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Ceife Adaulá

Ali ibne Abu Alhaija Abedalá ibne Hamadane ibne Alharite Ataglibi, mais conhecido por seu lacabe Ceife Adaulá, foi o fundador do Emirado de Alepo, que compreendeu boa parte do norte da Síria e porções do oeste da Jazira, e o irmão de Haçane ibne Abedalá ibne Hamadane.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Vida

Origem e família

Ceife Adaulá nasceu em 9 de fevereiro de 916 e se chamava Ali ibne Abedalá. Era o segundo filho Abedalá Abu Alhaija ibne Hamadane (m. 929), filho de Hamadane ibne Hamadune, que deu seu nome a dinastia hamadânida. Os hamadânidas foram um ramo dos taglibitas, uma tribo árabe residente na área da Jazira (Mesopotâmia Superior) desde tempos pré-islâmicos. Os taglibitas tradicionalmente controlaram Moçul e sua região até o final do século IX, quando o governo abássida tentou impor um controle mais firme sobre a província. Hamadane ibne Hamadune foi um dos mais determinados líderes taglibitas a opor-se a este movimento. Notadamente, em seu esforço para afastar os abássidas, assegurou uma aliança dos curdos residentes nas montanhas ao norte de Moçul, um fato que seria de considerável importância na fortuna posterior de sua família. Os membros da família casaram com curdos, que foram também proeminentes no exército hamadânida.

Início da carreira sob Haçane Nácer Adaulá

Ali ibne Abedalá começou sua carreira sob seu irmão. Em 936, Haçane convidou-o para seu serviço, prometendo-lhe o governo de Diar Baquir (a região em torno de Amida) em troca de sua ajuda contra Ali ibne Jafar, o governador rebelde de Maiafarquim. Ali ibne Abedalá foi bem-sucedido em evitar que ibne Jafar recebesse a assistência de seus aliados armênios, e também assegurou controle sobre as porções setentrionais da província vizinha de Diar Modar após subjugar as tribos cais da região em torno de Saruje. Dessa posição, também lançou expedições para ajudar os emirados muçulmanos da zona fronteiriça bizantina (o tugur) contra os avanços bizantinos, e interveio na Armênia para reverter a influência bizantina crescente.

Estabelecimento do Emirado de Alepo

O norte da Síria esteve sob controle de Maomé ibne Tugueje desde 935/6, até ibne Raique destituí-lo do controle egípcio em 939/40. Em 942, quando Nácer Adaulá substituiu o assassinado ibne Raique, tentou impor seu controle sobre toda a região, e particularmente a província particular de ibne Raique de Diar Modar. As tropas hamadânidas tomaram controle do vale do rio Balique, mas os magnatas locais ainda estavam inclinados a Maomé, e a autoridade hamadânida foi tênue. Maomé não interveio diretamente, mas apoiou Adlal Baquejami, o governador de Arraba. Baquejami capturou Nísibis, onde Ceife Adaulá deixou seus tesouros, mas foi finalmente derrotado e capturado pelo primo de Ceife Adaulá, Abu Abedalá Huceine ibne Saíde ibne Hamadane, e executado em Bagdá em maio de 943. Huceine então avançou para ocupar a província inteira, de Diar Modar ao tugur. Raca foi expugnada, mas Alepo rendeu-se sem luta em fevereiro de 944. Almutaqui agora enviou mensagens para Maomé, solicitando por seu apoio contra os vários senhores que queriam controlá-lo. Os hamadânidas confinaram o califa em Raca, mas no verão de 944 Maomé chegou na Síria. Huceine abandonou Alepo ao egípcio, que então visitou o califa exilado em Raca. Almutaqui confirmou o controle de Maomé sobre a Síria, mas depois o califa recusou-se a deslocar-se para o Egito, levando o governante egípcio a recusar-se a ajudá-lo mais contra seus inimigos. Maomé retornou ao Egito, enquanto Almutaqui, sem poder e abatido, retornou para Bagdá, apenas para ser cegado e deposto por Tuzum.

Guerras com o Império Bizantino

Através de sua assunção de controle sobre a fronteira siro-jazirana (o tugur) com o Império Bizantino em 945/946, Ceife Adaulá emergiu como o principal príncipe árabe a enfrentar os bizantinos, e a guerra com eles tornou-se sua principal preocupação. De fato, boa parte da reputação de Ceife Adaulá decorre da sua incessante, embora, em última instância, mal-sucedida guerra com o império. No começo do século X, os bizantinos ganharam a dianteira sobre seus vizinhos muçulmanos orientais. O início do declínio do Califado Abássida depois de 861 (a Anarquia em Samarra) foi seguida pela Batalha de Lalacão em 863, que quebrou o poder do emirado fronteiriço de Melitene e marchou o começo da invasão bizantina gradual das zonas fronteiriças árabes. Embora o Emirado de Tarso na Cilícia permaneceu forte e Melitene continuou a resistir os ataques bizantinos, no meio século seguinte os bizantinos conseguiram superar os aliados paulicianos de Melitene e avançaram ao Eufrates superior, ocupando as montanhas ao norte da cidade. Finalmente, depois de 927, a paz em sua fronteira balcânica permitiu aos bizantinos, sob João Curcuas, virar suas forças para leste e começar uma série de campanhas que culminaram na queda e anexação de Melitene em 934, um evento que repercutiu entre os outros emirados muçulmanos. A ela seguiram Arsamósata em 940, e Calícala (a Teodosiópolis bizantina) em 949.

