Pesquisa · Mapa mental

Castelo de Edimburgo

O Castelo de Edimburgo é uma antiga fortaleza que domina a silhueta da cidade de Edimburgo, na Escócia, a partir da sua posição no topo do Castle Rock. Trata-se de um dos mais importantes castelos do país, sendo a segunda atração turística mais visitada na Escócia, ao receber anualmente cerca de um milhão de pessoas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 01/11/2026
01

História

Posteriormente, grande parte do castelo foi reconstruida pelo Regente Morton, incluindo o Spur, a nova Half Moon Battery ("Bateria Meia Lua") e o Portão Portcullis. O danificado bloco do palácio permaneceu sem uso, apesar de Jaime VI ter empreendido reparações em 1584, e novamente entre 1615 e 1617, como preparação para a sua visita de regresso à Escócia, depois de ter subido ao trono inglês em 1603. Jaime VI manteve corte no palácio remobilado, mas ainda preferia dormir no Holyrood Palace. Em 1621, o rei Jaime VI concedeu a Sir Guilherme Alexandre a terra na América do Norte entre a Nova Inglaterra e a Terra Nova, como Nova Escócia. Para promover a colonização e plantação da Nova Escócia, foi criada a Baronia da Nova Escócia. Segundo a lei escocesa, os baronetes podiam receber a sua patente em Edimburgo em vez de Londres, mas tinham que "tomar sasine" ao receberem simbolicamente a "terra e pedra" da terra da qual eram baronetes. Para tornar isso possível, e uma vez que a Nova Escócia era muito distante, uma parte do Castelo de Edimburgo foi concedida a Sir William e considerada como parte da Nova Escócia, sendo declarado como território daquela região para este propósito. Em troca, os potenciais baronetes comprometiam-se a pagar 1 000 merks a Sir William pelos seus "encargos passados na descoberta do dito país". a lei nunca foi revogada e a pequena parte ad Nova Escócia está agora sob a esplanada.

Pré-história do Castle Rock

O castelo ergue-se no solo basáltico de um vulcão extinto, que se estima ter estado em atividade há cerca de 340 milhões de anos, durante o Carbonífero Inferior. Elevando-se a 120 metros (390 pés) acima do nível do mar, o Castle Rock (Rochedo do Castelo) e a colina inclinada para leste são um exemplo clássico de formação despenhadeiro e rasto. Estas bases geológicas não podem ser subestimadas no seu significado para o posterior desenvolvimento do castelo, e da própria cidade, assim como dos eventos que definiram a sua história. Para sul, oeste e norte, o castelo é protegido por íngremes falésias elevadas uns 80 metros (260 pés) da paisagem circundante. Isso significa que a única estrada para o castelo facilmente acessível se estende para leste, onde as encostas são mais suaves.

Início da Idade Média

O castelo não voltou a aparecer nos registos históricos contemporâneos desde o tempo de Ptolomeu até cerca do ano 600. Então, no épico britónico Y Gododdin, encontramos uma referência ao Din Eidyn, "o forte de Eidyn". Isto tem sido visto como uma referência inicial ao Castle Rock. O poema fala do Rei Mynyddog Mwynfawr de Gododdin e do seu bando de guerreiros, que, depois dum ano de festa na sua fortaleza, saíram para a batalha com os anglos na área do contemporâneo Yorkshire. Apesar de apresentarem gloriosos feitos de valor e bravura, os bretões foram massacrados. É discutível até que ponto este conjunto poético de eventos deve ser acreditado. Além disso, não é universalmente aceite que o Castelo de Edimburgo e o Hall of Eidyn são sinónimos.

Alta Idade Média

A primeira referência documentada a um castelo em Edimburgo encontra-se na ocorrência da morte do Rei Malcolm III, feita por John de Fordun. Fordun coloca a viuvado rei, a futura Santa Margarida, no "Castle of Maidens", onde encontra a sua própria morte no dia 16 de Novembro de 1093. O relato de Fordun dá conta da forma como Margarida faleceu de desgosto dentro de dias e como o irmão de Malcolm, Donald Bane, montou cerco ao castelo. No entanto, a crónica de Fordun só foi escrita no final do século XIV e o relato quase contemporâneo da vida de Santa Margarida, pelo Bispo Turgot, faz não menção a qualquer castelo. Durante o reinado de Malcolm III, o Palácio de Dunfermline serviu de residência real principal em detrimento de Edimburgo. Isso começou a mudar durante o reinado do seu filho mais novo, o Rei David I (governou de 1124 a 1153).

