Catedral de Santiago de Compostela
A Catedral de Santiago de Compostela é um templo católico situada na cidade de Santiago de Compostela, capital da Galiza, Espanha. É a sé da arquidiocese homónima e foi construída entre 1075 e 1128, em estilo românico, na época das cruzadas e durante a Reconquista Cristã, tendo sofrido depois várias reformas que lhe adicionaram elementos góticos, renascentistas e barrocos.
Segundo a tradição católica, o apóstolo Santiago Maior difundiu o cristianismo na Península Ibérica nos anos 36–37 ou 40. No ano 44 foi decapitado em Jerusalém por ordem de Herodes Agripa I (neto de Herodes, o Grande) e os seus restos mortais foram depois trasladados para a Galiza numa barca de pedra. Devido às perseguições dos romanos aos cristãos da Hispânia, o seu túmulo foi abandonado no século III. Ainda segundo a lenda, este túmulo foi descoberto na segunda década do século IX pelo eremita Pelágio (ou Paio) depois de avistar umas luzes estranhas no céu durante a noite. Tendo comunicado a descoberta ao bispo de Iria Flávia, Teodomiro, este reconheceu o feito como um milagre[nt 2] e informou da descoberta o rei Afonso II das Astúrias e da Galiza. O rei ordenou a construção de uma capela no local da sepultura, dedicada ao culto do apóstolo. Diz a lenda que o rei foi o primeiro peregrino do santuário. A capela foi substituída por uma primeira igreja em 829, a qual deu lugar em 899 a uma outra, em estilo pré-românico. Esta última foi construída a partir de 872 por ordem de Afonso III e foi consagrada por dezassete bispos. O local tornou-se um destino de peregrinação cuja popularidade e importância foi aumentando gradualmente.
Descoberta do sepulcro
As origens do culto a Santiago na Galécia perdem-se nos anais dos tempos. Em finais do século VII difunde-se no noroeste da Península Ibérica a lenda de que o apóstolo teria sido enterrado nessas terras, depois de as evangelizar. A evangelização da Hispânia por Santiago é mencionada pelo arcebispo hispânico Isidoro de Sevilha (560–636) no seu tratado “De Ortu et Obitu Patrum” e pelo bispo inglês Adelmo de Malmesbury (639–709).[nt 7] Segundo esta lenda, na primeira década do século IX (é comum referir especificamente o ano 813),[nt 2] oito séculos depois da morte do apóstolo Santiago, um eremita chamado Pelágio (ou Paio), juntamente com outros fiéis, viu umas luzes estranhas perto de um lugar conhecido como Solovio, num bosque chamado Libredón,[nt 8] e comunica a ocorrência a Teodomiro, bispo de Iria Flávia. Depois de três dias de jejum, o bispo e o seu séquito deslocaram-se ao local e descobriram entre o matagal um monumento construído em placas de mármore, constituído por um pequeno edifício abobadado em ruínas. Numa câmara do interior havia um túmulo em mármore e um altar, pelo que não tiveram dúvida alguma de que se tratava do sepulcro do apóstolo e dos seus dois discípulos Atanásio e Teodoro.
Igreja primitiva
Dada a importância religiosa e política do achado, como já foi referido, o rei Afonso II mandou construir uma igreja pequena e simples. Para tal foram derrubadas as colunas existentes e construída uma parede rodeando a arca de mármore e formando uma nave de planta retangular, com uma pequena abside. A igreja foi coberta com um teto em madeira. A antiga cela do sepulcro foi mantida na cabeceira. Deste primeiro templo só se conserva o lintel da entrada e as bases das paredes. Aparentemente também existia um batistério a norte da igreja.[carece de fontes?] No decurso de escavações levadas a cabo em 1879 por baixo da abside da catedral, dirigidas pelo historiador López Ferreiro, quando Miguel Payá y Rico era arcebispo de Compostela, foram descobertas as fundações do sepulcro primitivo, denominado "Arca marmarica", com restos de um altar que constava de uma lage lisa sobre um fuste de pedra de pedra também ele liso. Era de planta quadrada, com cerca de oito metros de lado, e tinha outro corpo central, mais pequeno e retangular, construído com grandes perpianhos; as paredes exteriores eram em alvenaria. Tinha um pórtico com colunas e era pavimentada com lajes de granito. A cobertura do sepulcro tinha uma orla de mosaico romano.
