Cher
Cher é uma cantora, atriz e personalidade de televisão americana, apelidada de "Deusa do Pop". Conhecida por sua voz grave de contralto, estilo ousado e reinvenções constantes, sua carreira multifacetada abrange sete décadas, consolidando-a como ícone cultural. Cher ascendeu à fama em 1965 com a dupla Sonny & Cher, ao lado de seu então marido, e também com sucessos solos como "All I Really Want to Do" e "Bang Bang ". Nos anos 1970, Cher divorciou-se de Sonny Bono e liderou a Billboard Hot 100 com os sucessos "Gypsys, Tramps & Thieves", "Half-Breed" e "Dark Lady", tornando-se a cantora solo com mais músicas no topo das paradas nos EUA até então.
Cher (AFI: [ˈʃɛər];) nasceu com o nome de Cheryl Sarkisian em El Centro, na Califórnia, em 20 de maio de 1946.[a] Seu pai, John "Johnny" Paul Sarkisian, era filho de imigrantes armênios refugiados nos Estados Unidos e naturalizados estadunidenses. Seu pai trabalhava como caminhoneiro, seus avós paternos eram sobreviventes do Genocídio Armênio e sua mãe, Jackie Jean Crouch, era uma aspirante a atriz e modelo que atendia pelo nome artístico de Georgia Holt. De origens multiculturais, através de sua mãe, Cher possui ascendência irlandesa, inglesa, alemã, francesa e holandesa. Assim como sua mãe, Cher declara ter em parte remota ascendência ameríndia dos povos nativos dos Estados Unidos, especificamente do povo cherokee, sua mãe Georgia Holt, afirmava ter ascendência indígena cherokee. A relação de seus pais era tempestuosa, como ela revelou anos mais tarde: "Eu [...] tinha dez meses de idade quando ela [sua mãe] se separou do meu pai pela primeira vez e foi a Reno (Nevada) pedir o divórcio". Depois dessa ocasião, eles se casaram e se divorciaram mais duas vezes. O terceiro de oito casamentos de sua mãe foi com o ator John Southall, pai de sua meio-irmã, Georganne. Apesar da união ter durado apenas cinco anos, ela o considera seu pai verdadeiro e se lembra dele como "um homem de boa índole que ficava agressivo quando bebia demais". Eles se divorciaram quando ela tinha nove anos de idade, depois sua mãe se casou com Gilbert Hartmann LaPiere, um gerente de bancos que adotou legalmente à Cher e sua irmã Georganne e incluiu o sobrenome "LaPiere" em seus nomes, tornando-as legalmente suas filhas.
Cher lançou seu primeiro álbum de Natal, Christmas, em 20 de outubro de 2023. Apresenta duetos com Cyndi Lauper, Darlene Love, Michael Bublé, Stevie Wonder e Tyga. O primeiro single do projeto, "DJ Play a Christmas Song", alcançou o número um nas paradas Adult Contemporary e Dance/Electronic Song Sales em dezembro de 2023; com isso, ela estendeu seu recorde como a única artista em carreira solo a garantir a liderança em qualquer gráfico da Billboard em seis décadas consecutivas (da década de 1960 à 2020).
Década de 1960: Ascensão e queda
Cher deixou a escola e a casa da mãe aos 16 anos para morar em Los Angeles com uma amiga. Lá, ela teve aulas de atuação e passou por vários empregos para se sustentar. Ela chegou a dançar em pequenos clubes na Sunset Strip, em Hollywood, se apresentando para artistas, empresários e agentes. Segundo o biógrafo Connie Berman, "A jovem não hesitava em se aproximar de qualquer um que ela achava que pudesse ajudá-la a [...] fazer um novo contato ou obter testes". No final de 1962, ela conheceu Sonny Bono, um assistente do produtor Phil Spector 11 anos mais velho. Após sua amiga se mudar do apartamento que dividiam, ela passou a trabalhar como governanta na casa dele. A relação dos dois cresceu rapidamente, e eles se tornaram amigos inseparáveis, comprometeram-se e casaram-se, informalmente, em outubro de 1964. Sonny a apresentou a Spector, e ele a usou como vocalista de apoio em algumas de suas produções clássicas, incluindo "You've Lost That Loving Feeling", dos Righteous Brothers, e "Be My Baby", das Ronettes, além de ter produzido seu primeiro single, "Ringo, I Love You", lançado sob o nome de Bonnie Jo Mason. Apesar do fracasso do último, ela estava obstinada a alcançar o estrelato e formou, em 1964, uma dupla com o marido, inicialmente chamada Caesar & Cleo, que lançou os singles malsucedidos "The Letter", "Do You Wanna Dance" e "Love Is Strange".
