e um aprendiz de redator publicitário. Ele então decidiu se candidatar a vaga de produtor, mas quando chegou na agência, a fila para os candidatos a aprendiz de produtor estava enorme, enquanto a de redator tinha poucas pessoas. Roberto então decidiu ir na fila menor e acabou ganhando a vaga para redator publicitário. Assim, Roberto começou a trabalhar na D'Arcy, onde escreveu vinhetas, jingles, cartazes e uma tirinha humorística. Em pouco tempo, Roberto se destacou e foi contratado para escrever roteiros para programas da dupla Viruta e Capulina (Marco Antonio Campos e Gaspar Henaine). Na época, a dupla tinha um programa no rádio e, com os roteiros de Roberto, o programa se tornou um sucesso ainda maior. Viruta e Capulina então ganharam um programa na televisão, chamado Cómicos y canciones, tendo Roberto como roteirista. Um dia, um ator desse programa faltou e, como Roberto tinha escrito o roteiro e sabia o texto, ele o substituiu em cena. Assim, Roberto começou a atuar e fez diversas participações especiais no programa e também em alguns filmes. No cinema, atuou pela primeira vez no filme Dos locos en Escena de 1960. No entanto, continuou a dedicar a maior parte de seu tempo a escrever, contribuindo para o diálogo de scripts da televisão mexicana. Os roteiros de Roberto para a televisão fizeram tanto sucesso que ele logo também passou a escrever para o cinema.
1970–95: Programa Chespirito, El Chapulin Colorado, El Chavo del Ocho e aposentadoria da televisão
Em 1969 e 1970 Chespirito escreveu esquetes humorísticas para o programa Sábados de la fortuna. Entre essas esquetes, estava "Los Supergenios de la Mesa Cuadrada", criada em janeiro de 1970. Essa esquete fez tanto sucesso que, em pouco tempo, tornou-se um programa independente. Ao lado de Chespirito, contracenavam Ramón Valdés, Rubén Aguirre e María Antonieta de las Nieves. Em outubro de 1970, o programa teve sua duração aumentada e passou a exibir outras esquetes de Chespirito. O programa também mudou de nome e passou a se chamar Programa Chespirito. Nessa época, surge o Chapolin Colorado, um herói atrapalhado. Dois anos depois, foi criado a personagem que se tornaria o maior sucesso de Bolaños, o Chaves. Ambas as personagens funcionaram tão bem que as esquetes se tornaram séries independentes de 30 minutos de duração em 1973, após o fim do Programa Chespirito.
1996–2014: Últimos anos, carreira como escritor e sucesso no Twitter
Entre 1996 e 1999, trabalhou na Televicine, unidade de cinema da Televisa, onde produziu mais dois filmes: "La Ultima Llamada" e "La Primera Noche". Em 1999, Roberto teve uma grande tristeza: seu irmão Horacio faleceu, vítima de um infarto fulminante. Um ano depois, seu outro irmão, Francisco, também faleceu. Em 2000 a rede de televisão mexicana Televisa homenageou todo o elenco dos seriados Chaves, Chapolin e Chespirito com o programa "¡No contaban con mi astucia!", ano em que o seriado completava 30 anos. Essa homenagem ficou marcada pelo reencontro de Chespirito com o ator Carlos Villagrán, que interpretou o Quico no seriado "Chaves". Os dois não se viam há mais de 20 anos.
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Além de ser bem conhecido em toda a América Latina, Roberto tem sido descrito como um dos comediantes mais reconhecidos do século XX. Para manter o legado de Bolaños, sua família criou o Grupo Chespirito, uma empresa responsável por administrar todo o legado dele. O grupo é liderado pelo filho de Bolaños, Roberto Gómez Fernández.
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Chespirito é fundador da Fundación Chespirito IAP, uma ONG criada em setembro de 2007, que leva saúde e educação a crianças carentes. A fundação é sustentada através de doações e leilões, e ajudou mais de 200 mil crianças de 13 instituições do país.
