Chagas Freitas
Antônio de Pádua Chagas Freitas foi um jornalista e político brasileiro; governador da Guanabara e do Rio de Janeiro.
Diplomado em direito em 1935 pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Chagas Freitas começou atuando no jornalismo e ingressou na política em 1945, com o fim do Estado Novo. Nesse ano ingressou na UDN, seguindo o exemplo de Ademar de Barros, de quem era amigo e aliado político. Quando Ademar de Barros rompeu com a UDN, Chagas Freitas acompanhou-o na fundação do efêmero Partido Republicano Progressista, que em 1946 deu origem ao Partido Social Progressista (PSP). Juntos, procuraram consolidar o domínio do PSP fora de São Paulo, base política do ademarismo, e assim, em 1950, Chagas Freitas tornou-se diretor do vespertino A Notícia, criado por Ademar no Rio de Janeiro para expandir o partido no Distrito Federal. Em seguida, criaram também o matutino O Dia (1951), que se tornaria um dos principais jornais da capital. Nessa época, Chagas Freitas também começou a se projetar individualmente. Após uma tentativa frustrada de eleger-se para a Câmara dos Deputados em 1950, conseguiu ser eleito em 1954. O trabalho de Chagas no Rio de Janeiro permitiu a Ademar de Barros ser o candidato mais votado no Distrito Federal nas eleições de 1955, à frente de Juscelino Kubitschek.
Em 1964, Chagas Freitas apoiou ativamente o movimento militar que deu o golpe de estado que depôs o presidente eleito João Goulart. No entanto, vendo que a ARENA, partido criado para apoiar e dar ilusão de legalidade para os militares, estava sob controle dos lacerdistas, preferiu filiar-se ao MDB, aproveitando a forte inclinação oposicionista do eleitorado da Guanabara. Como antiga capital federal, o Rio de Janeiro ainda sediava diversos órgãos e autarquias e Chagas Freitas, vislumbrando esse fato, aproximou-se dos interesses do funcionalismo público e foi o mentor de uma política clientelista que buscava não hostilizar o governo da ditadura militar. A tranquila eleição de 1966 representou não só a conquista do quarto mandato de Chagas, mas a consolidação do seu domínio dentro do MDB guanabarino (com o predomínio de seus aliados políticos no partido). Em 1970, com apoio da maioria na Assembleia Legislativa, foi eleito governador da Guanabara por via indireta (o único eleito pela oposição durante todo o regime militar). No entanto, a cúpula nacional do MDB criticou a sua posição dúbia em relação ao governo militar do qual era, na prática, aliado regional.
No pleito indireto de 1978, foi escolhido governador pelo MDB como candidato único ao cargo, devido à renúncia do general Syzeno Sarmento às vésperas da formação do colégio eleitoral. Considerando a abrangência do bipartidarismo, foi o único político eleito para tal cargo pela oposição, em duas oportunidades como governador da Guanabara e do Rio de Janeiro. Em 1979, Chagas Freitas tomou posse como governador do Rio de Janeiro, após ser novamente eleito pela maioria do MDB na Assembleia Legislativa. O diretório nacional do MDB, porém, liderado por Ulysses Guimarães, não tolerava as suas boas relações com os militares e no mesmo ano, com o fim do bipartidarismo, vetou seu ingresso no PMDB. A Chagas Freitas e seus aliados restou a alternativa de juntar-se ao Partido Popular (PP), criado por Tancredo Neves, que representava uma oposição moderada ao regime militar. O PP não conseguiu se firmar nacionalmente e acabou sendo incorporado ao PMDB no final de 1981. O retorno de Chagas Freitas acabou dividindo o partido e provocando a saída de lideranças como o senador Saturnino Braga (para o PDT) e o prefeito de Niterói Wellington Moreira Franco, que foi para o PDS seguindo seu sogro, Amaral Peixoto.