Igreja pré-românica
Durante o reinado de Afonso III, o Grande (r. 866–910), devido ao número crescente de peregrinos e às pequenas dimensões da igreja, decidiu-se construir um novo templo, de maiores dimensões e com melhor construção do que o existente. A nova igreja foi construída em estilo estilo pré-românico, com três naves e uma abside quadrangular, que integrou a igreja anterior no presbitério. As sepulturas de Santiago e dos seus discípulos não foram mexidas. Na cabeceira central foi colocado um altar dedicado a São Salvador e nas absidíolas laterais foram construídos dois altares: um à direita, dedicado a São Pedro, e outro à esquerda, dedicado a São João Evangelista. Na fachada havia um nártex com pórtico e no lado norte foi mantido o edifício do batistério. O teto era de madeira, com duas águas. Ainda existem restos da parte superior de três janelas laterais, em arco de ferradura.
Igreja românica
O templo do século X também se mostrou pequeno para atender às numerosas peregrinações que acorriam a Santiago de Compostela. Sob o impulso do rei Afonso VI, o Bravo e do bispo Diego Páez em 1075 foram iniciadas as obras para construir uma grande catedral românica, as quais ficaram a cargo dos mestres de obras Bernardo, o Velho, que concebeu e desenhou o projeto, e do seu ajudante Galperino Roberto. Segundo Códice Calixtino, trabalharam na construção 50 canteiros. A destituição do bispo Diego Páez em 1088 fez parar as obras por algum tempo. Cinco anos mais tarde, as obras estavam novamente em marcha, impulsionadas pelo recentemente nomeado administrador da diocese, Diego Gelmires, com o apoio do novo bispo Dalmácio e posteriormente também de Raimundo de Borgonha, nomeado Conde da Galiza em 1095. Em 1101, o Mestre Estêvão abandona a cidade de Compostela, deixando completas as capelas do deambulatório e iniciadas as obras da fachada das Pratarias. A partir daí os trabalhos prosseguiram com regularidade; em 1111 foram terminadas as obras no cruzeiro em 1122 (a acreditar no Códice Calixtino) foi colocada a última pedra. Diego Gelmires foi teve um papel fulcral não só na construção da catedral como na intensa atividade de construção vivida na cidade nessa época. Tendo sido nomeado bispo em 1100, em 1120 tornou-se o primeiro arcebispo de Compostela. Apesar de ter havido várias paragens nas obras, a grande quantidade de esmolas conseguidas possibilitou que a igreja fosse consagrada em 1128.[carece de fontes?]
Peregrinação
Desde o início do século IX, com o achado das relíquias do apóstolo e com o patrocínio e proteção do rei Afonso III das Astúrias, a notícia espalha-se rapidamente por toda a Europa cristã e os peregrinos começam a acorrer ao lugar denominado Campus Stellae (provavelmente a origem do nome Compostela), o qual se converteu progressivamente num centro de peregrinação com a fundação de um convento e de diversas hospedagens na cidade. Em 850, Godescalco, bispo franco da diocese de Le Puy peregrinou até ao sepulcro e é considerado o primeiro peregrino estrangeiro documentado. No século XII, religiosos da Ordem de Cluny elaboraram para o arcebispo Gelmires a “Historia Compostelana” e o “Codex Calixtinus”; este último foi publicado c. 1140. Os reis ibéricos promoveram a criação de uma rede de mosteiros clunicenses no norte da Península Ibérica, especialmente ao longo ou nas proximidades das rotas de peregrinação, os chamados Caminhos de Santiago, o que originou o aparecimento de grandes edifícios de estilo românico. A Igreja concedeu um privilégio, outorgado pelo papa Calisto II e confirmado pelo papa Alexandre III (p. 1159–1181), segundo o qual nos anos em que o dia de Santiago, 25 de julho, coincidisse com um domingo a peregrinação a Compostela dava aos peregrinos de Santiago as mesmas graças que eram concedidas aos peregrinos de Roma nos anos jubilares celebrados a cada 25 anos. A bula que confirma a atribuição desse privilégio, a Regis aeterni, datada de 1179 é a mais antiga bula de concessão que ainda existe.
