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Castelo de Chantilly

O Castelo de Chantilly é um palácio localizado em Chantilly, Oise, no norte da França, no vale do rio Nonette, afluente do rio Oise. Monumento histórico ligado à personagem de François Vatel (1631-1671), que aqui teria criado a receita culinária do creme chantili, compreende dois edifícios principais: o Grand Château e o Petit Château. Mais tarde, em 1781, a seu respeito, Louis-Sébastien Mercier referirá:"Nunca encontrei nada comparável a Chantilly nos arredores da capital. (…) Trinta viagens neste lugar encantado não diminuiram a minha admiração. É o melhor casamento feito entre a arte e a natureza".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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História

Chantilly remonta a uma antiga fortificação medieval, acantonada de sete torres e rodeada por fossos com água, construída sobre um terreno pantanoso do vale do rio Nonette, controlando a rota de Paris para Senlis, no Oise. O castelo pertencia, primitivamente, a Guy de Senlis, encarregado da cave do Rei Luís VI, no final do século XI. A família tomou o sobrenome Bouteiller, em ligação directa com o cargo desempenhado por Guy, e conservou o palácio até ao século XIV. Pilhado em 1358 pelos Jacques, a fortaleza foi vendida, em 1386, por Guy de Laval, herdeiro dos Bouteiller, a Pierre d'Orgemont, antigo chanceler de Carlos V. Este fez reconstruir o castelo entre 1386 e 1394. A família de Orgemont possuiu o edifício durante três gerações entre os séculos XIV e XV. Em 1484, Pierre d'Orgemont, sem filhos, deixou Chantilly ao seu sobrinho, Guillaume de Montmorency, que veio a falecer em 1531).

O domínio dos Montmorency

A poderosa família Montmorency teve o domínio de Chantilly do século XV ao século XVII, realizando nesse período importantes trabalhos de modernização. Foi o mais ilustre membro desta família, o chefe dos exércitos Reais Anne de Montmorency (1492-1567), que fez renovar a fortaleza, por Pierre Chambiges, em 1528, e, em 1551, mandou construir a Capitania, ou Petit Château, pelo arquitecto Jean Bullant, o qual havia trabalhado no Château d'Écouen. Providenciou, igualmente, em 1538, os arranjos do terraço, sobre o qual foi erguida a sua estátua equestre (fundida durante a Revolução, encontra-se, actualmente, substituída por uma obra de Paul Dubois, datada de 1886) e a edificação de sete capelas das quais três se mantêm conservadas. Foi igualmente Anne quem mandou traçar os primeiros jardins.

O domínio dos Condé

Nos séculos XVII e XVIII, o destino de Chantilly identifica-se com o dos Condé, constituindo este domínio a principal propriedade da família. Luís II de Bourbon-Condé (1621-1686), chamado de "o Grande Condé", havia tomado partido contra Mazarin durante a Fronda, o que originou a confiscação de Chantilly, em 1652, sendo domínio recuperado somente em 1659 (Tratado dos Pirenéus). Afastado de Versailles, consagrou todos os seus cuidados ao seu domínio. Fez desenhar o parque por André Le Nôtre, antes de este trabalhar no Château de Versailles. Este canalizou o Nonette para criar o Grande Canal (1671-1673), desenhou os parterres franceses a Norte do palácio, fez construir o Grande Degrau por Daniel Gittard e criou a perspectiva actual que vai da grade de honra ao terraço.

O domínio do Duque de Aumale

À morte do último dos Condé, Luís VI Henrique de Bourbon-Condé, em 1830, foi Henrique de Orleães, Duque de Aumale (1822-1897), filho do Rei Luís Filipe I, que herdou a imensa fortuna e, em particular, o domínio de Chantilly. Arrasado ao nível do rés-do-chão, o Grand Château encontra-se num pobre estado. Durante a Monarquia de Julho, o Duque de Aumale projectou trabalhos de reconstrução que não chegou a efectuar. Com efeito, depois da queda da Monarquia de Julho, o Duque tomou o caminho do exílio e passou a residir, entre 1848 e 1870, em Twickenham, próximo de Londres. Empregou o seu tempo a reunir as colecções que se encontram, actualmente, em Chantilly. Regressou a França em 1871, viúvo e tendo perdido os seus dois filhos.

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Arquitectura

O Petit Château e o Château Neuf

Da fortaleza medieval dos Orgemont subsiste apenas a base das torres. Por esse motivo, o Petit Château construído pelo chefe dos exércitos Reais, Anne de Montmorency, em 1551, constitui actualmente a parte mais antiga do palácio. O Petit Château contém, no primeiro andar, os grandes aposentos. estes compreendem três salas decoradas no século XIX (entre as quais a antecâmara e a sala dos guardas), elevadas sobre o antigo braço de água que separava o Petit Château do Grand Château, assim como o apartamento dos Príncipes de Condé, decorado cerca de 1720 por Jean Aubert, com soberbos lambris. Este apartamento compreendia o quarto do Monsieur o Duque, o gabinete de ângulo, o boudoir decorado com uma grande imitação de Christophe Huet, a galeria das acções do Monsieur o Príncipe, e o salão de música.

