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Badajoz

Badajoz é uma cidade e município raiano da Espanha na província homónima, da qual é capital. Faz parte da comunidade autónoma da Estremadura e da comarca da Terra de Badajoz. Tem 1 470 km² de área e em 2021 tinha 150 610 habitantes, que representa aproximadamente 20% da população da província e 7% da Estremadura.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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História

Lendas

Como é comum para tantas localidades ibéricas, alguns historiadores do passado — neste caso o primeiro parece ter sido do século XVI — avançaram com versões que têm tanto ou mais de fantasia como de fiabilidade histórica sobre a origem de Badajoz. Segundo Rodrigo Dosma, o fundador da cidade teria sido Tubal, neto de Noé, que 143 anos depois do Dilúvio Universal se instalou nas proximidades ou praticamente no local onde é a cidade. Outra versão lendária da fundação da cidade está relacionada com São Hermenegildo, o príncipe visigodo do século VI, que abjurou o arianismo, a religião oficial visigótica, e abraçou o catolicismo, persuadido pelo seu tio São Leandro, arcebispo de Sevilha. Esta conversão provocou uma guerra com o pai de Hermenegildo, o rei Leovigildo. O filho foi derrotado pelo pai perto de Badajoz, tendo sido deportado. Posteriormente, Hermenegildo abandonou a luta com o pai e retirou-se com trezentos cavaleiros para o castelo de Osset, que é identificado com a atual aldeia portuguesa raiana de Ouguela, que nessa altura pertencia à cidade de Badajoz. Uma versão ampliada desta história é contada por Solano de Figueroa, que também fala de uma fonte milagrosa em Osset e dos prodígios que nela se passavam.

Pré-história e Antiguidade

Os vestígios arqueológicos na área remontam ao Paleolítico Inferior. No Museu Arqueológico Provincial de Badajoz estão guardados achados que que atestam que diversos grupos humanos habitaram há meio milhão de anos zonas muito próximas do território da cidade atual, mas sabe-se muito pouco sobre o seu modo de vida. Não se conhecem vestígios de ocupação humana entre o 40.º e o 6.º milénio a.C., mas a partir deste último há sinais da presença de grupos humanos em áreas próximas de Badajoz, como artefatos de pedra talhada do Musteriense (em La Corchuela, Dehesilla de Calamón, Torrequebrada, etc.), pinturas rupestres (em cavernas e zonas resguardadas das serranias de Alburquerque, La Zarza e outros locais). Há monumentos megalíticos que datam pelo menos de 4 000 a.C.

Idade Média

Badajoz tornou-se uma cidade importante durante o período muçulmano (Alandalus). Do século VIII até ao início do século XI a região fez parte do Califado de Córdova. A data oficial da fundação da cidade é 875, ano em que o nobre muladi rebelde Ibne Maruane ali se instalou quando foi expulso da sua terra natal, Mérida. Sob o governo de Ibne Maruane, Batalyaws, como era então conhecida, foi a capital de um estado rebelde praticamente independente que só foi extinto no século X. Em 1021 ou talvez em 1031, quando se estima que tivesse 25 000 habitantes, tornou-se a capital do reino taifa de Badajoz. Em contraste com a generalidade das taifas ibéricas, quase todas de pequena dimensão territorial, a Taifa de Badajoz chegou a ter 90 000 km² (um pouco mais do que Portugal atualmente), estendendo-se por praticamente tudo o que é atualmente a Estremadura espanhola, parte de Castela quase até Leão e, a ocidente ocupava grande parte do que é hoje Portugal, desde o rio Douro, até praticamente todo o Alentejo, incluindo ainda Lisboa e Santarém. Principalmente durante os reinados dos reis aftácidas Almuzafar (ou Modafar I) e Omar Almotauaquil, Badajoz foi um centro de cultura e ciência elogiado pelos cronistas islâmicos.

