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Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (português brasileiro) ou Comissão Económica para a América Latina e Caraíbas (português europeu) (CEPAL) foi criada em 1948 pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas com o objetivo de incentivar a cooperação econômica entre os seus membros. Ela é uma das cinco comissões econômicas da Organização das Nações Unidas (ONU) e possui 46 estados e oito territórios não independentes como membros, além dos países da América Latina e Caribe, fazem parte da CEPAL o Canadá, França, Japão, Noruega, Países Baixos, Portugal, Espanha, Reino Unido, Turquia, Itália e Estados Unidos da América.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Contexto Histórico

Com o término da Segunda Guerra Mundial e início da Guerra Fria, surge na agenda internacional o debate a respeito do subdesenvolvimento dos países periféricos. A alta política abre espaço a temas até então considerados de baixa política e temas como segurança nacional e armamento nuclear deixam de ser prioridade. Com o amplo financiamento estadunidense a reconstrução da Europa arrasada pela guerra foi possível a retomada do crescimento, países da África ganham independência e juntamente com a América Latina e o Caribe se tornam atores inseridos no sistema internacional. E para garantir a inserção desses novos membros é criada em 1948 pelo Conselho Econômico e Social das nações unidas (ECOSOC), uma comissão econômica regional para servir de observatório temporário de um ano para compreender a situação dessa região. CEPAL é pensada nesse contexto com o propósito de garantir a inserção dos países periféricos da América e Caribe por meio da cooperação e do desenvolvimento tecnológico e industrial, fazendo com que eles se tornem potências emergentes. Após o período de vigência a CEPAL ganha autonomia e passa a ser uma das cinco comissões regionais das nações unidas. A princípio, o modelo de desenvolvimento usado pela CEPAL segue o mesmo dos países já desenvolvidos da época, o que será considerado mais a frente como uma crítica a comissão, seguindo o modelo dos Estados Unidos e também já traçava um comparativo com o recente processo de integração regional que a Europa começa a fazer.

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Influência Teórica e Escola Cepalina

Imagem: Elza Fiuza/ABr · BY · Openverse

A CEPAL foi formada por um grupo seleto de economistas advindos da escola estruturalistas do pensamento econômico, sendo o intelectual mais destacado Raúl Prebisch como fundador e segundo a assumir a secretaria da CEPAL em 1950, contribuiu significativamente com a proposta de modelo de substituição de importações, descrito em seu livro “El desarrollo económico de la América Latina y algunos de sus principales problemas”(1949). Celso Furtado que fez significativas contribuições por meio da teoria estruturalista que visava uma reforma no modelo com o qual os países periféricos tentavam se industrializar. Desse modo o conceito de subdesenvolvimento vinha a tona ao explicar a industrialização tardia desses países. O pensamento Cepalino entendeu o mundo de acordo com a divisão Internacional do trabalho, dividido em dois pólos antagônicos, o centro desenvolvido e a periferia subdesenvolvida. A CEPAL buscou compreender os motivos que levava os países a terem um desenvolvimento lento, constatou-se por meio das teorias desenvolvidas na comissão que havia deterioração dos termos de troca como afirma (GUGGIANA, 1999).

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Contribuições

Imagem: Senado Federal · BY · Openverse

Em sua primeira década de existência a CEPAL fez grandes avanços na promoção do desenvolvimento de seus países, por meio da industrialização pela substituição de importações apresentada por Prebisch. A adoção dos países pelo modelo fez com que houvesse um crescimento exponencial das economias latinas. O Brasil adotou o modelo durante o Governo Vargas, afastou um pouco da base de comercialização advinda de uma economia agroexportadora e inseriu em seu mercado novos produtos. Na década de 60 a CEPAL propôs reformas aos seus membros, com o objetivo de desobstruir a industrialização tardia desses países. Na década seguinte ocorre reorientação dos estilos de desenvolvimento para a homogeneização social e a diversificação pró-exportadora, expandindo o conceito de cooperação para além de interesses econômicos. Durante os anos 80 muitos países latinos contraíram dívidas de empréstimos do exterior e com a CEPAL estabeleceu uma série de medidas para a superação do problema mediante o "ajuste com crescimento".

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Atuação

Imagem: Senado Federal · BY · Openverse

As áreas de atuação da CEPAL bem como as de trabalho estão divididas em seções com seus respectivos secretários, sendo essenciais para a obtenção dos objetivos da comissão. A área de assuntos de gênero cuida da inserção da mulher na sociedade civil, garantindo a ela o direito a representatividade, o acesso ao mercado de trabalho, participação política e em outras áreas promovendo a igualdade. A área de comércio internacional e integração favorece o desenvolvimento da região por meio da elaboração de estudos e políticas que estimula a cooperação por meio da expansão de mercado e criação de acordos regionais para comércio exterior de cada país. A área de desenvolvimento econômico estabelece uma série de medidas macroeconômicas, pautadas na equidade entre os membros. A área de desenvolvimento produtivo e empresarial estimula o crescimento dos setores das indústrias em todos os países, ainda seguindo um modelo de substituição de importação, mas com a orientação voltada às áreas técnicas que beneficiem as características distintas de cada produtor e empresário.

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Critícas

Imagem: Integração Nacional · BY-NC-SA · Openverse

As críticas a comissão da Cepal, vinham principalmente dos neo-institucionalistas que criticavam o fato dos países periféricos possuírem uma certa rigidez institucional que findava na perpetuação de estruturas econômicas arcaicas, que impediam o processo de ganho econômico chegar a parcela mais carente da sociedade. Além disso fazem duras críticas a inspiração dependentista que culmina em oferecer teorias de racionalização ad hoc, para as causas do atraso das economias latino-americanas. North (1991) afirma que a teoria cepalina contribui para a perpetuação do subdesenvolvimento, na medida em que, em sua visão, defende uma ideologia intervencionista e contrária a liberdade comercial, que resulta em efeitos de uma matriz institucional histórica ineficiente. Dentro do pensamento cepalino, North (1991), chama a atenção também para os pontos de divergências entre os próprios autores e a Cepal.

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