Guerras da Independência Escocesa

Um século mais tarde, com a morte do Rei Alexandre III, o trono da Escócia ficou vacante. Eduardo I de Inglaterra foi nomeado para julgar as reivindicações à Coroa escocesa, mas tentou usar a oportunidade para se estabelecer a si próprio como suserano feudal da Escócia. Durante as negociações, Eduardo permaneceu por um curto período no Castelo de Edimburgo, e fez com que grande parte dos registos e tesouros do país fossem removidos para a Inglaterra. Em Março de 1296, Eduardo I lançou uma invasão à Escócia, despoletando a Primeira Guerra da Independência Escocesa. O Castelo de Edimburgo em breve ficou sob controle inglês, rendendo-se após três dias de bombardeamento. No ano de 1300 foi instalada uma grande guarnição, com 347 efectivos. No entanto, depois da morte de Eduardo I, em 1307, o controle inglês sobre a Escócia enfraqueceu. No da 14 de Março de 1314, um ataque surpresa nocturno, comandado por Thomas Randolph, 1º Conde de Moray, recapturou o castelo. O ousado plano envolveu um grupo de trinta homens escolhido a dedo, chefiado por um William Francis, que havia vivido no castelo quando era um rapaz, fazendo uma difícil escalada pela face norte do Castle Rock e apanhando a guarnição de surpresa. Roberto o Bruce ordenou imediatamente a destruição das defesas do castelo para prevenir a reocupação pelos ingleses. Pouco depois, o exército de Bruce garantiu a vitória na Batalha de Bannockburn.

A Torre de David e o século XV

O Tratado de Berwick, de 1357, pôs fim às Guerras de Independência. David II reassumiu o seu reinado e encarregou-se de reconstruir o Castelo de Edimburgo, o qual se tornou na principal sede de governação. A Torre de David (David's Tower) foi começada por volta de 1367 e ainda estava incompleta quando aquele monarca faleceu, em 1371, sendo concluída pelo seu sucessor, Roberto II, na década de 1370. A torre erguia-se no sítio da actual Half Moon Battery e estava ligada por uma secção de muralhas à menor Torre de Constable (Constable's Tower), uma torre redonda, construída entre 1375 e 1379, onde se encontra agora o Portão Portcullis. Era enorme para os padrões da época, elevando-se a uma altura de 30 metros (98 pés); duas vezes mais alta que a Half Moon Battery. A torre servia inicialmente como entrada principal do castelo, mas posteriormente foi ampliada para incluir muitas mais salas para nobres convidados e em visita, vindo a entrada principal inicial a ficar encaixada por uma sala de hóspedes.

O século XVI e o Cerco Lang

Jaime IV foi morto na Batalha de Flodden Field, no dia 9 de Setembro de 1513. Esperando que os ingleses impusessem a sua vantagem, foi rapidamente construída uma muralha em volta de Edimburgo e as defesas do castelo foram aumentadas. Um francês, Antoine d'Arces, Sieur de la Bastie, foi envolvido no desenho de trabalhos de artilharia em 1514. Três anos depois, Jaime V (r. 1513–1542), com apenas cinco anos de idade, foi trazido para o castelo por questões de segurança. Aquando da morte de Jaime V, vinte cinco anos depois, a coroa passou para a sua filha, com algumas semanas de vida, Maria, Rainha dos Escoceses. As invasões inglesas sucederam-se, uma vez que Henrique VIII tentou forçar um casamento dinástico na Escócia, embora o Castelo de Edimburgo permanecesse pouco afectado. Depois dessas campanhas, as fortificações incluíram um bastião de canto em terra do tipo conhecido como de traço italiano, um dos primeiros exemplos na Grã-Bretanha. Deve ter sido desenhado por Migliorino Ubaldini, um engenheiro italiano da corte de Henrique II de França. A mãe de Maria, Maria de Guise, instalou-se no Castelo de Edimburgo, actuando como regente entre 1554 e 1560, quando ali faleceu. No ano seguinte, a sua filha Maria regressou de França para iniciar o seu reinado.