Relacionamentos e filhos
Bolaños casou-se pela primeira vez com Graciela Fernández Pierre, falecida em 26 de agosto de 2013. Tiveram os filhos Paulina, Graciela, Marcela, Teresa, Cecília e Roberto Gómez Fernández. Bolaños conheceu Graciela em um baile em 1951 e os dois se casaram em 1956, numa cerimônia simples e passaram a lua de mel em Acapulco. Foi Graciela quem confeccionou o uniforme do Chapolin. O casamento durou de 1956 a 1977, quando Bolaños decidiu se separar de Graciela. Pouco depois, tornou-se público o relacionamento que ele teve com uma de suas colegas de elenco, a atriz Florinda Meza, que interpretou a Dona Florinda e a Pópis na série 'Chaves'. Os dois começaram o romance durante uma turnê do elenco no Chile em outubro de 1977. Antes disso, Bolaños havia a cortejado por cinco anos, mas ele ainda estava casado e Florinda não queria se envolver com ele por considerá-lo mulherengo e infiel. Depois de um tempo, Florinda aceitou ficar com Roberto. Ele então se separou de Graciela e foi morar junto com Florinda. No México, Roberto e Florinda foram criticados por manter essa relação, já que tudo começou quando Bolaños ainda era casado com Graciela. Florinda rebateu as alegações anos mais tarde: "Eu não sou uma rouba maridos. Ele teve problemas com seu casamento e era bem conhecido por suas infidelidades".
Nome completo e registro de nascimento
Durante anos, divulgou-se que o nome completo de Roberto era Roberto Gómez Bolaños. Mas em 2020, foi encontrada uma cópia da certidão de nascimento dele. O documento mostrou que, na verdade, o nome completo do ator é Roberto Mario Gómez y Bolaños. Além disso, apesar de ter nascido em 21 de fevereiro de 1929, Bolaños só foi registrado em 18 de junho de 1929, na Cidade do México. O filho do ator, Roberto Gómez Fernández, confirmou a autenticidade do documento.
Problemas de saúde
Em 2003, Roberto sofreu uma bronquite aguda, necessitando ficar internado por alguns dias em Cancún. Em novembro de 2004, pouco antes de se casar com Florinda Meza, Roberto teve uma crise de neurite e também herpes zoster, o que o fez ficar internado por alguns dias na Cidade do México. Em julho de 2006, Roberto começou a sofrer um problema de alergia e passou a tomar uma injeção diariamente para vencer o problema. Em dezembro de 2006, Chespirito foi internado no México por causa de uma pneumonia, mas se recuperou e deixou o hospital cinco dias depois. Em 2008, após uma das apresentações da sua peça 11 e 12 em Ciudad Obregón, Roberto desmaiou, devido a uma queda de pressão. Ele foi socorrido pela Cruz Vermelha e logo se recuperou. Nessa ocasião, Roberto não quis ir ao hospital e ficou se recuperando em um hotel.
Posições políticas
Roberto é primo em segundo grau do Presidente Gustavo Díaz Ordaz, que governou o México entre 1964 e 1970. A mãe de Roberto, Elsa Bolaños, é prima de Díaz Ordaz. Apesar disso, Roberto costuma se referir a Díaz Ordaz como sendo seu tio. O governo de Gustavo Díaz Ordaz ficou marcado pelo Massacre de Tlatelolco em 1968. Numa entrevista em 2006, ao ser perguntado sobre qual foi o melhor presidente mexicano, Roberto respondeu: "Gustavo Díaz Ordaz antes de 1968 foi o melhor presidente, não somente porque era meu tio, se olharmos os números da inflação que obteve, isso se justifica. Depois dele, o Salinas foi o melhor, ainda que na verdade não tenha ganhado as eleições, mas era inteligentíssimo. Fox também é muito inteligente e seus números são os melhores desde o governo de Díaz Ordaz. Agora, a resposta mais acertada que posso dar é: nenhum".
Relação com o futebol
Roberto Gómez Bolaños era um grande admirador de futebol. Quando criança, chegou a tentar se tornar jogador de futebol em um clube chamado Marte. Mas, por causa do seu baixo peso e estatura, acabou decidindo não se tornar profissional. Anos depois, Roberto também abordou eventualmente o futebol em suas séries, além de ter feito um filme sobre futebol, o El Chanfle. Roberto era um grande torcedor do América do México, tendo já comparecido algumas vezes ao estádio para assistir aos jogos do clube e narrado uma partida do América em 2007. Inicialmente, Roberto era torcedor do Chivas Guadalajara, mas decidiu mudar de time durante as filmagens do filme El Chanfle na década de 1970. Na época, Roberto tentou convidar alguns jogadores do Chivas para participar do filme, mas teve algumas experiências ruins com eles, o que não aconteceu com os jogadores do América. Além disso, o presidente da Televisa, Emilio Azcárraga Milmo, que era próximo de Roberto, também era um dos donos do clube América na época. Assim, Roberto acabou decidindo mudar de time e virou torcedor do América.
Relação com o Brasil
Em 1981, Roberto Gómez Bolaños veio ao Brasil enquanto fazia uma viagem a caminho do Paraguai (onde estava fazendo uma turnê com o elenco de "Chaves"). Na ocasião, esteve em Foz do Iguaçu por dois dias. Nessa viagem, Roberto conheceu as Cataratas do Iguaçu e também a Usina Hidrelétrica de Itaipu. Até onde se sabe atualmente, esta foi a única vez em que ele esteve no Brasil. Há relatos de que no início da década de 1990 ele também teria vindo uma vez ao Rio de Janeiro e visitado a Editora Globo, que na época lançou gibis de Chaves e Chapolin no país, mas ainda não há confirmação se essa vinda ocorreu. Em uma viagem a Buenos Aires, Bolaños se encontrou na rua com um grupo de brasileiros, que lhe pediram autógrafos. Neste dia, percebeu pela primeira vez que era querido no Brasil.
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Em sua carreira, Roberto Gómez Bolaños teve conflitos com dois atores do elenco de Chaves: Carlos Villagrán, que interpretou a personagem Quico; e María Antonieta de las Nieves, que interpretou a Chiquinha. Os conflitos com Villagrán começaram ainda durante as gravações do seriado na década de 1970. Em 1976, Carlos assinou um contrato de exclusividade com uma gravadora para fazer discos solo do Quico. Isso não agradou Bolaños porque Villagrán assinou o contrato sem avisá-lo antes e isso impossibilitou que o Quico estivesse no disco da turma do Chaves que o elenco lançou na época. Carlos estava fazendo muito sucesso com o Quico e, no início de 1979, ele deixou de fazer parte do elenco. Na época, Villagrán disse para a imprensa que saiu porque queria tentar carreira solo. Mas anos depois, ele mudou essa versão e disse que teria sido tirado da série, o que causou certa polêmica. Villagrán disse que Chespirito e os outros atores do elenco sentiam inveja dele, porque o Quico fazia mais sucesso entre os fãs do seriado do que o próprio Chaves; e que por isso Chespirito e os outros teriam tentado diminuir a personagem e depois o tiraram do programa. Já Chespirito, assim como os outros atores, disse que Carlos saiu por vontade própria, porque queria seguir carreira solo com o Quico. Eles também disseram que Carlos era indisciplinado, se deixou levar pela popularidade do Quico e queria ser a estrela do programa, o que causou muitos problemas ao grupo - e fez com que quase todos ficassem brigados com Villagrán. Depois da saída, Carlos pretendia continuar se apresentando como Quico no México e fazer um programa com a personagem na Televisa, mas se recusou a colocar o nome de Bolaños como criador do Quico nos créditos. Carlos alegou para isso que ele seria o criador do Quico e não Bolaños. Chespirito não aceitou isso e, tendo os direitos autorais sobre a personagem Quico, não autorizou Villagrán a fazer o programa. Roberto falou em entrevistas que, depois disso, Villagrán o processou pelos direitos autorais do Quico, mas perdeu a disputa na Justiça rapidamente porque Roberto tinha um documento assinado pelo próprio Carlos em que este reconhecia Roberto como o criador da personagem. Carlos chegou a alegar na justiça que Roberto o obrigou a assinar o documento, ameaçando cortar seu salário; mas isso não era verdade porque não era Roberto quem pagava os salários dos atores e sim a Televisa. Mesmo perdendo na justiça, Carlos Villagrán continuou querendo se apresentar como Quico sem reconhecer o direito autoral de Bolaños, o que levou o presidente da Televisa, Emilio Azcárraga Milmo, a ordenar que nenhuma emissora do México contratasse Villagrán para fazer a personagem. Além do México, Azcárraga vetou várias emissoras estrangeiras de contratarem Carlos Villagrán para fazer o seu programa como Quico, já que Villagrán insistia em dizer que a personagem era dele e não de Bolaños. Nessa época, Villagrán