Idade Moderna (séculos XVI – XVIII)

Durante o século XVI, nasceram na cidade ou a ela estiveram ligados alguns grandes vultos da cultura espanhola de então, como o pintor Luis de Morales ("El Divino"), o compositor Juan Vásquez, o humanista Rodrigo Dosma, o poeta e dramaturgo Joaquin Romero de Cepeda ou o dramaturgo Diego Sánchez de Badajoz. Em 1524 teve lugar uma cimeira no ayuntamiento de Badajoz entre os representantes de Espanha e Portugal para esclarecer o estado dos acordos territoriais. Entre os participantes na cimeira estiveram Fernando Colombo, João Vespúcio, Sebastião Caboto, Juan Sebastián Elcano, Diogo Ribeiro e Estêvão Gomes. Em agosto de 1580, o rei Filipe II transferiu temporariamente a sua corte para Badajoz para fazer valer os seus direitos à coroa portuguesa. A sua esposa Ana de Áustria morreu na cidade dois meses depois e a 5 de dezembro de 1580 Filipe II saiu da cidade. Durante a União Ibérica, de 1580 a 1640, a cidade floresceu novamente devido à inexistência de guerra. Segundo o historiador Vicente Navarro del Castillo, 428 residentes de Badajoz contribuíram para a conquista espanhola das Américas, entre eles Pedro de Alvarado, o seu sobrinho Luis de Moscoso, Sebastián Garcilaso de la Vega y Vargas (pai do cronista mestiço Inca Garcilaso de la Vega) e Hernán Sánchez de Badajoz.

Século XIX

Em 6 de junho de 1801 foi assinado o Tratado de Badajoz, que pôs fim à Guerra das Laranjas, um conflito no contexto da Guerra da Segunda Coligação, entre os aliados e oponentes da Primeira República Francesa. Tendo sido negociado com Portugal numa posição muito desfavorável, devido aos desaires militares e aos receios de que estivesse eminente um ataque das tropas francesas estacionadas em Cidade Rodrigo, nele se estipulava, entre outras disposições, a devolução a Portugal das praças e territórios de Juromenha, Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Barbacena, Campo Maior e Ouguela. O tratado foi revogado por Portugal em 1807, pois os seus termos foram desrespeitados pelo Tratado de Fontainebleau assinado entre a Espanha e a França em 27 de outubro desse ano, no qual se acordava a partição do território português entre os dois signatários.

Século XX

Durante a Guerra Civil Espanhola, Badajoz foi palco de eventos de extrema violência. A cidade foi tomada pelos nacionalistas no início da guerra na batalha de Badajoz, travada em 14 de agosto de 1936. Uma vez terminados os combates, as forças nacionalistas levaram vários milhares de habitantes da cidade, tanto homens como mulheres, para a praça de touros, onde, depois de montadas metralhadoras em volta da arena, decorreu aquilo que ficou conhecido como os massacres de Badajoz. No dia 14 foram fuzilados centenas de republicanos. Durante a noite foram levados para a praça de touro outros 1 200. No total, estima-se que foram mortas mais de 4 000 pessoas, ou seja, cerca de 10% da população. Aqueles que tentaram passar a fronteira portuguesa foram capturados e enviados de volta para Badajoz. As tropas que executaram as matanças estavam sob o comando do general Juan Yagüe, que ficou conhecido como "o carniceiro de Badajoz" e que depois da guerra civil foi nomeado ministro da aviação por Franco.

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Geografia

Badajoz situa-se no sudoeste da Península Ibérica, nas margens do rio Guadiana, junto à fronteira com Portugal, a qual dista pouco mais de 7 km do centro da cidade. É a capital da província de homónima. Encontra-se 16 km a leste da cidade portuguesa de Elvas, 17 km a sudeste da vila portuguesa de Campo Maior, 61 km a oeste de Mérida, 90 km a sudoeste de Cáceres, 200 km a noroeste de Sevilha, 400 km a sudoeste de Madrid e 225 km a leste de Lisboa (distâncias por estrada ou autoestrada). A área urbana ocupa as duas margens do Guadiana; a parte da margem sul (esquerda), onde se encontra o centro histórico, é mais extensa e é onde se concentram a maior parte das novas urbanizações e áreas industriais. Em termos geológicos, Badajoz situa-se na Submeseta Meridional (a parte meridional da Meseta Central ibérica). A cidade foi originalmente erigida numa colina calcária do Paleozoico que foi escavada pelo rio. É nesta colina que se encontra a alcáçova, uma das vistas mais emblemáticas da cidade. Os solos do município são sobretudo derivados de depósitos do terciários datados do Paleozoico. A altitude média é 184 metros acima do nível do mar.

