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Pandemia de COVID-19

Pandemia de COVID-19, também conhecida como pandemia de coronavírus, é uma pandemia da doença por coronavírus 2019 (COVID-19), causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2). O vírus foi identificado pela primeira vez a partir de um surto em Wuhan, China, em dezembro de 2019. As tentativas de contê-lo falharam, permitindo que o vírus se espalhasse para outras áreas da China e, posteriormente, para todo o mundo. Em 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto como Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (PHEIC) e, em 11 de março de 2020, como pandemia. A OMS declarou o fim da PHEIC no dia 5 de maio de 2023, apesar de ainda continuar a se referir a ela como uma pandemia. Até 22 de fevereiro de 2026, conforme a OMS, 779 056 637 casos foram confirmados em 233 países e territórios, com 7 111 504 mortes atribuídas à doença, tornando-se a quinta mais mortal da história.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/07/2026
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Etimologia

Em epidemiologia, uma pandemia é definida como "uma epidemia que ocorre em uma área muito ampla, cruzando fronteiras internacionais e geralmente afetando um grande número de pessoas". Durante a pandemia de COVID-19, assim como em outras pandemias, o significado deste termo foi desafiado. A pandemia de COVID-19 é conhecida por vários nomes. Às vezes, é referida na mídia como a "pandemia de coronavírus" apesar da existência de outros coronavírus humanos que causaram epidemias e surtos (por exemplo, SARS). Durante o surto inicial em Wuhan, o vírus e a doença eram comumente chamados de "coronavírus", "coronavírus de Wuhan", "surto de coronavírus" e "surto de coronavírus de Wuhan", com a doença sendo às vezes chamada de "pneumonia de Wuhan". Em janeiro de 2020, a OMS recomendou "2019-nCoV" e "doença respiratória aguda 2019-nCoV" como nomes provisórios para o vírus e a doença, respectivamente, de acordo com as diretrizes internacionais de 2015 contra o uso de localizações geográficas (por exemplo, Wuhan, China), espécies de animais ou grupos de pessoas com nomes de doenças e vírus, em parte para evitar o estigma social. A OMS oficializou os nomes "SARS-CoV-2" (vírus) e "COVID-19" (doença) em 11 de fevereiro de 2020. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, explicou: CO para corona, VI para vírus, D para doença e 19 para quando o surto foi identificado pela primeira vez (31 de dezembro de 2019). A OMS também usa "o vírus da COVID-19" e "o vírus responsável pela COVID-19" em comunicações públicas.

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Epidemiologia

Antecedentes

O SARS-CoV-2 é um vírus recentemente descoberto que está intimamente relacionado aos vírus transmitidos por morcegos, pangolins, e pelo SARS-CoV. O primeiro surto conhecido começou em Wuhan, Hubei, China, em novembro de 2019. Muitos dos primeiros casos estavam ligados a pessoas que haviam visitado o Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan, mas é possível que a transmissão entre humanos tenha começado mais cedo. O consenso científico é que o vírus é muito provavelmente de origem zoonótica, de morcegos ou de outro mamífero intimamente relacionado. Apesar disso, o assunto gerou extensa especulação sobre origens alternativas. A controvérsia da origem aumentou as divisões geopolíticas, notadamente entre os Estados Unidos e a China.

Surto inicial

Os primeiros casos suspeitos foram notificados em 31 de dezembro de 2019, com os primeiros sintomas aparecendo algumas semanas antes, em 17 de novembro e 1 de dezembro de 2019. O mercado foi fechado em 1 de janeiro de 2020 e as pessoas com os sintomas foram isoladas. Mais de 700 pessoas, incluindo mais de 400 profissionais de saúde, que entraram em contato próximo com casos suspeitos, foram posteriormente monitoradas. Com o desenvolvimento de um teste de PCR de diagnóstico específico para detectar a infecção, a presença de COVID-19 foi então confirmada em 41 pessoas em Wuhan, das quais duas foram posteriormente relatadas como sendo um casal, um dos quais não tinha estado no mercado e outros três membros da mesma família que trabalhavam nas bancas de produtos do mar do mesmo mercado.

Expansão global

A partir de meados de janeiro de 2020, ocorreram os primeiros casos confirmados fora da China continental. O primeiro caso confirmado fora da China foi na Tailândia, em 13 de janeiro. Após isso, casos da doença foram confirmados no Japão (16 de janeiro); Coreia do Sul (20 de janeiro); Taiwan e Estados Unidos (21 de janeiro); Hong Kong e Macau (22 de janeiro); Singapura (23 de janeiro); França, Nepal e Vietnã (24 de janeiro); Malásia e Austrália (25 de janeiro); Canadá (26 de janeiro); Camboja (27 de janeiro); Alemanha (28 de janeiro); Finlândia, Emirados Árabes Unidos e Sri Lanka (29 de janeiro); Itália, Índia e Filipinas (30 de janeiro); Reino Unido (31 de janeiro).

Casos

As contagens oficiais de "casos" referem-se ao número de pessoas que foram testadas para a COVID-19 e cujo teste foi confirmado como positivo de acordo com protocolos oficiais, independentemente de terem ou não doença sintomática. Devido ao efeito do enviesamento da amostra, os estudos que obtêm um número mais preciso por extrapolação de uma amostra aleatória constataram consistentemente que o total de infecções excede consideravelmente a contagem de casos relatados. Muitos países, desde o início, tinham políticas oficiais para não testar aqueles com apenas sintomas leves. Os fatores de risco mais fortes para doenças graves são obesidade, complicações de diabetes, transtornos de ansiedade e o número total de condições.

