Castelo Real de Varsóvia
O Castelo Real de Varsóvia é um antigo palácio real polaco, com quase sete séculos de história, que serviu como sede do Sejm e do senado da Rzeczpospolita, além de ser a residência oficial dos Reis da Polónia. Localizado na Plac Zamkowy, na entrada da Cidade Velha de Varsóvia, o castelo é um poderoso símbolo da soberania e da rica história polaca, tendo sua estrutura atual evoluído por fases desde o século XIV.
Pontos-chave
- O Castelo Real de Varsóvia é um antigo palácio real polaco com quase sete séculos de história.
- Serviu como sede do parlamento polaco (Sejm e senado) e residência oficial dos Reis da Polónia.
- Foi gravemente danificado e quase demolido pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, mas muitos artefatos foram salvos por especialistas polacos.
- Atualmente, funciona como museu e local para eventos oficiais, recebendo mais de 500.000 visitantes anualmente.
- Seu interior foi meticulosamente restaurado para refletir as condições originais pré-Segunda Guerra Mundial, abrigando importantes documentos históricos como a Constituição de Maio.
A história do Castelo Real de Varsóvia é marcada por períodos de esplendor e destruição. Em 1939, durante a Invasão da Polónia, o castelo foi bombardeado pela artilharia alemã, resultando na destruição de partes do telhado, torretas e do afresco 'A Criação do Mundo'. Após a ocupação, as tropas alemãs iniciaram a demolição sistemática, desmantelando e levando objetos valiosos para a Alemanha. Apesar da ordem de Adolf Hitler para explodir o castelo, especialistas polacos, arriscando suas vidas, conseguiram salvar inúmeras obras de arte e fragmentos arquitetónicos que seriam cruciais para a reconstrução futura, liderada pelo Professor Stanisław Lorentz. O castelo foi então minado com dinamite, mas sua resiliência histórica prevaleceu.
O Castelo na Idade Média
As primeiras menções escritas de Varsóvia, e consequentemente do local do castelo, datam de 1339, durante um caso judicial entre o Rei Casimiro III da Polónia e a Ordem Teutónica. Naquela época, uma cidade fortificada de madeira e terra, conhecida como Curia Minor, já existia no local e era a sede de Trojden, Duque da Mazóvia. Posteriormente, o Duque Casimiro I, sucessor de Trojden, iniciou a construção do primeiro edifício em tijolo do burgo, a Turris Magna (Torre Magna).
Renascimento e Residência Real
Com a incorporação da Mazóvia ao Reino da Polónia em 1526, o castelo dos Duques da Mazóvia tornou-se uma das residências reais. A Rainha Bona Sforza e suas filhas residiram ali a partir de 1548. O Rei Sigismundo II convocou parlamentos reais no castelo em 1556/1557 e 1564. Após a União de Lublin (1569), o Castelo Real de Varsóvia passou a ser o local regular de reuniões do parlamento da República das Duas Nações, e Sigismundo II iniciou alterações arquitetónicas com os arquitetos Giovanni Battista di Quadro e Giacopo Pario.
A Era Vasa e o Dilúvio Sueco
As maiores alterações no castelo ocorreram durante o reinado de Sigismundo III, que transferiu a residência real de Cracóvia para Varsóvia. Entre 1598 e 1619, o castelo foi ampliado sob a direção de Giovanni Trevano, com contribuições de Vincenzo Scamozzi, Giacomo Rodondo e Paolo del Corte. Matteo Castelli liderou a construção da ala oeste e, posteriormente, da ala sul, resultando em cinco alas no estilo maneirista-barroco inicial. Em 1619, a Nova Torre Real (Torre de Segismundo), com 60 metros de altura, foi concluída no centro da fachada oeste, adornada com um relógio e um pináculo de 13 metros.
Período do Barroco Tardio
A reconstrução do castelo, após o período conhecido como 'Dilúvio' (invasão sueca), começou em 1657 sob a direção do arquiteto italiano Izydor Affait. No entanto, devido à falta de recursos, os reis subsequentes, como Michał Korybut Wiśniowiecki, realizaram apenas reparos mínimos. As condições precárias levaram o rei a mudar-se para o Castelo Ujazdów em 1669. Obras sérias só foram retomadas após a morte do Rei Jan III Sobieski em 1696, com o foco principal em inspeções e manutenção, enquanto as sessões do Parlamento e eventos de Estado continuavam a ocorrer no castelo.
O Período Stanisław August
O apogeu do castelo ocorreu durante o reinado de Stanisław August Poniatowski (1764-1795), um monarca que colecionou vastas obras de arte e empregou arquitetos renomados como Jakub Fontana, Merlini, Kamsetzer e Kubicki, além de pintores como Marcello Bacciarelli e Bernardo Bellotto (Canaletto). Embora a reconstrução total planejada pelo rei não tenha sido concretizada, o interior foi transformado no estilo neoclássico, conhecido na Polónia como estilo Stanisław August, que diferia do neoclassicismo europeu da época.
Na Polónia Dividida e na Segunda República
Entre 1806 e 1807, Napoleão Bonaparte residiu no castelo, onde decidiu formar o Ducado de Varsóvia, governado pelo príncipe saxão Frederick August I. O Príncipe Józef Antoni Poniatowski, comandante do exército polaco, residia no Palácio do Telhado de Zinco, adjacente ao castelo. Após a criação do Reino Constitucional da Polónia (1815), o parlamento se reunia no castelo, e os czares russos Alexandre I e Nicolau I também o usaram como residência em Varsóvia. Durante a Revolta de Novembro, em 25 de janeiro de 1831, o Sejm, reunido no castelo, destronou o Czar Nicolau I como rei polaco.
Atualmente, o Castelo Real de Varsóvia é um vibrante museu, subordinado ao Ministério da Cultura e do Património Nacional, e um local de grande importância para reuniões oficiais e visitas de Estado. Sua imponente fachada de tijolos, com 90 metros de comprimento, domina a Praça do Castelo, ladeada por torres quadradas com pináculos bulbosos. A Torre de Sigismundo, com seu relógio de 60 metros, permanece um símbolo icónico da capital polaca. O monumento atrai mais de 500.000 visitantes por ano, testemunhando sua relevância cultural e histórica.
Interior do Castelo
O interior do castelo é composto por diversas salas meticulosamente restauradas, com o objetivo de replicar as condições originais antes da destruição da Segunda Guerra Mundial. As salas que pertenceram à residência de Augusto III exibem retratos da família Jaguelónica. Este local é historicamente significativo para a democracia polaca, pois aqui foram escritas as emendas à Constituição da República das Duas Nações em 1573, promovendo a tolerância religiosa. Também foi aqui que, em 1652, o 'liberum veto' foi instituído, e em 1791, foi esboçada a Constituição de Maio, a primeira constituição nacional codificada moderna da Europa e a segunda mais antiga do mundo.
Palácio do Telhado de Zinco
Desde 1989, o Palácio do Telhado de Zinco funciona como uma ala do Museu do Castelo Real. Contíguo ao Castelo Real, este palácio está localizado numa encosta que desce da Praça do Castelo. Atualmente, abriga uma valiosa coleção de tapetes orientais e outros objetos de arte decorativa, doados pela Senhora Teresa Sahakian, totalizando 579 peças, das quais 562 são têxteis.