Década de 1970: Ressurgimento na televisão, carreira solo
Em 1970, Cher co-estrelou com Sonny o especial de televisão The Sonny & Cher Nitty Gritty Hour, uma mistura de comédia pastelão, esquetes e música ao vivo. A atração foi um sucesso de crítica, o que os levou a vários outros programas de televisão como convidados especiais. Durante uma participação no programa The Merv Griffin Show, o casal chamou a atenção do chefe de programação da CBS, Fred Silverman, que ofereceu à dupla um programa de variedades próprio. The Sonny & Cher Comedy Hour entrou no ar como parte da programação especial de verão da emissora, em 1971, e retornou ao horário nobre no final daquele ano, tornando-se um sucesso imediato que logo figurou entre as 10 atrações mais vistas da casa. Sobre a recepção do público, Silverman disse: "Foi uma explosão. Você poderia contar com os dedos de uma mão o número de vezes que isso aconteceu na história da televisão". A atração recebeu 15 indicações ao Emmy durante seu período de exibição, ganhando uma por direção. Entre os convidados do programa estiveram Tina Turner, Chuck Berry, Carol Burnett, George Burns, Glen Campbell, Dick Clark, Tony Curtis, Bobby Darin, Farrah Fawcett, The Jackson 5, Jerry Lee Lewis, Steve Martin, Ronald Reagan, Burt Reynolds, The Righteous Brothers, Neil Sedaka, Dinah Shore e Supremes. Impulsionada pelo sucesso na televisão, a dupla reviveu sua carreira musical lançando mais quatro discos pela Kapp Records e MCA Records e emplacou no top 10 os êxitos "All I Ever Need Is You" e "A Cowboy's Work Is Never Done".
Década de 1980: Declínio, estrelato no cinema e retorno ao sucesso musical
Em 1980, Cher gravou sua última canção disco, chamada "Bad Love", para a trilha sonora do filme Foxes. Mais tarde, no mesmo ano, ela formou a banda de rock Black Rose com seu então namorado, o guitarrista Les Dudek, e lançou um álbum com o mesmo nome. A banda foi promovida sem usar sua fama (seu nome não aparece na capa do disco e seu rosto é visto apenas em uma foto dos integrantes na contra-capa), o que contribuiu para que o projeto não vendesse bem e o grupo se separasse no ano seguinte. Ela disse à imprensa mais tarde: "Nós fomos os precursores de um certo tipo de música que está acontecendo hoje, um certo tipo de atitude, estilo e merda como essa, mas minha imagem em vestidos de miçangas na capa do National Enquirer era muito difícil de combater". Em 1981, ela gravou um dueto com o músico Meat Loaf chamado "Dead Ringer for Love", que foi descrito pela crítica como "um dos duetos de rock mais inspirados dos anos 80" e que alcançou o top 5 no Reino Unido. No ano seguinte, ela liberou, pela Columbia Records, o álbum I Paralyze, que foi ignorado pela crítica e, consequentemente, teve vendas decepcionantes.
Década de 1990: Altos e baixos, volta por cima
Em 1990, Cher estrelou o sucesso de crítica e bilheteria Mermaids, com Bob Hoskins, Winona Ryder e Christina Ricci. Ela gravou duas canções para a trilha sonora do filme: "Baby I'm Yours" e "The Shoop Shoop Song (It's in His Kiss)". A última foi um sucesso internacional, alcançando o primeiro lugar em várias nações como Áustria, Irlanda, Noruega e Reino Unido. Em 1991, ela lançou seu terceiro e último álbum de estúdio pela Geffen: Love Hurts, que conquistou o topo da parada do Reino Unido, onde permaneceu por seis semanas consecutivas. O disco vendeu mais de 4 milhões de réplicas mundialmente e produziu cinco singles: "Love and Understanding", que entrou no top 10 no Reino Unido e no top 20 nos Estados Unidos; "Save Up All Your Tears", "Love Hurts", "Could've Been You" e "When Lovers Become Strangers". Na Alemanha, ela recebeu o prêmio Echo de cantora internacional mais bem-sucedida do ano. Em 1992, ela embarcou na Love Hurts Tour e lançou dois programas de condicionamento físico em VHS: Cherfitness: A New Attitude e Cherfitness: A Body Confidence. Em novembro do mesmo ano, a coletânea europeia Greatest Hits: 1965-1992, que continha três faixas inéditas ("Oh No Not My Baby", "Whenever You're Near" e "Many Rivers to Cross"), alcançou a primeira posição no Reino Unido por sete semanas não-consecutivas.