Reformas dos séculos XVII e XVIII
Durante os séculos XVII e XVIII foram levadas a cabo transformações profundas na catedral, tendo sido introduzidos elementos barroco, tanto no interior como no exterior da basílica. As obras começaram a partir de 1643, quando Filipe IV outorga um renda anual para financiar as obras na cabeceira. Em 1649 chega a Santiago José Vega y Verdugo, que introduz verdadeiramente o barroco na catedral. Em 1657 o arquiteto madrileno Pedro de la Torre inicia a remodelação da capela maior.[carece de fontes?] No século XVIII, o arcebispo Malvar decide modificar a cabeceira, ampliando-a em direção à Praça da Quintana, para o que encomendou a Miguel Ferro Caaveiro os planos da obra. Este entregou pelo menos dois esboços, seguindo «as ideias do excelentíssimo senhor arcebispo», tendo os plantas sido desenhadas pelo arquiteto Melchor de Prado y Mariño. O primeiro projeto previa a demolição da parede construída por Peña de Toro na Praça da Quintana para fechar a fachada oriental, a Porta Santa e as capelas do Salvador e de Nossa Senhora, a Branca, para erigir um corpo retangular na continuação da abside, junto ao coro, situado na nave maior, e abrir espaço para a sacristia e um panteão para os arcebispos. O segundo projeto, maior do que o primeiro, implicava a demolição das capelas de São Pedro, São João, São Bartolomeu e do Espírito Santo, que seriam trasladadas para a zona ampliada, assim como a construção de um novo pórtico em frente à fachada das Pratarias «com o fim de conservar os monumentos que há na antiga (que permanece ilesa) à semelhança da principal ou do Salvador».[nt 9] A morte do arcebispo em 1795 fez abortar este projeto de reforma.[carece de fontes?]
A Catedral de Santiago foi modificada em numerosas ocasiões desde a sua construção, com diversas obras e ampliações (torres, claustro, paredes, capelas, etc.) que foram alterando substancialmente a planta em cruz latina original. Atualmente é um edifício complexo, do qual dificilmente o visitante consegue ter uma perceção clara da sua arquitetura e distribuição dos diversos espaços e estruturas. Para ter uma visão global do edifício, é mais eficaz apreciar a grande maquete atualmente exposta na secção da Praça de Pratarias do Museu das Peregrinações e de Santiago.[nt 10] O “Guia do Peregrino” escrito por Aymeric Picaud entre 1135 e 1140, integrado no Códice Calixtino, constitui a primeira descrição detalhada do que era a cidade de Santiago e a sua catedral no século XII, às quais dedica todo o capítulo IX.[nt 11] Picaud descreve as dimensões da basílica: 53 "alturas de homem" (em latim: status hominis) de comprimento por 39 de largura e 14 de altura interior, ou seja, respetivamente, 90, 66 e 24 metros (López Ferreiro corrigiu estas medidas para 97, 65 e 22 metros),[nt 12] as suas 9 naves (6 pequenas e 3 grandes), 9 torres, 29 colunas, 63 janelas, 3 pórticos principais e 7 pequenos, etc. Descreve detalhadamente as três portas principais: a setentrional ou Francígena, a meridional (a que não chama de Pratarias, um nome surgido mais tarde) e a porta ocidental. Desta última há muito menos detalhes («são tantos os motivos que é que é impossível descrevê-los»), mas menciona a imagem e cenas da Transfiguração. O certo é que quando visitou a catedral, ainda não estavam terminados os últimos tramos da nave nem podia ainda existir tal porta, pelo que se supõe que o que descrevia era o projeto que nunca chegou a ser realizado e que Mateus redesenhou anos depois.
