Cedofeita
Cedofeita é uma área urbana portuguesa da cidade e do Município do Porto que foi sede da extinta Freguesia de Cedofeita. Esta freguesia foi, no âmbito da reorganização administrativa do território das freguesias de 2013, agregada às freguesias de Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória para criar a União de Freguesias do Centro Histórico do Porto. Cedofeita sendo agora sede da união de freguesias do centro histórico foi por muito tempo administrativamente independente da cidade do Porto.
Dos estudos realizados, tudo aponta para que as origens da freguesia estejam associadas ao primitivo povoado que nasceu, se desenvolveu e prosperou à sombra tutelar da antiga igreja românica, que ainda hoje existe no Largo do Priorado e que pertenceu a um convento de Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. A construção da igreja é anterior à da própria Sé Catedral, sendo provavelmente a igreja mais antiga do Porto, construída quando Portugal ainda nem sequer existia politicamente. Aqui ocorreu a conversão em massa do povo suevo, anos antes dos francos, com Clóvis.[carece de fontes?] Diz quem sabe destas coisas[quem?] que a norte do Douro a igreja românica de Cedofeita é o único monumento do género que nos ficou do período medieval.[carece de fontes?] Na frontaria do templo, mesmo por cima da porta principal, está gravada no granito uma inscrição latina que dá o ano de 559 como o da fundação da igreja. O teor da inscrição e, sobretudo, a indicação daquele ano como sendo o da fundação do templo suscitou e alimentou, durante anos, uma apaixonada discussão entre historiadores e investigadores que acabou com a conclusão de que a inscrição é apócrifa, por tanto não verdadeira, e que terá sido ali colocada aquando de uma remodelação feita no templo e redigida sem qualquer fundamento histórico.
Fundação do mosteiro durante o Reino Suevo
A escassez de documentação referente à fundação da igreja de Cedofeita deu azo a diversas lendas, sendo duas delas as mais recorrentes. Uns sustentam que foi fundada pelo rei suevo Reciário, que reinou em 446 e que foi o primeiro dos reis suevos a abraçar o Cristianismo. Outros dizem que a fundação da igreja se deve ao rei Teodomiro, também suevo, que a terá mandado construir em 14 de janeiro de 459, e nela se fez batizar conjuntamente com o seu filho Ariamiro, pela mão de São Martinho de Dume. Com este Santo Evangelizador, vieram as relíquias de São Martinho de Tours. Conservam-se num altar dedicado à sua devoção, na Igreja Nova, junto a outras de Martinho de Dume.
Domínio muçulmano
Em 755, durante o domínio muçulmano, os cristãos das terras do Mosteiro de Cedofeita receberam um salvo-conduto para a cidade do Porto e permissão para a prática da fé cristã dentro de portas fechadas, mediante um pagamento anual de 50 pesantes. Esta permissão foi dada através de uma «Carta de Jusgo» a troco de outros 50 pesantes, reproduzida por Egidio Johanes em 1229:
A origem da colegiada
Depois de se ter introduzido nas igrejas catedrais o sistema da vida em comum, passou a ser tão grande o número de clérigos que procuravam servi-la, que em muitas igrejas paroquiais se estabeleceram Colégios clericais com organização semelhante à dos Cabidos. Certos mosteiros também se transformaram em colégios de cónegos por ser permitido aos monges que se apartavam da sua regra seguir o instituído por que se regiam os cabidos. Esta foi a origem das colegiadas, que dos cabidos se distinguiam por serem presididas pelo pároco, com o título de Prior, ao passo que os cabidos eram presididos pelos bispos. Desconhece-se a data da fundação da Colegiada de S. Martinho de Cedofeita. De 1221 existe um documento que a ela se refere. Mas é muito provável que a sua criação seja anterior àquela data.
O ermo de Cedofeita
Ao dobrar o ano de 1571, o prior e cónegos da Colegiada de S. Martinho de Cedofeita mandaram ao bispo do Porto uma petição: queriam sair do sítio onde estavam e sugeriam a mudança para junto da Porta do Olival. Diziam os da Colegiada, na referida petição: "Se há igreja que tenha necessidade mui urgente para se trasladar e mudar de êrmo e despovoado para povoado e lugar da cidade acomodado para isso, é esta igreja de S. Martinho de Cedofeita, por muitas razões…". E entre as razões invocadas alegavam que a «igreja não é bem servida, principalmente quando as cheias e tempestades do Inverno e as calmas do Verão tornam impossíveis ou difíceis as longas jornadas entre a Porta do Olival (na Cordoaria) e o longínquo lugarejo de Cedofeita…
O couto
Não há dúvida de que existiu o «Couto de Cedofeita», apesar de alguns historiadores afirmarem que é falsa, que não existiu, a «Carta de Couto» que teria sido conferida por D. Afonso Henriques. Um documento datado de 1849 pormenoriza que o Couto começava no fim da Rua da Rainha (hoje de Antero de Quental), corria pelo Monte Pedral até ao Carvalhido, na Rua da Natária, e confrontava com Paranhos. Do Carvalhido seguia pela Rua da Carcereira até à Cova do Monte, fim da Quinta do Vanzeller, partia com Ramalde e com a estrada para Lordelo e vinha ao Douro. Acompanhava o rio até ao começo da Calçada de Monchique (que ficava já dentro do COUTO) e daí subindo à Rua dos Carrancas partia com Miragaia. Continuava até ao Adro dos Enforcados (traseiras do Hospital de Santo António) onde confrontava com Santo Ildefonso, seguia pelo Rua do Paço até à cerca dos frades do Carmo, Travessa do Carregal, chegava ao canto do Hospital do Carmo, circuitava a Praça dos Ferradores (hoje de Carlos Alberto) até ao cunhal do Palácio dos Balsemões, Rua das Oliveiras e Sovela, Campo de Santo Ovídio, Rua da Lapa e lado poente da Rua da Rainha até Paranhos. Todo este território, que hoje está incorporado no tecido urbano da cidade e intensamente povoado, era, ainda na segunda metade do século XVII, simples arrabalde campesino da cidade.
Anexação à cidade do Porto
Em 1834, a freguesia de Cedofeita, juntamente com a de Bonfim, foi anexada por ordem de D. Pedro IV à cidade do Porto.
Pelo decreto nº 40.526, de 08/02/1956, foram-lhe fixados os actuais limites. Média do País no censo de 2001: 0/14 Anos-16,0%; 15/24 Anos-14,3%; 25/64 Anos-53,4%; 65 e mais Anos-16,4% Média do País no censo de 2011: 0/14 Anos-14,9%; 15/24 Anos-10,9%; 25/64 Anos-55,2%; 65 e mais Anos-19,0%
O brasão de armas, bandeira e selo foram aprovados em Diário da República em 1998. Estes são descritos da seguinte forma: Brasão — Escudo de vermelho, urna de prata, encimada, por coroa real de ouro, carregada com um coração de vermelho; em chefe, à dextra, balança de pratos e, à sinistra, roda dentada, ambas de ouro. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda a negro: «CEDOFEITA»; Bandeira — amarela. Cordão e borlas de ouro e vermelho. Haste e lança de ouro; Selo — nos termos da lei, com a legenda: «Junta de Freguesia de Cedofeita — Porto».
A antiga freguesia da Cedofeita contém 173 arruamentos. São estes:


