Pesquisa · Mapa mental

Jimmy Carter

James Earl Carter Jr. foi um político e filantropo norte-americano, que serviu como 39.° presidente dos Estados Unidos de 1977 a 1981. Oriundo de uma tradicional família fazendeira sulista, Carter serviu como oficial da Marinha dos Estados Unidos e depois ingressou na política, cumprindo dois mandatos como senador do estado da Geórgia e um como governador (1971–1975) antes de se candidatar à presidência em 1976.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 05/07/2026
01

Começo da vida

Filho de James Earl Carter Sr. e Bessie Lillian (née Gordy), Jimmy Carter nasceu em 1 de outubro de 1924 na cidade de Plains, em uma família batista que vivia no estado da Geórgia por gerações. Seu bisavô, Littleberry Walker Carter (1832–1873), serviu no Exército dos Estados Confederados, que defendia a causa escravagista durante a Guerra Civil Americana. Foi criado numa família sulista tradicional, com interesses no setor agrícola e plantação de amendoins - negócio no qual ele prosperaria. Seus ancestrais teriam chegado nos Estados Unidos por volta de 1635, oriundos primordialmente da Inglaterra. Apesar de sua família se mudar constantemente, Jimmy Carter se formou na Plains High School, em sua cidade natal, em 1941. Ele iniciou sua carreira servindo em vários concelhos locais, que regiam entidades como escolas, hospitais e bibliotecas, entre outros. Após se formar pela Academia Naval de Annapolis em 1946, casou-se com Rosalynn Smith. Deste matrimônio nasceram quatro filhos: John William (Jack), James Earl II (Chip), Donnel Jeffrey (Jeff) e Amy Lynn.

02

Eleição presidencial

Em dezembro de 1974, Carter anunciou, no National Press Club de Washington D.C., que concorreria a presidência dos Estados Unidos. No seu primeiro discurso, focou em questões domésticas, principalmente na desigualdade. Durante a campanha, manteve um tom otimista e afirmou que traria mudanças. Apesar de inicialmente desconhecido do grande público, o fato de não ser tachado como membro do "círculo interno de Washington" acabou sendo um dos seus maiores apelos populares, tendo em vista a insatisfação do povo com a classe política, acentuada pelo Caso Watergate, que ainda estava fresco na mente das pessoas. No final, acabou vencendo a indicação do Partido Democrata à presidência e se lançou na chapa nacional. Em julho de 1976, anunciou Walter F. Mondale como seu vice. Apesar de uma campanha instável, com uma série de polêmicas, acabou por vencer o presidente Gerald Ford na eleição presidencial de 1976, por pequena margem no voto popular e no Colégio Eleitoral. Foi empossado presidente em 20 de janeiro de 1977.

03

Presidência (1977–81)

Jimmy Carter assumiu um país com uma economia ruim e até o fim do seu mandato, os Estados Unidos ainda estavam em recessão e sofrendo com inflação, além de uma crise energética. Um dos seus primeiros atos como presidente foi cumprir uma promessa de campanha ao assinar uma ordem executiva firmando uma anistia incondicional para os desertores da Guerra do Vietnã. Em 7 de janeiro de 1980, Carter assinou a lei H.R. 5860, conhecido como The Chrysler Corporation Loan Guarantee Act of 1979, um empréstimo para socorrer a Chrysler Corporation. Carter também teve que lidar com crises no exterior, mais notavelmente no Oriente Médio, como a assinatura dos Acordos de Camp David; ele também finalizou o processo de devolução do Canal do Panamá; depois assinou um acordo de redução nuclear conhecido como SALT II com o líder soviético Leonid Brezhnev. No seu último ano como presidente, a crise dos reféns no Irã erodiu sua já baixa popularidade, garantindo sua derrota na eleição de 1980 perante Ronald Reagan.

Política interna

A presidência de Carter teve uma história econômica de aproximadamente dois períodos iguais, sendo os dois primeiros anos de recuperação da grande recessão de 1973–75, que tinha reduzido drasticamente os investimentos para o menor nível desde a recessão de 1970 e elevado o desemprego para 9%. Os outros dois anos foram marcados por alta da inflação, juros elevados, falta de petróleo e crescimento econômico lento. Após um crescimento em 1977 e 1978, onde milhões de novos empregos foram criados e a renda da população subiu 5%, houve a crise energética de 1979 que encerrou este período de recuperação, com a inflação e os juros subindo novamente e a economia, geração de empregos e a confiança geral do consumidor declinando acentuadamente. A fraca política monetária adotada pelo presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, G. William Miller, havia contribuído para a alta inflacionária, que subira de 5,8% em 1976 para 7,7% em 1978. Neste período, a OPEC aumentou o preço do petróleo bruscamente, o que levou a inflação a subir novamente para 11,3% em 1979 e 13,5% em 1980. A súbita falta de gasolina no verão de 1979 exacerbou o problema e simbolizaria a crise para o público geral, puxando para baixo a popularidade do presidente.