Década de 2000: Turnês e residência em Las Vegas
Em 2000, Cher lançou um álbum de rock alternativo intitulado Not.com.mercial. Esse trabalho foi quase inteiramente composto por ela durante um retiro de compositores na França, em 1994, e marcou a primeira vez que ela escreveu a maioria do material para um de seus álbuns. O disco havia sido rejeitado pelos executivos da Warner por "não ser comercial", razão pela qual ela decidiu vendê-lo exclusivamente através de seu site. Em novembro, ela fez uma participação como convidada especial no episódio "Gypsies, Tramps and Weed" (nomeado em alusão à sua música "Gypsys, Tramps & Thieves"), da série Will & Grace, que deu à série sua segunda maior audiência de todos os tempos. Ainda em 2000, ela foi premiada com o Women in Film Lucy Award, juntamente com os criadores e elenco de If These Walls Could Talk, por seu trabalho como diretora e atriz no filme. O Lucy Award reconhece a excelência e inovação em trabalhos criativos que têm reforçado a percepção das mulheres por meio da televisão.
Década de 2010: Novos projetos
Cher fez seu retorno ao cinema com o musical Burlesque (2010). Ela contribuiu para a trilha sonora do filme com duas canções: "Welcome to Burlesque" e a balada escrita por Diane Warren "You Haven't Seen the Last of Me". A última ganhou o Globo de Ouro de melhor canção original, foi indicada ao Grammy Award para melhor canção para mídias visuais e chegou à primeira posição nas Hot Dance Club Songs, fazendo dela a única artista a ter um hit n° 1 em uma parada da Billboard em cada uma das últimas seis décadas. Em 2011, ela emprestou sua voz para a comédia Zookeeper. Seu 25º quinto álbum de estúdio, Closer to the Truth, foi disponibilizado em 20 de setembro de 2013. Nos Estados Unidos, ele estreou na terceira posição da Billboard 200, a mais alta da carreira de Cher nessa parada até então, vendendo 63 mil réplicas em sua semana de liberação. Em sua promoção, a artista estreou o single principal, "Woman's World", no final da quarta temporada do show de talentos The Voice. Mais tarde, ela se tornou mentora assistente da quinta temporada do programa, auxiliando lapidar e selecionar os candidatos do time de Blake Shelton na categoria dos grupos. Em novembro, ela apareceu como intérprete convidada e jurada na décima temporada de Dancing with the Stars, da ABC, durante sua oitava semana, que foi dedicada a ela.
Se adaptando continuamente às tendências de cada época, o estilo musical de Cher tem sido objeto de controvérsia pelos críticos. Ela é, pela análise do produtor musical Snuff Garrett, "mais uma estilista do que uma cantora"; no entanto, para o ex-vice-presidente sênior do setor de desenvolvimento artístico da Warner Bros., Craig Kostich, "ela é uma artista única que continua a quebrar as barreiras de seu talento". Desde o início de sua carreira, ela mudou várias vezes de gênero musical, passando pelo folk, disco, rock, R&B e dance. Ela disse: "Você quer permanecer relevante e fazer trabalhos que surtam efeito. Mas, ao mesmo tempo, eu não gravo um disco com muitas intenções além de satisfazer a mim mesma". Peter Fawthrop, do Allmusic, afirmou que "mesmo mudando de estilo tão frequentemente, ela sempre parece tão sincera e tão 'Cher' quanto em sua mudança anterior. Sua personalidade é definida e brilha através [das mudanças]. [...] Quantos artistas musicais, mesmo os que tenham durado tanto tempo na indústria quanto ela, soariam igualmente reconhecíveis numa canção sinteticamente vocalizada como 'Believe', de 1999, e num folk sombriamente cômico como 'Dark Lady', de 1974? [...] Quem gosta do seu material nos anos 90 provavelmente vai gostar dele nos anos 70, mesmo que seja completamente diferente".
