Pesquisa · Mapa mental

Leopoldo II da Bélgica

Leopoldo II foi o segundo Rei dos Belgas de 1865 até sua morte em 1909. Foi também soberano do Estado Livre do Congo (1884-1908).

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
01

Início de vida

Nasceu em 9 de abril de 1835, no Palácio Real de Bruxelas, segundo filho do rei Leopoldo I da Bélgica e de Luísa Maria de Orleães, filha do rei Luís Filipe I da França. Após a morte prematura de seu irmão mais velho, Luís Filipe, ocorrida no ano anterior, tornou-se herdeiro aparente do trono. Em 1846, recebeu o título de Duque de Brabante, tradicionalmente atribuído ao herdeiro da coroa belga. Órfão de mãe aos quinze anos, Leopoldo foi significativamente impactado pela morte da rainha Luísa, que acompanhava diretamente a criação dos filhos. Após seu falecimento, diversos governadores passaram a se suceder na supervisão das crianças reais. Leopoldo tinha dois irmãos mais novos, Filipe, o futuro Conde de Flandres, e Carlota, a futura Imperatriz do México como consorte de Maximiliano I. Em agosto de 1853, casou-se com a arquiduquesa Maria Henriqueta da Áustria, filha de José, Palatino da Hungria. O casal teve três filhas, Luísa, Estefânia e Clementina, e um filho, Leopoldo, que faleceu aos nove anos de idade. À época, a Constituição da Bélgica não permitia a sucessão feminina ao trono. Com a morte do filho, perdeu seu herdeiro direto, circunstância que contribuiu para o distanciamento no casamento. Todavia, Leopoldo logrou realizar casamentos considerados prestigiosos para suas filhas Luísa e Estefânia, casadas com o rico príncipe Filipe de Saxe-Coburgo-Gota-Koháry e Rodolfo, Príncipe Herdeiro da Áustria, respectivamente. Leopoldo teve ainda dois filhos com sua amante Caroline Lacroix, posteriormente titulada baronesa. Descrito como um libertino, Leopoldo supostamente foi cliente da casa de sadomasoquismo Rose Cottage, de Mary Jeffries, em Hampstead, um subúrbio de Londres.

02

Reinado

Durante o reinado de Leopoldo na Bélgica, ocorreram importantes mudanças políticas e sociais. Os liberais governaram de 1857 a 1880, criando escolas públicas gratuitas e obrigatórias, enquanto o Partido Católico recuperou o apoio às escolas religiosas. Surgiu o Partido Trabalhista Belga em 1885, e o sufrágio universal masculino foi adotado em 1893, após várias reformas sociais, como direitos aos trabalhadores e leis contra o trabalho infantil. Leopoldo teve dificuldades com o conflito linguístico, mas seu sobrinho Balduíno conquistou popularidade entre os flamengos. A Constituição foi revisada em 1893, introduzindo o voto universal masculino e o sistema de representação proporcional. Leopoldo também focou na defesa militar, fortalecendo as fortificações e preservando a neutralidade do país durante conflitos. Seu imperialismo tinha um forte componente econômico, buscando lucro através da exploração, mas também motivado por um desejo de prosperidade para a Bélgica.

Exploração colonial e atrocidades

Leopoldo acumulou uma enorme fortuna pessoal com a exploração de recursos naturais do Estado Livre do Congo, a princípio, graças à exportação do marfim, mas esta não rendia tanto quanto se esperava. Quando a demanda global por borracha explodiu, sua atenção se voltou para a coleta trabalho-intensiva da seiva das plantas da borracha. Abandonando as promessas da Conferência de Berlim, realizada entre 1884 e 1885, o governo do Estado Livre do Congo restringiu o acesso de estrangeiros e passou a explorar o trabalho forçado dos nativos, com amplo recurso a espancamentos, matanças e mutilações, quando as cotas de produção não eram alcançadas. O missionário John Hobbis Harris, que trabalhava em Baringa (na atual província de Chuapa), ficou tão chocado com o que se deparou por lá que escreveu ao principal agente de Leopoldo no Congo, dizendo:

Críticas à administração do Estado Livre do Congo

A partir de 1884, no entanto, uma intensa guerra de propaganda foi travada, na mídia internacional, entre Leopoldo II e os críticos do Estado Livre do Congo. Leopoldo foi muito astuto no uso dos meios de comunicação para defender seu controle privado do Congo; do outro lado, o jornalista britânico Edmund Dene Morel movia uma forte campanha contra ele, chamando a atenção do público para a violência dos belgas contra a população congolesa. Morel usou os meios de comunicação de massa disponíveis na época, desde jornais e panfletos até livros, para divulgar evidências - incluindo relatos de testemunhas oculares e fotos obtidas por missionários, entre outros elementos - sobre as crueldades a que eram submetidos os nativos. Quando Morel ganhou apoiadores famosos, a publicidade negativa acabou por forçar Leopold a deixar o controle do Congo para o Estado belga, ao qual Leopoldo doaria a maior parte de suas propriedades, em 1900. O jornalista norte-americano Adam Hochschild, em seu livro King Leopold's Ghost, aponta o "grande esquecimento", depois que o rei transferiu a posse de sua colônia à Bélgica. Hochschild lembra que, em sua visita ao Museu Real da África Central, na década de 1990, não se mencionava nada a respeito das atrocidades cometidas no Estado Livre do Congo. Outro exemplo dado pelo autor sobre o "grande esquecimento" é o monumento, localizado em Blankenberge, que mostra um colono "trazendo a civilização" a uma criança negra, aos seus pés. Adam Hochschild dedica um capítulo do seu livro ao problema da estimativa do total de mortes, chegando a um número aproximado de 10 milhões.

Relações com o Império do Brasil

Assim como seu pai, Leopoldo I, que enviou ao Brasil seu filho mais novo, Filipe, em um projeto malsucedido de uni-lo em matrimônio a uma das filhas do imperador D. Pedro II do Brasil, Leopoldo II demonstrava grande interesse em estabelecer um ramo da Casa de Saxe-Coburgo-Gota na América do Sul. Ele logrou concretizar parcialmente seus intentos ao promover o casamento de seu sobrinho, o príncipe Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, com a princesa Leopoldina do Brasil, filha caçula de D. Pedro II. Ainda assim, seus planos não se realizaram conforme o esperado, pois almejava que Luís Augusto se casasse com a princesa Isabel, herdeira do trono imperial.

03

Morte

Em 17 de dezembro de 1909, Leopoldo II faleceu aos 74 anos de idade de uma embolia, e a coroa belga passou para Alberto I, filho do irmão de Leopoldo, Filipe, Conde de Flandres, seu cortejo fúnebre foi vaiado pela multidão em desaprovação de seu governo. Seu corpo foi enterrado na câmara mortuária real da Igreja de Nossa Senhora de Laeken, no Cemitério de Laeken. A atenção dada às atrocidades no Congo diminuiu nos anos que se seguiram à morte de Leopoldo, embora sua aparição em The Congo, de Vachel Lindsay, a obra mais conhecida desse poeta, tenha imortalizado essas atrocidades: queimando no inferno por seu hospedeiro mutilado. Ouve como os demônios riem e gritam cortando suas mãos, lá no inferno.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando