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Capuchinho Vermelho

Capuchinho Vermelho (título em Portugal) ou Chapeuzinho Vermelho (título no Brasil) é um conto de fadas clássico, cujas origens podem ser traçadas a fábulas europeias do século X. O nome do conto vem da protagonista, uma menina que usa um capuz vermelho. Publicada pela primeira vez pelo francês Charles Perrault, e depois pelos Irmãos Grimm, o conto sofreu inúmeras adaptações, mudanças e releituras da cultura popular mundial, sendo considerado o conto de fadas mais popular do mundo ocidental.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/07/2026
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História clássica

A versão mais conhecida do conto é a dos Irmãos Grimm, publicada em 1857 em Kinder und Hausmärchen. Nesta narrativa, Chapeuzinho Vermelho é enviada por sua mãe para levar comida à avó doente que mora na floresta. No caminho, ela encontra um lobo que, após descobrir seu destino, corre para a casa da avó, devora a velhinha e se disfarça em seu lugar. Quando Chapeuzinho chega, o famoso diálogo se desenrola ("que orelhas grandes você tem!", "que olhos grandes!", culminando em "que boca grande você tem!"), momento em que o lobo a devora também. Na versão dos Grimm, um caçador ouve os roncos do lobo, entra na casa e, percebendo o que aconteceu, corta a barriga do animal com tesouras, libertando vivas Chapeuzinho e sua avó. Eles então enchem a barriga do lobo com pedras pesadas, e quando ele acorda e tenta fugir, cai morto devido ao peso. A versão original dos Grimm inclui ainda uma segunda história, na qual Chapeuzinho, agora mais experiente, encontra outro lobo, mas desta vez consegue enganá-lo com a ajuda de sua avó, fazendo-o cair em uma tina de água fervente onde se afoga.

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Origem

As origens de Chapeuzinho Vermelho podem ser rastreadas até por de vários países europeus e mais do que provavelmente anteriores ao século XVII, quando o conto adquiriu a forma conhecida atualmente, com a versão dos irmãos Grimm de inspiração. Chapeuzinho Vermelho era contada por camponeses na França, Itália e Alemanha, sempre com um caráter muito popular.

Charles Perrault

A versão impressa mais antiga é de Charles Perrault, Le Petit Chaperon Rouge, retirada do folclore francês foi inserida no livro Contos da Mamãe Gansa. A história de Perrault retrata uma "moça jovem, atraente e bem educada", que ao sair de sua aldeia é enganada pelo lobo, que come a velha e arma uma armadilha para a menina que termina sendo devorada, sem final feliz. Essa versão foi escrita para a corte do rei Luís XIV, no final do século XVII, destinada a um público, que o rei entretinha com festas extravagantes e prostitutas, que pretendia levar uma moral as mulheres para perceberem os avanços de maus pretendentes e sedutores. Um coloquialismo comum da época era dizer que uma menina que perdeu a virgindade tinha "visto o lobo". O autor explica a moral da história ao fim do conto nos seguintes termos:

Os Irmãos Grimm

No século XIX duas versões da história foram contadas a Jacob Grimm e ao seu irmão Wilhelm Grimm: a primeira por Jeanette Hassenpflug (1791-1860) e a segunda por Marie Hassenpflug (1788-1856). Os irmãos registram a primeira versão para o corpo principal da história e a segunda em uma sequência do mesmo. A história com o título de Rotkäppchen foi incluído na primeira edição de sua coleção Kinder und Hausmärchen (contos infantis domésticos) (1812). Perrault é quase certamente a fonte do primeiro conto. No entanto, eles modificaram o final, introduzindo o caçador que abre a barriga do lobo e tira a menina e sua avó, colocando pedras no lugar; este final é idêntico ao que há no conto O lobo e os sete cabritinhos, que parece ter influenciado tal mudança. A segunda parte conta como a menina e sua avó prendem e matam um outro lobo, desta vez antecipando seus movimentos baseados em sua experiência anterior. A menina não deixou o caminho quando o lobo falou com ela, sua avó trancou a porta para mantê-lo fora, e quando o lobo se escondia, a avó manda Chapeuzinho colocar no fogo da lareira uma panela com água fervente. O cheiro que sai da chaminé atrai o lobo para baixo, e ele se afoga; O desfecho desta segunda parte também possui semelhança com o de outro conto, o dos Três Porquinhos. Os irmãos revisaram novamente a história em edições posteriores até alcançar a versão final, acima mencionada, e publicá-la na edição de 1857 de seu trabalho.

Outros autores e variantes

As versões contadas da história da Chapeuzinho Vermelho variam muito, com a adição ou a diminuição de elementos de acordo com cada autor. Em algumas versões, é acrescido o aviso da mãe de que Chapeuzinho pegue o caminho da vila para chegar à casa da avó e de não falar com estranhos, retratando a desobediência da garota em ir pelo bosque, que seria o caminho mais curto, e em falar com o Lobo-Mau na primeira oportunidade. Este fato atribui mais uma moral ao conto, que é o de dar atenção aos conselhos dos pais. Também em releituras mais leves e adaptadas à reação sensível de uma criança, a avó e a Chapeuzinho não chegam a serem devoradas pelo lobo, já que a avó é apenas escondida no armário pelo vilão, enquanto Chapeuzinho consegue fugir antes que ele a alcance. Com a chegada do politicamente correto, algumas versões nem mesmo incluem uma punição para o lobo, deixando no lugar a redenção do antagonista ou mesmo uma fuga sem volta.

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Interpretações

Além da advertência ostensiva sobre falar com estranhos, há muitas interpretações do conto de fadas clássicos, muitos deles de cunho sexual. Lana Del Rey em uma de suas músicas faz alusão ao conto. A música chama-se "Big Bad Wolf", em português: "Grande Lobo Mau".

Influência cultural e advertências sociais

O conto de Chapeuzinho Vermelho estabeleceu-se como um dos arquétipos culturais mais duradouros sobre perigo e predação na tradição oral europeia. Por séculos, a narrativa serviu como ferramenta pedagógica para advertir crianças, especialmente meninas, sobre os riscos de confiar em estranhos que aparentam ser inofensivos. A metáfora do "lobo em pele de cordeiro" ou do "lobo disfarçado" tornou-se expressão comum em múltiplas culturas para descrever indivíduos que mascaram suas verdadeiras intenções maliciosas por trás de uma fachada amigável e confiável. Esta construção simbólica influenciou profundamente a percepção social sobre predadores sexuais e outros tipos de agressores que utilizam táticas de sedução e manipulação.

Despertar sexual

Chapeuzinho Vermelho tem sido amplamente analisado pela crítica literária e psicanálise como uma parábola sobre maturidade sexual e os perigos da sexualidade feminina emergente. Esta interpretação, consolidada no século XX através de análises freudianas e estudos feministas, reconhece nas camadas simbólicas do conto uma narrativa sobre transição sexual, predação e perda da inocência. Jack Zipes, professor emérito da Universidade de Minnesota e um dos mais importantes estudiosos de contos de fadas, analisou mais de 500 versões de Chapeuzinho Vermelho em seu estudo seminal The Trials and Tribulations of Little Red Riding Hood (1983). Zipes argumenta que as versões orais anteriores a Perrault continham conteúdo sexual explícito que foi gradualmente suavizado nas versões literárias posteriores. Nas narrativas camponesas medievais francesas, o encontro entre a menina e o lobo frequentemente incluía elementos de canibalismo involuntário (a menina comendo a carne da avó sem saber) e striptease (o lobo pedindo que ela tire cada peça de roupa antes de entrar na cama).

Ataques de lobos

O Etólogo Geist Valerius da Universidade de Calgary, Alberta, Canadá escreveu que a fábula foi baseada em risco real de ataques de lobo na época. Ele argumenta que os lobos eram de fato perigosos predadores, e fábulas serviam como uma advertência válida para não entrar em florestas onde era conhecido para que os lobos vivessem, e estar a olhar para tal. Essa interpretação tem o respaldo dos muitos ataques de lobos frequentes em regiões campestres da França, onde a história era frequentemente contada. A figura do lobo como antagonista também é muito comum nas fábulas de Esopo.

Os ciclos naturais

Em termos de mitos solares e outros ciclos de ocorrência natural, o capuz vermelho pode representar o sol brilhante que é, em última análise, engolido pela noite terrível, simbolizada pelo lobo. As variações em que ela é retirada da barriga do animal representam o amanhecer. Nesta interpretação, há uma conexão entre o personagem Lobo Mau e Skoll, lobo do mito nórdico que vai engolir a deusa Sól, personificação do astro solar, no Ragnarök, o fim dos mundos dentro da cosmologia Nórdica.

Ritual

O conto tem sido interpretado como um ritual de puberdade, decorrentes de uma origem pré-histórica (às vezes uma origem decorrente de uma era matriarcal anterior). A menina, sai de casa, entra em uma liminar e passando pelo atos do conto, é transformada em uma mulher adulta ao sair da barriga do lobo. Ou ainda como um renascimento, mas assim adquirindo uma visão mais cristã. A menina que insensatamente ouviu o lobo renasceu como uma nova pessoa ao ser salva da barriga dele. Havendo aí um paralelo com a narrativa biblíca em que Jonas consegue ressurgir com vida de dentro da barriga de um Grande Peixe.

Os dois caminhos

No começo da história a protagonista pode escolher entre um caminho longo e seguro e um caminho rápido e perigoso. Fica então evidente um arquétipo cristão de moralidade, aonde a menina escolhe um caminho que vai lhe levar de encontro a fera do lobo, ao invés de perseverar na segurança do caminho longo. Essa seria uma moral essencial das fábulas em geral, aonde o protagonista é levado a fazer uma escolha entre a virtude e desafio, ou o vício e o aparente atalho que este parece oferecer.

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