Relações internacionais

Desde o início de sua presidência, Carter tentou mediar o conflito árabe-israelense. Após uma tentativa fracassada de buscar um acordo abrangente entre as duas nações em 1977 (através da reconvocação da Conferência de Genebra de 1973), Carter convidou o presidente egípcio Anwar Sadat e o primeiro-ministro israelense Menachim Begin para Camp David, a residência de campo do presidente dos Estados Unidos, em setembro de 1978, na esperança de criar uma paz definitiva. Embora os dois lados não pudessem concordar com a retirada israelense da Cisjordânia, as negociações resultaram no reconhecimento formal de Israel pelo Egito e na criação de um governo eleito na Cisjordânia e em Gaza. Isso resultou nos Acordos de Camp David, que puseram fim à guerra formal entre Israel e Egito.

Eleição presidencial de 1980

Carter disse mais tarde que boa parte das críticas mais assíduas a ele vinham da ala esquerdista do Partido Democrata, que ele atribuiu a ambição de Ted Kennedy de substituí-lo como presidente. Kennedy surpreendeu seus apoiadores ao fazer uma campanha fraca e Carter venceu a maioria das primárias e garantiu sua renomeação para a candidatura do partido. Contudo, Kennedy havia dominado a ala liberal de esquerda dos democratas, o que enfraqueceu a campanha de Carter. A campanha de Jimmy Carter para as eleições de 1980 foi extremamente difícil e nada efetiva. Ele foi fortemente desafiado pela direita conservadora (como o republicano Ronald Reagan), pelos centristas (como o independente John B. Anderson) e pela esquerda (como o democrata Ted Kennedy). Carter concorreu enquanto seu governo estava marcado pela "estagflação", com uma economia paralisada, enquanto a crise dos reféns no Irã dominava os noticiários em todas as semanas. Ele ainda alienou os estudantes universitários de esquerda, que eram parte da sua base política, quando ele reinstituiu o registro militar obrigatório. Seu gerente de campanha, Timothy Kraft, renunciou a posição cinco semanas antes da eleição após alegações não comprovadas de uso de cocaína. Carter acabou sendo derrotado por uma boa margem pelo candidato Ronald Reagan, enquanto o Senado foi tomado pelos republicanos, pela primeira vez desde 1952.

04

Pós-presidência (1981–2024)

Carter Center

Após perder a reeleição, Carter afirmou para jornalistas na Casa Branca que ele tinha a intenção de imitar a aposentadoria de Harry S. Truman e não usar sua vida pública subsequente para enriquecer. Em 1982, o ex-presidente fundou o Carter Center, uma organização não governamental e sem fins lucrativos com o objetivo de avançar direitos humanos e aliviar o sofrimento, incluindo ajudar a melhorar a qualidade de vida para pessoas em mais de 80 países.

Diplomacia

Em 1994, o presidente Bill Clinton procurou a ajuda de Carter para buscar a paz com a Coreia do Norte. Em agosto de 2010, Carter viajou para a Coreia do Norte para garantir a libertação de Aijalon Gomes em agosto de 2010, conseguindo que ele fosse solto. Em 2017, no governo Trump, Carter mais uma vez se ofereceu para conversar com os norte-coreanos para tentar resolver as tensões diplomáticas entre as nações. Na década de 1980, Carter realizou trabalhos no Peru e em Nicarágua, buscando, principalmente, promover eleições democráticas. Em 2002, ele visitou Cuba e se encontrou com o presidente Fidel Castro. Ele também se encontrou com dissidentes políticos, visitou um sanatório de AIDS, uma escola de medicina, uma instalação de biotecnologia, uma cooperativa de produção agrícola e uma escola para crianças deficientes. Em 2011 ele visitou Cuba novamente.

Crítica a política americana e outros presidentes

Após deixar o cargo, Carter inicialmente evitou criticar seu sucessor Ronald Reagan, porém logo passou a falar publicamente a respeito do seu desgosto pela política externa do republicano, especialmente para o Oriente Médio. Ele também criticou o presidente Reagan a respeito da sua falta de postura com relação a defesa dos direitos humanos. Duas décadas mais tarde, condenou a invasão do Iraque no governo de George W. Bush. Em 2007, ele afirmou que o governo Bush foi "o pior da história". No governo do democrata Barack Obama, Carter estava otimista e o elogiou no começo. Contudo, com o passar do tempo, ele foi crítico da postura de Obama com relação ao uso irrestrito de drones para matar acusados de terrorismo pelo mundo, manter a Prisão de Guantánamo aberta e a espionagem do governo para com os próprios cidadãos. No governo de Donald Trump, ele exortou o presidente a trabalhar com o Congresso para resolver a questão de imigração, mas criticou Trump em questões sociais. Com relação a crise com a China, Carter afirmou que os Estados Unidos eram a nação mais belicosa do mundo, afirmando: "Nós desperdiçamos, acho, US$ 3 trilhões. [...] É mais do que você pode imaginar. A China não desperdiçou um único centavo em guerras e é por isso que estão à nossa frente. Em quase todos os sentidos."

Alívio após desastres naturais

Carter criticou o governo Bush por sua resposta ao Furacão Katrina e ajudou a construir casas para vítimas do Furacão Sandy, se reunindo com outros ex presidentes para angariar fundos para aliviar a situação dos necessitados após os furações Harvey e Irma em comunidades no Costa do Golfo e no Texas.

Outras atividades

Carter participou da dedicação de sua biblioteca presidencial e também a de Ronald Reagan, George H. W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush. Ele fez dedicatórias nos funerais de Coretta Scott King, Gerald Ford e Theodore Hesburgh. Até 2021, ele serviu no projeto World Justice Project e foi membro por um tempo na organização Continuidade da Comissão de Governo. Carter também ensinou na Universidade Emory, em Atlanta, até junho de 2019 recebeu um prêmio por 37 anos de serviços prestados na faculdade.

Ministério

Em 1942, Carter tornou-se diácono e passou a ensinar na escola dominical na Igreja Batista Maranatha em Plains, Geórgia. Em 1977, quando assumiu a presidência, tornou-se membro da Primeira Igreja Batista de Washington, D.C. (Igrejas Batistas Americanas EUA) e passou a lecionar na escola dominical também. Em 1978, Carter exortou os eleitores da Califórnia a rejeitarem a iniciativa Briggs, que visava proibir pessoas LGBTQ de lecionarem em escolas públicas. Em 2007, ele fundou a organização Nova Aliança Batista para justiça social. Em 2012, ele afirmou que o fato de Jesus nunca ter falado sobre homossexualidade era uma das razões para apoiar o casamento entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos.

05

Vida pessoal e saúde

Carter e sua esposa, casados fazia quase 80 anos, foram voluntários de vários projetos, especialmente o Habitat Para a Humanidade, uma iniciativa filantrópica com sede na Geórgia que ajuda trabalhadores de baixa renda em todo o mundo a construir e comprar suas próprias casas e ter acesso a água potável. Seus hobbies incluem pintura, pesca, marcenaria, ciclismo, tênis e esqui. Ele também se interessa por poesia, principalmente pelas obras de Dylan Thomas. Durante uma visita de estado ao Reino Unido em 1977, Carter sugeriu que Thomas deveria ter um memorial no Poets 'Corner na Abadia de Westminster; sendo que isso mais tarde se concretizou em 1982. Desde muito jovem, Carter mostrou um profundo compromisso com o cristianismo. Como presidente, Carter orava várias vezes ao dia e professava que Jesus era a força motriz de sua vida. Ele foi muito influenciado por um sermão que ouviu quando jovem que perguntava: "Se você fosse preso por ser cristão, haveria provas suficientes para condená-lo?". Em 2000, ele anunciou que havia deixado a Convenção Batista do Sul por causa de sua “crescente rigidez teológica” contra mulheres e pessoas LGBTQ, embora permanecesse membro da Associação Batista Cooperativa.

06

Morte

Carter morreu em 29 de dezembro de 2024, em anúncio feito por seu filho, James E. Carter III, ao The Washington Post. Isso ocorreu após sua decisão, em fevereiro de 2023, de entrar em cuidados paliativos após ser diagnosticado com melanoma que metastatizou para seu cérebro e fígado.

07

Visita ao Brasil

Em 1972, ainda como governador do estado da Geórgia, Jimmy visitou o Brasil. Nesta ocasião visitou o Cemitério dos Americanos, na cidade de Santa Bárbara d'Oeste, em São Paulo, tendo se interessado pelos descendentes de americanos que lutaram pela confederação. No dia 3 de maio de 2009, Jimmy foi agraciado pelo governador do estado de São Paulo, José Serra, com a Grã-Cruz da Ordem do Ipiranga.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando