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Cerimônia de Abertura do Parlamento

A Cerimônia de Abertura do Parlamento marca formalmente o início de uma sessão parlamentar no Reino Unido. Este evento inclui o Discurso do Trono, proferido pelo monarca, e é uma cerimônia elaborada que exibe a rica história, cultura e política contemporânea britânicas para uma vasta audiência presencial e televisiva.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 04/07/2026

Pontos-chave

  • A Cerimônia de Abertura do Parlamento é um evento formal que inicia uma sessão parlamentar no Reino Unido.
  • Inclui o Discurso do Trono, proferido pelo monarca, detalhando as prioridades do governo.
  • A cerimônia é rica em rituais históricos e simbolismo, demonstrando a governança e a separação de poderes no Reino Unido.
  • Sua origem remonta ao século XIV, com elementos visuais que se mantêm notavelmente semelhantes ao longo dos séculos.
  • Existem versões 'simplificadas' da cerimônia e equivalentes em outros países da Commonwealth e repúblicas.
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Origens e Evolução Histórica

A abertura do Parlamento surgiu de uma necessidade prática no final do século XIV, quando um padrão estabelecido para a reunião do rei com seus nobres e representantes dos Comuns começou a se formar. Inicialmente, os nomes dos Pares e dos Comuns eram verificados, e um discurso explicava o propósito da convocação do Parlamento. O monarca frequentemente presidia não apenas a abertura, mas também as deliberações subsequentes.

Ilustração do Livro da Liga de Wriothesley (1523)

Uma ilustração de 1523, do Livro da Liga de Wriothesley, mostra o Rei Henrique VIII no Parlamento, revelando uma notável semelhança visual entre as aberturas estatais dos séculos XVI e XXI. O monarca, coroado e em vestes carmesim, senta-se em um trono, ladeado por figuras importantes como o Cardeal Thomas Wolsey e William Warham. A disposição dos Pares, Bispos, Abades Mitrados, Senhores Temporais, Juízes e membros da Câmara dos Comuns, com suas vestes e insígnias específicas, é detalhada, destacando a hierarquia e o simbolismo presentes na cerimônia desde então. O Presidente da Câmara dos Comuns, Sir Thomas More, é visível no centro da parte inferior da imagem.

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Significado e Simbolismo

A Abertura do Parlamento é uma cerimônia repleta de ritual histórico e significado simbólico para a governança do Reino Unido. Ela reúne os membros dos três ramos do governo, com o monarca como autoridade e chefe nominal de cada parte: a Coroa no Parlamento (legislativo), o Rei em Conselho (executivo) e o Rei no banco (judiciário). Assim, a cerimônia não apenas demonstra a governança do Reino Unido, mas também a crucial separação de poderes. A presença do corpo diplomático na Câmara também ressalta a importância das relações internacionais.

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Sequência Detalhada dos Eventos

O cerimonial da abertura do Parlamento é dividido em várias partes, começando com a convocação dos membros da Câmara dos Comuns para a Câmara dos Lordes. Liderados pelo Presidente da Câmara e pelo Black Rod, os membros caminham em pares, em um estilo menos formal do que se poderia esperar, até o Bar da Câmara dos Lordes, onde permanecem em pé durante o Discurso do Trono. Apenas o Presidente da Câmara dos Comuns, o Comissário dos Comuns, o Black Rod e o Sargento de Armas são obrigados a fazer reverência.

Busca nas Adegas do Palácio

Primeiramente, as adegas do Palácio de Westminster são revistadas pelos Yeomen Warders para prevenir uma conspiração moderna da pólvora, em referência à tentativa de 1605 de Guy Fawkes e seus cúmplices de explodir o Parlamento. Embora hoje seja em grande parte cerimonial, esta busca é supervisionada pelo Lord Great Chamberlain, e os Yeomen são recompensados com um pequeno copo de vinho do porto.

Reunião de Pares e Comuns

Os Pares se reúnem na Câmara dos Lordes, vestindo suas vestes, juntamente com representantes do judiciário e do corpo diplomático. Enquanto isso, os Comuns se reúnem em sua própria câmara, em trajes comuns, iniciando o dia com orações. O Presidente da Câmara dos Comuns faz sua procissão habitual, acompanhado por sua Casa, o Mace e um inspetor de polícia que tradicionalmente anuncia 'Tirem o chapéu, estranhos', ordenando que os presentes no Lobby Central removam seus chapéus em deferência ao plebeu de mais alta patente no reino.