Clima

O clima de Badajoz é do tipo mediterrânico, ameno, com verões secos e quentes e sazonalidade moderada (classificação climática de Köppen-Geiger Csa). A altitude na estação meteorológica local, situada no aeroporto, é 185 metros. A temperatura média anual é 16,6°C. A temperatura máxima mensal mais alta é 34,3°C, em julho, enquanto que a mínima é 3,2°C, em janeiro. Os recordes registados de temperatura eram, até maio de 2014, 44,8°C em agosto de 2003 e −7,2°C em janeiro de 2005. A humidade relativa média anual é 66%, com máximo em dezembro (83%) e mínimo em julho (50%). A precipitação média anual é 463 mm, com máximo em dezembro (64 mm, 8 dias de chuva) e mínimo em julho (4 mm, 1 dia de chuva). Raramente neva, embora em alguns anos se tenham registado um ou dois dias de neve entre dezembro e março. Em contrapartida, entre novembro e março ocorrem geadas (em média, 6 dias em dezembro e 9 em janeiro).

Demografia

O município de Badajoz tinha 150 610 habitantes (densidade: 102,5 hab./km²) em 2021. Em 2013, 48,7% dos habitantes eram do sexo masculino e 51,3% do sexo feminino. Em 1845, a cidade tinha 5 628 habitantes. Apesar de ser a cidade com mais população da Estremadura, a densidade demográfica é relativamente baixa devido à grande área do município, um dos mais extensos de Espanha, com 1 470 km². Além da cidade, o município tem outras pequenas localidades, cuja população totalizava 7 995 habitantes no final de 2012. Até 17 de fevereiro desse ano, a maior localidade do município era Guadiana del Caudillo, então com 2 524 habitantes, que nessa data se tornou um município.

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Política e administração pública

Além dos organismos do ayuntamiento (administração municipal), em Badajoz estão também sediados ou representados vários organismos da administração provincial. Politicamente, o município pertence à circunscrição eleitoral de Badajoz, a maior das 52 circunscrições do Congresso dos Deputados espanhol em termos de área geográfica, que inclui uma parte significativa da Estremadura. Nas eleições gerais de 2011 a circunscrição de Badajoz elegeu seis deputados, quatro da coligação Partido Popular-Estremadura Unida e dois do Partido Socialista Operário.

Administração municipal

A administração política do município está a cargo do ayuntamiento, cujos membros são eleitos democraticamente por sufrágio universal de quatro em quatro anos. Todos os residentes com mais de 18 anos com cidadania espanhola ou de países da União Europeia têm direito de voto. Segundo a lei eleitoral que estabelece o número de concejales (vereadores) conforme a população, Badajoz elege 27 vereadores. Nas eleições municipais de 2011, para o mandato 2011–2015, foram eleitos para o ayuntamiento de Badajoz 17 vereadores pelo Partido Popular (PP), com 57% dos voto, 8 pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), com 28%, e 2 pela Esquerda Unida (IE), com 7,2%, ficando como alcaide Miguel Ángel Celdrán Matute, do PP, que ocupava o cargo desde 1995. Com a renúncia deste em 2013, o cargo passou para o seu número dois, Francisco Javier Fragoso, igualmente do PP.

Bairros e localidades

O município está dividido administrativamente em bairros e pedanías. Os primeiros são meras divisões urbanas, sem qualquer tipo de governo próprio ou de autonomia política. As pedanías têm algumas semelhanças com as freguesias portuguesas, embora geralmente sejam de caráter eminentemente rural e não urbano. No jargão administrativo espanhol são entidades locais menores, com uma administração política com poderes menos extensos do que a administração municipal, que administram a uma ou mais pequenas localidades e uma porção de território. Os órgãos políticos das entidades locais menores, constituídos por um alcaide pedáneo e uma junta vicinal, são eleitos durante as eleições municipais. As suas competências passam principalmente pela gestão de bens e património comuns, nomeadamente florestais e caminhos. O ayuntamiento pode também delegar algumas competências às pedanías.

Cidades gémeas

Badajoz está geminada com as seguintes cidades:

