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Carlos II da Romênia

Carlos II, foi o Rei da Romênia de 1930 até sua abdicação forçada em setembro de 1940. O filho mais velho do rei Fernando I da Romênia e de sua esposa, a princesa Maria de Saxe-Coburgo-Gota, tornou-se príncipe herdeiro após a morte de seu tio-avô, o rei Carlos I em 1914. Ele foi o primeiro dos reis Hohenzollern da Romênia a nascer no país; ambos os seus antecessores nasceram na Alemanha e só vieram para a Romênia quando adultos. Foi o primeiro membro da família real que falava romeno como sua língua primeira, e também o primeiro membro da família a ser batizado e criado na fé ortodoxa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Biografia

Família e vida pessoal

Carlos nasceu no Castelo de Peleş, durante o reinado de Carlos I. Ingressou no exército real romeno em 1908 com o posto de Alferes, alcançando o rank de General em 1923 e posteriormente de Marechal em 1930. Em novembro de 1914, pouco depois de completar 21 anos, passou a ocupar uma vaga no senado romeno — privilégio constitucional dos herdeiros presuntivos da coroa quando atingiam a maioridade. Conhecido mais pelas desventuras românticas do que por sua capacidade de liderança, Carlos casou-se em 31 de agosto de 1918 na Catedral de Odessa, na Ucrânia, com Joana Maria Valentina Lambrino, conhecida pelo apelido de Zizi, filha de um general romeno. Esta união contrariava as leis romenas para casamentos reais, que proibiam o casamento de reis e príncipes herdeiros com mulheres de origem romena. O casal teve apenas um filho, Mircea Gregor Carol Lambrino, e o casamento foi anulado por decisão do tribunal de Ilfov em 1919.

Caráter

Apesar da fama de conquistador e playboy, Carlos mostrou, com o passar dos anos, ser um político astuto, alijando os partidos tradicionais do poder, mesmo sem demonstrar valor algum como estadista. Com notável inclinação para o exercício do poder e parcas ideias políticas, Carlos não possuía conhecimento nem opinião própria sobre economia, o que fez com que buscasse apoio entre os industriais — que ganharam posições de destaque ao longo de seu reinado.

Regresso e ascensão ao trono

Em 6 de junho de 1930, Carlos desembarcou de surpresa em Bucareste. Para sua coroação, contou com o apoio de amplos setores da sociedade, que desejava um monarca maduro, capaz de acalmar o cenário político interno. Prontamente, Carlos II demonstrou que sua ambição ia na contramão dos anseios populares, rodeando-se de industriais, banqueiros e políticos de direita, que ficaram conhecidos como Camarilă (A Camarilha), O rei converteu-se rapidamente no centro da vida política do país e iniciou sua estratégia de minar os partidos tradicionais, estimulando as dissidências internas e arregimentando os descontentes.

Copa do Mundo de 1930

Obcecado por futebol, escalou pessoalmente a Seleção Romena para a Copa do Mundo de 1930, entregando ao técnico do time uma lista com o nomes de todos os jogadores, titulares e reservas, que deveriam viajar ao Uruguai, país-sede da competição.

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Governos de transição e regresso dos liberais

Entre a renúncia de Iuliu Maniu, em outubro de 1930, e o regresso dos liberais ao poder, em novembro de 1933, a situação do país tornou-se mais confusa que o habitual. A crise econômica assolava o país e o sistema político "semi-democrático" começava a se desintegrar, fortalecendo os movimentos extremistas. A tentativa de Carlos de reorganizar a vida política da nação, foi infrutífera. Ele pensava que os partidos tradicionais haviam perdido sua razão e desejava substituí-los por elementos mais "modernos", introduzindo, a princípio, um governo de personalidades apartidárias. Em 18 de abril de 1931, ele colocou suas ideias em prática, encarregando o famoso historiador Nicolae Iorga de formar um novo governo. Imediatamente, Carlos anunciou sua intenção de presidir o Conselho de Ministros semanalmente. Logo surgiram os primeiros desentendimentos entre o rei e seu governo, devido à crise que obrigou a redução dos salários, medida a que Carlos se opôs, forçando a renúncia de Iorga em junho de 1932. Até o final de 1933, sucederam-se diversos gabinetes compostos pelos nacional-camponeses, que não conseguiram melhorar a situação política e econômica, gerando uma crise no partido. Após cinco anos longe do governo, os liberais do Partido Nacional Liberal (PNL) regressaram, inicialmente com o efêmero Ion G. Duca - assassinado pela Guarda de Ferro em dezembro de 1933 - e, mais tarde, com Gheorghe Tătărescu, que conseguiu manter-se à frente do governo por quatro anos.