Mortes

Até 22 de fevereiro de 2026, 7 111 504 mortes foram atribuídas à COVID-19. A primeira morte confirmada foi em Wuhan em 9 de janeiro de 2020. Esses números variam por região e ao longo do tempo, influenciados pelo volume de testes, qualidade do sistema de saúde, opções de tratamento, resposta do governo, tempo desde o surto inicial e características da população, como idade, sexo e saúde geral. Várias medidas são usadas para quantificar a mortalidade. As contagens oficiais de mortes geralmente incluem pessoas que morreram após o teste positivo. Essas contagens excluem mortes sem teste. Por outro lado, as mortes de pessoas que morreram de doenças subjacentes após um teste positivo podem ser incluídas. Países como a Bélgica incluem mortes por casos suspeitos, incluindo aqueles sem teste, aumentando assim as contagens.

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Doença

A causa da pandemia é uma doença respiratória denominada COVID-19 (do inglês Coronavirus Disease 2019). A doença é causada pela infeção com o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2). O SARS-CoV-2 é um vírus RNA de cadeia simples positiva e pertence a uma grande família de vírus denominada coronavírus. Os coronavírus causam várias infeções respiratórias em seres humanos, desde simples resfriados até doenças mais graves como a síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS) ou a síndrome respiratória aguda grave (SARS). O SARS-CoV-2 é o sétimo coronavírus conhecido a poder infetar seres humanos, sendo os restantes o 229E, NL63, OC43, HKU1, MERS-CoV e o SARS-CoV original. O SARS-CoV-2 foi identificado pela primeira vez em seres humanos em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, na China. É provável que o vírus tenha tido origem numa mutação dos coronavírus de morcegos. Pensa-se que antes de ser transmitido aos seres humanos tenha passado por um reservatório animal intermédio, como o pangolim. Estima-se que o número básico de reprodução do vírus seja de entre 1,4 e 3,9. Isto significa que é esperado que cada infeção pelo vírus resulte em 1,4 a 3,9 novas infeções quando nenhum membro da comunidade é imune e não é tomada nenhuma medida preventiva.

Variantes

Várias variantes foram nomeadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e rotuladas como uma variante de preocupação (VdP) ou uma variante de interesse (VdI). Eles compartilham a mutação D614G mais infecciosa: A variante Delta dominou e depois eliminou a VdP anterior da maioria das jurisdições. A capacidade de fuga imunológica da Ómicron pode permitir que ela se espalhe por meio de infecções pós-vacinação, o que, por sua vez, pode permitir que ela coexista com a Delta, que infecta com mais frequência os não vacinados.

Sinais e sintomas

A gravidade dos sintomas varia, desde sintomas ligeiros semelhantes ao resfriado até pneumonia viral grave com insuficiência respiratória potencialmente fatal. Em muitos casos de infeção não se manifestam sintomas. Nos casos sintomáticos, os sintomas mais comuns são febre, tosse e dificuldade em respirar. A perda de olfato e paladar são também sintomas comuns da COVID-19. Entre outros possíveis sintomas menos frequentes estão garganta inflamada, corrimento nasal, espirros ou diarreia. Entre as possíveis complicações estão pneumonia grave, falência de vários órgãos e morte. Entre os sinais de emergência que indicam a necessidade de procurar imediatamente cuidados médicos estão a dificuldade em respirar ou falta de ar, dor persistente ou pressão no peito, confusão, ou tom azul na pele dos lábios ou da cara.

Transmissão

A doença é transmitida principalmente por via respiratória quando as pessoas inalam gotículas e pequenas partículas transportadas pelo ar (que formam um aerossol) que as pessoas infectadas exalam ao respirar, falar, tossir, espirrar ou cantar. As pessoas infectadas são mais propensas a transmitir a COVID-19 quando estão fisicamente próximas. No entanto, a infecção pode ocorrer em distâncias maiores, principalmente em ambientes fechados.

Diagnóstico

Os métodos padrão de teste da presença de SARS-CoV-2 são testes de ácido nucleico, que detectam a presença de fragmentos de RNA viral. Como esses testes detectam RNA, mas não vírus infecciosos, sua "capacidade de determinar a duração da infectividade dos pacientes é limitada". O teste geralmente é feito em amostras respiratórias obtidas por uma zaragatoa nasofaríngea; no entanto, um swab nasal ou amostra de escarro também pode ser usado. A OMS publicou vários protocolos de teste para a doença.

Prevenção

As medidas preventivas para reduzir as chances de infecção incluem vacinar-se, ficar em casa, usar máscara em público, evitar locais lotados, manter distância de outras pessoas, ventilar espaços internos, gerenciar possíveis durações de exposição, lavar as mãos com sabão e água com frequência e por pelo menos vinte segundos, praticando boa higiene respiratória e evitando tocar nos olhos, nariz ou boca com as mãos não lavadas. Aqueles diagnosticados com COVID-19 ou que acreditam que podem estar infectados são aconselhados pelo CDC a ficar em casa, exceto para obter assistência médica, ligar antes de visitar um profissional de saúde, usar uma máscara facial antes de entrar no consultório do profissional de saúde e, quando estiver em qualquer sala ou veículo com outra pessoa, cobrir tosses e espirros com um lenço de papel, lavar regularmente as mãos com água e sabão e evitar compartilhar utensílios domésticos pessoais.