tentou fazer shows como Quico na Argentina, mas assim que desembarcou no país, os organizadores receberam um telegrama de Bolaños proibindo os shows. Revoltado com isso, Villagrán declarou na época que gostaria de colocar uma recompensa pela cabeça de Bolaños. Para poder continuar se apresentando como Quico, Carlos Villagrán registrou a personagem em seu nome com outra grafia, "Kiko", como se fosse outra personagem; e foi para a Venezuela realizar seu programa solo. Quando Azcárraga soube que Carlos tinha ido fazer o Quico na Venezuela, sugeriu a Roberto que processasse Villagrán para impedi-lo de usar o Quico definitivamente, mas Roberto preferiu não fazer isso e deixou Villagrán seguir com a personagem. Na Venezuela, Carlos Villagrán foi trabalhar na emissora RCTV, onde fez vários programas solos como Quico. Um desses programas, Federrico, tinha personagens e roteiros muito semelhantes aos de Chaves, o que gerou suspeitas de plágio. Apesar disso, Chespirito também não quis processar Villagrán. Posteriormente, Villagrán contestou publicamente o direito autoral de Bolaños sobre a personagem Quico e alegou que era mais dono da personagem por tê-lo interpretado e lhe dado algumas características, como as bochechas grandes, os bordões e o traje de marinheiro. Carlos ainda fez várias declarações criticando Bolaños e o chamando de invejoso e egoísta. Boatos diziam que Chespirito e Carlos Villagrán teriam brigado também por causa da atriz Florinda Meza, que antes de se envolver com Chespirito, chegou a namorar Villagrán. Tais boatos nunca foram confirmados, mas Villagrán chegou a acusar a atriz de influenciar Chespirito para que ele reduzisse o espaço do Quico na série. Por causa desses conflitos, Chespirito e Carlos Villagrán ficaram anos sem se falar e só voltaram a se reencontrar na homenagem da Televisa aos 30 anos da série, em 2000. Eles chegaram a fazer as pazes nesse reencontro mas, apenas uma semana depois, Villagrán deu outra declaração falando mal de Roberto em uma entrevista na Argentina, o que deixou Bolaños magoado. Depois disso, os dois nunca mais se falaram. Mas Villagrán continuou fazendo algumas declarações fortes. Em 2008, Villagrán disse que Chespirito e outros atores do elenco teriam estado envolvidos com narcotraficantes colombianos, o que causou polêmica e foi negado pelo próprio Roberto. Anos depois, Villagrán acusou Bolaños de trabalhar para o narcotraficante Pablo Escobar, o que foi negado pelo filho de Pablo, Juan. Villagrán também continuou falando mal de Bolaños e o atacando publicamente várias vezes. Chespirito e sua família não quiseram comentar as declarações de Villagrán.
Ditadura de Pinochet
Em 1977, Roberto realizou uma turnê com o elenco de Chaves no Chile. Apesar da turnê ter sido um sucesso, também recebeu fortes críticas porque o Chile estava sob a ditadura de Augusto Pinochet e a apresentação do elenco foi realizada no Estádio Nacional de Santiago, mesmo local em que milhares de pessoas foram presas e torturadas pelo regime. Isso fez com que Roberto fosse acusado de apoiar a ditadura chilena e as prisões e torturas feitas por ela, o que ele negou. Roberto disse em sua autobiografia que ele e os atores não sabiam das prisões e torturas no estádio pelo regime de Pinochet mas que, se soubessem, também teriam se apresentado e explicou comparando a situação com o ocorrido em Zócalo, na Cidade do México. "Seguindo essa lógica, nenhum ator deveria se apresentar em Zócalo, onde foi turvada a memória de todos que foram assassinados durante a Decena Trágica", disse Bolaños. Ele também disse que, pelo público, valeu a pena se apresentar no estádio. "Como esquecer a longa ovação que nos deram enquanto fizemos duas voltas olímpicas, apesar de termos acabado ofegantes de cansaço? Valeu a pena, né?"
Humor pastelão, bullying, politicamente incorreto e repetição em seus programas
Apesar de ser considerado um dos maiores comediantes de todos os tempos, o humor que Chespirito usou em suas obras também recebeu críticas. Em 1984, o historiador mexicano Enrique Krauze disse que detestava o estilo de Bolaños por banalizar a comédia e usar de humor pastelão, mas com o passar dos anos Krauze mudou de opinião sobre Bolaños. Em 2014, Luís Carrasco, professor de Comunicação da Universidade Nacional Autônoma do México, disse que: "Em seus programas havia um autêntico bullying. Todos zombavam de todos, todos contra um e era muito normal. Se hoje fosse feito o que acontecia nesses programas, não creio que seria tão aceito e tantas críticas poderia causar. Além disso, quando suas produções passaram para a Televisa, Chespirito começou a responder a questões mais comerciais. Já não apostava em diálogos, em histórias, mas sim no humor pastelão, nos insultos e na zombaria dos aspectos físicos". O sociólogo Raúl Rojas Soriano, também da UNAM, disse que: "Há comportamentos classistas e machistas (em sua obra). As situações que ocorrem entre as personagens (de Chespirito) poderiam parecer engraçadas, mas na realidade são um reflexo grave da sociedade e o programa (Chaves) não apresenta soluções para melhorar a vida social dos habitantes de uma vizinhança. Ao contrário, os difama cada vez mais". Rosana Alvarado, vice-presidente da Assembleia Nacional do Equador em 2014, disse que: "Parte de Chespirito e do Chaves não eram comédia. Não é humor bater em uma criança, tratá-la como 'estúpida' ou ridicularizá-la. Isso não". Críticos também disseram que os programas de Bolaños, incluindo Chaves, usavam muitas situações politicamente incorretas como forma de humor. Por outro lado, Álvaro Cuenca, especialista em televisão mexicana, observa que: "Isso era o humor da época. É preciso entender o contexto em que ele trabalhava. Não é um comediante que teve todos os recursos disponíveis atualmente". Outra crítica era de que Bolaños repetia demais as histórias, piadas e situações em seus programas. Álvaro Cuenca também o defende nesse ponto, dizendo que repetir é normal para um comediante.
Boatos sobre narcotráfico
Em 2007, Fernando Rodríguez Mondragón, filho do chefe de narcotráfico de Cali, Gilberto Rodríguez Orejuela, publicou um livro onde disse que Bolaños e o cantor mexicano Juan Gabriel se apresentaram em festas de narcotraficantes na Colômbia. Isso fez surgirem boatos de que Bolaños teria estado envolvido com narcotraficantes. Perguntado sobre o assunto, Bolaños sempre negou ter qualquer relação com narcotraficantes ou em ter se envolvido em negócios do crime organizado. Sustentou que, quando ele dá um espetáculo, não pede às pessoas que vão assistir que se identifiquem e, portanto, se narcotraficantes vieram a assistir os shows dele na Colômbia, foi sem que ele soubesse.
Críticas a Guernica de Pablo Picasso
Em 2007, Bolaños criticou a obra Guernica, de Pablo Picasso, o que gerou controvérsia. Disse que essa pintura é apenas "uma caricatura" e que, antes de expressar a dor de um povo, parece na obra que "o vilão está festejando com seu ataque".
Contra os protestos de rua
Roberto também causou controvérsia por declarações que fez dizendo ser contra a realização de protestos de rua. Disse que tais manifestações apenas diminuem o tempo e a capacidade para o trabalho, além de aumentar a raiva das pessoas.
Final trágico de El Chavo
Em 2008, durante uma viagem ao Peru, Roberto revelou que, muitos anos antes, havia pensado em fazer um episódio final para o Chaves, seu personagem mais famoso. Nesse episódio final, o Chaves morreria atropelado, tentando salvar outra criança de ser atropelada na rua. Mas uma das filhas de Roberto, Graciela, o convenceu a desistir desse final pois poderia chocar o público, principalmente as crianças. Outro motivo que Graciela disse foi que muitas crianças poderiam querer imitar o Chaves e se atirar em frente aos carros na rua. Assim, Roberto desistiu dessa ideia e esse episódio final nunca foi feito.