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Economia

Historicamente, as guerras frequentes devastaram a economia local e geralmente Badajoz foi uma terra de gente pobre. Até ao século XX, a indústria foi pouco importante, um panorama que mudou nas últimas décadas do século XX, quando se verificou algum desenvolvimento industrial. No início da década de 2010. as principais indústrias eram os têxteis (sobretudo linho e lã), couro, chapelaria, cerâmica e sabão. No final da década de 2000 e início da de 2010,, Badajoz era sobretudo uma cidade comercial, onde predominavam os serviços, colocada no 25.º lugar em importância económica em Espanha segundo o anuário económico de La Caixa de 2008. Devido à sua localização, a cidade beneficia de um movimento comercial considerável com Portugal. A principal rua de comércio é a Calle Menacho, onde se encontram a maior parte das lojas mais importantes, nomeadamente das grandes cadeias nacionais e estrangeiras. O Centro Comercial Aberto Menacho é o maior centro comercial ao ar livre da Estremadura e é visitado por milhares de portugueses anualmente. Devido à importância económica das relações com o país vizinho, em 2006 foi inaugurada um novo espaço de comércio, feiras e congressos, a Institución Ferial de Badajoz (IFEBA), situado nos subúrbios perto da margem do rio Caia. Com uma grande diversidade de mercados, que vão do peixe e várias lojas de alimentação, até lojas de saúde e beleza, o IFEBA afetou negativamente o comércio da parte antiga da cidade, que no entanto apresenta lentos sinais de recuperação, nomeadamente com a abertura de novas lojas.

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Infraestruturas

Saúde

O primeiro hospital fundado em Badajoz foi o Hospital de Nossa Senhora da Piedade, criado em 1485. A cidade tem três hospitais públicos (o Universitário, o Perpétuo Socorro e o Materno Infantil), além de clínicas privadas, como a Clideba, a Caser, e a Extremeña de Salud. O município integra a Área de Salud de Badajoz, que inclui também os municípios de Alburquerque, Alconchel, Barcarrota, Jerez de los Caballeros, La Roca de la Sierra, Montijo, Oliva de la Frontera, Olivença, Pueblonuevo del Guadiana, San Vicente de Alcántara, Santa Marta de los Barros, Talavera la Real e Villanueva del Fresno. A área está dividida em 17 zonas, 7 delas no município de Badajoz.

Transportes

O município tem um serviço de autocarros urbanos que serve todos os bairros e localidades. Desde 1987 que esse serviço é administrado e operado pela empresa Tubasa, Transportes Urbanos de Badajoz S.A., do Grupo Ruiz, do qual fazem parte outras empresas que prestam o mesmo tipo de serviço em outras cidades espanholas e em Tânger. Em junho de 2014 havia 20 linhas regulares de autocarros e em 2001 foram transportados mais de 6,5 milhões de passageiros numa frota de 40 autocarros, um crescimento de mais de 100% desde 1987, quando foram transportados 3 milhões de passageiros em 17 autocarros que percorriam 6 linhas. Desde o verão de 2009 que Badajoz tem um serviço público de empréstimo de bicicletas, o BiBa. O sistema resulta de um convénio entre a Junta da Estremadura e o ayuntamento da cidade; em junho de 2014 dispunha de 86 bicicletas e de 24 parques de estacionamento espalhados pela cidade. O serviço requer uma inscrição anual que é grátis para os menores de 18 anos e maiores de 65 anos e custa 12 euros para os restantes cidadadãos, para uma utilização de duas horas diárias, no máximo. Para turistas e uso por mais de duas horas há uma tarifa diário de dois euros.

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Locais e edifícios mais relevantes

A cidade tem vários exemplos de arquitetura moura e medieval, mas em contraste com Mérida, quase não tem vestígios romanos ou visigóticos. A fortaleza da alcáçova (Alcazaba) é a estrutura mais notável da cidade que atesta o passado mouro de Badajoz. Muitos dos velhos edifícios que estavam em ruínas naquela zona da cidade foram restaurados no início do século XXI e atualmente os restaurantes e bares ali instalados e a respetiva vida noturna atraem muita gente, nomeadamente do outro lado da fronteira portuguesa. Os Jardins da Galera forma construídos na década de 1930 entre a Torre de Espantaperros e o adarve, dentro do recinto da alcáçova. Foram reabertos em 2007, depois do local ter sido restaurado após ter estado 30 anos fechado. Durante o restauro foram encontradas e preservadas várias ruínas. Entre as plantas que se encontram nos jardins incluem-se a cânfora (Cinnamomum camphora), Dichondra repens, paineira (Ceiba speciosa), mirto, loureiro (Laurus nobilis), laranjeira, limoeiro e romãzeira (Punica granatum).