02

Descrição

O Castelo de Edimburgo está localizado no topo da Royal Mile, no extremo oeste da cidade velha de Edimburgo. O vulcânico Castle Rock oferece uma posição defensiva natural, com falésias abruptas a norte e a sul e uma subida íngreme vinda de oeste. A única abordagem fácil é feita a partir da cidade para leste, encontrando-se as defesas do castelo situadas de acordo com esta localização. O castelo está dividido em três áreas, ou "recintos" (wards), separados por portões, subindo até ao cume do Castle Rock. Em frente ao castelo encontra-se um longo pátio inclinado conhecido como Esplanada. Originalmente, o Spur, uma fortificação século XVI, estava aqui localizado. A actual Esplanada foi arranjada como um campo de parada em 1753 e ampliada em 1845. É nesta Esplanada que tem lugar anualmente a Edinburgh Military Tattoo. Da Esplanada pode ver-se a Half Moon Battery, com o Palácio Real à sua esquerda, e o portão principal por baixo, o qual dá acesso ao Recinto baixo.

Recinto baixo

A portaria foi construída como adição ao castelo de cosmética arquitectónica em 1888. Estátuas de Robert the Bruce e William Wallace flanqueando a entrada foram acrescentadas em 1929 por Robert Lorimer. O fosso seco situado em frente da entrada foi concluído com a sua forma actual em 1742. No interior da portaria existem gabinetes e para norte fica a mais recente adição ao castelo; a bilheteira, concluída em 2008 segundo os desenhos da Gareth Hoskins Architects. A estrada, construída por Jaime III em 1464 para o transporte de canhões, conduz para cima e em volta, para norte da Half Moon Battery e da Forewall Battery, até ao Portão Portcullis, a entrada do Recinto intermédio.

Recinto intermédio

O Portão Portcullis foi construído depois do Cerco Lang de 1571–1573 para substituir a redonda Torre de Constable (Constable's Tower), a qual foi destruída no cerco. Este portão foi edificado, em 1584, pelo Regente Morton, e novamente em 1750 e 1886, quando as partes superiores, conhecidas por Torre Argila (Argyle Tower), foram acrescentadas pelo arquitecto Hippolyte Blanc. Logo à entrada do portão fica a Argyle Battery com vista para a Princes Street, com a Mills Mount Battery, o lugar da One O'Clock Gun, a oeste. Abaixo destas fica a Defesa Baixa (Low Defence), enquanto na base do rochedo fica a arruinada Wellhouse Tower, do século XIV, a qual guardava o Poço de Santa Margarida (St. Margaret's Well). Esta nascente natural providenciava uma importante fonte de água secundária para o castelo, sendo a água elevada por uma grua montada numa plataforma conhecida como Crane Bastion.

Recinto alto

O Recinto alto fica na parte mais elevada do Castle Rock e tem acesso a partir do Recinto intermédio pelo Foog's Gate, portão de finais do século XVII. A origem deste nome é desconhecida, embora deva estar relacionada com a névoa marinha, conhecida como haar, a qual afecta habitualmente Edimburgo. Adjacente aos portões ficam os reservatórios, construídos para reduzir a dependência do castelo da água dos poços, e uma antiga estação de fogo, agora usada como loja. O topo do rochedo é ocupado pela Capela de Santa Margarida e pela Mons Meg, a arma de cerco do século XV. Numa saliência abaixo desta área fica um pequeno cemitério oitocentista destinado aos cães dos sodados e mascotes do regimento. Junto a este, a Escadaria Lang desce para o Recinto intermédio, passa uma secção dum bastião medieval e dá acesso à Argyle Tower. O extremo oriental do Recinto alto é ocupado pelas Baterias Forewall e Half Moon, com a Crown Square para sul.

Crown Square

A Crown Square (Praça da Coroa) é a cidadela no topo do castelo. Foi criada no século XV, durante o reinado do Rei Jaime III, como principal pátio do castelo. A fundação foi formada pela construção duma série de grandes abóbadas de pedra edificadas no irregular Castle Rock na década de 1430. Estas abóbadas foram usadas como prisão de estado até ao século XIX, apesar dos prisioneiros mais importantes serem "guardados" nas partes principais do castelo. O nome Crown Square passou a ser usado depois da recuperação das Honras da Escócia em 1818; antes dessa época era conhecido como Palace Yard (Pátio do Palácio). A praça é formada pelo Palácio Real a leste, o Grande Hall a sul, o Edifício Rainha Ana a oeste e o Memorial da Guerra Nacional Escocesa a norte.