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O longo governo de Tătărescu

O rei monopolizava cada vez o poder político e permanecia desconfiando dos partidos. Para fazer frente à crescente popularidade da formação fascista da Guarda de Ferro, criou sua própria organização juvenil, a Straja Ţării ("Guarda da Pátria"), em 1934, enquanto o governo adotou algumas das posturas típicas da extrema direita, aproveitando-se da popularidade desta corrente em todo o país, ainda mergulhado em graves problemas sociais (miséria camponesa) e econômicos (Grande Depressão). Inicia-se nessa época um esforço para a industrialização do país, para reverter o atraso do Estado e reduzir a população do campo, que vivia na pobreza. Favoreceu-se, especialmente, indústria pesada, à custa do desenvolvimento rural — independentemente de sua relação com a agricultura —, ocupação da grande maioria da população. Esta tendência fez com que a política nacional caminhasse para um regime corporativista.

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Fascismo real

Nas eleições de dezembro de 1937, a "Legião" alia-se a outros partidos para impedir que os liberais alcancem maioria absoluta no parlamento e atingem seu objetivo. O rei, atraído pelo ideário de Codreanu, decide, no entanto, encarregar seus rivais do Partido Nacional Cristão, de Alexandru C. Cuza e Octavian Goga (9,7% dos votos), de compor um novo governo. Sua amante judia e as duras críticas a seus colaboradores o afastam de Goga. O novo parlamento foi dissolvido e tomaram-se medidas repressivas para garantir a maioria do novo governo real e minar a força da "Legião". Foram aprovadas várias medidas contra os judeus (limitação da educação, cidadania, direito à propriedade, etc.). Goga, no entanto, negocia com Codreanu, que decide não candidatar-se às novas eleições. O rei não aprova esta nova aliança entre os extremistas de direita e demite Goga.

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Ditadura real

Eliminação da Guarda de Ferro e crise internacional

Em 11 de fevereiro de 1938, o rei suspendeu a constituição e proibiu a existência de partidos políticos, iniciando um regime de ditadura real que duraria até 5 de setembro de 1940. Carlos nomeou um governo fantoche chefiado pelo patriarca ortodoxo, que logo foi substituído por Armand Călinescu, homem forte do regime até seu assassinato, em setembro de 1939. O governo não respondia ao parlamento, mas ao rei, que podia promulgar decretos-lei. Este regime foi descrito pelo embaixador alemão como nacionalista, cristão e antisemita. O governo real adotou as características típicas dos regimes fascistas contemporâneos: partido único, uniformes militares, organizações juvenis nacionalistas controladas pelo governo, retórica conservadora e de renovação nacional, etc. A Camarilha Real aumentou seu poder.

Mais perto do Eixo

O rei havia perdido seu homem de confiança e a situação internacional parecia dar razão aos extremistas que defendiam uma aproximação com as potências fascistas que, nesse momento estavam acabando com a resistência polaca, um dos mais próximos aliados da Romênia. No final de setembro, lamentou a recusa britânica à proposta de paz de Hitler, convencido que estava da necessidade de união entre os dois países para frear o que considerava a principal ameaça para a Europa e a Romênia: a União Soviética. Em seguida, procurou criar um bloco de países neutros e ofereceu sua mediação a Hitler para conseguir a paz entre este e o bloco anglo-francês, oferta que foi recusada. A agrupação de nações neutras, que deveria ser dirigida pela Itália, fracassou devido à renúncia búlgara à união com seus vizinhos da Entente dos Balcãs, prevendo possíveis anexações territoriais pela guerra.

Abdicação

Em 3 de setembro de 1940, o legionários se sublevaram em Bucareste, Braşov e Constança. Vitorioso nas províncias, o levante fracassou na capital, mas desencadeou grandes manifestações. O rei se viu obrigado a pedir auxílio ao general Antonescu que, mesmo sendo um crítico do monarca, era o único que poderia assegurar-lhe o controle do exército, necessário para manter-se no poder. Antonescu deu-lhe seu apoio, mas exigiu sua abdicação. Em 6 de setembro de 1940, Carlos II cedeu e partiu para o exílio com sua amante e um trem carregado de objetos de valor. Seu filho, Miguel I, foi nomeado seu sucessor. No momento de sua abdicação, Carlos era um dos principais industriais do país, com ações em 40 empresas e bancos romenos e alguns alemães, como AEG e Deutsche Bank.

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Exílio e morte

Carlos e Magda Lupescu se casaram no Rio de Janeiro, em 13 de junho de 1947. Nunca mais voltou a rever seu filho nem seu país. Morreu no exílio em Portugal, em 1953, aos 59 anos de idade. Em fevereiro de 2003, próximo de se completar o cinquentenário de sua morte, os restos mortais de Carlos II, pai de Miguel I, foram trasladados do Panteão da Dinastia de Bragança para a Catedral de Curtea de Argeș.

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