Vacinação

Uma vacina contra a COVID-19 destina-se a fornecer imunidade adquirida contra o SARS-CoV-2, o vírus que causa a COVID-19. Antes da pandemia de COVID-19, existia um corpo de conhecimento estabelecido sobre a estrutura e a função dos coronavírus que causavam SARS e MERS. Esse conhecimento acelerou o desenvolvimento de vários tipos de vacinas no início de 2020. O foco inicial das vacinas contra o SARS-CoV-2 estava na prevenção de doenças sintomáticas, muitas vezes graves. Em 10 de janeiro de 2020, os dados da sequência genética do SARS-CoV-2 foram compartilhados por meio do GISAID e, em 19 de março, a indústria farmacêutica global anunciou um grande compromisso para enfrentar a COVID-19. As vacinas contra a COVID-19 são amplamente creditadas por seu papel na redução da gravidade e morte causadas pela COVID-19.

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Estratégias

Muitos países tentaram retardar ou impedir a propagação da COVID-19 recomendando, ordenando ou proibindo mudanças de comportamento, enquanto outros contavam principalmente com o fornecimento de informações. As medidas variaram de alertas públicos a bloqueios rigorosos. As estratégias de controle de surtos são divididas em eliminação e mitigação. Especialistas diferenciam entre estratégias de eliminação (comumente conhecidas como zero-COVID) que visam impedir completamente a propagação do vírus na comunidade e estratégias de mitigação (comumente conhecidas como "achatar a curva") que tentam diminuir os efeitos do vírus na sociedade, mas que ainda toleram algum nível de transmissão dentro da comunidade. Essas estratégias iniciais podem ser seguidas sequencialmente ou simultaneamente durante a fase de imunidade adquirida por meio de imunidade natural e induzida por vacina. A Nature informou em 2021 que 90% dos imunologistas que responderam a uma pesquisa "pensam que o coronavírus se tornará endêmico".

Contenção

A contenção é realizada para impedir que um surto se espalhe para a população em geral. Indivíduos infectados são isolados enquanto são infecciosos. As pessoas com quem interagiram são contatadas e isoladas por tempo suficiente para garantir que não sejam infectadas ou não sejam mais contagiosas. A triagem é o ponto de partida para a contenção. A triagem é feita verificando os sintomas para identificar os indivíduos infectados, que podem ser isolados ou receber tratamento. A estratégia zero-COVID envolve o uso de medidas de saúde pública, como rastreamento de contatos, testes em massa, quarentena de fronteira, lockdowns e software de mitigação para interromper a transmissão comunitária da COVID-19 assim que for detectada, com o objetivo de recuperar a área a zero de infecções e retomar as atividades econômicas e sociais normais. A contenção ou supressão bem-sucedida reduz o número de contágio e infecção.

Mitigação

Caso a contenção falhe, os esforços se concentram na mitigação: medidas tomadas para retardar a propagação e limitar seus efeitos no sistema de saúde e na sociedade. A mitigação bem-sucedida atrasa e diminui o pico epidêmico, conhecido como "achatamento da curva epidemiológica". Isso diminui o risco de sobrecarregar os serviços de saúde e oferece mais tempo para desenvolver vacinas e tratamentos. O comportamento individual mudou em muitas jurisdições. Muitas pessoas trabalhavam em casa em vez de em seus locais de trabalho tradicionais. As intervenções não farmacêuticas que podem reduzir a propagação incluem ações pessoais, como uso de máscaras faciais, auto-quarentena e higiene das mãos; medidas comunitárias destinadas a reduzir os contatos interpessoais, como fechar locais de trabalho e escolas e cancelar grandes reuniões; envolvimento da comunidade para encorajar a aceitação e participação em tais intervenções; bem como medidas ambientais, como limpeza de superfícies. Muitas dessas medidas foram criticadas como "teatro de higiene".

Assistência médica

A OMS descreveu o aumento da capacidade e a adaptação dos cuidados de saúde como uma mitigação fundamental. O ECDC e o escritório regional europeu da OMS emitiram diretrizes para hospitais e serviços de saúde primários para transferir recursos em vários níveis, incluindo concentrar os serviços laboratoriais em testes, cancelar procedimentos eletivos, separar e isolar pacientes e aumentar as capacidades de terapia intensiva treinando pessoal e aumentando ventiladores e camas. A pandemia levou à adoção generalizada da telemedicina. Devido às limitações de capacidade das cadeias de suprimentos, alguns fabricantes começaram a imprimir materiais em 3D, como cotonetes nasais e peças de ventiladores. Em um exemplo, uma startup italiana recebeu ameaças legais devido a suposta violação de patente após engenharia reversa e impressão de cem válvulas de ventilador solicitadas durante a noite. Em 23 de abril de 2020, a NASA informou a construção, em 37 dias, de um ventilador que estava passando por mais testes. Indivíduos e grupos de makers criaram e compartilharam projetos de código aberto e dispositivos de fabricação usando materiais de origem local, costura e impressão 3D. Milhões de protetores faciais, aventais de proteção e máscaras foram feitos. Outros suprimentos médicos ad hoc incluíam capas para sapatos, toucas cirúrgicas, respiradores purificadores de ar elétricos e desinfetante para as mãos. Novos dispositivos foram criados, como protetores de ouvido, capacetes de ventilação não invasiva e divisores de ventiladores.