Roberto Gómez Bolaños faleceu aos 85 anos em Cancún, onde morava nos últimos anos de sua vida, às 14h30 (horário local) de 28 de novembro de 2014, devido a uma parada cardíaca. A notícia foi divulgada pouco tempo depois por dois dos grandes veículos de comunicação do México: a CNN México, que foi o primeiro deles; e pouco tempo depois pela Televisa, emissora onde Bolaños trabalhou por muitos anos de sua carreira. Mesmo assim, a causa da morte não foi confirmada de imediato. Ele estava com sua esposa, Florinda Meza, no momento de sua morte. Em uma entrevista, Florinda contou que, no momento da morte, Roberto exalava ar e olhava para um lugar, como se estivesse vendo algo lindo. Ele morreu nos braços de Florinda e sorrindo. O comediante sofria de problemas respiratórios crônicos e tinha mobilidade reduzida. Desde o final de 2013, Bolaños respirava com ajuda de um cilindro de oxigênio. No dia 29 de novembro, o corpo foi levado por um carro fúnebre de Cancún até à Cidade do México, num cortejo até à sede da Televisa, onde foi realizada uma missa de corpo presente. No dia seguinte, foi velado no Estádio Azteca, também na Cidade do México. No dia 1 de dezembro, o corpo de Roberto Gómez Bolaños foi enterrado no Panteón Francés de la Piedad, na Cidade do México.
Repercussão
O assunto se tornou um dos mais comentados do mundo, especialmente na América Latina. Várias personalidades de diversas nacionalidades falaram sobre a morte nas redes sociais, entre elas artistas do elenco das séries de Chespirito, e a sua filha Paulina Gómez: — Edgar Vivar, intérprete do "Sr. Barriga", No México, após o anúncio da morte de Bolaños pela própria Televisa em suas emissoras, a rede passou a exibir um especial em homenagem ao ator, intitulado Chespirito gracias por siempre, por volta das 15 horas (horário do México) pela FOROtv. A exibição foi feita em streaming através do site da emissora. Edgar Vivar, um dos atores que contracenavam com Chespirito, declarou no especial que a maior recordação que terá de Bolaños será o seu bom humor. No entanto, bastante emocionado, Edgar teve dificuldade em terminar o depoimento. Na cobertura da Televisa foi anunciada em primeira mão as informações do enterro de Bolaños, dadas por Juan Ríos: no sábado, 29 de novembro, seria realizada uma homenagem de corpo presente, e no dia seguinte seu corpo seria velado no Estádio Azteca.
Homenagens e acontecimentos posteriores
Após sua morte, Roberto recebeu algumas homenagens póstumas. Em 2016, um busto dele foi inaugurando em Cancún, cidade onde o comediante viveu seus últimos anos. Sua viúva Florinda Meza participou da inauguração. No mesmo ano, uma praça em São Paulo recebeu o nome de "Praça Roberto Bolaños", em homenagem ao ator. O comediante também ganhou um museu, que reúne alguns de seus objetos pessoais. O museu fica na Cidade do México e é administrado pelo Grupo Chespirito. No museu também há uma réplica da vila do Chaves. Em 2015, durante a cerimônia do Oscar, foi feita uma homenagem aos artistas falecidos em 2014. Mas Roberto não foi citado na homenagem, assim como a comediante Joan Rivers, o que gerou revolta em internautas. Alguns deles chegaram a fazer uma montagem incluindo Bolaños entre os homenageados.
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Algumas produções contando a história de Roberto foram feitas: Também foi feita uma série biográfica contando a vida de Bolaños, Chespirito: Sin Querer Queriendo. Anunciada pela primeira vez em 2018 por seu filho, Roberto Gómez Fernández, a série foi produzida em 2024 pela HBO Max, em parceria com a produtora mexicana THR3 Media Group, e lançada em 2025. Na série, Bolaños é interpretado pelo ator mexicano Pablo Cruz Guerrero.
Imagem: Desconocido - Diario La Patria · CC0 · Openverse
Os programas de Chespirito foram gravados no México pela rede Televisa entre os anos de 1968 e 1995, e exibidos em mais de 120 países. Seus programas chegaram a ser vistos por 360 milhões de pessoas por semana.