Cher apareceu 13 vezes na capa da revista People. Ela figurou duas vezes na lista anual das "25 pessoas mais intrigantes" publicada pela revista, em 1975 e 1987. Em 1992, o museu Madame Tussauds a considerou uma das cinco mulheres mais bonitas da história. Desde a década de 1960, Cher foi uma criadora de tendências de moda, popularizando os cabelos lisos e longos, as calças boca-de-sino (que são muitas vezes citadas como uma criação sua) e a barriga exposta. Ela começou a trabalhar como modelo em 1967 para o fotógrafo Richard Avedon, após ser descoberta pela então diretora da revista Vogue, Diana Vreeland. Cher foi cinco vezes capa da Vogue, entre 1972 e 1975. Através de seus programas de televisão na década de 1970, ela se tornou um símbolo sexual e desafiou a censura com seus vestidos e conjuntos ousados, usualmente desenhados por Bob Mackie. Ela é reconhecida como a primeira mulher a mostrar o umbigo na história da televisão. De acordo com a escritora Sheila Whiteley, "a influência de Mackie e Cher foi responsável pelo sucesso do jeans de cós baixo que mostrava a barriga nos anos 70". O Los Angeles Times escreveu que "eles não fazem mais ícones de estilo como Cher. Desde o início de sua carreira, [...] ela entendeu que cultivar um visual era tão importante quanto cultivar uma sonoridade. Ao contrário das estrelas de hoje, ela não era um outdoor à venda pela melhor oferta. Ela era a boneca Barbie do mundo, uma fantasia viva da moda [...] que frequentava simultaneamente as listas dos mais bem e mal vestidos. Ame-a ou odeie-a, ela sempre nos mantém interessados". Seu videoclipe de "Hell on Wheels" (1979) mantém a distinção de ser um dos primeiros vídeos rock a ser produzido no padrão da MTV, antes mesmo de sua existência. Em 1989, ela embarcou no navio USS Missouri (BB-63), da Marinha dos Estados Unidos, vestindo apenas uma meia arrastão para o videoclipe de "If I Could Turn Back Time", que foi o primeiro a ser banido pela MTV na história (sua popularidade cresceu após a censura, o que fez com que o canal concordasse em exibi-lo a partir das 9 horas da noite).
Tatuagens
Cher se tornou conhecida por suas tatuagens antes de elas se tornarem uma tendência de moda entre as mulheres. Segundo o site Vanishing Tattoo, "Cher foi uma das primeiras celebridades a abraçar aberta e entusiasticamente as tatuagens e a arte corporal e, com seu ultrajante senso de estilo e moda, desempenhou um papel fundamental na aceitação das tatuagens na cultura popular mainstream". Ainda segundo o site, "sua influência pode ser vista nas primeiras supermodelos que tiveram tatuagens". Entre suas tatuagens estiveram uma grande borboleta com desenho floral em suas nádegas, um colar em seu braço esquerdo com três amuletos pendurados: o símbolo egípcio ankh, uma cruz e um coração; um kanji em seu ombro direito, um pequeno grupo de cristais no estilo da art déco em seu braço direito, uma orquídea negra no lado direito da sua virilha e um crisântemo em seu tornozelo esquerdo.
Cirurgias plásticas
A aparência de Cher tem sido objeto de intensas discussões, tanto por parte do público quanto por parte da imprensa. Grant David McCracken comentou, em seu livro Transformations: Identity Construction in Contemporary Culture, que ela "tem sido chamada de 'garota-propaganda' da cirurgia plástica". O escritor também traçou um paralelo entre suas cirurgias plásticas e as transformações em sua carreira: "Não há registro público de quando [...] ela escolheu recorrer às cirurgias plásticas. Mas parece mais ou menos coerente com o resto de sua mutante carreira. Sua cirurgia plástica não é meramente estética. Ela é hiperbólica, extrema, exagerada. Ela se envolveu em uma tecnologia transformacional que é drástica e irreversível". De acordo com a autora do livro Up Against Foucault: Explorations of Some Tensions Between Foucault and Feminism, Caroline Ramazanoglu, "suas operações substituíram pouco a pouco um visual forte e decididamente 'étnico' por uma versão simétrica, delicada, 'convencional' (isto é, anglo-saxônica) e cada vez mais jovem da beleza feminina. Ela admite ter tido seus seios 'feitos', seu nariz diminuído e seus dentes endireitados; dizem que ela também teve uma costela removida, o bumbum remodelado e implantes nas bochechas. [...] Sua imagem normalizada [...] agora serve como um 'padrão' pelo qual outras mulheres irão medir, julgar, disciplinar e 'corrigir' a si mesmas". Cher nega a maioria dos rumores sobre suas cirurgias plásticas e afirmou: "Eu tive as mesmas bochechas durante toda minha vida. Sem plásticas no bumbum. Sem costelas removidas. [...] Se eu quiser colocar meus peitos nas minhas costas, não vai ser da conta de ninguém se não da minha".