Imunidade de grupo

Em julho de 2021, vários especialistas expressaram preocupação de que alcançar a imunidade de grupo pode não ser possível porque a variante Delta pode transmitir entre indivíduos vacinados. O CDC publicou dados mostrando que pessoas vacinadas podem transmitir a variante Delta, algo que as autoridades acreditavam ser menos provável com outras variantes. Consequentemente, a OMS e o CDC incentivaram as pessoas vacinadas a continuar com intervenções não farmacêuticas, como mascaramento, distanciamento social e quarentena, se expostas. Em fevereiro de 2022, o Ministério da Saúde da Islândia suspendeu todas as restrições e adotou uma abordagem de imunidade de grupo, e em junho de 2022, o epidemiologista-chefe do Ministério da Saúde da Islândia, Þórólfur Guðnason, disse que "adquirimos uma boa imunidade de grupo, porque senão a situação seria muito pior".

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História

2019

Existem várias teorias sobre quando e onde o primeiro caso (o chamado paciente zero) se originou. De acordo com um relatório não divulgado do governo chinês, o surto começou com um primeiro caso que pode ser rastreado até 17 de novembro; a pessoa era um cidadão de 55 anos da província de Hubei. Quatro homens e cinco mulheres foram infectados em novembro, mas nenhum deles era o "paciente zero". A partir de dezembro, o número de casos de coronavírus em Hubei aumentou gradualmente, atingindo 60 em 20 de dezembro e pelo menos 266 em 31 de dezembro. Em 24 de dezembro, o Hospital Central de Wuhan enviou uma amostra de fluido de lavagem broncoalveolar (BAL) de um caso clínico não resolvido para a empresa de sequenciamento Vision Medicals. Um aglomerado de pneumonia de causa desconhecida foi observado em 26 de dezembro e tratado pelo médico Zhang Jixian no Hospital Provincial de Hubei, que informou ao Wuhan Jianghan CDC em 27 de dezembro. Em 27 e 28 de dezembro, a Vision Medicals informou ao Hospital Central de Wuhan e ao CDC chinês sobre os resultados do teste, mostrando um novo coronavírus.

2020

Durante os primeiros estágios do surto, o número de casos dobrou aproximadamente a cada sete dias e meio. No início e em meados de janeiro de 2020, o vírus se espalhou para outras províncias chinesas, devido à migração do Ano Novo Chinês e por Wuhan ser um centro de transporte e um importante intercâmbio ferroviário. Em 20 de janeiro, a China relatou quase 140 novos casos em um dia, incluindo duas pessoas em Pequim e uma em Shenzhen. Um estudo oficial retrospectivo publicado em março descobriu que 6 174 pessoas já haviam desenvolvido sintomas até 20 de janeiro (a maioria delas seria diagnosticada mais tarde) e mais podem ter sido infectadas. Um relatório publicado no The Lancet em 24 de janeiro indicou a transmissão humana, recomendou fortemente equipamentos de proteção individual para profissionais de saúde e disse que o teste do vírus era essencial devido ao seu "potencial pandêmico". Em 30 de janeiro, a OMS declarou o coronavírus uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional.

2021

Em 2 de janeiro, a variante Alfa, descoberta pela primeira vez no Reino Unido, foi identificada em 33 países. Em 6 de janeiro, a variante Gama foi identificada pela primeira vez em viajantes japoneses retornando do Brasil. Em 29 de janeiro, foi relatado que a vacina Novavax era 49% eficaz contra a variante Beta em um ensaio clínico na África do Sul. A vacina CoronaVac foi relatada como sendo 50,4% eficaz em um ensaio clínico no Brasil. Em 12 de março, vários países pararam de usar a vacina Oxford-AstraZeneca devido a problemas de coagulação do sangue, especificamente trombose venosa cerebral (TVC). Em 20 de março, a OMS e a Agência Europeia de Medicamentos não encontraram nenhuma ligação com a TVC, levando vários países a retomar a utilização da vacina. Em março, a OMS informou que um hospedeiro animal era a origem mais provável, sem descartar outras possibilidades. A variante Delta foi identificada pela primeira vez na Índia. Em meados de abril, a variante foi detectada pela primeira vez no Reino Unido e dois meses depois havia metástase em uma terceira onda, forçando o governo a adiar a reabertura originalmente programada para junho.

2022

Em 1 de janeiro, a Europa ultrapassou os 100 milhões de casos em meio a um aumento na variante Ómicron. Mais tarde naquele mês, em 14 de janeiro, a Organização Mundial da Saúde recomendou dois novos tratamentos, Baricitinibe e Sotrovimabe (embora condicionalmente). Mais tarde, em 24 de janeiro, foi relatado que cerca de 57% do mundo havia sido infectado pela COVID-19, de acordo com o Institute for Health Metrics and Evaluation Model. Em 6 de março, foi relatado que a contagem total de mortes em todo o mundo ultrapassou 6 milhões de pessoas desde o início da pandemia. Algum tempo depois, em 6 de julho, foi relatado que as subvariantes Ómicron B.4 e B.5 se espalharam pelo mundo.

