Ovis aries
A ovelha ou ovelha-doméstica é um mamífero ruminante domesticado tipicamente mantido pelos humanos como gado. Embora possa ser aplicado a outras espécies do gênero Ovis, o termo ovelha quase sempre é usado para se referir às ovelhas-domésticas. O carneiro é o macho adulto e os juvenis são chamados de cordeiros, anhos ou borregos. Como todos os ruminantes, as ovelhas pertencem à ordem Artiodactyla; também fazem parte da família Bovidae, da subfamília Antilopinae e da tribo Caprini. A ovelha-doméstica é a espécie de ovino mais numerosa, ultrapassando um bilhão de animais em 2010. Estrosa ou estrosia, para ovinos e caprinos, diz-se da ovelha que está em estro. A fêmea que está no cio chama-se maronda. O marrão é o macho que a fecunda.
A espécie Ovis aries foi descrita originalmente pelo "pai da taxonomia moderna", o naturalista sueco Carolus Linnaeus, na sua obra Systema Naturae de 1758. Atualmente, duas subespécies são reconhecidas:
Ovelhas domésticas são ruminantes relativamente pequenos, usualmente com pelagem ondulada denominada lã e muitas vezes com cornos que formam uma espiral lateral. As ovelhas domésticas diferem dos seus parentes selvagens e dos seus ancestrais em vários aspectos, tendo ficado unicamente neoténicos como resultado de cruzamentos selectivos por parte de humanos.
As ovelhas domésticas são descendentes do muflão-asiático, que é encontrado nas montanhas da Turquia ao Irã meridional. Evidências da domesticação datam de 9000 a.C. no que é hoje o Iraque. O muflão foi considerado um dos dois ancestrais da ovelha doméstica, após análises de DNA. Embora o segundo ancestral não foi identificado, pois o urial e o argali foram desconsiderados. O urial (O. vignei) é encontrado do nordeste do Irã ao noroeste da Índia; ele possui um número maior de cromossomos (58) que a ovelha doméstica (54), sendo assim um improvável ancestral da ovelha, mas ele cruza-se com o muflão. A ovelha argali (Ovis ammon) da Ásia interior (Tibete, Himalaia, Montes Altai, Tien-Shan e Pamir) tem 56 cromossomos e a ovelha-das-neves-siberiana (Ovis nivicola) tem 52 cromossomos. Evidências das primeiras domesticações são encontradas no Neolítico Pré-Cerâmico B de Jericó e em Xanidar. As ovelhas de lã enrolada são encontradas somente desde a Idade do Bronze. Em raças primitivas, como a Scottish Soay, tinham que ser arrancados (um processo chamado rooing), em vez de cortados, porque os pelos eram ainda mais longos do que a lã macia, ou a lã devia ser coletada do campo depois que caía. O muflão-europeu (Ovis musimon), encontrado na Córsega e na Sardenha, assim como em Creta, e a extinta ovelha-selvagem-do-Chipre são possíveis descendentes das primeiras ovelhas domésticas que se tornaram selvagens.
Existem várias raças de ovelha, mas elas são geralmente sub-divididas em raças de lã, raças de leite, raças de carne e raças de dupla aptidão. Fazendeiros desenvolveram raças de lã para obter quantidade e qualidade superior, comprimento da lã e grau de friso na fibra. As principais raças de lã são Merino, Rambouillet, Romney, Herdwick e Lincoln. Drysdale é uma raça específica para produzir lãs para tapetes. Raças de carne incluem a Suffolk, Hampshire, Dorset e Texel. Raças de lã com dupla-finalidade são criadas concentrando-se no crescimento rápido e em facilidade de tosquia. Uma ovelha fácil de cuidar é a Coopworth, que tem lã longa e boa qualidade na produção de carne. Outra raça de dupla-finalidade é a Corriedale. Em algumas usadas às vezes em cruzamentos, com a finalidade de maximizar ambas as saídas, por exemplo, ovelhas Merino que fornecem lã podem ser cruzadas com carneiros Suffolk para produzir cordeiros que são robustos e apropriados para o mercado de carne.
Raças Autóctones Portuguesas
Portugal conta com a presença de 15 raças autóctones de ovelhas: De resto, na produção de ovinos em Portugal destaca-se uma lista de produtos com denominação de origem protegida que era composta, em 2012, por 3 referências.
A criação de ovelhas (ovinocultura) é uma atividade que tem ocupado fazendeiros desde os tempos mais remotos, pois este animal pode fornecer leite, lã, couro e carne. No século XXI as ovelhas ainda constituem importância vital na economia de vários países. Os maiores produtores de ovelhas (per capita) estão no hemisfério sul, excetuando a República Popular da China, e incluem Nova Zelândia, Austrália, Argentina, Uruguai e Chile. No Reino Unido a importância do comércio de lã era tão grande que na câmara superior do parlamento (a Casa dos Lordes) o Lorde Chanceler senta-se numa almofada conhecida como saco de lã (woolsack). A sua carne é consumida no mundo inteiro. Seu leite é usado para produzir diversos tipos de queijo, entre os mais conhecidos estão o roquefort. Em alguns lugares do mundo, como a Sardenha, a ovinocultura tornou-se a principal atividade econômica. Mesmo nos dias atuais, o investimento em rebanhos fornece retornos financeiros de até 400% do seu custo anual (incluindo ganhos reprodutivos).


