Carlos Julião
Carlos Julião foi um artista luso-italiano e engenheiro do exército colonial, que atuou na segunda metade do século XVIII e inicio do século XIX como inspector de fortalezas, mas se tornou mais conhecido pelos seus desenhos em aguarela retratando os diferentes tipos raciais e sociais do império português, bem como o período da mineração no Brasil.
Carlos Julião, ou Carlo Juliani, como alguns documentos oficiais se referem a ele, nasceu em 1740 em Turim, no reino de Piemonte, na Itália. Em 1763 ingressou o Regimento Real de Artilharia do exército português como tenente. Embora não se saiba ao certo que laços uniam Julião ao império português, numa carta de 1792 assinada pela rainha Maria I onde o oficial recebe o título de cavaleiro professo na Real Ordem Militar de São Bento de Avis, é mencionado o nome de seu pai, um certo João Baptista, indicando uma paternidade portuguesa. Uma de suas primeiras missões terá sido em Mazagão, Marrocos, última possessão portuguesa do norte de África, tomada pelos muçulmanos em 1769 e onde Julião, de acordo com documentação oficial, terá combatido debaixo de fogo e com risco de vida. A partir de 1770 Julião terá também servido numa missão topográfica a Macau, China, como parte de um plano de reformas comandado pelo ministro da Marinha e do Ultramar, Martinho de Melo e Castro. Até 1781, quando se tornou Capitão com especialidade em Minas, terá viajado pelo império português trabalhando como inspetor de fortalezas.
Como parte do seu treinamento militar em engenharia, Carlos Julião frequentou aulas de desenho, que preparavam os oficiais portugueses em missão pelo império no registro de informação visual sobre os povos e territórios colonizados pelos portugueses. Durante seis anos, Julião serviu na Índia, e ilustrou um manuscrito intitulado "Noticia Summária do Gentilismo na Ásia", onde com desenhos e textos reproduzia as crenças Hindu de tradição Brâmane. Estas imagens estão incluídas no catálogo "Riscos Iluminados de Figurinhos de Negros e Brancos dos Uzos do Rio de Janeiro e Serro Frio" publicado pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro em 1960 (ver bibliografia). O título do catálogo se refere a 43 aquarelas retratando indígenas, militares, trajes e costumes, escravos e suas atividades incluindo mineração de diamantes. Representações etnográficas do Brasil-Colônia, e um registro etnográfico de grande utilidade para as autoridades que administravam o império. No catálogo, além das pranchas da Índia e Brasil, estão ainda incluídas 33 ilustrações de cerâmicas e têxteis indígenas do Peru, "confiscados de um galeão espanhol, que naufragou na costa portuguesa, na vila de Peniche, durante o reinado da rainha Maria I, que começou em 1777".