2023

Em 4 de janeiro de 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que as informações compartilhadas pela China sobre as 248 milhões de pessoas infectadas durante seu último surto do vírus carecem de dados, como taxas de hospitalização. Em 10 de janeiro, o escritório da Organização Mundial da Saúde na Europa indicou que não havia ameaça atual do recente surto viral da China para a região mencionada. Em 16 de janeiro, a OMS recomendou "o monitoramento do excesso de mortalidade, o que nos fornece uma compreensão mais abrangente do impacto da COVID-19", em relação ao considerável aumento na China. Em 27 de janeiro, a Organização Mundial da Saúde se reuniu para decidir se a atual pandemia ainda atende aos critérios de Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (PHEIC); sua decisão foi anunciada em 30 de janeiro, exatamente 3 anos após o dia em que foi declarada como epidemia (como uma PHEIC) pela primeira vez, no entanto, a OMS decidiu que a pandemia ainda era um PHEIC. Em 8 de fevereiro, foi relatado que um estudo recente voltado para o aumento de casos na China indicou que nenhuma nova variante da COVID-19 surgiu como resultado. Em 5 de maio de 2023, a Organização Mundial de Saúde declarou que a pandemia da COVID-19 deixou de ser uma PHEIC.

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Reações domésticas

As reações nacionais variaram de confinamentos estritos a campanhas de educação pública. A OMS recomendou que toques de recolher e confinamentos deveriam ser medidas de curto prazo para reorganizar, reagrupar, reequilibrar recursos e proteger o sistema de saúde. Em 26 de março de 2020, 1,7 bilhão de pessoas em todo o mundo estavam sob alguma forma de confinamento. Isso aumentou para 3,9 bilhões de pessoas na primeira semana de abril — mais da metade da população mundial.

África

A pandemia de COVID-19 foi confirmada como tendo chegado à África em 14 de fevereiro de 2020, com o primeiro caso confirmado anunciado no Egito. O primeiro caso confirmado na África subsaariana foi anunciado na Nigéria no final de fevereiro de 2020. Em três meses, o vírus havia se espalhado por todo o continente, pois o Lesoto, o último estado soberano africano a ter permanecido livre do vírus, relatou um caso em 13 de maio de 2020. Até 26 de maio, parecia que a maioria dos países africanos estava experimentando transmissão comunitária, embora a capacidade de testes fosse limitada. A maioria dos casos importados identificados chegou da Europa e dos Estados Unidos, e não da China, onde o vírus teve origem. Muitas medidas preventivas foram implementadas por diferentes países na África, incluindo restrições de viagem, cancelamento de voos e de eventos.

América

O vírus chegou aos Estados Unidos em 13 de janeiro de 2020. Foram relatados casos em todos os países norte-americanos depois que São Cristóvão e Nevis confirmou um caso em 25 de março, e em todos os territórios norte-americanos depois que Bonaire confirmou um caso em 16 de abril. Até 22 de fevereiro de 2026, mais de 103 milhões de casos confirmados foram relatados nos Estados Unidos com mais de 1,1 milhão de mortes, o maior de todos os países em quantidade de casos e mortes, e a vigésima maior per capita do mundo. A COVID-19 é a pandemia mais mortal na história dos Estados Unidos; foi a terceira principal causa de morte nos país em 2020, atrás apenas das doenças cardíacas e do câncer. De 2019 a 2020, a expectativa de vida nos Estados Unidos caiu 3 anos para os hispano-americanos, 2,9 anos para os afro-americanos, e 1,2 anos para os americanos brancos. Estes efeitos persistiram, pois as mortes no país devido à COVID-19 em 2021 excederam as de 2020. Nos Estados Unidos, as vacinas contra a COVID-19 tornaram-se disponíveis em dezembro de 2020, sob uso emergencial, iniciando o programa nacional de vacinação, com a primeira vacina oficialmente aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) em 23 de agosto de 2021.

Ásia

Em maio de 2021, o pico de casos da Ásia havia chegado ao mesmo tempo e ao mesmo nível do mundo como um todo. Entretanto, cumulativamente, eles haviam experimentado apenas metade da média mundial. A China optou pela contenção, infligindo estritos confinamentos para eliminar a propagação. As vacinas distribuídas na China incluíam a BIBP, WIBP e CoronaVac. Foi relatado em 11 de dezembro de 2021 que a China havia vacinado 1,162 bilhões de seus cidadãos, ou 82,5% da população total do país contra a COVID-19. Durante o surto inicial, várias fontes lançaram dúvidas sobre a precisão dos números de mortes na China, com algumas sugerindo a supressão intencional de dados. A adoção em grande escala da zero-COVID pela China conteve em grande parte a primeira onda de infecções da doença, com especialistas estrangeiros concordando com a precisão dos números de infecções e mortes da China desde o surto inicial. A China está quase sozinha na busca de uma política da zero-COVID para combater a onda contínua de infecções devido à variante Ómicron em 2022.

Europa

A pandemia global da COVID-19 chegou à Europa com seu primeiro caso confirmado em Bordeaux, França, em 24 de janeiro de 2020, e posteriormente se espalhou amplamente pelo continente. Até 17 de março de 2020, todos os países da Europa haviam confirmado um caso, e todos relataram pelo menos uma morte, com exceção da Cidade do Vaticano. A Itália foi a primeira nação europeia a sofrer um grande surto no início de 2020, tornando-se o primeiro país do mundo a introduzir um confinamento nacional. Em 13 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a Europa o epicentro da pandemia e assim permaneceu até que a OMS anunciou que foi superada pela América do Sul em 22 de maio. Em 18 de março de 2020, mais de 250 milhões de pessoas estavam confinadas na Europa. Apesar da implantação das vacinas contra a COVID-19, a Europa tornou-se novamente o epicentro da pandemia no final de 2021.