Doença, rebeliões e morte

Em 963, os bizantinos mantiveram-se quietos, pois Nicéforo estava planejando ascender ao trono imperial, mas Ceife Adaulá foi perturbado pelo início de hemiparesia bem como o agravamento de desordens intestinais e urinárias, que confinaram-o a uma liteira. A doença limitou a capacidade de Ceife Adaulá para intervir pessoalmente nos assuntos de seu Estado; logo abandonou Alepo aos cuidados de seu camareiro, Carcuia, e gastou a maior parte de seus anos finais em Maiafarquim, deixando seus gulans seniores para cuidar do fardo da guerra contra os bizantinos e as várias rebeliões que eclodiram em seus domínios. O declínio físico de Ceife Adaulá, atrelado a seus fracassos militares, especialmente a captura de Alepo em 962, significaram que sua autoridade ficou abalada entre seus subordinados, pra quem o sucesso militar era prerrequisito para a legitimidade política.

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Legado

Atividade e legado cultural

Ceife Adaulá esteve cercado por figuras intelectuais proeminentes, mais notadamente os grandes poetas Almotanabi e Abu Firas, o sacerdote ibne Nubata, o gramático ibne Jini, e o notório filósofo Alfarábi.[b] O tempo de Almotanabi na corte de Ceife Adaulá foi considerado o pináculo de sua carreira como poeta. Durante seus nome anos em Alepo, Almotanabi escreveu 22 grandes panegíricos para Ceife Adaulá, que, segundo o arabista Margaret Larkin, "demonstraram parte de afeição real misturada com a louvação convencional da poesia árabe pré-moderna." O celebrado historiador e poeta Abu Alfaraje de Ispaã, também fez parte da corte hamadânida, e dedicou sua maior enciclopédia de poesia e canções, Kitab al-Aghani, para Ceife Adaulá. Abu Firas foi o primo de Ceife Adaulá e foi criado em sua corte, enquanto Ceife Aldualá casou com sua irmã Saciná e nomeou-o governador de Mambije e Harrã. Abu Firas acompanhou Ceife Adaulá em suas guerras contra os bizantinos e foi levado prisioneiro duas vezes. Foi durante seu segundo cativeiro em 962–966 que ele escreveu seus famosos poemas Rumiyyat ("romano", ou seja, bizantino). O patrocínio de Ceife Adaulá aos poetas também teve um útil dividendo político: o poeta cortesão tinha como dever celebrar seu patrão em sua obra, e a poesia ajudava a espalhar a influência de Ceife Adaulá e sua corte através do mundo muçulmano. Se Ceife Adaulá prestou especial atenção nos poetas, sua corte continha estudiosos versados em estudos religiosos, história, filosofia e astronomia, de modo que, como S. Humphreys comenta, "em seu tempo Alepo poderia certamente ter mantido sua [...] própria como qualquer corte na Itália renascentista."

Legado político

Ceife Adaulá permaneceu até hoje como um dos líderes árabes medievais melhor conhecidos. Sua bravura e liderança na guerra contra os bizantinos, apesar dos especiais revezes, suas atividades literárias e patrocínio dos poetas que emprestaram a sua corte um incomparável brilho cultural, e calamidades que abateram-se sobre ele próximo a seu fim — derrota, doença e traição — fizeram-o, nas palavras de Th. Bianquis, "de seu tempo até hoje", a personificação do "ideal cavalheiresco árabe em seu aspecto mais trágico." No entanto, a imagem apresentada por seus contemporâneos sobre o impacto das políticas de Ceife Adaulá é menos favorável: o cronista do século X ibne Haucal, que viajou aos domínios hamadânidas, pintou uma imagem lúgubre da opressão econômica e exploração do povo comum, relacionada com a prática hamadânida de expropriação de extensas propriedades nas zonas mais férteis e práticas de monocultura de cereais destinadas a alimentar a crescente população de Bagdá. Isso esteve atrelado com a alta tributação — diz-se Ceife Adaulá e Nácer Adaulá tornaram-se os príncipes mais ricos no mundo muçulmano — o que permitiu-lhes manter suas custosas cortes, mas ao alto preço da prosperidade a longo prazo de seus súditos. Segundo Hugh Kennedy "mesmo a capital de Alepo parece ter sido mais próspera sob a subsequente dinastia mirdássida que sob os hamadânidas", enquanto Bianquis alega que as guerras e políticas econômicas de Ceife Adaulá contribuíram para a alteração permanente na paisagem das regiões que governou: "ao destruir pomares e jardins de mercados periurbanos, ao enfraquecer a uma vez brilhante policultura e ao despovoar o sedentário terreno de estepe das regiões, os hamadânidas contribuíram à erosão da terra desmatada à apreensão das tribos semi-nômades das terras agriculturáveis destas regiões no século XI".

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Fontes consultadas

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