Entrega de Refém Parlamentar

Antes da partida do monarca do Palácio de Buckingham, o Tesoureiro, o Controlador e o Vice-Camareiro da Casa da Rainha entregam bastões cerimoniais brancos. O Lord Chamberlain, em nome do monarca, mantém um membro do Parlamento (geralmente o Vice-Camareiro) como 'refém' durante a abertura do estado. Esta tradição, puramente cerimonial hoje, serve como garantia do retorno seguro do monarca. O refém é bem entretido e libertado após a conclusão bem-sucedida da cerimônia. A prática remonta à época de Carlos I, lembrando o que pode acontecer a um monarca que tenta interferir no Parlamento, com uma cópia da sentença de morte de Carlos I exibida na sala de roupas do monarca.

Chegada da Regalia Real

Antes da chegada do soberano, a Coroa Imperial do Estado é transportada em sua própria Carruagem de Estado da Torre Victoria para o Palácio de Westminster. A Coroa é entregue ao Controlador do escritório do Lord Chamberlain e, juntamente com a Grande Espada do Estado e o Capuz da Manutenção, é exibida na Galeria Real. Duas maças adicionais, separadas das usadas pelo Parlamento, também são trazidas para serem exibidas pelos sargentos de armas na procissão real.

Chegada do Soberano e Assembleia do Parlamento

O monarca chega ao Palácio de Westminster do Palácio de Buckingham em uma Carruagem de Estado (desde 2014, a Carruagem do Estado do Jubileu de Diamante), entrando pela entrada do soberano sob a Torre Victoria. Membros das forças armadas alinham a rota da procissão. O Hino Nacional é tocado e o Estandarte Real é içado. Após vestir o manto de estado e a Coroa Imperial de Estado na Câmara de Robing, o monarca procede pela Galeria Real até a Câmara dos Lordes, acompanhado por seu consorte e precedido por oficiais que carregam as insígnias reais. Uma vez sentado no trono, o monarca, usando a Coroa do Estado Imperial, instrui a Casa a se sentar, enquanto seu consorte e outros membros da família real ocupam seus lugares.

Convocação Real dos Comuns à Câmara dos Lordes

A pedido do monarca, o Lord Great Chamberlain sinaliza ao Cavalheiro/Lady Usher da Haste Negra (Black Rod), que é encarregado de convocar a Câmara dos Comuns. Black Rod se dirige às portas dos Comuns. Desde 1642, quando o Rei Carlos I invadiu a Câmara dos Comuns em uma tentativa frustrada de prender cinco membros, nenhum monarca britânico entrou na Câmara dos Comuns enquanto ela está em sessão, tornando a convocação pelo Black Rod um ritual simbólico de respeito à independência da Câmara.

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Abertura de Estado 'Simplificada'

Em duas ocasiões, em março de 1974 e 2017, a Abertura do Estado foi realizada de maneira 'simplificada' devido a eleições gerais recentes. Esta versão da cerimônia apresenta várias mudanças notáveis: a Rainha comparece em trajes diurnos em vez das vestes cerimoniais tradicionais, a Coroa do Estado Imperial é carregada à frente da Rainha, e nenhuma carruagem é usada, com a Rainha chegando de carro. Além disso, não há escolta militar nas ruas, e alguns personagens cerimoniais, como Arautos e Oficiais de Armas, não participam. Apesar dessas alterações, a essência da cerimônia permanece a mesma.

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Aberturas Duplas e Canceladas

Ao longo do século XX, a Abertura do Estado ocorreu anualmente, inclusive em tempos de guerra, com exceções. Após 1925, o evento foi realizado anualmente (e duas vezes em 1974) até 2010, quando o governo cancelou a cerimônia em duas ocasiões.

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Equivalentes Internacionais da Cerimônia

Cerimônias semelhantes à Abertura do Parlamento Britânico são realizadas em outros reinos da Commonwealth, onde o governador-geral, ou o governador/tenente-governador relevante, geralmente profere o discurso do trono. O monarca pode ocasionalmente abrir esses parlamentos pessoalmente, como ocorreu na Austrália e no Canadá em 1977, e na Nova Zelândia em 1990. Em repúblicas da Commonwealth com presidência não executiva, como Índia, Malta, Maurício e Singapura, o Presidente abre o Parlamento com um discurso similar. Na Holanda, o Prinsjesdag, na terceira terça-feira de setembro, é uma cerimônia semelhante. Na Noruega, o artigo 74 da Constituição exige que o rei presida a abertura do Storting, proferindo o Discurso do Trono e um Relatório sobre o Estado do Reino.

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Fontes consultadas

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