Casa do Regente Feijó
A Casa do Regente Feijó, também conhecida como Sítio do Capão, é um valioso exemplar da arquitetura bandeirista do século XVII, construída em taipa de pilão. Localizada na Vila Formosa, zona leste de São Paulo, a edificação foi tombada pelo CONDEPHAAT em 1984 e pelo CONPRESP em 1991, garantindo sua preservação como patrimônio histórico.
Pontos-chave
- Construída no século XVII em taipa de pilão, é um remanescente da arquitetura bandeirista.
- Pertenceu ao Padre Diogo Antônio Feijó, que a renomeou Sítio Paraíso e viveu lá após ser Regente do Império.
- Em 1911, tornou-se sede da Colônia Regeneradora Dom Romualdo Seixas, mantida pela AFBI de Anália Franco.
- Passou por reformas que alteraram suas características originais, mas um grande restauro entre 1999 e 2003 buscou recuperar sua integridade.
- A área ao redor da casa também é significativa como remanescente da Mata Atlântica.
O primeiro registro da Casa do Regente Feijó data de 1698. As terras, originalmente uma vasta gleba chamada Capão Grande, pertenceram a Franco Velho. Com o tempo, foram divididas, e a área da casa teve diferentes donos até ser adquirida pelo Padre Diogo Antônio Feijó em 1829. Ele renomeou o sítio de 75 alqueires para Sítio Paraíso e ali residiu até 1843. Em 1835, Feijó assumiu como Regente do Império, tornando-se conhecido como Regente Feijó, o que deu nome popular à casa. Em 1911, a Associação Feminina Beneficente e Instrutiva (AFBI), liderada por Anália Franco, adquiriu o sítio e ali instalou a Colônia Regeneradora Dom Romualdo Seixas, um abrigo para órfãos, meninos em situação de risco, e idosos. A colônia chegou a abrigar centenas de pessoas, e durante a epidemia de gripe espanhola, registrou muitos casos e óbitos.
A Casa do Regente Feijó é um exemplar da arquitetura bandeirista, mas sofreu inúmeras reformas ao longo dos anos, o que resultou na perda de algumas de suas características originais. O telhado de quatro águas, típico da época, foi modificado com a adição de um segundo andar, transformando a casa em um sobrado estilo chalé, e o alpendre frontal foi fechado. Além da importância arquitetônica, a área onde a casa se situa é um remanescente da Mata Atlântica, com uma mistura de espécies nativas e exóticas. Anália Franco promoveu reformas para adaptar o local à AFBI, utilizando alvenaria de tijolos em vez do sistema original de taipa de pilão. Entre 1999 e 2003, um extenso restauro, conduzido pelo arquiteto Samuel Kruchin, foi realizado para reparar os danos causados pela chuva na taipa e o apodrecimento da estrutura de madeira. Intervenções anteriores, datadas dos anos 1960, que haviam descaracterizado o imóvel, foram revertidas.


