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Carlos Cruz

Carlos Pereira Cruz, ex-locutor, jornalista, escritor e produtor de rádio e televisão português.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/08/2026
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Biografia

Imagem: Miss Hask ▼▼▼ · BY-NC-ND · Openverse

Em julho de 2000, deixa a RTP, onde trabalhou durante quase quarenta anos, e muda-se para a SIC. Na estação de Pinto Balsemão, apresentou inicialmente o concurso A Febre do Dinheiro, entre setembro e dezembro de 2000, a grande aposta para defrontar o recém-estreado Big Brother, na TVI. Em 2001, destacou-se na apresentação da primeira temporada do "late-night show" Noites Marcianas. No ano seguinte, apresenta mais dois programas, com relativo sucesso: o concurso Linha da Sorte, nas noites de sábado e Fora de Série, um programa de variedades. Já envolvido no Processo Casa Pia, apresenta a primeira edição do programa de informação sensacionalista Escândalos e Boatos, antes de rescindir contrato com a SIC, por mútuo acordo, a 30 de janeiro de 2003. Em vista estava um regresso à RTP, a casa-mãe, mas, por força das vicissitudes, tal acabou por nunca se concretizar. Antes disso, foi ainda o rosto da campanha institucional para a realização do Campeonato Europeu de Futebol de 2004, em Portugal, e presidiu à Comissão Executiva da Candidatura Portuguesa. A 9 de junho de 2000, recebeu, das mãos de Jorge Sampaio, o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

1942-1956

Carlos Cruz nasceu em Parceiros de São João, no concelho de Torres Novas, numa casa sem água canalizada, eletricidade ou instalações sanitárias, serviços então inexistentes nos meios rurais do país, no ano de 1942. Os seus pais eram proprietários agrícolas. Quando Carlos Cruz nasceu, os dois filhos mais velhos já eram adultos e os outros três tinham já 16, 11 e oito anos. Aos seis anos, foi viver para Angola com a família. Dois dos irmãos mais velhos tinham partido para a antiga colónia, em busca de uma vida melhor, e, embora contando já 59 anos de idade, o pai decidiu para lá partir também, levando a família, corria o ano de 1948. Em Luanda, instalaram-se numa casa de outra família, no chamado Musseque Lixeira, bairro de odor nauseabundo; mais tarde, foram para uma vivenda acabada de construir no Bairro de São Paulo, na fronteira entre o asfalto e o musseque.

1956-1961

No ano de 1956, Carlos Cruz tem a sua primeira experiência na rádio, tendo apenas 14 anos de idade, num programa semanal da Mocidade Portuguesa, chamado A Voz da Mocidade. Na sequência dessa experiência, pedirá ao padre José Maria Pereira, seu professor de Religião e Moral no liceu e diretor da recém-fundada Rádio Ecclesia — Emissora Católica de Angola, para que este o deixasse acompanhar ao vivo o relato de um jogo de futebol que, naquele ano, se realizaria entre a selecção militar portuguesa e a seleção angolana. Lograda a entrada, Carlos Cruz seria sentado ao lado a Rui Romano, famoso radialista da época e encarregado de relatar o jogo. A certa altura, o adolescente seria confrontado com uma situação inesperada — confundindo Carlos Cruz com outra pessoa, Romano passa-lhe o microfone, anunciando que seria aquele a continuar o relato.

1962-1967

No ano de 1962 abre um concurso para a RTP e o jovem apresenta-se como candidato. Uma vez selecionado, estreia-se, nessa sequência, como apresentador de televisão, continuando na área do desporto — apresenta, primeiro, o TV Motor, dedicado aos desportos motorizados, e, logo a seguir, o Tele Desporto, de caráter genérico. Já em 1965 surge na apresentação do Telejornal, ao sábado, ao domingo e, pontualmente, mais duas vezes por semana — fora já chamado a cumprir o serviço militar, sendo colocado em Santarém, como oficial miliciano. No ano seguinte, 1966, concebe apresenta o programa de atualidade musical Discorama.

1968-1979

Regressa à rádio, desta vez na Renascença, em 1968, com um programa que alcança algum êxito, o PBX. Na mesma estação, apresentaria o Tempo Zip, em 1970. Três anos depois, em 1973, Carlos Cruz encontra-se entre os fundadores do Serviço de Noticiários da emissora católica. De novo na televisão, Carlos Cruz integra, em 1969, o painel de um dos mais inovadores e marcantes talk-shows portugueses de sempre, o Zip-Zip. Ao lado de Raúl Solnado e Fialho Gouveia entrevistará a diversas personalidades portuguesas, incluindo artistas cujo trabalho se via ameaçado pela censura, o que evidencia o programa como uma manifestação do período de abertura política da Primavera Marcelista. O programa seria um enorme de popularidade e consolidou o percurso de Carlos Cruz na televisão.