Oceania

A pandemia de COVID-19 foi confirmada como tendo chegado à Oceania em 25 de janeiro de 2020, com o primeiro caso confirmado relatado em Melbourne, Austrália. Desde então, espalhou-se por outras partes da região. A Austrália e a Nova Zelândia foram elogiadas por seu tratamento da pandemia em comparação com outras nações ocidentais, com a Nova Zelândia e cada estado da Austrália eliminando toda a transmissão comunitária do vírus várias vezes, mesmo após a reintrodução deste na comunidade. No entanto, como resultado da alta transmissibilidade da variante Delta, em agosto de 2021, os estados australianos de Nova Gales do Sul e Victoria haviam concedido a derrota em seus esforços de erradicação. No início de outubro de 2021, a Nova Zelândia também abandonou sua estratégia de eliminação. Em novembro e dezembro, após os esforços de vacinação, os demais estados da Austrália, excluindo a Austrália Ocidental, desistiram voluntariamente da zero-COVID para abrir as fronteiras estaduais e internacionais. Em janeiro de 2022, as fronteiras abertas permitiram que a variante Ómicron da COVID-19 entrasse rapidamente e os casos posteriormente ultrapassassem os 120 000 por dia. No início de março, com casos que ultrapassavam 1 000 por dia, a Austrália Ocidental admitiu a derrota em sua estratégia de erradicação e abriu as fronteiras depois de anteriormente atrasar a reabertura devido à variante Ómicron. Apesar dos casos registrados, as jurisdições australianas removeram lentamente restrições como o isolamento de contato próximo, uso de máscara e limites de densidade até abril.

Antártida

Devido ao seu afastamento e população escassa, a Antártida foi o último continente a ter casos confirmados da COVID-19 e foi uma das últimas regiões do mundo afetadas diretamente pela pandemia. Os primeiros casos foram relatados em dezembro de 2020, quase um ano após a detecção dos primeiros casos de COVID-19 na China. Pelo menos 226 pessoas foram confirmadas como infectadas.

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Outras reações

A pandemia abalou a economia mundial, com danos econômicos especialmente graves nos Estados Unidos, Europa e América Latina. Um relatório de consenso das agências de inteligência estadunidenses em abril de 2021 concluiu: "Os esforços para conter e gerenciar o vírus reforçaram as tendências nacionalistas globalmente, pois alguns estados se voltaram para proteger seus cidadãos e às vezes culparam grupos marginalizados". A COVID-19 inflamou o partidarismo e a polarização em todo o mundo, à medida que diversos argumentos surgiram sobre como responder à doença. O comércio internacional foi interrompido em meio à formação de enclaves sem entrada.

Organizações internacionais: ONU e OMS

No dia 30 de março, em um relatório publicado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) para comércio e desenvolvimento, as Nações Unidas pediram um pacote de 2,5 trilhões de dólares para nações de países em desenvolvimento, de forma a transformar manifestações de solidariedade internacional em ação global efetiva. No dia primeiro de abril de 2020, o Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que a crise do novo coronavírus é o maior desafio da humanidade desde a Segunda Guerra Mundial, tanto pela ameaça às vidas quanto pelas consequências à economia mundial.

Restrições de viagem

A pandemia levou muitos países e regiões a impor quarentenas, proibições de entrada ou outras restrições, seja para cidadãos, viajantes recentes para áreas afetadas, ou para todos os viajantes. A União Europeia rejeitou a ideia de suspender a zona de livre circulação de Schengen. As viagens entraram em colapso em todo o mundo, prejudicando o setor de viagens. A eficácia das restrições de viagem foi questionada à medida que o vírus se espalhava pelo mundo. Um estudo descobriu que as restrições de viagem afetaram apenas modestamente a disseminação inicial, a menos que combinadas com outras medidas de prevenção e controle de infecções. Os pesquisadores concluíram que "as restrições de viagem são mais úteis na fase inicial e tardia de uma epidemia" e que "as restrições de viagem de Wuhan infelizmente chegaram tarde demais".

Repatriação de cidadãos estrangeiros

Vários países repatriaram seus cidadãos e funcionários diplomáticos de Wuhan e arredores, principalmente por meio de voos fretados. Canadá, Estados Unidos, Japão, Índia, Sri Lanka, Austrália, França, Argentina, Alemanha e Tailândia foram os primeiros a fazê-lo. Brasil e Nova Zelândia evacuaram seus próprios cidadãos e outros. Em 14 de março, a África do Sul repatriou 112 sul-africanos com resultados negativos, enquanto quatro que apresentaram sintomas foram deixados para trás. O Paquistão se recusou a evacuar seus cidadãos. Em 15 de fevereiro, os Estados Unidos anunciaram que evacuariam americanos a bordo do cruzeiro Diamond Princess, e em 21 de fevereiro, o Canadá evacuou 129 canadenses do cruzeiro. No início de março, o governo indiano começou a repatriar seus cidadãos do Irã. Em 20 de março, os Estados Unidos começaram a retirar algumas tropas do Iraque.

