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Castelos japoneses

Os castelos japoneses shiro? eram fortificações construídas principalmente com pedras e madeira. Estes evoluiram a partir das edificações de madeira de séculos anteriores até às formas mais conhecidas que surgiram no fim do século XVI e início do século XVII, seguindo o exemplo do Castelo Azuchi, construído por Oda Nobunaga e o primeiro do seu tipo que utilizou a pedra na base do castelo, tornando-o mais resistente. Da mesma forma que os castelos de outras partes do mundo, os castelos japoneses eram construídos para vigiar locais estratégicos ou importantes como portos, rios, estradas, e quase sempre levavam em conta as características do lugar para sua maior defesa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/07/2026
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Etimologia

Em japonês, o kanji utilizado para se referir à palavra castelo é 城 (shiro), que lê-se como shiro de acordo com a pronúncia Kun'yomi, isto é, quando o kanji não está acompanhado por outro, ou jō segundo a On'yomi, ou quando forma parte de uma palavra. Um exemplo é Kumamoto-jō (熊本城) ou Castelo Kumamoto. Em português, para se referir a um castelo pode-se omitir a terminação jō, mencionando-se somente o seu nome. Outro aspecto importante a considerar é que geralmente os castelos estão nomeados de acordo com a cidade, região ou prefeitura onde se encontram. Por exemplo, o Castelo Gifu se encontra na cidade de Gifu, assim como o Castelo Komoro, o Castelo Hiroshima, entre outros.

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História

Desde 1931 começou-se a reconstrução de antigos castelos, sendo o primeiro o de Osaka, seguido do Castelo Gujō Hachiman em 1933 e o Iga Ueno em 1935. Outra etapa de destruição dos castelos teve lugar durante a Segunda Guerra Mundial, na qual muitos foram destruídos pelos bombardeios das regiões da costa do Pacífico. Somente alguns castelos localizados em áreas remotas, como o Castelo Matsue ou o Castelo Matsumoto permaneceram intactos. Depois do conflito ressurgiu a intenção de reconstruir os antigos castelos e desde então uma grande quantidade deles foi erigida, sendo destinados em sua maioria a abrigar museus locais. Os materiais empregados normalmente são materiais modernos, como o concreto, por isso dos castelos existentes, somente doze conservam sua construção original. Dos castelos atuais, os castelos Matsumoto, Inuyama, Hikone e Himeji foram nomeados Tesouros nacionais (国宝, kokuhō) pelo Ministério de Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão, enquanto os castelos Maruoka, Matsue, Marugame, Uwajima, Bitchū Matsuyama, Hirosaki e Matsuyama foram designados «Propriedade de importância cultural» (重要文化財, jūyō bunka zai). Finalmente, os castelos Nijō, Himeji, Nakijin, Naka e Shuri estão catalogados como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Primeiras fortificações

As primeiras fortificações em Japão datam do período Yayoi (300 a.C. - 300 d.C.), período que se caracteriza pela expansão do cultivo de arroz assim como a introdução de metais (primeiramente ferro e depois bronze) no arquipélago por parte de imigrantes provenientes da Ásia continental. As comunidades da cultura Yayoi começaram a crescer e deslocar aos nativos, razão pela qual construíram fortificações para proteger seus interesses e assentamentos. As primeiras fortificações foram construídas em pontos elevados do terreno com a finalidade de servir como postos de vigilância em caso de ataques. Ademais de evidências arqueológicas, antigos registos da China referentes ao Japão, antigamente conhecido neste país como Wa, mencionam a construção de fortificações neste período. O registo mais antigo sobre este tema se encontra no Wei Zhi, o qual documenta a história da dinastia Wei (220-265 d.C.). Outro importante registo é no Hao Hanshu, elaboradas em torno de 445 d. C.

Período Heian

No ano 710 foi estabelecida a primeira capital permanente do Japão, em Nara, transferida posteriormente para Quioto em 794, o que marcou o início do período Heian, o qual se caracterizava por uma série de guerras e revoltas que culminaram com as Guerras Genpei de 1180-1185. Durante este período foram construídos atalaias e paliçadas perante a iminência temporária ante a iminência de algum conflito, sobre toda região da capital. Um exemplo destas paliçadas, foi a de Fortaleza Kuriyagawa, um complexo defensivo de grandes proporções que foi sitiado no ano de 1062 durante a Guerra Zenkunen ou «Guerra dos nove anos». Em 1192 Minamoto no Yoritomo foi nomeado o primeiro xogun hereditário, depois de que o clã Minamoto vencera aos Taira durante as Guerras Genpei, sendo uma das vitórias mais importantes para Yoritomo a de Ichi-no-Tani, uma importante fortaleza costeira dominada pelos Taira na província de Harima, a oeste da atual Kobe.

Período Kamakura

A vitória de Yoritomo levou ao estabelecimento do primeiro xogunato ou ditadura militar no Japão, e ademais significou que a capital fora movida na direção de Kamakura, de onde se origina o nome do período. Kamakura foi, então, fortificada, uma prática incomum na história do país. O uso da pedra em fortificações e castelos foi praticamente nulo, só foi empregada em raras ocasiões depois das invasões mongóis do Japão. Kublai Khan, governante Yuan da China, lançou um primeiro intento de invasão no ano de 1274, apesar que a afronta foi breve, e praticamente o mesmo dia que desembarcaram no Japão retornaram à China. Esta experiência levou os japoneses a construir muralhas de pedra no entorno da baía de Hataka, lugar onde haviam desembarcado as forças invasoras. Quando os mongóis reapareceram em 1281 os muros construídos serviram como base para os arqueiros defensores.