Monumentos históricos

A alcáçova (em castelhano: Alcazaba) é uma cidadela moura construída no século IX por Ibne Maruane quando fundou a cidade. A sua configuração atual deve-se principalmente às obras de fortificação levadas a cabo pelo califa almóada Abu Iacube Iúçufe I (r. 1163–1184) em 1169, mas o período do seu maior esplendor foi o século XI, durante a Dinastia aftácida. Há vestígios de obras em 913 e em 1030. A alcáçova serviu de residência aos governantes da Taifa de Badajoz nos séculos XI e XII. Os governantes almóadas foram expulsos definitivamente em 1230 por Afonso IX de Leão. A Torre de Espantaperros, a principal torre albarrã da alcáçova, tem 30 metros de altura e foi construída em taipa e argamassa. Tem planta octogonal e é encimada por um corpo quadrangular, de onde se tinha excelentes vistas para vigiar os arredores e o arrabalde de La Galera que se estendia por baixo. Originalmente conhecida como Atalaia, o seu nome popular ("espanta-cães") tem origem no som agudo do sino que outrora existia na torre. Adossado à torre, encontra-se o edifício conhecido como La Galera, construído no século XVI e que serviu sucessivamente de sede do município (Casa Consistorial), pósito[i] ou armazém de cereais, asilo, prisão feminina, escola e Museu Arqueológico Provincial, que ali esteve instalado até 1989, quando foi trasladado para o palácio dos Duques de La Roca, que foi restaurado para esse efeito e onde ainda se encontra. O nome La Galera pode ter origem no do bairro onde se situa (Galera) ao por ter sido um local onde os prisioneiros sentenciados às galés paravam no caminho para Sevilha.

Edifícios municipais

O Palácio Municipal, sede do ayuntamiento, o governo municipal, é uma construção de 1852. É um edifício elegante, de formas classicista, encimada por um campanário de relógio, este último adicionada em 1889. O governo municipal esteve instalado em vários locais antes deste edifício, nomeadamente na Plaza Alta e no Campo de San Juan. O edifício da Plaza Alta, as chamadas Casas Consistoriales, foi construído no século XVIII e esteve em ruínas até à recuperação daquela zona da cidade nos primeiros anos do século XXI. O Palácio de Congressos Manuel Rojas, situado no baluarte de São Roque, do século XVII, é uma obra dos arquitetos José Selgas e Lucia Cano, inaugurada em 2006. Foi construído sobre a antiga praça de touros, cuja forma cilíndrica foi mantida no seu interior, onde há um cilindro com 75 metros de diâmetro. O palco com 40 metros de comprimento por 20 de profundidade é o terceiro maior de Espanha, só superado pelo Teatro Real de Madrid e pelo Liceu de Barcelona. O palácio foi selecionado pelo MoMA com sendo uma das obras mais representativas da arquitetura espanhola dos últimos 30 anos.

Museus

O Museu Estremenho e Ibero-americano de Arte Contemporânea (MEIAC) tem coleções de artistas espanhóis, portugueses e latino-americanos. Está instalado na antiga prisão de Badajoz, que por sua vez foi construída entre 1941 e 1958 no local onde anteriormente se erguia o Forte de Pardaleras, datado do século XVII e parte das fortificações Vauban da cidade. O Museu de Belas Artes de Badajoz é considerado a principal pinacoteca da Estremadura devido ao seu vasto acervo e à qualidade das suas obras, com destaque para pintores estremenhos, como Luis de Morales, Zurbarán, Nicolás Megía, Felipe Checa, Eugenio Hermoso e Adelardo Covarsí, entre outros, mas também tem obras de artistas de outras regiões de Espanha e estrangeiros, como Caravaggio. Fundado em 1920, está instalado num palacete de finais do século XIX, perto da Praça da Soledad.

Cemitérios

Investigações arqueológicas indicam que durante o período visigótico os enterros eram realizados nos sítios da Picuriña, Pardaleras e Cerro de Reyes. No período islâmico, os enterros eram efetuados extramuros, ao longo dos caminhos que conduziam à cidade, naquilo que era o arrabalde a leste da alcáçova e na área onde está atualmente o baluarte de Santiago. Desde os séculos mais remotos até ao século XIX, os cristãos eram enterrados dentro das igrejas ou nas suas proximidades. O dois cemitérios mais antigos de Badajoz são os de Nossa Senhora da Soledade (Nuestra Señora de la Soledad) e o de São João (San Juan); este último já existia em 1839. Os cemitérios atualmente em uso no município são os de São João, o da Virgem das Neves em Balboa, o da Imaculada Conceição em Gévora, o de San Isidro em Novelda, o do Imaculado Coração de Maria em Valdebótoa e o de Santiago Apóstolo em Villafranco.