Protestos contra as medidas governamentais

Em vários países, os protestos aumentaram contra as restrições governamentais, como os confinamentos. Os protestos variaram em escala, motivação e tipo, com manifestantes provenientes de uma ampla gama de origens e inspirados por uma série de razões. Um dos principais fatores dos protestos foi a crise econômica provocada pelo fechamento de empresas por longos períodos, levando ao desemprego generalizado, especialmente de trabalhadores ocasionais no setor de hospitalidade. Um estudo de fevereiro de 2021 descobriu que os protestos contra as restrições provavelmente aumentariam diretamente a propagação.

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Impacto

O impacto cultural, político e socioeconômico da pandemia causou alterações profundas na sociedade humana. A pandemia interrompeu os sistemas alimentares em todo o mundo, atingindo em um momento em que a fome/desnutrição estava aumentando (estima-se que 690 milhões de pessoas não tinham segurança alimentar em 2019). O acesso a alimentos caiu – impulsionado pela queda da renda, remessas perdidas e interrupções na produção de alimentos. Em alguns casos, os preços dos alimentos subiram. A pandemia e seus confinamentos e restrições de viagem retardaram o movimento de ajuda alimentar. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 811 milhões de indivíduos estavam desnutridos em 2020, "provavelmente relacionados às consequências da COVID-19". Devido ao impacto da pandemia nas viagens e na indústria, muitas regiões registraram uma diminuição na poluição do ar. Entre 1 de janeiro de 11 de março de 2020, a Agência Espacial Europeia observou um declínio acentuado nas emissões automóveis de óxido nitroso, centrais elétricas e fábricas na região do vale do Pó no norte de Itália, coincidente com os encerramentos na região. Os métodos para conter o avanço do vírus, como as quarentenas e as restrições de viagens, resultaram numa diminuição de 25% nas emissões de gases de efeito de estufa na China. No primeiro mês de quarentena, a China emitiu menos cerca de 200 milhões de toneladas dióxido de carbono do que no período homólogo de 2019, devido à redução no tráfego aéreo, refinamento de petróleo e consumo de carvão. O cientista de sistemas terrestres Marshall Burke estimou que dois meses de redução da poluição provavelmente salvaram a vida de 53 000 a 77 000 residentes chineses.

Educação

A pandemia impactou os sistemas educacionais em muitos países. Muitos governos fecharam temporariamente as instituições de ensino, muitas vezes substituídas pelo ensino online. Por exemplo, na Itália, o governo decidiu fechar escolas e universidades para tentar conter o vírus, e determinou que todos os principais eventos esportivos do país fossem disputados sem a presença de público. Outros países, como a Suécia, mantiveram suas escolas abertas. Em abril de 2020, mais de 1,5 bilhão de estudantes foram afetados devido ao encerramento de escolas. Em setembro de 2020, aproximadamente 1,077 bilhão de alunos ainda estavam experienciando o encerramento das escolas e o ensino online. O encerramento de escolas afetou alunos, professores e famílias com consequências econômicas e sociais de longo alcance. Eles lançam luz sobre questões sociais e econômicas, incluindo dívida estudantil, aprendizagem digital, insegurança alimentar e falta de moradia, bem como acesso a serviços de creche, assistência médica, moradia, internet e deficiência. O impacto foi mais grave para crianças desfavorecidas. O Instituto de Políticas do Ensino Superior informou que cerca de 63% dos estudantes alegaram piora da saúde mental como resultado da pandemia.

Economia

A pandemia de coronavírus foi associada a vários casos de ruptura de estoques causados pelo aumento de procura de equipamento para combater o surto, corridas às compras e perturbações nas operações de produção e logística das empresas. As autoridades de saúde emitiram avisos de possíveis rupturas de stock de medicamentos e equipamento médico devido ao aumento exponencial de procura e perturbação dos canais de distribuição. Em vários países ocorreram corridas às compras que levaram a rupturas de estoque de produtos de mercearia essenciais como comida, papel higiénico e água engarrafada. De acordo com o diretor-geral da OMS, a procura por equipamento de proteção individual aumentou 100 vezes, o que levou a um aumento de preços, em alguns casos de vinte vezes o preço normal, e também induziu atrasos de quatro a seis meses no fornecimento de equipamento médico. A falta de equipamento de proteção individual em todo o mundo levou a OMS a alertar que a situação colocava em risco os profissionais de saúde.

Religião

No mundo todo, muitas igrejas, mesquitas e templos suspenderam a presença dos cristãos e fiéis em seus cultos e missas, e acabaram recorrendo a serviços virtuais de transmissão das celebrações, como via live streaming ou outros meios, como televisão e rádio. O Vaticano anunciou o cancelamento das cerimónias da Semana Santa em Roma. Muitas dioceses recomendaram aos fiéis que se mantivessem em casa em vez de assistir à missa, embora algumas disponibilizem a cerimónia em livestream ou na televisão. De acordo com o Pew Research Center, em meio à pandemia de COVID-19, alguns grupos religiosos desafiaram as medidas de saúde pública e declararam que "as regras [durante a COVID-19] eram uma violação da liberdade religiosa".