A fachada ocidental do Mestre Mateus
Quando se diz que o Mestre Mateus completou os últimos tramos da nave principal da catedral, está falar-se da cripta ou catedral velha, do Pórtico da Glória e da fachada ocidental que se abria para o que é hoje a Praça do Obradoiro. Esta fachada conservou-se intacta até que no início do século XVI se fizeram as primeiras modificações, que consistiram no fecho dos arcos de acesso à igreja (então aberta dia e noite para os peregrinos) com grandes portas, o que implicou a retirada das primeiras estátuas e outros elementos da fachada exterior. Foram também feitas outras modificações, como a instalação de novas escadarias de acesso ao templo, mas seria a construção da fachada barroca de Casas Novoa em 1738 que modificaria substancialmente a fachada originalmente românica de Mateus, da qual apenas se mantiveram os dois corpos inferiores das torres laterais.[carece de fontes?]
Fachada ocidental atual (do Obradoiro)
A fachada ocidental da catedral, chamada do Obradoiro, dá acesso à nave principal. Está virada para a Praça do Obradoiro, a mais emblemática da cidade. O seu nome é uma alusão ao estaleiro ou oficina (obradoiro) de canteiros que funcionava na praça durante a construção da catedral. Para proteger o Pórtico da Glória da deterioração que sofria devido às inclemências meteorológicas, esta fachada e as suas torres sofreram várias reformas desde o século XVI, como já referido. Em 1738 o cabido decidiu construir a atual fachada barroca devido à «ruína de que padece o espelho [rosácea] e à falta que faz a torre pela igualdade com a outra», para o que contratou Fernando de Casas Novoa, discípulo de Domingo de Andrade. A fachada desenhada por aquele arquiteto dispõe de grandes janelas envidraçadas que permitem iluminar o interior e situa-se entre as torres das Campás (à direita [sul]) e da Carraca (à esquerda [norte]). Para a sua construção começou por derrubar-se o que então restava da fachada medieval. A meio do corpo central está a figura de Santiago Apóstolo e num nível mais abaixo os seus dois discípulos Atanásio e Teodoro, todos vestidos de peregrinos. A meio encontram-se uma urna, representando o sepulcro encontrado no século IX e a estrela que representa as luzes avistadas pelo eremita Pelágio, entre anjos e nuvens. Na torre da direita (sul) está Maria Salomé, mãe de Santiago, e na torre da esquerda o seu pai Zebedeu. Sobre a balaustrada da parte esquerda pode ver-se Santa Susana e São João e na da direita Santa Bárbara e Santiago Menor.
Fachada meridional (das Pratarias)
A fachada das Pratarias (em galego: das Praterías) é a fachada do lado sul do cruzeiro da catedral e é a única fachada românica que ainda se conserva. Foi edificada entre 1103 e 1117 e durante os séculos posteriores foram-lhe sendo adicionados outros elementos provenientes de outras partes da catedral, como o Pórtico do Paraíso ou o Coro Pétreo. Outras modificações substanciais foram a construção da Torre do Relógio no século XIV e da Fachada do Tesouro. A Praça das Pratarias é delimitada pela catedral e pelo seu claustro em dois dos seus lados. Em frente à Fachada das Pratarias encontra-se a Casa do Cabido. O nome das Pratarias deve-se ao facto da praça ser o local da cidade onde se concentravam as oficinas e lojas de ourives de prata.[carece de fontes?]
Fachada setentrional (da Acibechería)
A Fachada da Acibechería é a fachada do lado norte do cruzeiro e abre-se para a Praça da Imaculada. Em frente dela situa-se o Mosteiro de São Martinho Pinário onde desde o século XIX funciona o seminário maior. É nela que desemboca o últmo trecho dos caminhos francês, primitivo, do norte e inglês, cujos peregrinos entravam na catedral pela antiga Porta Francígena ou do Paraíso, existente antes da construção da atual fachada. O portal românico foi construído em 1122 por Bernardo, tesoureiro da catedral, e foi demolida depois de ter sofrido em incêndio em 1757. Algumas peças de escultura que se salvaram foram colocadas na fachada das Pratarias, enquanto que as restantes que não desapareceram integram atualmente parte da coleção do Museu da Catedral.[carece de fontes?]