Período Sengoku

A Guerra Onin que eclodiu em 1467, marcou o começo do chamado período Sengoku; uma era de cerca de 150 anos de guerras contínuas entre os daimyo (senhores feudais) ao longo de todo o arquipélago. Pela duração da Guerra Onin (1467-1477), toda a cidade de Kioto se transformou num campo de batalha e sofreu imensos danos. As mansões dos nobres começaram a fortificar-se durante 10 anos; além disso se realizaram esforços para isolar toda a cidade dos exércitos samurai merodeadores que dominariam a paisagem por quase um século. O país mergulhou na guerra e rapidamente começaram a ser construídas fortificações adicionais para tomar vantagem ou dominar lugares importantes, geralmente no alto das montanhas, conhecidas, por isso, como yamashiro («Castelos de montanhas»). Junto com os yamashiro surgiram então mansões fortificadas conhecidas como yashiki (屋敷), as quais iam desde simples edificações até complexos altamente desenvolvidos, em volta dos quais se construíam atalaias, muralhas e portas. Ambas estruturas tornaram-se então importantes centros políticos e militares, surgindo ao redor deles os chamados jokamachi (城下町).

Período Azuchi-Momoyama

A fraqueza dos castelos do período anterior, eram suas bases, geralmente «ladeiras esculpidas» que obrigavam os responsáveis pelos castelos a realizar importantes obras de manutenção por pelo menos cada cinco anos, além de não suportar construções de mais de três andares de altura. A solução encontrada consistiu em dispor amplas bases de pedra que caracterizam o típico castelo japonês. Esta solução também lhes rendeu um suporte extremamente rígido frente aos terremotos constantes que atingem o Japão. O sistema de base de pedra não foi disseminado rapidamente pelo país por motivos financeiros e porque geralmente os daimyo não utilizavam somente um castelo, mas habitualmente contavam com toda uma rede de castelos satélites. Neste caso, o castelo principal era chamado honjo, enquanto que os castelos secundários de apoio eram chamados shijo. Os shijo, eram normalmente administrados de modo independente do castelo principal, com o objetivo de administrar os territórios do feudo, estas tarefas nos castelos secundários eram encarregadas a membros da família governante ou a vassalos de muita confiança, leais ao clan. Os shijo, além disso, podiam ser réplicas em miniatura dos castelos principais, com a mesma base de pedra e atalaias de madeira. Finalmente, os shijo podiam estar apoiados por paliçadas fortificadas a semelhança dos antigos yamashiro do período sengoku.

Período Edo e Restauração Meiji

Após a morte de Toyotomi Hideyoshi, o país se dividiu em dois grandes bandos que se enfrentaram no ano de 1600: por um lado se encontravam os leais ao clan Toyotomi, liderados por Ishida Mitsunari, e no outro os seguidores de Tokugawa Ieyasu. A batalha, conhecida como batalha de Sekigahara, marcou o início da hegemonia do clan Tokugawa, o qual governou até 1868. O governo do clan Tokugawa é conhecido como xogunato Tokugawa ou período Edo, e começou em 1603, quando Ieyasu foi nomeado oficialmente xogun. Em 1615 o xogunato Tokugawa estabeleceu um sistema de regulamentação para os castelos que cada daimyo podia possuir. Devido a esta política, conhecida como ikkoku ichijo (一国一城, uma província, um castelo), muitos castelos foram destruídos ou desmantelados, e os restantes tornaram-se sedes das administrações locais.

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Elementos e características do castelo japonês

Todos os castelos do «sistema desenvolvido» (aqueles com bases de pedra e complexos de edifícios) tinham certos elementos em comum.

Arranjo geral

No apogeu do típico castelo japonês, no ano de 1591 Toyotomi Hideyoshi decretou o «Edito de Separação», com o qual se buscava separar formalmente os samurais dos camponeses. Este edito afetou também a organização das cidades castelo, já que enquanto os soldados viviam dentro, os camponeses viviam fora da cidade. Durante esta época tinha suma importância a classificação dentro do clã, pois quanto mais acima se estivesse na escala hierárquica, mais próximo se encontrariam os quartos da torre de menagem. Os servos mais antigos, ou karō, ficavam logo fora da torre principal e mais afora ficavam os soldados ashigaru, protegidos somente por fossos ou muros de terra. Entre os ashigaru e os karō encontravam-se os artesãos e mercadores. Fora do anel formado pelos quartos dos ashigaru encontravam-se os templos e santuários, os quais constituíam os limites da cidade castelo. E logo afora se encontravam os campos de arroz.

Muros e muralhas

Os sucesivos kuruwa e maru estavam divididos entre si por fossos, diques, muros menores construídos em cima das bases de pedra, chamadas dobei (土塀), e as muralhas de pedra, chamadas ishigaki (石垣). Os muros, feitos a base de gesso e pedras, costumavam ter lacunas chamadas hasama (狭間) cuja função era permitir aos defensores atacar aos sitiadores de uma posição interior o mais protegida possível. Utilizavam-se orifícios circulares ou triangulares para arcabuzes, e rectangulares para flechas. Estes muros tinham também uma função estética, por isso eram pintados e adornados com fileiras de árvores e arbustos; geralmente pinheiros. As grandes bases de pedra, que chegavam a alcançar alturas de até quarenta metros, constituíam os fundamentos do castelo. Tais bases eram construídas segundo o desenho do maru e dos kuruwa, unindo as bases com um desenho de cunha.

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