Companhia Energética de São Paulo
A Companhia Energética de São Paulo (CESP) foi uma empresa estatal paulista de energia elétrica. Ela operava nos segmentos de geração, transmissão e distribuição, possuindo três usinas hidrelétricas integradas ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Pontos-chave
- A CESP foi uma empresa estatal de energia elétrica do estado de São Paulo.
- Atuou na geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, com três usinas hidrelétricas integradas ao SIN.
- Sua criação foi motivada pela incapacidade do setor privado de atender à crescente demanda energética de São Paulo nos anos 40.
- A empresa passou por um processo de privatização a partir de 1996, com a venda de subsidiárias e usinas.
- A Usina de Porto Primavera, construída pela CESP, foi um projeto controverso devido ao seu alto custo, baixa eficiência e grande impacto ambiental.
A trajetória da CESP, desde sua formação para suprir a demanda energética de São Paulo até sua reestruturação e privatização.
Formação e Necessidade
Na década de 1940, o setor elétrico paulista era dominado por empresas privadas como Light e Companhia Paulista de Força e Luz. Contudo, o rápido desenvolvimento industrial gerou uma demanda por energia que o setor privado não conseguia atender, resultando em dificuldades de abastecimento e investimento. Para garantir a continuidade de um serviço vital ao desenvolvimento econômico, o Estado interveio, criando o Conselho Estadual de Energia Elétrica em 1948 e, posteriormente, o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) em 1951, por meio da Lei nº 1.350.
Ampliação e Reconhecimento
Em 27 de outubro de 1977, a razão social da empresa foi alterada para Companhia Energética de São Paulo, visando expandir sua atuação para além da energia hidrelétrica. Isso impulsionou o estudo de fontes alternativas como hidrogênio e metanol. A CESP tornou-se mundialmente reconhecida por sua tecnologia em geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, além de ser pioneira no setor elétrico brasileiro em trabalhos ambientais e de hidrovias, servindo de referência.
O Desastre de Porto Primavera
Em 1980, durante o governo de Paulo Maluf, iniciou-se a construção da Usina Hidrelétrica Porto Primavera, nos municípios de Rosana (SP) e Bataiporã (MS). Prevista para 1988, a obra sofreu atrasos até o final dos anos 1990 devido a desvios de verbas. Dada a pouca declividade do local, a barragem exigiu a inundação de uma área gigantesca – 2.250 km², ou 225 mil hectares, tornando-se o maior lago artificial do Brasil e um dos maiores do mundo, nove vezes maior que o leito do Rio Paraná. Apesar disso, sua capacidade de geração era de apenas 1.800 megawatts, classificando-a como a terceira usina mais ineficiente do mundo em termos de custo-benefício.
Processo de Privatização
A partir de 1996, o governo de São Paulo iniciou a privatização de seu setor energético, conforme a Lei Estadual nº 9.361/96 e sob coordenação do Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização (PED). Em 5 de novembro de 1997, 60,7% das ações ordinárias da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), controlada pela CESP desde 1975, foram vendidas. Em 1º de junho de 1998, foi criada a Elektro - Eletricidade e Serviços, subsidiária da CESP responsável pela distribuição de energia para um milhão de clientes em 228 municípios de São Paulo e Mato Grosso do Sul. A Elektro foi privatizada em 16 de julho de 1998, com a venda de 90% de suas ações ordinárias em leilão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
A CESP operava três usinas hidrelétricas que faziam parte do Sistema Interligado Nacional (SIN). Após o fim de suas concessões, algumas foram devolvidas ao governo federal ou leiloadas.
A CESP fornecia energia para as principais distribuidoras do estado de São Paulo, atendendo a uma vasta base de clientes.