Fachada oriental (da Quintana)
Esta fachada constitui a face exterior da cabeceira da catedral e fecha o lado ocidental a Praça da Quintana. No século XVII José Vega y Verdugo desenhou unha estrutura para fechar a cabeceira da catedral, a qual era então formada por diversas capelas e portas dispostas irregularmente.[nt 17] Foi assim criada a fachada da catedral que dá para a Praça da Quintana, uma parede uniforme de pedra que oculta a cabeceira original, disposta em três panos e contendo três portas principais — de sul para norte: Porta Real, Porta Santa e Porta dos Abades. Há ainda uma porta acessória, ao lado da Porta Santa.[carece de fontes?] A Porta Real é de estilo barroco e a sua construção foi iniciada sob a direção de José Peña del Toro em 1666 e finalizada por Domingo de Andrade en 1700, que ergueu quatro grandes colunas flanqueando a porta, que abarcam dois andares de janelas, uma balaustrada com grandes pináculos e uma edícula com uma escultura equestre de Santiago (atualmente desaparecida), profusamente ornamentada com cachos de fruta e troféus militares em grande escala. A porta é coroada com o escudo real debaixo de um frontão curvo. Era por esta porta que os reis de Espanha entravam na catedral, daí o seu nome.
Torre das Campás
As torres que originalmente se encontravam na fachada principal da catedral, atualmente chamada do Obradoiro, eram românicas e foram modificadas entre os séculos XV e XVIII. A situada do lado da epístola (direito; sul) denomina-se "das Campás" ("dos sinos") e a do lado oposto (do Evangelho, esquerdo; norte) "da Carraca" (da matraca).[nt 21] Ambas têm entre 75 e 80 metros de altura. O primeiro corpo da torre das Campás foi construído no século XII, tendo sofrido várias modificações no século XV. Em 1483 o rei Luís XI de França doou dois sinos, os maiores dos treze com que conta atualmente. Devido a uma inclinação na estrutura detetada entre os séculos XVI e XVII teve que ser reforçada com contrafortes. Entre 1667 e 1670 José Peña del Toro dirigiu a construção do corpo em estilo barroco no qual se encontram alojados atualmente os sinos; a obra foi terminada por Domingo de Andrade. A arquitetura das torres provoca um grande efeito de perspetiva graças às suas linhas verticais e ao escalonamento dos seus andares.
A estrutura do edifício ocupa uma área de 8 000 metros quadrados. Consta de uma planta basilical de cruz latina de três naves, também no transepto, e trifório (chamado localmente tribuna), o qual liga diretamente com o paço episcopal, conhecido na atualidade como Paço de Gelmires. Na cabeceira situa-se a capela-mor, rodeada por uma charola pela que se acede a cinco capelas radiais menores. Esta estrutura segue os exemplos franceses dos templos de peregrinação, novas formas construtivas chegadas através do Caminho. As naves central e laterais têm cerca de 100 metros de comprimento e o cruzeiro cerca de 70 metros. A altura da nave central é de 22 m na chave da abóbada em todo o seu percurso e na abóbada do cruzeiro atinge a altura máxima de 32 m. O zimbório, de estilo gótico, é do final do século XIV e início do século XV e substitui o antigo em estilo românico; situa-se sobre o centro do transepto.
Capela-mor
A capela-mor era originalmente românica, mas foi completamente reformada durante o período barroco, a partir de 1657, por ordem de José Vega y Verdugo, o mestre de obras nomeado pelo papa Inocêncio X. Nas obras desse período trabalharam diversos artistas notáveis, como o catalão Onafre, Bernardo Cabrera ou o ourives Xosé Clemente, sob a direção do salmantino José Peña de Toro e sobre um projeto inicial de Pedro de la Torre. Os pilares e colunas românicas foram então revestidas por colunas salomónicas, jaspes vermelhos e mármores negros. Quando Vega y Verdugo abandonou as obras para ir para Granada, em 1672, só estava construído o primeiro corpo do baldaquino, cujas obras são continuadas por Domingo de Andrade, que em vez da cúpula prevista optou por uma de forma piramidal de três corpos.