03

Uso atual

Atracção turística

O castelo agora é conservado e administrado, na sua maior parte, pela Historic Scotland, uma agência executiva do Governo Escocês. Esta assume a dupla, e por vezes contraditória, tarefa de explorar o castelo como uma atracção turística comercialmente viável, enquanto tem, simultaneamente, a responsabilidade pela conservação do lugar. O Castelo de Edimburgo é o sítio mais visitado da Historic Scotland, sendo a mais popular atracção paga, com mais de 1,2 milhões de visitantes em 2007. A Historic Scotland mantém várias instalações dentro do castelo, incluindo dois cafés/restaurantes, várias lojas e numerosas exposições históricas. Um centro educacional no Edifício Rainha Ana promove eventos para escolas e grupos educacionais, incluindo recriações históricas com trajes e armas da época. Também são feitas numerosas recriações históricas para o público em geral.

Papel militar

A administração directa do castelo pelo Gabinete de Guerra terminou em 1905 e, em 1923, o exército mudou-se formalmente para os novos Redford Barracks da cidade. No entanto, o castelo continuou a ter uma forte ligação com o exército, sendo um dos mais antigos castelos que ainda mantém uma guarnição militar, embora, em grande medida, destinada a propósitos cerimoniais e administrativos. Os deveres públicos desempenhados pela guarnição incluem a vigilância das Honras da Escócia e sentinelas armados ainda montam guarda na portaria do castelo fora do horário de abertura. O posto de Governador do Castelo de Edimburgo é, actualmente, um cargo cerimonial detido pelo General Officer Commanding da 2ª Divisão do Exército Britânico. O actual Governador é o Major-general David MacDowall. O Novo Bloco de Aquartelamento é sede Quartel-General do Regimento Real da Escócia e da 52ª Brigada de Infantaria. O exército também é responsável pela Casa do Governador, a qual serve de Messe dos Oficiais.

Military Tattoo

Uma série de atuações conhecidas como Edinburgh Military Tattoo tem lugar todos os anos na esplanada durante o mês de Agosto. A base da exibição é a parada das gaitas e tambores (pipes and drums) dos regimentos escoceses. No entanto, desde a primeira apresentação, ocorrida em 1950, o Tattoo desenvolveu um formato complexo que inclui muitos artistas convidados de todo o mundo, embora ainda com um foco militar. O culminar da noite tem lugar com o tocador de gaita solitário que, nas ameias do castelo, executa um pibroch em memória dos colegas de armas falecidos, seguido pelo conjunto das bandas de gaitas juntas num medley de músicas tradicionais escocesas. O Tattoo atrai uma audiência anual de cerca de 217.000 pessoas, sendo transmitido para todo o mundo.

One O'Clock Gun

A One O'Clock Gun é um sinal horário, sendo disparada todos os dias, excepto ao Domingo, precisamente às 13:00 horas. A arma foi instalada em 1861 como um sinal horário para os navios fundeados no Fiorde de Forth e complementou a bola horária, instalada no Monumento de Nelson em 1852 mas que era inútil quando havia nevoeiro. a arma podia ser facilmente ouvida pelos navios que se encontravam no porto de Leith, a 3,2 km. (2 milhas) de distância. Uma vez que o som se propaga a uma velocidade relativamente lenta (aproximadamente 343 metros por segundo - 770 mph), foram produzidos mapas na década de 1860 para mostrar a hora actual quando o som da arma era ouvido em vários locais de Edimburgo.

Símbolo de Edimburgo

O castelo tornou-se num símbolo reconhecido de Edimburgo e da Escócia. Aparece, numa forma estilizada, nos brasões da Cidade de Edimburgo e da Universidade de Edimburgo. Imagens do castelo são usadas como logotipo por várias organizações, incluindo o Edinburgh Rugby, o jornal Edinburgh Evening News, o Hibernian F.C. e a Edinburgh Marathon. Também aparece na série dos castelos nos selos postais do Royal Mail e tem sido representado em várias edições de notas bancárias emitidas por bancos escoceses. Na década de 1960 o castelo foi ilustrado nas notas de 5 libras emitidas pelo Royal Bank of Scotland e, desde 1987, é representado no reverso das notas de 1 libra imitidas pelo mesmo banco. Em 1997, o Clydesdale Bank também lançou uma nota comemorativa de 20 libras, a qual incluía uma ilustração do Castelo de Edimburgo.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando