Cataclasito
Cataclasito é uma rocha granular coesiva, composta por fragmentos angulares de tamanho variável, imersos numa matriz de grão mais fino, de composição semelhante, que constitui mais de 10% do volume da rocha. O cataclasito é encontrada em falhas geológicas, nas quais a cominuição é o processo determinante na formação destas rochas. Pertencem à categoria das rochas cataclásticas que se formam por cataclase nas falhas ou fracturas situadas na parte superior da crusta terrestre. Os cataclasitos podem apresentar foliação, desenvolvida através de fluxo cataclástico, e frequentemente mineralizadas devido ao fluxo de fluidos ao longo das zonas de falha. Os cataclasitos distinguem-se da farinha de falha, que é incoesa, e da brecha de falha, que contém fragmentos mais grosseiros.
O cataclasito é uma rocha metamórfica cataclástica, normalmente de grão fino com tendência equidimensional, com uma estrutura maciça, pouco foliácea, no que se distingue do milonito que mostra minerais filitosos e comportamento mais plástico ou dúctil durante as tensões metamórficas. Os cataclasitos são compostos por fragmentos da rocha preexistente, bem como por uma matriz constituída por microfragmentos esmagados, que mantém a rocha coesa. Existem diferentes tipos de esquemas de classificação para cataclasitos na literatura de rochas de falha. O esquema de classificação original, desenvolvido por Richard H. Sibson, classifica-os pela sua proporção de matriz de grão fino para fragmentos angulares. O termo brecha de falha é usado para descrever um cataclasito com grãos mais grosseiros, sendo que na brecha de falha os clastos maiores que dois milímetros que constituem pelo menos 30% da rocha.
Os cataclasitos formam-se através da fracturação progressiva de grãos minerais e agregados, um processo conhecido como cominuição. Os cataclasitos são o resultado da cominuição, juntamente com o deslizamento por atrito e a rotação de grãos durante o processo de falhamento e posterior transporte. O processo de esmagamento, deslizamento por atrito e rotação de grãos é designado por cataclase. A cominuição, juntamente com o deslizamento por atrito e a rotação dos grãos, pode permitir que uma rocha flua macroscopicamente sobre uma ampla zona rúptil na crusta. Este fluxo macroscópico devido à combinação de mecanismos de deformação rúptil é designado por fluxo cataclástico. Muitas falhas geológicas situadas perto da superfície da Terra atravessam rochas muito quebradiças (com extrema ruptilidade) e mostram evidências de deformação a baixa temperatura. A baixas temperaturas, não há energia suficiente para que os grãos dos cristais se deformem plasticamente, pelo que cada grão fratura tende a fracturar em vez de sofrer alongamento ou recristalização. Nestes sistemas, seria mais provável a formação de cataclasitos do que de milonitos, cuja formação exigiria a deformação plástica dos cristais. Devido ao quartzo ser o principal mineral em muitas rochas que se encontram em regime rúptil na crusta terrestre, a transição rúptil-dúctil para o quartzo pode ser uma boa indicação de onde os cataclasitos se formariam antes da deformação dúctil passar a ser dominante. Essas condições de predomínio do regime rúptil normalmente ocorrem nos 10-12 km superiores da crusta continental.


