Cerco de Klis
O cerco de Klis ou a batalha de Klis foi um cerco à fortaleza de Klis, no Reino da Croácia, território da monarquia de Habsburgo. O cerco, que durou mais de duas décadas, e a batalha final perto de Klis, em 1537, foram travados como parte das guerras habsburgo-otomanas entre os defensores croatas-Habsburgos, sob a liderança do senhor feudal croata Petar Kružić, e o exército otomano invasor sob o comando do general Murad Bey Tardiç [en].
Após a queda do Reino da Bósnia nas mãos otomanas em 1463, as partes sul e central do Reino da Croácia permaneceram desprotegidas, cuja defesa foi relegada para os nobres croatas que mantinham tropas menores nas áreas de fronteira fortificada às suas próprias custas. A vitória decisiva otomana no Campo de Krbava em 1493, abalou toda a Croácia. No entanto, isso não dissuadiu os croatas de efetuarem esforços mais decisivos e persistentes de se defender contra os ataques do inimigo muito maior. Uma nova onda de conquista otomana começou em 1521, após a qual uma boa parte da Croácia foi conquistada ou saqueada. Em 29 de agosto de 1526, na Batalha de Mohács, as forças cristãs lideradas pelo rei Luís II da Hungria foram derrotadas pelas forças otomanas lideradas pelo sultão Solimão, o Magnífico. Luís foi morto na batalha e não tinha herdeiros, o que resultou no fim da independência do Reino da Hungria. Os reinos da Hungria e da Croácia se tornaram territórios disputados entre os impérios Habsburgo e Otomano. Fernando I arquiduque da Áustria, membro da Casa de Habsburgo, irmão do Sacro Imperador Carlos V e ele próprio futuro futuro Sacro Imperador, casou-se com a irmã de Luís II e foi eleito rei pelos nobres da Hungria e da Croácia.
Tentativas falhas
Desde 1513, Petar Kružić foi um dos oficiais comandantes da fortaleza de Klis. Os otomanos tentaram conquistá-la em várias ocasiões. A primeira grande tentativa foi feita por Skender Bei Ornosović em 1515. Os otomanos capturaram Klis, uma vila logo abaixo do forte com o mesmo nome, mas a guarnição dela manteve-se firme. Kružić foi promovido a capitão da fortaleza de Klis pelo bano Petar Berislavić em 1520. O segundo grande ataque foi realizado nesse mesmo ano, e um ano depois, em 1521, outra empreitada foi empreendida por Macute Paxá com dois mil homens de infantaria, 50 cavaleiros e equipamentos de cerco. Outra investida frustrada foi conduzida em 1522 por Haçane Paxá, de Mostar, e Maomé Bei Mihalbegović. Mais tarde naquele ano, Mihalbegović organizou mais um cerco com três mil homens, mas falhou novamente. Durante 1523, ela estava novamente sob ataque do exército do sultão. Outras tentativas também foram levadas a cabo por Gazi Cosrove Bei em 1526 e 1528, e mais tarde em 1531 e 1532.
Batalha final
O papa Paulo III reivindicou alguns direitos em Klis e, em setembro de 1536, houve uma discussão na cúria sobre o fortalecimento das defesas da fortaleza. O papa notificou Fernando I de que estava disposto a compartilhar os custos de manutenção de uma guarnição adequada em Klis. Fernando enviou ajuda a Klis e aparentemente estava esperançoso de manter a fortificação quando os otomanos novamente a cercaram. Fernando recrutou homens de Trieste e de outras partes das terras dos Habsburgos, e o papa enviou soldados de Ancona. Havia cerca de três mil soldados de infantaria nos reforços, que formaram uma força de assistência considerável, comandada por Petar Kružić, Niccolò dalla Torre e o comissário papal Jacomo Dalmoro d'Arbe. Em 9 de março de 1537, eles desembarcaram perto de Klis, em um lugar chamado S. Girolamo, com quatorze peças de artilharia. Após a morte de Ibrahim, Solimão enviou oito mil homens sob o comando de Murad Bey Tardiç [en], um croata nascido em Šibenik, para sitiar a fortaleza de Klis e lutar contra Kružić. Um encontro inicial da força de socorro cristã com os otomanos foi indeciso, mas em 12 de março eles ficaram impressionados com a chegada de um grande número de otomanos.
Durante as guerras otomanas na Europa, a fortaleza de Klis tornou-se um centro administrativo (o sanjaco de Klis do eialete da Bósnia, e permaneceria assim por um século. O primeiro bei do sanjaco de Klis, Murad Bey Tardiç, construiu uma mesquita notável dentro da fortaleza. Naquele mesmo ano, as forças otomanas tomaram Vrana, enquanto Nadin e Perušić caíram em 1538. Meses após a queda de Klis, a Guerra Otomano-Veneziana de 1537-1540 começou e, bem como na Guerra Otomano-Veneziana de 1570-1573, os otomanos ocuparam grande parte do interior dálmata perto de Šibenik e de Zadar. Em 7 de abril de 1596, os nobres de Split, Ivan Alberti e Nikola Cindro, juntamente com soldados irregulares, organizaram a libertação de Klis. Assistidos por elementos dissidentes da guarnição otomana, eles conseguiram. Mustafá-bei respondeu levando mais de 10 mil soldados para a cidadela. General Ivan Lenković, líder de mil uscoques, veio em socorro para os 1 500 defensores de Klis. Durante a batalha, Ivan Lenković e seus homens recuaram depois que ele foi ferido em batalha, e o bastião foi perdido para os otomanos em 31 de maio. Apesar disso, tal refrega ressoou na Europa e entre a população local.