Pontes

A cidade tem cinco pontes sobre o Guadiana. A Ponte de Palmas é a mais antiga; foi originalmente construída em 1460, mas foi destruída por uma cheia em 1545, tendo sido reconstruída durante o reinado de Filipe II, quando Diego Hurtado de Mendoza era governador de Badajoz. Apesar de das obras posteriores, o estilo herreriano então usado continua muito presente na ponte atualmente. Em 1603, 16 dos seus 24 tramos foram destruídos por cheias, tendo sido reconstruídos entre 1609 e 1612. Foi novamente reconstruída em 1833, sob a direção do engenheiro José María Otero e do arquiteto Valentin Falcato. No início do século XX foi remodelada e ampliada, tendo sido aumentado o número de tramos para 32 e acrescentadas torres em ambas as extremidades, ficando com um comprimento total de 600 metros. Com todas as suas alterações aos seus tramos, arcos, pilares e contrafortes, de certo modo a ponte reflete a história da cidade. A ponte é também conhecida popularmente como Ponte Bobo, uma alcunha posta pelos pastores transumantes devido ao facto de nela nunca terem sido cobradas portagens.

Principais praças

A Praça de Espanha, conhecida popularmente como "San Juan", é o coração da cidade, na medida em que continua a ser um local privilegiado de encontro e a ser o centro de uma das zonas com mais atividade e mais movimentada da cidade. Conhecida como "Campo de San Juan" já no século XIII, devido a nela se erguer a catedral, desde esse século que ali se situam edifícios importantes, como o Hospital ou Casa da Piedade, em cuja igreja foi sepultado o pintor local Luís de Morales. Em finais do século XVIII, a sede do município foi para lá trasladada. Em frente a este edifício encontra-se a estátua de Luís de Morales. A configuração atual foi desenhada pelo arquiteto da cidade Rodolfo Martinez em 1917 e terminada em 1920.

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Cultura e educação

Embora não seja uma cidade célebre pela sua cultura e arte, nasceram em Badajoz diversos artistas notáveis, como o ator e cineasta Luis Alcoriza, o escritor e historiador Vicente Barrantes, José López Prudencio, e Jesús García Calderón, os cantores Rosa Morena, Porrina de Badajoz, o compositor Juan Vásquez, o pianista e compositor Cristóbal Oudrid, os pintores Luis de Morales, Felipe Checa e Adelardo Covarsí. O município tem várias bibliotecas públicas municipais que servem a cidade e a região, nomeadamente a A. Dominguez, Bda. de Llera, Cerro de Reyes, Pardaleras, São Roque e Santa Isabel. Fora da cidade existem as chamadas Agências de Leitura de Alvarado, Balboa, Novelda, Sagrajas e Valdebótoa. Há ainda um serviço municipal de biblioteca móvel, o Bibliobus. O principal e maior teatro de Badajoz é o Teatro López de Ayala, um edifício pintado de branco com janelas em arco, com lotação para 800 espectadores, onde se realizam espetáculos de teatro, ópera, concertos e exposições.

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Desporto

O clube de futebol mais antigo da cidade, o Club Deportivo Badajoz (CD Badajoz), fundado em 1905, foi extinto em 2012. Ao longo da sua história, o CD Badajoz disputou 20 campeonatos da 2.ª Divisão e 49 de 3.ª Divisão (ou Segunda División B). O seu sucessor homónimo [es], inicialmente chamado Club Deportivo Badajoz 1905, foi formado por adeptos do CD Badajoz logo após a extinção e ganhou a Regional Preferente de Extremadura (5.ª Divisão espanhola) em 2012/2013. A sua casa é o Estádio Nuevo Vivero [es], inaugurado em dezembro de 1998, situado na "Cidade Desportiva La Granadilla", a 2 km do centro e com capacidade para 15 198 espectadores. O Badajoz Club de Fútbol (Badajoz CF) foi fundado em 1998 como Unión Deportiva Badajoz e reclama-se herdeiro do Badajoz Football Club, fundado em 1927. Mudou para o nome atual no verão de 2013, na sequência da fusão com o Club Deportivo Puerta Palmas. Na temporada 2012/2013 ficou em 2.º lugar no campeonato da 3.ª Divisão espanhola e na de 2013/2014 no 4.º lugar. A sua casa é igualmente o Estádio Nuevo Vivero.

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Fontes consultadas

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