Cary Grant
Cary Grant foi um ator inglês e americano. Conhecido por seu sotaque transatlântico, comportamento jovial, abordagem despreocupada na atuação e timing cômico, ele foi um dos protagonistas definitivos da Hollywood clássica. Sendo indicado duas vezes ao Oscar e posteriormente recebendo um Oscar Honorário em 1970 e a Honra do Kennedy Center em 1981. Cary Grant foi nomeado o segundo maior astro masculino da Era de Ouro de Hollywood pelo American Film Institute em 1999.
Archibald Alec Leach nasceu em 18 de janeiro de 1904, em 15 Hughenden Road no bairro de Horfield, um subúrbio do município Bristol. Ele foi o segundo filho de Elias James Leach e Elsie Maria Leach. Seu pai trabalhava como passador de alfaiate em uma fábrica de roupas, enquanto sua mãe era costureira. O irmão mais velho de Grant, John William Elias Leach, morreu de meningite tuberculosa dois dias antes de seu primeiro aniversário. O ator pode ter se considerado na época parcialmente judeu,[b] sua infância foi dita por ele como infeliz: o pai era alcoólatra e a sua mãe sofria de depressão clínica. Ele teve uma infância tão traumática, foi horrível. Trabalho com muitas crianças de rua e já ouvi muitas histórias sobre o que acontece quando uma família se desfaz — mas a dele foi simplesmente horrível. —Dyan Cannon sobre a infância de Cary Grant A mãe de Grant lhe ensinou canto e dança quando ele tinha quatro anos, e ela estava entusiasmada para que seu filho aprendesse a tocar piano. Ela ocasionalmente o levava ao cinema, onde ele apreciava os filmes de Charlie Chaplin, Chester Conklin, Fatty Arbuckle, Ford Sterling, Mack Swain e Broncho Billy Anderson. A família mudou-se quando o artista tinha 4 anos, e ele passou a estudar na Bishop Road Primary School. Apesar de já ter se mudado mais de seis vezes de endereços durante toda a sua infância, o ator ainda comenta que sua época na Bishop Road como os "dias mais felizes" dos seus tempos de criança.
A Trupe Pender começou a fazer turnês pelo país, e a pantomima de Grant desenvolveu suas próprias habilidades físicas, ampliando o alcance de sua atuação. O grupo viajou no RMS Olympic para conduzir uma turnê pelos Estados Unidos em 21 de julho de 1920, quando ele tinha 16 anos, chegando uma semana depois. O biógrafo Richard Schickel descobriu que Douglas Fairbanks e Mary Pickford estavam a bordo do mesmo navio retornando de sua lua de mel; Grant disputou shuffleboard com Fairbanks, virando um importante esporte para ele. Depois de chegar a Nova York, eles se apresentaram no New York Hippodrome , o maior teatro do mundo daquela época, com capacidade para 5.697 pessoas. A trupe se apresentando por nove meses, fazendo 12 shows por semana, e tiveram uma produção musical de sucesso chamado Good Times. Fazer stand-up é extremamente difícil. Seu ritmo precisa mudar de show para show e de cidade para cidade. Você está sempre se adaptando ao tamanho do público e do teatro.
1932–1936: estreia e primeiros papéis
O papel de Grant em Nikki foi elogiado por Ed Sullivan do The New York Daily News que observou que o "jovem rapaz da Inglaterra" teria "um grande futuro no cinema". O comentário de Sullivan levou a Grant realizar outro teste pela Paramount Publix, resultando em uma aparição como um marinheiro em Singapore Sue (1931), um curta-metragem de dez minutos dirigido por Casey Robinson. O ator interpretou suas falas "sem qualquer convicção", de acordo com McCann.[i] Através de Robinson, o artista se encontrou com Jesse L. Lasky e BP Schulberg, o cofundador e gerente geral da Paramount Pictures respectivamente. Após um encontro bem-sucedido com Marion Gering,[j] Schulberg assinou um contrato com Grant, de 27 anos, em 7 de dezembro de 1931, por cinco anos com um salário inicial de US$ 450 por semana. O empresário exigiu que ele mudasse seu nome para "algo que soasse mais americano, como Gary Cooper", e eles finalmente concordaram em Cary Grant.[k]
1937–1945: estrelato em Hollywood
Em 1937, Grant começou o primeiro filme sob seu contrato com a Columbia Pictures, When You're in Love, retratando um rico artista americano que eventualmente corteja uma famosa cantora de ópera (Grace Moore). Sua performance recebeu feedback positivo dos críticos, com Mae Tinee do The Chicago Daily Tribune descrevendo-a como a "melhor coisa que ele fez em muito tempo". Após o fiasco de The Toast of New York (1937) no mesmo ano, o intérprete foi emprestado ao empresário Hal Roach para interpretar Topper, um filme de comédia maluca distribuído pela MGM, que virou seu primeiro grande sucesso no subgênero atuando no personagem do marido rico da atriz Constance Bennett que causam estragos no mundo como fantasmas após morrerem em um acidente de carro. Topper tornou-se um dos filmes mais populares do ano, com um colunista da Variety observando que Grant e Bennett "fazem suas tarefas com grande habilidade". Vermilye descreveu o sucesso como "um trampolim lógico" para Grant aceitar estrelar The Awful Truth naquele mesmo ano, seu primeiro longa-metragem feito com Irene Dunne e Ralph Bellamy. Embora o diretor Leo McCarey supostamente não gostasse do ator, por o ter ridicularizado em uma de suas brincadeiras nos bastidores ele reconheceu os talentos cômicos do artista e o encorajou a improvisar suas falas e usar suas habilidades desenvolvidas no vaudeville. The Awful Truth foi um sucesso de crítica e comercial e fez de Grant uma grande estrela de nacional, estabelecendo uma persona na tela para ele como um sofisticado protagonista de comédia leve em comédias malucas.
1946–1953: Sucesso e crise do pós-guerra
Depois de fazer uma breve aparição em Without Reservations (1946), Grant interpretou Cole Porter no musical Night and Day (1946). A produção provou ser problemática, com cenas que frequentemente exigiam múltiplas tomadas, frustrando o elenco e a equipe de filmagem. Em seguida, Grant fez Notorious com Ingrid Bergman e Claude Rains, interpretando um agente do governo que recruta a filha americana de um espião nazista condenado (Bergman) para se infiltrar em uma organização hitlerista no Brasil após a Segunda Guerra Mundial. Durante o filme, os personagens de Grant e Bergman se apaixonam e compartilham um dos beijos mais longos da história do cinema até aquela época, com cerca de dois minutos e meio. Wansell observa como a atuação do ator "ressaltou o quanto suas qualidades únicas como ator de cinema amadureceram nos anos desde The Awful Truth".
1955–1966: Ressurgimento do cinema e papéis finais
Em 1955, Grant concordou em ser o parceiro romântico de Grace Kelly em Ladrão de Casaca, interpretando um assaltante de joias aposentado chamado John Robie, apelidado de "The Cat", que morava na Riviera Francesa. Os atores viraram amigos nos bastidores com o intérprete chamando a atriz e também o diretor Hitchcock de ótimos profissionais e mais tarde declarou que Kelly era "possivelmente a melhor atriz com quem já trabalhei". Grant foi um dos primeiros atores a se tornar independente ao não renovar seu contrato, deixando o sistema de estúdio, que controlava quase completamente todos os aspectos da vida de um ator. Ele decidia em quais produções iria aparecer, muitas vezes tinha escolha pessoal de diretores e co-estrelas e, às vezes, negociava uma parte da receita bruta, algo incomum na época. O ator recebeu mais de US$ 700.000 por seus 10% da receita bruta do longa-metragem, enquanto Hitchcock recebeu menos de US$ 50.000 por dirigi-lo e produzi-lo. Embora a recepção crítica ao filme inicialmente foi como um todo tenha sido mista, Grant recebeu muitos elogios por sua atuação, com os críticos comentando sobre sua interpretação suave e com o passar do tempo, Ladrão de Casaca foi reavaliado e é visto hoje como um clássico.
Em 1966, após sua filha Jennifer Grant nascer, Cary Grant se aposentou das telas para poder se concentrar em criá-la e proporcionar uma sensação de permanência e estabilidade em sua vida. Ele ficou cada vez mais desiludido com os rumos do cinema na década de 1960, raramente encontrando um roteiro que aprovasse. comentando: "Eu poderia ter continuado atuando e interpretando um avô ou um vagabundo, mas descobri coisas mais importantes na vida". O ator sabia, depois de concluí Charade (1963), que a "Era de Ouro" de Hollywood havia acabado. Grant expressou pouco interesse em retornar à carreira e responderia à sugestão com "uma chance desprezível". No entanto, ele apareceu brevemente na plateia do documentário do show de Elvis Presley em Las Vegas em 1970, Elvis: That's the Way It Is. Na década de 1970, recebeu os negativos de várias produções em que atuou e os vendeu para a televisão por uma quantia de mais de US$ 2 milhões em 1975 (US$ 11,7 milhões em 2024).
Stirling se refere a Cary Grant como "um dos empresários mais astutos que já operou em Hollywood". Sua longa amizade com Howard Hughes a partir da década de 1930 o fez ser convidado para os círculos mais glamourosos da indústria cinematográfica e era convidado para suas festas luxuosas. Os biógrafos Morecambe e Stirling afirmam que Hughes desempenhou um papel importante no desenvolvimento dos interesses comerciais de Grant, de modo que em 1939, ele "já era um analista astuto com vários interesses na área de investimento". Scott também desempenhou um papel, encorajando ele a investir seu dinheiro em ações, tornando-o um homem rico no final da década de 1930. Por volta dos anos 40, o ator e Barbara Hutton investiram pesadamente no desenvolvimento imobiliário em Acapulco numa época em que era uma vila de pescadores, e se uniram a Richard Widmark, Roy Rogers e Red Skelton para comprar um hotel no local. O artista foi visto como bastante inteligente por seus colegas, seu amigo David Niven disse uma vez: "Antes que os computadores fossem lançados em geral, Cary tinha um em seu cérebro". O crítico de cinema David Thomson acredita que a inteligência do intérprete aparecia em cena e afirmou que "ninguém mais parecia tão incrível e tão inteligente ao mesmo tempo".
Grant tornou-se cidadão naturalizado dos Estados Unidos em 26 de junho de 1942, aos 38 anos, época em que também mudou legalmente seu nome para Cary Grant. Ele listou o seu nome do meio como Alexander ao invés de Alec. Uma das estrelas mais ricas de Hollywood, o ator possuía residências em Beverly Hills, Malibu e Palm Springs. O foco em manter uma boa aparência pessoal foi reconhecido pela famosa figurinista Edith Head que apreciava nele a sua atenção "meticulosa" aos detalhes e considerava que ele tinha o maior senso de moda de qualquer ator com quem ela havia trabalhado. McCann atribuiu sua "manutenção quase obsessiva" com o bronzeamento, que se aprofundava à medida que envelhecia, ao Douglas Fairbanks, que também teve uma grande influência em suas escolhas de figurinos. O historiador também observa que, como Grant veio de uma origem humilde e não tinha curso superior, ele fez um esforço particular ao longo de sua carreira para se misturar à alta sociedade e absorver seu conhecimento e etiqueta. A imagem foi meticulosamente elaborada desde os primeiros dias em Hollywood, onde frequentemente tomava banho de sol; e evitava ser fotografado fumando, apesar de fumar dois maços por dia. O ator só parou de fumar no início da década de 1950 após participar de hipnoterapia. O intérprete permaneceu preocupado com a saúde, mantendo-se em boa forma e atlético mesmo no final de sua carreira, embora para a mídia contasse que "nunca torceu um dedo para se manter em forma", dizendo que praticava "tudo com moderação. Exceto fazer amor".
Relacionamentos amorosos
Grant foi casado cinco vezes. Ele se casou com Virginia Cherrill em 9 de fevereiro de 1934, no cartório de Caxton Hall em Londres. Ela se divorciou dele em 26 de março de 1935. Eles estavam envolvidos em um amargo caso de divórcio que foi amplamente divulgado na imprensa, com Cherrill exigindo US$ 1.000 por semana dele em benefícios de seus ganhos na Paramount. O ator então namorou a atriz Phyllis Brooks a partir de 1937. Eles consideraram se casar e passaram férias juntos na Europa em meados de 1939, visitando a vila romana de Dorothy Taylor Dentice di Frasso na Itália, mas o relacionamento terminou mais tarde naquele ano. Ele então se casou com Barbara Hutton em 1942, uma das mulheres mais ricas do mundo, após uma herança de US$ 50 milhões de seu avô Frank Winfield Woolworth. O casal era apelidado de forma irônica pela mídia de "Cash and Cary"[t], embora Grant tenha recusado qualquer acordo financeiro em um acordo pré-nupcial para evitar acusações de que se casou por dinheiro.[u] Perto do fim do casamento, eles viveram em uma mansão branca na 10615 Bellagio Road em Bel Air. Mesmo após o divórcio em 1945 continuaram sendo grandes amigos. Ele namorou Betty Hensel por algum período, então se casou com Betsy Drake, a co-estrela de dois de seus filmes, em 25 de dezembro de 1949. Mesmo casado teve um breve caso com Sophia Loren em 1957. Drake e Grant se separaram em 1958 mas só se divorciaram em 14 de agosto de 1962, sendo o casamento mais longo da vida do artista.
