Carnaval da cidade de São Paulo
Carnaval de São Paulo é a uma festa de momo realizada na cidade de São Paulo, no estado brasileiro homônimo. É composto pelo desfile das escolas de samba no sambódromo do Anhembi, bailes em clubes e blocos de rua. Atualmente, é considerado um dos maiores e mais importantes eventos populares do Brasil, sendo reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil e Patrimônio Imaterial do Estado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT).
O Carnaval teve sua origem como uma brincadeira onde as pessoas atiravam água e outros líquidos entre si, existente desde o século XV. A partir dai ele se desenvolveu e tomou formas diferentes nos diversos lugares em que se disseminou e floresceu. Em São Paulo, sob forte influência das populações que migravam do campo para a cidade e com o contexto da crise da economia cafeeira, foi a população resultante do êxodo rural causado pela crise do café que desencadeou o início do Carnaval de São Paulo As comemorações carnavalescas e o próprio samba diferenciam um pouco da cidade do Rio de Janeiro para a cidade de São Paulo, exceto por uma nítida diferença de andamento da candência do som, ou seja, a grosso modo, de velocidade, de tempo da música. O sambista paulista, acostumado à árdua vida nas lavouras de café e migrando para a cidade para realizar o trabalho operário, fazia o que Plínio Marcos denominou de "samba de trabalho, durão, puxado para o batuque", contrastando com o lirismo e a cadência do samba carioca. Além disso, o samba paulistano era decisivamente influenciado por outros ritmos fortemente percussivo, como o jongo-macumba, também conhecido por Caxambú. Data dessa época o início da relação entre o Carnaval e o direito: a repressão policial sofrida pelos sambistas, feita de forma dura e sem critério. Os sambistas, não só no Carnaval, mas durante todo o ano, eram vistos como marginais e duramente perseguidos pelas autoridades. Na periferia marginalizada de uma São Paulo em construção, o som dos batuques anunciava uma cultura imigrante que mais tarde influenciaria a cultura brasileira de forma definitiva.
Década de 1930
Foi instituída em 1933 a Taça Arthur Friendenreich pela Frente Negra Brasileira, com o objetivo de valorizar as agremiações de raiz africana,que era relacionada principalmente com as características rítimico-musicais e coreografias do samba, que até então eram excluídas dos certames oficiais. Dela participaram o Cordão da Barra Funda, Bloco do Boi, Cordão das Bahianas e Bloco da Mocidade. Em 1934, o mesmo concurso foi novamente realizado, sendo vencido pelo Vae-Vae. Graças à influência da Rádio Nacional, que começara a transmitir os desfiles carnavalescos do Rio, nasce a Primeira de São Paulo, no ano de 1935, considerada a primeira escola de samba da capital paulista. Nesse ano, agremiações de cunho mais popular foram incluídas no Carnaval oficial da Prefeitura de São Paulo, que passou a oferecer local, arquibancadas, infraestrutura, além de apoiar e oficializar campeonatos através do Conselho dos Festejos Populares, Recreações e Divertimentos da Cidade, ou das federações. Nessa época, não havia ainda uma diferenciação clara em São Paulo entre cordões, blocos e escola de samba, que desfilavam competindo pelo mesmo certame.
Décadas de 1940 e 1950
A década de 1940 é marcada, pela afirmação dos Blocos, Cordões e Escolas. Outros integrantes se reuniam no Largo da Banana (Onde é atualmente o Memorial da América Latina), entre danças, jogos de pernada, e baralho, começava a se formar um movimento muito forte do samba paulistano naquele espaço. Na Zona Leste de São Paulo, no antigo Largo da Penha (onde se encontra a Igreja da Penha), também surgia um movimento muito parecido com o que havia no Largo da Banana, com os negros e brancos pobres da região. Mesmo com cerca de quatro escolas de samba ativas em São Paulo, os desfiles no Rio de Janeiro, começam a ser divulgados por todo Brasil, isso acaba fomentando e atraindo o interesse da população da cidade paulistana, que começa a agregar e abraçar os desfiles da capital.
Década de 1960
Durante a década de 1960 várias agremiações mostram um crescimento, com grande destaque no cenário paulistano para a Unidos do Morro de Vila Maria (hoje Unidos de Vila Maria) e Unidos do Morro da Casa Verde (hoje Morro de Casa Verde), presididas por Xangô e Zezinho do Banjo respectivamente. No ano de 1965, o carnaval dá o primeiro passo à profissionalização: com a adesão de Moraes Sarmento, os desfiles passam a ser transmitidos e comentado nas rádios e ganham o respeito e espaço nas instituições de cultura da cidade. Em meados de 1967, o então prefeito José Vicente Faria Lima (carioca, nascido em Vila Isabel e apreciador de samba) regulariza os desfiles para a Avenida São João, e, em 1968, oficializa a festa assinando a Lei nº 7.100/67, destinada a regular a promoção do Carnaval pela Prefeitura Municipal de São Paulo, e regulamentada pelo Decreto nº 7.663/68. Nos três anos seguintes, mais um tricampeonato da Nenê de Vila Matilde.
Década de 1970
Na década de 1970, chegam escolas "novas", a primeira foi a Mocidade Alegre, antes um bloco, presidida por Juarez da Cruz, passa por todos os grupos inferiores até que em 1971, recém-chegada ao Grupo 1, vence o carnaval e se torna tricampeã, surpreendendo a velha guarda do samba paulistano. Num jeito corsino de evolução, mais apresentando uma técnica completamente nova na construção de alegorias e fantasias, foi uma referência durante os anos em que venceu. O ano de 1972 foi marcante pela morte definitiva dos cordões: Vai-Vai, Camisa Verde e Branco, Paulistano da Glória, Fio de Ouro não recebem mais apoio da prefeitura, e graças ao reconhecimento pela grandiosidade no segmento que elas então participavam, as maiores campeãs (Vai-Vai, Camisa Verde e Branco e Fio de Ouro), recebem um convite para participar do desfile principal de escolas, e já no primeiro ano todas elas surpreendem, a ponto do Camisa Verde e Branco, acabar com a série da Mocidade Alegre, e conquistar um tetracampeonato entre 1974-1977, e a partir daí, o que se viu foi um domínio das escolas corsinas, em 1978 com o enredo "Na Arca de Noel, Quem Entrou Não Saiu Mais", o Vai-Vai vence e conquista seu primeiro título entre as escolas.
Década de 1980
Na chegada dos anos 1980, a Mocidade Alegre vence com o enredo "Embaixada, Sonho de Bamba", um dos maiores sambas da história; vence as eliminatórias paulistas do Fantástico, e foi apresentado ao país todo. Nesse mesmo ano marca a primeira aparição de uma garota de 19 anos ao microfone de uma pequena escola de samba da Zona Leste, ela é Eliana de Lima, que puxa a escola Príncipe Negro da Vila Prudente. Mas não se deixem enganar, a primeira puxadora de samba em São Paulo foi Ivonete da Acadêmicos do Peruche, e logo após em 1977 aparece outra grande puxadora, Bernadete na Acadêmicos do Tatuapé. Em 1981 e 1982, a Vai-Vai, é campeã em uma disputa acirrada com a Nenê de Vila Matilde, que traz sambas épicos nesses dois anos "Axé, Sonho De Candeia" em 81 e "Palmares, Raiz da Liberdade" em 82, chegando ao vice-campeonato com este último, realizando um dos maiores desfiles da história. O ano de 1981 também marca a chegada de Dom Marcos, como puxador da Cabeções da Vila Prudente, e Royce do Cavaco, auxiliando Tunicão, na Rosas de Ouro.
Década de 1990
A lei n°10.831/90 desencadeou a última mudança de endereço dos desfiles de Carnaval, que se deu em 1991, quando passaram a ser realizados no Polo Cultural Grande Otelo, uma grande passarela de mais de quinhentos metros construída na Avenida Olavo Fontoura, e popularmente conhecido por Sambódromo do Anhembi. Este local, de propriedade da Anhembi S/A, sedia os desfiles desde então, e nele ainda são realizados diversos eventos das mais variadas naturezas. O ano seguinte foi marcado pelo fator tempo, assim como em 1983, choveu quase a noite toda, e o que se viu, foram escolas do calibre de Nenê de Vila Matilde, passar um dos piores momentos da sua história, com problemas de bastidores: o carnavalesco Antônio Carlos brigou com componentes da escola dias antes do desfile e na hora de levar os carros alegóricos para a Av. Tiradentes, os Matildenses encontram duas carretas impedindo a saída das alegorias de seu próprio barracão; como resultado a escola fica em 8º lugar a 1 ponto do rebaixamento. Outros fatos marcantes foram o desfile plano (sem alegoria alguma) da escola GRES Pérola Negra, a chegada da Gaviões da Fiel e o primeiro empate da era moderna do nosso carnaval. O Camisa Verde e Branco que corria por fora acabou empatada com a escola de Eduardo Basílio (Rosas de Ouro) e as duas levaram o título.
Antes de se falar em Escolas de Sambas Desportivas, teríamos que regressar nos anos 30 e 40, quando Bailes de Carnaval e Blocos oriundos de equipes de Futebol Amador e Profissional, desfilavam em caráter oficial pelos bairros da cidade, e até oficialmente pela prefeitura. Durante a Década de 1970 surgiram Entidades Carnavalescas que fariam muito sucesso no futuro, como a Gaviões da Fiel multicampeã desfilando pela categoria dos blocos em São Paulo, na mesma década surgiram a TUSP (Torcida Uniformizada do São Paulo), a TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras), que não acompanharam com muito sucesso, a força que a Gaviões já obtinha. No fim da década de 1980, como argumento, a Liga-SP presidida então por Leandro Alves (Seu Leandro (Atualmente presidente da Leandro de Itaquera)), decide dar uma chance para a Gaviões da Fiel se tornar escola. e em 1988 outorga o acesso direto por premiação, ou seja, a Gaviões por ser campeã desde sua fundação, perdendo apenas em um ano,se tornaria escola de samba e ganharia uma vaga no Grupo 1 (Hoje Grupo de Acesso), no Carnaval de 1989 a escola com apenas 1 ano de vida, ratifica sua força e sobe ao Grupo Especial para o Carnaval de 1990.
O carnaval de rua é uma das mais antigas manifestações culturais de São Paulo, sendo que o registro mais antigo de sua realização data de uma ata da Câmara Municipal de 13 de fevereiro de 1604, quando ainda era chamado de Entrudo. Desde então foi realizado nas ruas paulistanas, apesar das autoridades provinciais tentarem proibi-lo em 1832 Por conta do entrudo consistir no arremesso de frutas e água de cheiro nos seus participantes, foi se tornando violento e proibido em São Paulo em 1832. Porém, as autoridades só conseguiram terminar com o entrudo ao participar da organização dos desfiles de carnaval em 1856, quando eles tomaram a forma parecida com a atual. O carnaval de rua, ou blocos de rua, em São Paulo cada ano vem crescendo cada vez mais, trazendo com ele uma dimensão cultural, turística e simbólica enorme, além de importância histórica e artística. Esses tem se tornado tradição aos amantes do carnaval nos últimos anos.