Outras capelas
Em redor do núcleo principal da catedral abrem-se diversas capelas datadas de várias épocas e diferentes dimensões e riqueza ornamental. O Códice Calixtino regista nove capelas, cinco na abside e quatro nas naves menores. As primeiras estavam dispostas radialmente, em redor do deambulatório e eram as seguintes: do Salvador, no centro; de São Pedro (hoje da Açucena) e São João Evangelista nos lados; e as de Santo André e de Santa Fé de Conques (hoje de São Bartolomeu) nas extremidades. Na nave que dá para a Acebechería existiam as capelas de São Nicolau e da Santa Cruz (hoje de Mondragón). Na nave que dá para as Pratarias situavam-se as capelas de São Martinho ou de São Frutuoso — que foi fundida com a de Santo André e atualmente é conhecida como capela do Pilar, — e o altar de São João Batista, no local agora ocupado pelo Pórtico Real. Com o passar dos séculos foram construídas novas capelas e acabando-se com outras.
Coros
Realizado pelo Mestre Mateus e pela sua oficina cerca de 1200, ocupava quatro tramos da nave central, era de forma retangular com ameias[nt 29]. Os assentos cerimoniais eram decorados com imagens de apóstolos e profetas que se encontravam entre edifícios, numa representação da Jerusalém Celestial. Foi desmantelado e removido da catedral em 1603 para ser substituído por outro de madeira e a suas peças foram utilizadas para outros fins, nomeadamente alvenaria. Vinte e quatro esculturas de apóstolos, profetas e patriarcas procedentes deste coro encontram-se na fachada da Praça da Quintana. Em diversas escavações e obras de restauro foram-se encontrando peças que pertenciam ao coro, que atualmente estão expostas no Museu da Catedral e noutros lugares. O militar e cronista do Apóstolo Santiago Mauro Castellá Ferrer, que testemunhou a sua destruição, escreveu: «foi desfeito o mais lindo coro antigo que havia em Espanha».
Cruzes de consagração
Nas paredes da nave podem ver-se doze cruzes que foram usadas no dia da consagração, em abril de 1211. Estão distribuídas simetricamente: seis na nave principal, (três em cada lado), duas em cada um dos braço do cruzeiro (igualmente uma em cada lado) e as restantes duas no deambulatório, em ambos os lados da capela do Salvador. Quase todas estão no local onde foram originalmente colocadas, embora algumas tenham sido elevadas ou deslocadas: as duas mais próximas do Pórtico da Glória e a que está sobre a porta da capela do Espírito Santo.[nt 31] Em todos os casos trata-se de uma cruz inscrita num círculo com um texto gravado, sempre com os braço iguais, como era usual no românico final. Sobre os braços horizontais são representados o Sol e a Lua (porque no Céu não há dia nem noite) e por baixo figuram o alfa e o ómega (princípio e fim, símbolo da eternidade de Deus). No braço inferior há uma cunha que servia para segurar as cruzes a uma haste. Todos os elementos (cruz, círculo, Sol, Lua, alfa e ómega) estão pintados a ouro (originalmente eram dourados com folha de ouro). As inscrições da auréola circular das cruzes — em alguns casos repetidas — registam fórmulas litúrgicas e doutrinais. Três delas fazem referências à data de consagração e ao sacerdote oficiante.[carece de fontes?]
Botafumeiro
O botafumeiro[nt 32] é um enorme incensário de latão banhado a prata, que pesa 62 kg vazio e mede 1,60 m de altura. É o maior incensário do mundo. Numerosas fontes apontam outros pesos, referindo-se ao peso quando está carregado, a modelos anteriores ou a simples erros. O botafumeiro atual pesava 60 kg, mas em 2006 um banho de prata fez aumentar sua massa para os 62 kg atuais.[carece de fontes?] A corda que o suspende, presa ao cimo do cruzeiro da catedral, é atualmente de um material sintético, mede 65 metros, tem 5 cm de diâmetro e pesa 90 kg. Anteriormente as cordas eram feitas de cânhamo ou de esparto. O botafumeiro é enchido com cerca de 40 kg de carvão e incenso e é atado à corda. É elevado e movido ao longo da nave mediante um mecanismo de roldanas. Para tal, um grupo de oito homens, os chamados "tiraboleiros", começam por empurrá-lo para pô-lo em movimento e depois puxam cada um cabo preso à corda para ir conseguindo e mantendo a velocidade pendular.[carece de fontes?] O movimento pode alcançar 68 km/h de velocidade durante o percurso ao longo do cruzeiro, desde a porta da Acibechería à porta das Pratarias, descrevendo um arco de 65 metros e uma altura máxima de 21 metros (com um ângulo de 82º). Para alcançar essa altura máxima são necessários 17 percursos completos.