Política
A biógrafa Nancy Nelson observou que Grant não falava abertamente sobre causas políticas, mas ocasionalmente comentava sobre eventos atuais. O ator se manifestou contra a inclusão de seu amigo Charlie Chaplin na lista negra durante o macarthismo, argumentando que Chaplin não era comunista e que seu status como artista era mais importante do que suas convicções políticas. Em 1950, ele disse a um repórter que gostaria de ver uma mulher presidente dos Estados Unidos, mas afirmou relutância em comentar sobre assuntos políticos, acreditando que não era lugar de atores fazê-lo. Ele apoiou Thomas E. Dewey na eleição presidencial dos Estados Unidos de 1944, aparecendo em um comício do candidato no Los Angeles Coliseum depois que o governador de Nova York ganhou a nomeação republicana.
Morte? Claro que penso nisso. Mas não quero me deter nisso [...] Acho que a coisa em que você pensa quando tem a minha idade é como vai fazer isso e se vai se comportar bem. O ator estava no Teatro Adler em Davenport, Iowa na tarde de sábado, 29 de novembro de 1986, preparando-se para sua apresentação em A Conversation with Cary Grant quando adoeceu; ele não estava se sentindo bem ao chegar ao teatro. Basil Williams o fotografou lá e achou que o intérprete ainda parecia elegante, mas notou que estava cansado e tropeçou uma vez no auditório. Williams lembra que Grant ensaiou por meia hora antes que "algo parecesse errado" de repente, e desmaiasse nos bastidores. O artista foi levado de volta ao Hotel Blackhawk, onde ele e sua esposa haviam se hospedado, e um médico foi chamado descobriu-se que Grant estava tendo um derrame grave, com uma pressão arterial de 210 por 130. Entretanto, o ator se recusava a ser levado ao hospital. O médico lembrou: "O derrame estava piorando. Em apenas quinze minutos, ele se deteriorou rapidamente. Foi terrível vê-lo morrer e não poder ajudar. Mas ele não nos deixou". Às 20h45, Grant entrou em coma e foi levado ao Hospital St. Luke em Davenport, Iowa. Ele passou 45 minutos na sala de emergência antes de ser transferido para a UTI. Por fim, faleceu às 23h22, aos 82 anos.
McCann escreveu que uma das razões pelas quais a carreira cinematográfica de Cary Grant foi tão bem-sucedida é que ele não tinha consciência do quão charmoso era em cena, atuando de uma forma que era muito inesperada e incomum para uma estrela de Hollywood daquele período. George Cukor declarou uma vez: "Veja, ele não dependia de sua aparência. Ele não era um narcisista, ele agia como se fosse apenas um rapaz comum. E isso tornava tudo ainda mais atraente, que um jovem bonito fosse engraçado; isso era especialmente inesperado e bom porque pensamos: 'Bem, se ele é um Beau Brummel, ele não pode ser engraçado ou inteligente', mas ele provou o contrário". Jennifer Grant reconheceu que seu pai não confiava em sua aparência nem era um ator de personagem, e sim que ele era exatamente o oposto disso, interpretando o arquétipo de "homem básico". Quando ele percebeu que cada movimento poderia ser estilizado para o humor, o olhar arregalado, a cabeça inclinada para a frente e o passo um pouco desajeitado tornaram-se tão certos quanto os traços de um mestre cartunista.
Nenhum outro homem parecia tão sem classe e seguro de si... à vontade com o romântico quanto o cômico... envelhecia tão bem e com um estilo tão refinado... em suma, interpretava o papel tão bem: Cary Grant fazia os homens parecerem uma boa ideia. —o biógrafo Graham McCann sobre Cary Grant. Os biógrafos Morecambe e Stirling acreditam que Cary Grant foi o "maior protagonista que Hollywood já conheceu". Schickel afirmou que há "pouquíssimas estrelas que alcançam a magnitude de Cary Grant, arte de uma ordem muito alta e sutil" e pensou que ele era a "melhor ator estrela que já existiu no cinema". David Thomson junto com os diretores Stanley Donen e Howard Hawks concordaram que o artista foi o maior e mais importante ator da história do cinema. Ele era o favorito de Alfred Hitchcock, que o admirava e o chamava de "o único ator que amei em toda a minha vida". Também permaneceu como uma das principais atrações de bilheteria de Hollywood por quase 30 anos. A crítica Pauline Kael afirmou que o mundo ainda pensa nele com carinho porque ele "encarna o que parece ser uma época mais feliz - uma época em que tínhamos um relacionamento mais simples com um artista".


