Cauby Peixoto
Cauby Peixoto Barros foi um cantor brasileiro, considerado um dos maiores e mais versáteis intérpretes da música brasileira. Recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais, dentre eles um Grammy Latino pelo álbum "Eternamente Cauby Peixoto - 55 anos de carreira" e o Latin Recording Academy’s President Merit Award pelo conjunto da obra, sendo o primeiro artista a receber este título.
Nascido em Santa Rosa, bairro de Niterói, então capital do Estado do Rio de Janeiro, Cauby era o caçula de seis irmãos: Aracy, Moacyr, Andyara, Aráken e Iracema; todos músicos. Sua mãe era Alice de Carvalho, uma cavaquista e seu pai, Eliziário "Cedete" Peixoto, um compositor, cantor e pianista. Nesse ambiente, Cauby também era primo-irmão do cantor Cyro Monteiro (esse, filho de uma irmã de seu pai, chamada Luíza). Assim, ambos ainda eram sobrinhos do pianista Romualdo Peixoto, popularmente conhecido como "Nonô". Eliziário morreu quando Alice tinha 20 anos, e a família passou por dificuldades, foram ajudados pela cunhada de Alice, conhecida como Dona Corina, a qual ajudou-os a se mudarem para Fonseca. Para os seis, nenhum trauma. Cauby com o tempo foi fazendo amizades em seu novo bairro, juntamente com Aráken e Andyara. Durante sua infância, seu hobby era ir à praia para aperfeiçoar seus dotes de nadador. Já pré-adolescentes, aprontavam muito, tanto que apanhavam e tinham castigos rigorosos.
Primeiros trabalhos
Cauby gravou seu primeiro álbum em 1951, pela Carnaval, que continha "Saia Branca" e "Ai, que Carestia". Na época, teve pouca repercussão. Gravou ainda, já no ano seguinte, "Blue Guitar", um dueto com Leny Eversong. No ano seguinte, veio "O Teu Beijo" e "Tudo Lembra Você". Em 1952, por intermédio de seu irmão Moacyr, conheceu Di Veras, empresário conhecido por suas estratégias de marketing. Ele o levou a São Paulo, especificamente à rua da Rádio Nacional. Di Veras começou a trabalhar na estética e na imagem pública de Cauby, exigindo que ele se vestisse bem, pois por ser de família humilde não era acostumado, mas perante os cantores da época, era uma obrigação ser elegante. As mudanças no seu visual tornar-se-ia uma constante.
Chegada ao estrelato
Em 1955 lançou seu primeiro sucesso no Brasil, o "Blue Gardênia", em uma versão que trouxe dos Estados Unidos em português. Na época, era um sucesso na voz de Nat King Cole, seu ídolo. Di Veras trabalhou com Cauby até 1958, quando ele atingiu o 5º lugar nos álbuns mais tocados nos EUA. Foi nessa época que o assédio das fãs se intensificou e que as tradicionais tentativas de arrancar-lhe pedaços de suas roupas começaram a fazer parte da cultura de suas admiradoras. Por influência de Di Veras, a imprensa dedicava bastante espaço para fofocas sobre sua vida amorosa. Em 1954, Di Veras conseguiu, pela primeira vez, que um cantor tivesse sua voz segurada no Brasil. Ainda, sugeriu que Cauby corrigisse seus dentes e o cantor acabou arrancando todos e substituindo-os por uma prótese.
Declínio da era do rádio
A partir dos anos 1950, Cauby tentaria sucesso em estilos como o rock e a bossa nova. A ideia era se adaptar à nova realidade da música brasileira, em que o formato de apresentações ao vivo de canções tradicionais no rádio já caía em desuso por parte das emissoras. Em 1956, ele apareceu no filme Com Água na Boca cantando seu grande sucesso, "Conceição". A canção não estourou de imediato quando foi lançada como lado A de um disco com a Columbia. Depois, foi incluída no LP Você, a Música e Cauby e, lentamente, conquistando o público. Na época, foi citado nas revistas Time e Life como "o Elvis Presley brasileiro". Em 1957, foi o primeiro cantor brasileiro a gravar uma canção de rock em português, denominada "Rock and Roll em Copacabana", que foi composta por Miguel Gustavo, também autor da marchinha "Pra Frente, Brasil".
Últimos anos
Cauby apresentou-se durante os últimos quinze anos de sua vida, nas noites de segunda-feira, no Bar Brahma, no centro da cidade de São Paulo, sempre com a casa lotada. Já com dificuldade de locomoção, seus últimos shows foram apresentados com o artista sentado durante todo o tempo em que durava o espetáculo. Um ano depois de sua morte, o Bar Brahma o homenageou com o projeto Tributo Cauby, uma exposição que durou mais de um mês, com painéis de imagens e objetos sobre a vida e carreira de Cauby, além de shows e apresentações cujos temas eram sobre o artista. Em 2012, foi homenageado no carnaval pela escola de samba Águia de Ouro, onde desfilou em um carro alegórico, vestido de rei da MPB.
Cauby Peixoto morreu na noite de 15 de maio de 2016, aos 85 anos, em São Paulo, por volta das 23h50. Ele estava internado para tratar de uma pneumonia, desde o dia 9 de maio no Hospital Sancta Maggiore, no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo. A última apresentação do artista ocorreu no dia 3 de maio de 2016, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Cauby cantou ao lado de cantora Ângela Maria com quem estava em turnê de comemoração de sessenta anos de carreira. O velório de Cauby Peixoto aconteceu no hall da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, sendo seu corpo sepultado no Cemitério de Congonhas.
Em 22 de junho de 2016 pouco depois de sua morte Cauby ganhou prêmio póstumo no Prêmio da Música Brasileira, pelo seu trabalho "Cauby sings Nat King Cole" de 2015. Em 9 de Julho de 2016, um túnel na Estrada da Boiúna, Taquara, RJ. (via-expressa Transolímpica) recebeu o nome do cantor Cauby Peixoto. Em 2017, um ano após a morte de Cauby, o cantor Agnaldo Timóteo lança no Teatro Net Rio o CD "Obrigado, Cauby" em homenagem ao amigo e ídolo. Timóteo canta sucessos como "Conceição", em dueto com Cauby Peixoto, "Bastidores" e "Ninguém é de ninguém". No mesmo ano foi homenageado no projeto da Rede Globo Mar de Culturas, realizado no Teatro Popular Oscar Niemeyer, que recebeu o público para show e conversa com mediação de Fábio Júdice com os cantores Agnaldo Timóteo e Adriana Peixoto (sobrinha de Cauby). Em 2018, o ator Diogo Vilela, que havia interpretado Cauby no teatro no espetáculo "Cauby! Cauby!" há mais de uma década atrás, voltou a interpretá-lo em um novo projeto que estreou no Teatro Municipal Carlos Gomes e no Imperator no Rio de Janeiro. Em entrevista de 2020, o ator confirmou tem planos de continuar o projeto em homenagem a Cauby.