Trabalho humanitário
Os esforços filantrópicos de Cher incluem principalmente o apoio a pesquisas de saúde para a melhoria da qualidade de vida de pacientes, a defesa dos direitos de militares veteranos, o apoio a iniciativas de combate à pobreza e o auxílio a crianças vulneráveis. Desde 1990, ela serve como doadora, presidente nacional e porta-voz honorária da Children's Craniofacial Association, associação que tem como objetivo capacitar e dar esperanças a crianças facialmente desfiguradas e seus familiares. A associação promove anualmente o Cher's Family Retreat, evento que provém a pacientes com problemas crânio-faciais e seus familiares a oportunidade de interagir com outras pessoas que tenham passado por experiências semelhantes. Ao longo dos anos, durante suas turnês, ela doou frequentemente ingressos e passagens para os bastidores para famílias e grupos sem fins lucrativos que beneficiam crianças e jovens com deformidades faciais. Ela também apoia e promove a organização Get A-Head Charitable Trust, que visa melhorar a qualidade de vida de pessoas com doenças na cabeça e no pescoço. Em 1993, ela participou de um esforço humanitário na Armênia (seu pai era um refugiado armeno-americano), levando comida e suprimentos médicos para a região, que foi devastada pela Guerra de Nagorno-Karabakh. Ela também tem sua própria fundação, a Cher Charitable Foundation, que contribui com recursos financeiros para instituições de caridade e causas que a comovem.
Interesses políticos
Embora Cher nunca tenha se declarado democrata, ela frequentemente participa de eventos e convenções do partido. Ao longo dos anos, ela se tornou conhecida por suas visões políticas, tendo sido uma crítica ferrenha do movimento conservador. Ela chegou a afirmar que "não entende como alguém pode querer se tornar um republicano", justificando que os oito anos sob a administração de George W. Bush "quase me mataram". Durante as eleições presidenciais de 2000, a ABC News noticiou que ela estava determinada a "fazer o que for possível para mantê-lo [Bush] longe do cargo". Dizendo, ainda, ao site: "Se você é negro, mulher ou qualquer minoria neste país, o que o motivaria a votar em um republicano? [...] Você não terá um único direito sobrando". Sobre Bush, ela disse: "Eu não gosto de Bush. Eu não confio nele. Eu não gosto de sua reputação. Ele é estúpido e preguiçoso".
Cher é comumente referida pela mídia como a "Deusa do Pop." Rob Sheffield, da Rolling Stone, declarou que "não há outras carreiras remotamente como a dela, [particularmente] na história da música pop" e se referiu a artista como "a personificação em forma de mulher do pop espalhafatoso". De acordo com Phill Marder, da revista Goldmine, a cantora "foi e continua sendo uma das figuras mais dominantes da era do rock". Ele a descreveu como a líder de um esforço na década de 1960 para "promover a rebelião feminina no mundo do rock [e] o protótipo de rockstar feminina, estabelecendo o padrão de aparência, desde seus primeiros dias de hippie até seu posterior figurino estranho e sua atitude — a punk feminina perfeita, muito antes do punk ser um termo do rock". Joe Lynch descreveu Cher como "uma mulher pioneira em uma identidade musical andrógina em meados dos anos 60" e que, ao fazer isso, "preparou o terreno para pessoas como Bowie e Patti Smith".
Como artista solo, Cher vendeu 100 milhões de gravações em todo o mundo (e outras 40 milhões como parte da dupla Sonny & Cher), tornando-se um dos artistas musicais que mais venderam de todos os tempos. Ela é uma das poucas artistas a ganhar três dos quatro principais prêmios da indústria do entretenimento estadunidense (EGOT — Emmy, Grammy, Oscar e Tony), e um dos cinco atores e cantores que consiguiram colocar um single número um nos Estados Unidos e ganhar um Oscar de ator. O primeiro single de Sonny & Cher, "I Got You Babe", é laureado como um Grammy Hall of Fame e foi destaque nas listas das 500 melhores canções de todos os tempos elaborada pela revista Rolling Stone em 2003 e 2021. A Billboard clamou "Gypsys, Tramps & Thieves" (1971) como "uma das melhores canções do século XX". Já "Believe" (1998) é a canção mais adquirida de todos os tempos no Reino Unido por uma artista feminina em carreira solo. Foi eleita a oitava música favorita do mundo em uma votação conduzida pela BBC em 2003 — sendo a única de um músico estadunidense a ser mencionado na lista. Em 1988, ela se tornou a primeira artista na história a ter um Oscar por atuação e um álbum certificado de ouro pela RIAA, desde o início da condecoração por vendas musicais em 1958.


