Caso Tate-LaBianca
Caso Tate-LaBianca foi o nome pelo qual ficou conhecido na mídia e no sistema jurídico dos Estados Unidos, os assassinatos da atriz Sharon Tate e quatro de seus amigos dentro de sua casa em Los Angeles e do casal Leno e Rosemary LaBianca, em outra região da cidade no dia posterior, cometidos pelo mesmo grupo de assassinos, a Família Manson.
Cielo Drive
A história dos assassinatos de Sharon Tate e seus hóspedes na madrugada de 9 de agosto de 1969 começa na primavera de 1968, quando Charles Manson, um ex-presidiário aspirante a músico e cantor vivendo como hippie e líder de uma seita de jovens que viviam de pequenos golpes e ajuda de estranhos pelo estado da Califórnia e pelas ruas de Los Angeles, fez amizade com o cantor Dennis Wilson, dos Beach Boys. Ele e alguns membros de sua 'Família', como se chamavam, passam a viver numa das casas de Wilson, na Sunset Boulevard, que apresenta Manson a Terry Melcher, produtor de discos de sucesso e filho da atriz Doris Day. Por algum tempo Melcher ficou interessado em conhecer as músicas de Manson, assim como à "Família', de quem teve a ideia de fazer um documentário sobre a comuna hippie em que viviam. Ele chegou a ouvir as músicas de Manson numa apresentação particular na mansão alugada em que morava no momento, em 10050 Cielo Drive, Bel Air, com a namorada, a atriz Candice Bergen, mas declinou de assinar um contrato com o hippie. A ideia do documentário acabou rejeitada depois que Melcher presenciou uma briga entre Manson e um dublê bêbado em Spahn Ranch, o local onde a 'Família' agora vivia, de maneira quase indigente, nos subúrbios de Los Angeles. O fato provocou um afastamento de Melcher e Wilson de Manson, que ficou raivoso e amargurado.
O casal LaBianca
No início da madrugada seguinte, 10 de agosto, seis membros da 'família', os quatro da noite anterior mais a jovem Leslie Van Houten, de 19 anos e Steve Grogan, liderados por Manson, rodaram a esmo pelos subúrbios de Los Angeles. Exasperado pelo relatado pânico das vítimas de Cielo Drive, ele resolveu liderar o grupo em mais uma incursão letal do "Helter Skelter" para "mostrá-los como se devia fazer". Depois de rodarem por horas, em que consideraram alguns crimes, o grupo chegou a 3 301 Waverly Drive, no subúrbio de Los Feliz. O endereço, pertencente ao dono de supermercado Leno LaBianca e sua mulher Rosemary, sócia de uma boutique, era vizinho a uma casa onde Manson e sua trupe tinham ido a uma festa no ano anterior.:176–184, 204–210
O assassinato de Sharon Tate e seus amigos em Cielo Drive tornou-se manchete mundial na manhã de 9 de agosto, quando a governanta da casa, Winifred Chapman, chegou para trabalhar, encontrou os corpos e chamou a polícia.:5–6, 11–15 Na manhã do dia 10, detetives do Departamento do Xerife do Condado de Los Angeles, que tinham jurisdição sobre o caso Hinman, um assassinato acontecido dias antes e que incriminaria membros da seita de Manson, informaram ao Departamento de Polícia de Los Angeles - LAPD - que o mesmo cenário de pichações em sangue na parede do local do crime haviam ocorrido lá. Convencidos de que os assassinatos Tate teriam sido motivados por transações com drogas, os homens do LAPD ignoraram a informação de similaridade apresentada levantada pelos investigadores do condado. A autópsia dos corpos de Cielo Drive ainda estavam acontecendo e os corpos dos LaBianca ainda não tinham sido descobertos.:28–38
Com os depoimentos de Atkins e Manson já sob custódia por roubo de automóveis, a justiça de Los Angeles expediu mandados de prisão contra Linda Kasabian, Patricia Krenwinkel e Tex Watson no caso Tate e também desconfiou da participação dos suspeitos no caso LaBianca. Leslie Van Houten, também presa por furto de automóveis, inicialmente passou despercebida.:125–127, 155–161, 176–184 A pedido da polícia de Los Angeles, Watson e Krenwinkel foram presos em McKinney, Texas e Mobile, Alabama, para onde tinham fugido. Em 2 de dezembro, avisada de que havia um mandado de prisão por ela, Linda Kasabian entregou-se voluntariamente à polícia em Concord, New Hampshire, onde estava morando com a mãe.:155–161 O revólver calibre 22 Hi-Standard "Buntline Special" foi encontrado perto da casa dos Tate por um menino de dez anos, Steven Weiss.:66 Impressões digitais de Watson e Krenwinkel foram coletadas e comparadas com as deixadas na arma, que também passou por testes de balística conectando-a com os crimes. Equipes da rede de televisão ABC, também investigando o caso, encontraram as roupas ensanguentadas deixadas no caminho entre Cielo Drive e Spahn Ranch pelos assassinos e amostras de sangue foram comparadas.:197–198 Impressões digitais de Krenwinkel foram descobertas no garfo pregado no pescoço de Leno LaBianca. Uma faca foi encontrada atrás de uma almofada numa cadeira da sala de estar de Cielo Drive, sendo aparentemente a que pertencia a Susan Atkins, que a tinha perdido durante a refrega.:17, 180, 262
Acusação
O julgamento começou em 15 de junho de 1970.:297–300 Linda Kasabian, que não tendo participado de nenhum dos assassinatos recebeu a possibilidade de imunidade em troca de testemunho, tornou-se a principal testemunha de acusação do caso como testemunha ocular dos detalhes das noites dos assassinatos.:214–219, 250–253, 330–332 Em princípio, a promotoria tinha proposto um acordo a Atkins pelo uso de seu primeiro testemunho ao Grande Júri garantindo a veracidade das acusações, em troca de não ser condenada à pena de morte, mas como ela acabou negando seu primeiro testemunho, o acordo foi desfeito e ela indiciada por sete acusações de assassinato e uma de conspiração, como Manson, Krenwinkel e Tex Watson.:169, 173–184, 188, 292 Como Van Houten havia participado apenas do assassinato dos LaBianca, sobre ela pesaram duas acusações de assassinato e uma de conspiração.
Defesa
Em 16 de novembro, a acusação terminou suas alegações. Em 19 de novembro, depois de discutirem um pedido de demissão, a defesa surpreendeu a todos por não chamar nenhuma testemunha a favor dos réus. As três mulheres gritaram seu descontentamento, exigindo o direito de serem ouvidas.:382–388 Nos bastidores, os advogados disseram ao juiz que as três queriam testemunhar assumindo toda a culpa de planejamento e execução dos assassinatos e que Manson não estava envolvido nos crimes. Os advogados estavam tentando impedir isso. O advogado de Leslie Van Houten, Ronald Hughes, um defensor público, declarou que não ia permitir que sua cliente "fosse atirada pela janela". Na visão do promotor, era Manson que estava induzindo as meninas para testemunhar desta maneira para salvá-lo.:382–388 O advogado de Manson, Irving Kanarek, argumentava que as mulheres tinham cometido os crimes por amor ao verdadeiro planejador dos crimes, o ali ausente Tex Watson.
Condenação
Em 25 de janeiro de 1971, o veredito de culpado foi dado aos quatro acusados, em cada uma das 27 acusações separadamente imputadas a cada um deles.:411–419 Durante a fase de interrogatórios, os jurados perceberam que a defesa de Manson havia sido planejada por eles. Atkins, Krenwinkel e Van Houten testemunharam que os assassinatos haviam sido concebidos como uma cópia do assassinato anterior de Hinman, que Atkins agora admitia. Os crimes Tate-LaBianca, disseram, tinham a intenção de retirar as suspeitas sobre Bobby Beausoleil, que estava preso por ele, por sua semelhança. Este plano deveria funcionar, e foi levado adiante por instruções de Manson, mas fracassou pela intervenção de alguém supostamente apaixonada por Beausoleil, Linda Kasabian. Entre os pontos fracos da narrativa, o maior deles foi a inabilidade de Atkins de explicar porque, como continuava afirmando, teria escrito "porco político" nas paredes da casa de Hinman em primeiro lugar.:424–433, 450–457
Em 2025 poderá ser libertada em liberdade condicional.