1980-1989

No início da década de 1980, na companhia de Raul Solnado e Fialho Gouveia, seus parceiros no Zip-Zip, apresenta o programa musical E o Resto São Cantigas, que, apesar de não ter atingido o êxito do anterior programa apresentado pela tripla, conseguiu fazer algum sucesso. Na mesma altura, na Rádio Comercial, foi autor e apresentador dos bem-sucedidos Pão Com Manteiga, o icónico programa das manhãs de domingo da estação, e Duplex. Dirigiu, igualmente, em 1982, a revista Mais. Em 1984, foi o grande responsável por trazer de Espanha o arrojado concurso 1,2,3, que se tornou um enorme sucesso de audiências. Carlos Cruz apresentou as três primeiras edições do concurso (até 1986), cimentando a sua popularidade junto dos grandes públicos, que já lhe chamavam "Senhor Televisão". Também em 1984, estreia-se como ator no filme Vidas de António da Cunha Telles.

1990-1999

Em 1990, funda a CCA — Carlos Cruz Audiovisual, Lda., entre outras empresas, uma das grandes responsáveis pela pela produção televisiva em português. Nos primeiros anos, produziu cerca de onze programas semanais para a RTP1, como A Roda da Sorte, Isto… só Vídeo, Marina, Marina, Nós os Ricos, entre outros. Ainda em 1990, apresenta a primeira edição do famoso concurso O Preço Certo, nas noites da RTP1. Em 1991, assume a condução de um novo programa de entrevistas, num registo intimista, designado Carlos Cruz Quarta-Feira. O programa esteve no ar durante oito anos. Por esse programa passam variadas personalidades da vida pública portuguesa, da politica — ficaria celebre a entrevista a Alvaro Cunhal, por exemplo — literatura, artes plásticas e performativas, desporto, medicina, etc.

02

Processo Casa Pia

Imagem: santiagonostalgico · BY-ND · Openverse

A sua carreira televisiva foi interrompida no âmbito do Processo Casa Pia. O seu nome surgiu no processo em novembro de 2002, quando o escândalo rebentou. Foi detido preventivamente a 1 de fevereiro de 2003, por suspeita da prática de abuso sexual de menores. A 4 de maio de 2004, passou a cumprir um regime de prisão domiciliária. Na fase de julgamento, o Ministério Público acusou-o de quatro crimes. A 3 de setembro de 2010, depois da leitura da decisão, foi considerado culpado, por um tribunal de primeira instância, de três crimes de abuso sexual de menores, tendo sido condenado a sete anos de prisão efetiva. Desde o início do processo que Carlos Cruz se declarou totalmente inocente dos crimes que lhe foram imputados, afirmando ter sido "vítima de uma monstruosidade jurídica", por ter sido acusado e condenado unicamente com base numa muito discutível "ressonância da verdade" de testemunhos de credibilidade altamente duvidosa. A 25 de março de 2013, Carlos Cruz foi absolvido dos crimes na casa de Elvas de que era acusado, por falta de provas. Esgotados os recursos que apresentou nos tribunais portugueses, a 2 de abril de 2013, apresentou-se no Estabelecimento Prisional da Carregueira, para cumprir o resto da pena de seis anos de prisão a que foi condenado. Saiu em liberdade condicional a 7 de julho de 2016.

03

Vida pessoal

Imagem: Alki1 · BY-NC-ND · Openverse

Nas suas memórias, Uma Vida, Carlos Cruz relatou que aos 14 anos de idade, a viver em Angola, num atrevimento adolescente, seduziu com sucesso uma mulher adulta, cliente do estabelecimento comercial dos pais. Além de inúmeros relacionamentos com várias mulheres, Carlos Cruz foi casado três vezes. Casou a primeira vez com Lisete Barbieri Figueiredo; a segunda, com Marluce Revorêdo, conhecida como ex-manequim e produtora de moda e de eventos, de quem teve a sua primeira filha, Marta Cruz; a terceira, com Raquel Rocheta, relações públicas no setor hoteleiro, do qual nasceu a sua segunda filha, Mariana. A filha Marta é igualmente uma figura pública, conhecida pelos seus trabalhos na área da moda, quando jovem e, mais recentemente, enquanto participante nos chamados reallity-shows de famosos — teve a sua primeira experiência em A Quinta e, a seguir, entrou no Big Brother Verão. Noah Cruz, um dos dois filhos de Marta Cruz, iniciou a transição de género feminino para masculino com 18 anos; enquanto Yasmin, com 12 anos, assumiu-se como lésbica. Em declarações públicas — entrevista à TVI, em 7 de agosto de 2025, por exemplo —, o jovem declarou ter-se reencontrado com a mudança de género e que o apoio incondicional da mãe e da família foi determinante para o seu bem-estar e aceitação. Enquanto Yasmin, o jovem participara no talent show The Voice Kids, após o que gravou o single Para Quem Não Sabe Amar.

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Fontes consultadas

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