Cultura

Uma das consequências mais visíveis da pandemia foi o cancelamento de eventos desportivos, festivais de música, concertos, estreias de cinema, cerimônias religiosas, conferências tecnológicas e espetáculos de moda. A pandemia coincidiu com o Ano-Novo Chinês, uma época de grande temporada de festivais para a região e o período mais movimentado de viagens na China. Diversos eventos envolvendo grandes multidões foram cancelados pelos governos nacionais e regionais, incluindo o festival anual de Ano Novo em Hong Kong. A pandemia causou a mais significativa perturbação no calendário desportivo mundial desde a Segunda Guerra Mundial. A maior parte dos grandes eventos desportivos agendados foi cancelada ou adiada, incluindo a Liga dos Campeões da UEFA de 2019–20, a Premier League de 2019–20, o Campeonato Europeu de Futebol de 2020, a Temporada da NBA de 2019–20, e a temporada da NHL de 2019–20. A pandemia também incitava dissabor entre comitês olímpicos quanto aos Jogos de Verão de 2020, que estavam previstos a iniciar-se em 2020, até o COI declarar, oficialmente, o adiamento do evento para o ano seguinte.

Saúde global e mental

A pandemia impactou a saúde global por diversas condições. A nível mundial, o medo da pandemia resultou em pessoas optando por evitar atividades que poderiam expô-las ao risco de infecção. As idas ao hospital caíram. As idas devido a sintomas de ataque cardíaco diminuíram 38% nos Estados Unidos e 40% na Espanha. O chefe de cardiologia da Universidade do Arizona disse: "Minha preocupação é que algumas dessas pessoas estejam morrendo em casa porque estão com muito medo de ir ao hospital". A escassez de suprimentos médicos afetou muitas pessoas. A pandemia também afetou a saúde mental, aumentando a ansiedade e depressão, causando transtorno de estresse pós-traumático, e afetando profissionais de saúde, pacientes e indivíduos em quarentena. Também esteve associada com o aumento do estresse e do número de suicídios. O medo de contágio e o isolamento social foram alguns dos fatores estressantes resultantes da pandemia e das medidas de controle impostas por autoridades, como confinamentos e quarentenas, que contribuíram para uma piora no quadro de saúde mental da população. Profissionais da saúdes e estudantes foram alguns dos principais grupos afetados relativamente à sua saúde global e mental.

Política

A pandemia afetou os sistemas políticos, causando suspensões de atividades legislativas, isolamentos ou mortes de políticos, e eleições remarcadas. Embora tenham desenvolvido amplo apoio entre os epidemiologistas, as intervenções não farmacêuticas foram controversas em muitos países. A oposição intelectual veio principalmente de outros campos, juntamente com epidemiologistas heterodoxos. Em 23 de março de 2020, o secretário-geral das Nações Unidas, António Manuel de Oliveira Guterres, apelou a um cessar-fogo global; 172 Estados membros da ONU e observadores assinaram uma declaração de apoio não vinculativa em junho, e o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução apoiando-o em julho.

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Disseminação da informação

Algumas organizações de notícias removeram os seus acessos pagos online para alguns ou todos os seus artigos e publicações relacionados com a pandemia. Muitos editores científicos forneceram artigos de periódicos relacionados à pandemia ao público gratuitamente como parte da Iniciativa de Emergência de Saúde Pública da COVID-19 dos Institutos Nacionais da Saúde. De acordo com uma estimativa de investigadores da Universidade de Roma, 89,5% dos artigos relacionados com a COVID-19 eram de acesso aberto, em comparação com uma média de 48,8% para as dez doenças humanas mais mortais. A parcela de artigos publicados em servidores de pré-impressão antes da revisão por pares aumentou dramaticamente.

Desinformação

Após o surto inicial começaram a circular na internet diversas teorias da conspiração e desinformação sobre a origem e escala do coronavírus da COVID-19. Várias histórias nas redes sociais alegavam, entre outras coisas, que o vírus seria uma arma biológica, um esquema de controlo populacional ou o resultado de uma operação de espionagem. O Facebook, Google e Twitter anunciaram que tomariam medidas rigorosas contra possível desinformação. No seu blog, o Facebook afirmou que removeria qualquer conteúdo assinalado pelas principais organizações de saúde e autoridades locais que violasse a sua política de conteúdo sobre desinformação e que pudesse levar a potenciais prejuízos físicos.

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Cultura e sociedade

A pandemia de COVID-19 teve um grande impacto na cultura popular. Foi incluída nas narrativas de séries de televisão pré-pandemia que estavam em andamento e tornou-se uma narrativa central em novas séries, com resultados mistos. Escrevendo para o The New York Times sobre o então próximo seriado da BBC, Pandemonium, em 16 de dezembro de 2020, David Segal perguntou: "Estamos prontos para rir da Covid-19? Ou melhor, há algo divertido, ou reconhecível de forma humorística, sobre vida durante uma peste, com todas as suas indignidades e contratempos, para não mencionar os seus rituais e regras?" A pandemia levou algumas pessoas a procurarem um escapismo pacífico nos meios de comunicação social, enquanto outras foram atraídas para pandemias fictícias (por exemplo, apocalipses zumbis) como uma forma alternativa de escapismo. Temas comuns incluíam contágio, isolamento e perda de controle. Muitos fizeram comparações com o filme de ficção Contágio (2011), elogiando sua precisão enquanto notavam algumas diferenças, como a falta de uma distribuição ordenada da vacina.

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Fontes consultadas

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