Outros elementos de interesse
A catedral dispõe de dois grandes órgãos, situados na parte central, abarcando dois tramos altos da nave principal. Foram doados pelo arcebispo Monroy e foram fabricados entre 1708 e 1712 por encomenda do capítulo catedralício ao mestre Manuel de la Viña. A caixa é da autoria do arquiteto Antonio Afonsín e do escultor Miguel Romay. Em 1978 os dois órgãos foram fundidos num só; a consola foi então substituída e forma incluídos mecanismos eletrónicos e digitais. Os órgão são coroados por uma imagem de Santiago Matamoros, à esquerda, e da aparição da Virgem a Santiago, à direita.[carece de fontes?] Junto aos pilares que flanqueiam a capela-mor há duas estátuas com função de caixa de esmolas: Santiago Alfeu num dos dos lados e Maria Salomé, mãe do apóstolo Santiago, no outro. A estátua do primeiro é do século XIV e tem uma cartela onde se lê «Ecce arca Hoperis Beati Iacobi Apostoli» ("arca da esperança do apóstolo Santiago"). A estátua de Salomé é de 1527.[carece de fontes?]
Fundado em 1928,[nt 33] o Museu da Catedral de Santiago de Compostela é uma instituição que acolhe e expõe diversas obras artísticas e arqueológicas que são propriedade da sé compostelana e que abarcam desde a época romana até à atualidade. A coleção do museu divide-se num bloco arqueológico num bloco artístico-religioso. O primeiro é formado pelos restos encontrados nas escavações levadas a cabo na catedral e por peças que foram retiradas durante as sucessivas reformas e modificações. O segundo bloco é constituído por diversas peças acumuladas ao longo dos séculos, provenientes de oferendas e doações.[carece de fontes?] O museu situa-se na própria catedral e distribui-se por vários espaços: Junto à Capela das Relíquias encontra-se uma capela gótica que contém diversos tesouros da catedral, entre os quais se destaca a custódia processional realizada em 1544 pelo ourives Antonio de Arfe. Com um metro e meio de altura, essa custódia tem quatro andares formados por colunas de estilo plateresco com numerosas figuras dos apóstolos e um Cristo ressuscitado; na base estão gravadas cenas da vida do apóstolo Santiago. A exposição consta ainda diversas cruzes pertencentes a vários arcebispos e de diferentes épocas, imagens de prata dos séculos XVI e XVI, crucifixos de marfim e uma Virgem do mesmo material, do século XVI.
O claustro atual foi construído entre 1521 e 1559 sobre um claustro anterior do século XIII, segundo planos dos arquitetos Juan de Álava e Rodrigo Gil de Hontañón, e foi reformado no século XVIII por Casas Novoa. É de estilo gótico na sua estrutura e renascentista da escola castelhana no seu desenvolvimento e decoração. É coroado por uma balaustrada com pináculos. Como é habitual nos claustros antigos, serviu de cemitério de cónegos e outras personagens ligadas à catedral.[carece de fontes?] Tem planta quadrada com 34 metros de lado e acolhe num dos ângulos os sinos originais da Torre Berenguela, que foram substituídas em 1990. No centro encontra-se a Fons mirabilis ("fonte maravilhosa"), construída em 1122 pelo mestre Bernardo para acolher os peregrinos que chegavam à catedral pela Porta Francígena (no que é hoje a fachada da Acibechería). No lado norte do claustro situa-se a capela de Alba, fundada em 1530, que guarda no seu interior um retábulo com a Transfiguração de Jesus, uma obra do século XVIII.[carece de fontes?]