As Grandes Cavalariças

As Grandes Cavalariças foram construídas pelo arquitecto Jean Aubert entre 1719 e 1740. Com um comprimento de 186 metros, são excepcionais pelas suas dimensões assim como pela sua magnificência. O Príncipe de Condé tinha tanto orgulho nelas que não hesitava em dar jantares debaixo da sua majestosa cúpula, com uma altura de 278 metros, onde jantaram, nomeadamente, Luís XV, o futuro Czar Paulo I da Rússia e Frederico II da Prússia. As cavalariças podiam acolher 240 cavalos e 500 cães, utilizados para as caças quotidianas na floresta de Chantilly. Em 2006, as Grandes Cavalariças foram resgatadas por sua Alteza Karim Aga Khan IV, com o intuito de fazer uma doação à Fundação para a Salvaguarda do Domínio de Chantilly.

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O parque

O parque de Chantilly cobre 155 hectares, dos quais 25 hectares de planos de água, aos quais é necessário juntar os 60 hectares do parque de Sylvie. A floresta de Chantilly, que se estende sobre 6.310 hectares, faz parte integrante do domínio.

O jardim de Le Nôtre

Chantilly foi a criação preferida de André Le Nôtre. Segundo o seu hábito, este estruturou o parque em volta de dois eixos perpendiculares. O primeiro, Norte-Sul, no eixo do majestoso terraço edificado por Anne de Montmorency, e perpendicular às curvas de nível e evidenciando a ondulação do lugar. O segundo, Este-Oeste, é ocupado pelo grande canal ao longo do vale. Entre o terraço e o grande canal, a Norte do palácio, Le Nôtre arranjou parterres à francesa. Estes parterres foram decorados com tanques e ornamentados com vasos e estátuas de pedra, datando a maior parte do século XIX e representando personagens ilustres ligadas ao rico passado do domínio. os parterres tinham, originalmente, uma forma trapezoidal, o que os fazia parecer mais vastos contrapondo a perspectiva. Este efeito, de um muito grande refinamento, foi suprimido pelas reconstruções do século XIX, que lhe deram uma forma de rectângulos perfeitos. as cercaduras vegetais eram sumptuosas: subsistem testemunhos no jardim do Aviário (junto ao palácio, lado Oeste), assim como no jardim da Maison de Sylvie (1671).

O pequeno parque

O pequeno parque, também chamado de parque da Cabotière, fica situado sobre um planalto calcário que pende sobre o vale a partir dos parterres até ao grande arredondamento. Espaço de transição entre a floresta e o parque, foi arranjado por Le Nôtre, que traçou alamedas e bosquetes, ligando-o à floresta envolvente. O seu sobrinho Desgots desenhou ali, em 1679, um labirinto que seria destruído cerca de 1770. No século XVIII, Henrique Jules de Bourbon-Condé ligou-o ao terraço ao lançar a ponte do Rei sobre o fosso seco que marca o limite do planalto. Este jardim tornava-se, assim, num espaço de divertimento e de passeio, pontuado por câmaras de verdura, das quais algumas ainda são visíveis, tal como a Chambre du Sanglier (Câmara do Javali).

O jardim anglo-chinês

A leste dos parterres de Le Nôtre, o jardim anglo-chinês instalado no parque em 1772 é pontuado por fábricas de jardim em volta de pequenos caminhos que serpenteiam pelo meio dos canais concebidos para ser percorridos em pirogas. Algumas destas fábricas (o penhasco, as pequenas pontes de pedra) foram conservadas. Em 1774 foi adicionado um hameau (aldeola) de recreio. O Hameau de Chantilly comportava sete pequenas casas rústicas, das quais cinco foram conservadas: salão, bilhar, sala de refeições, cozinha e moinho. Servia de local de festas e de prazeres estivais.

O jardim inglês

Adossado à estrada de Chantilly para Vineuil-Saint-Firmin e Creil, o jardim inglês, desenhado pelo arquitecto Victor Dubois em 1817, incorpora alguns vestígios dos arranjos de Le Nôtre (a ilha do Amor, as Fontes de Beauvais) integrados sob a forma de fábricas. As alamedas sinuosas proporcionam vistas interessantes sobre o palácio. Apenas uma das fábricas introduzidas no jardim no momentyo da sua criação ainda subsiste: o Templo de Vénus, recentemente restaurado pelos Monumentos Históricos da França.

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Custódia de Dom Manuel I

Uma das custódias de Dom Manuel I, que se julgava perdida, foi encontrada em 2022 exposta numa sala do castelo. A peça de prata dourada, com 70 centímetros de altura, esteve esquecida mais de um século numa das suas salas onde, devido à humidade, ficou oxidada, impondo uma profunda intervenção de restauro. A peça, de origem portuguesa e datada de 1500-1520, é proveniente da Sé de Braga, onde é mencionada nos inventários atribuindo essa posse inicial a uma doação efetuada em 1531 pelo arcebispo Diogo de Sousa. A mais antiga referência quanto à atual posse da custódia remonta a uma exposição dedicada a obras de arte da Idade Média e da Renascença, que esteve patente em Londres, no então Museu de South Kensington, atual Victoria & Albert, em 1862. O catálogo desta exposição identificava como seu proprietário o duque Henri d’Orléans, filho do rei Louis-Philippe, então no exílio no Reino Unido. A peça tinha sido adquirida, em 1859, a um antiquário em Londres, Samuel Pratt, por cerca de 300 libras.

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Filmografia e curiosidades

O castelo tem servido como cenário de filmes e de outros eventos mediáticos, como:

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Fontes consultadas