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Carlos VII de França

Carlos VII de França, dito o Vitorioso ou o Bem-Servido, foi o Rei da França de 1422 até à sua morte (1461), apesar da sua legitimidade ter sido questionada pelo rei Henrique VI de Inglaterra. É o quinto rei do ramo da Casa de Valois da Dinastia dos Capetos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/06/2026
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Início de vida

Filho de Carlos VI da França e de Isabel da Baviera, seus irmãos mais velhos viriam a falecer antes do pai, deixando-lhe o título de Delfim do Viennois ou herdeiro do trono. Foi conde de Ponthieu e duque da Touraine em 1416, duque de Berry e conde de Poitiers em 1417, Delfim depois da morte dos irmãos mais velhos em 1417. A França achava-se em guerra com a Inglaterra (a Guerra dos Cem Anos), disputando esta o trono àquela. Após a derrota francesa na Batalha de Azincourt, em 1415, o pai deserdou-o pelo Tratado de Troyes (1420), o qual previa que, pela sua morte, seu único herdeiro natural seria o rei de Inglaterra. Quando Carlos VI morreu, tanto Henrique VI de Inglaterra como o jovem Delfim Carlos foram proclamados reis de França; os seus apoiantes invocavam a instabilidade mental do seu pai como causa para a assinatura do tratado, declarando-o nulo e considerando o delfim o único legítimo soberano da França. Porém, cerca de dois terços do reino obedeciam ao rei inglês, entre os quais Reims, em cuja catedral os reis de França eram tradicionalmente coroados.

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Joana d'Arc

Joana d'Arc, a jovem pastora, dizia ter visões e afirmava que o trono estava destinado por Deus a Carlos; foi levada ao Delfim, e este, impressionado, confiou-lhe um pequeno exército; conseguiu libertar Orleães e a partir daí assegurou várias vitórias para os Franceses. O delfim não ignorava as aventuras extraconjugais da mãe, Isabeau de Bavière. Sempre a dúvida parece ter corroído sua personalidade, fragilizada pelo contexto político tão difícil. Parece ter vindo de Joana d'Arc o conforto ao rei de Bourges sobre sua situação filial, na entrevista de ambos em Chinon, dando-lhe um pouco de sua confiança. Carlos pôde ir reconquistando seu reino, até finalmente poder ser coroado rei em Reims, em 17 de Julho de 1429. Graças aos sucessos de Joana d'Arc e apesar de sua morte trágica, Carlos VII muda de personalidade, De indolente e indeciso, torna-se enérgico e audacioso. Terá sobretudo o valor de reconhecer as personalidades de valor que o rodeiam, o bastardo de um príncipe, Dunois, e os irmãos Bureau, tão importantes quando da última batalha de Castillon contra os ingleses em 1453. Terá ainda o chanceler Jean Jouvenel des Ursins, cujos traços nos são conhecidos por um belíssimo quadro de Roger Van Der Weyden. E Jacques Coeur, o financista bem mal recompensado aliás por seus serviços. Sem esquecer Agnes Sorel, que pela primeira vez na França terá o papel oficial de amante real, no qual deu prova de bom senso. Por isso às vezes o rei é chamado Charles le Bien servi.

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1453

Em 17 de julho de 1453, o exército do rei encontra com um corpo expedicionário inglês perto das margens do rio Dordogne, arredores da aldeia de Castillon. A batalha dá fim afinal ao longo conflito que a história conhece como Guerra dos Cem Anos. A fase final se dá após o suplício de Joana d´Arc em 1431. Forte com a legitimidade por ela assegurada, Carlos retomou a contra-ofensiva, assistido pelo Grand Argentier Jacques Coeur, que restaurou as finanças do Estado; por Dunois, que comandava suas tropas, e pelos irmãos Jean e Gaspard Bureau, que reorganizaram o exército e formaram pela primeira vez uma artilharia poderosa e relativamente eficaz. Agnes, sua amante, mantinha elevada sua coragem como, de maneira completamente diferente, tinha feito Joana. Em 1450, Carlos VII foi vitorioso em Formigny. As hostes reais, comandadas pelo conde de Penthièvre, desceram pelo vale do rio Dordogne. Bergerac foi conquistada em 10 de outubro. Bordeaux se rendeu aos franceses pelo tratado de 12 de junho de 1451. Os ingleses foram expulsos da terra francesa, exceto de Calais. Mas, em Bordeaux e na Aquitânia, os súbditos de Carlos VII têm logo saudades dos ingleses, que cuidavam de respeitar seus direitos comunais e sua autonomia. Reclamam do rei em Bourges, que não lhes presta orelha. Bordeaux chama de volta os ingleses. Embora metido na guerra dinástica inglesa conhecida como a Guerra das Duas Rosas, Henrique VI envia tropas para a Aquitânia, 3 000 soldados comandados por John Talbot, guerreiro idoso, de quase 70 anos. O corpo expedicionário desembarca em 20 de outubro de 1452 perto de Soulac, no Médoc, no local ainda chamado Angra do Inglês ou "l’Anse de l’Anglot". Chegam mais 2 mil de reforço, mas os franceses contam mais de 10 mil soldados e 300 canhões, comandados por Dunois e pelos irmãos Bureau. No confronto decisivo, a metros das muralhas de Castillon, morrem 9 mil soldados, entre eles Talbot. Empregada pela primeira vez de modo racional e sistemático, a artilharia assegura a vitória francesa. A cavalaria já não mais é a rainha das batalhas! A batalha, semanas depois da queda de Constantinopla diante dos turcos, passará quase despercebida dos contemporâneos mas marcará, na História militar, o triunfo da artilharia.

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Casamento

Sua amante famosa foi Agnes Sorel, morta em 1450 que lhe deu quatro filhos, abaixo. Houve outra amante, mas sem posteridade, Antoinette de Maignelay (ca. 1430- 1461) senhora ou dame de Villequier. Casou em 18 de dezembro de 1422 com Maria de Anjou (1404-1463 na abadia de Chateliers no Poitou), filha de Luís II de Anjou, rei de Nápoles, e de Iolanda de Aragão. Seu primogênito, é claro, foi Luís XI (Bourges 1423-1483), rei em 1461.

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Fontes consultadas