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Carlos Chagas

Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas foi um cientista, médico sanitarista, infectologista e bacteriologista brasileiro, que trabalhou como clínico, professor e pesquisador. Atuante na saúde pública do Brasil, iniciou sua carreira no combate à malária. Destacou-se ao descobrir o protozoário Trypanosoma cruzi e a tripanossomíase americana, conhecida como doença de Chagas. Ele foi o primeiro e até os dias atuais permanece o único cientista na história da medicina a descrever completamente uma doença infecciosa: o patógeno, o vetor (Triatominae), os hospedeiros, as manifestações clínicas e a epidemiologia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/08/2026
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Infância

Carlos Justiniano Ribeiro Chagas nasceu em Oliveira, Minas Gerais, em 9 de julho de 1878, filho de José Justiniano Chagas e Mariana Candida Ribeiro de Castro Chagas. O lugar de seu nascimento foi na Fazenda Bom Retiro, a 20 km da cidade, onde seus antepassados, de ascendência portuguesa, se estabeleceram. Seu pai, cafeicultor, morreu quando Chagas tinha quatro anos de idade, ficando a cargo de sua mãe a administração do cultivo de café e da criação dele e de seus outros quatro irmãos: Maria Rita, José (que morreu com três anos de idade), Marieta e Serafim. Eles foram morar em outra propriedade da família, a Fazenda Boa Vista, próxima a Juiz de Fora, também no estado de Minas Gerais. Em Oliveira, teve convivência direta com três tios maternos, Cícero, Olegário e Carlos. Os dois primeiros eram advogados formados em São Paulo e incentivaram o sobrinho a se dedicar aos estudos. Porém, o último, era formado em Medicina e organizou uma casa de saúde na cidade. As ações desse tio o influenciaram a seguir a carreira médica.

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Estudos

Durante o tempo de recuperação em sua cidade natal, seu tio Carlos fortaleceu a vontade de Chagas em ser médico e ajudou-o a vencer a barreira de sua mãe, que acabou aceitando a opção de seu filho. Seguiu então para São Paulo, para obter os diplomas básicos exigidos para matrícula no curso médico. Conseguindo tal certificado, em fevereiro de 1897, segue para o Rio de Janeiro a fim de entrar à Faculdade de Medicina.[carece de fontes?] Aos 18 anos, passou a cursar a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde este mesmo tio trabalhava, em abril de 1897. Tal faculdade vivia uma "revolução pasteuriana", pois havia adquirido as teses de Louis Pasteur e estava passando por um processo de renovação. Chagas, assim, também leva essas ideias adiante em seu trabalho. Ao longo do curso, dois professores exerceram grande influência em sua carreira:[carece de fontes?]

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Carreira

Chagas acreditava que a ciência médica era sustentada por dois pilares: o primeiro defende uma estreita articulação entre o ensino e a pesquisa. O segundo dá importância de introduzir nos cursos de Medicina o estudo específico de doenças tropicais e o combate dos problemas de saúde pública brasileira, como malária, ancilostomose e tripanossomíase. Com isso, o país teria profissionais qualificados para tratar dos problemas sanitários.[carece de fontes?] Em 1925, o Ministério da Justiça e Negócios Exteriores promoveu a reforma na Educação brasileira, permitindo a Chagas pôr em prática o seu objetivo, criando a especialização em Higiene e Saúde Pública e a cadeira de Doenças Tropicais na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro no ensino de medicina tropical.

Combate à malária

Devido à tese de doutorado sobre a malária, em 1905 foi recrutado por Cruz para missão de controlar a doença em Itatinga, interior de São Paulo, que atacava a maioria dos trabalhadores da Companhia Docas de Santos, que construía uma represa na região, causando a paralisação das obras. Assim, realizou a primeira ação bem-sucedida contra a malária no Brasil, colocando em prática procedimentos que mais tarde se tornariam corriqueiros nas outras campanhas. Segundo ele, para se impedir a propagação da doença em regiões em que não havia ações sistemáticas de saneamento, fazia-se necessário concentrar as medidas preventivas nos locais onde viviam os homens e os mosquitos infectados com o parasito da malária. Seguindo tal orientação, em cinco meses Chagas consegue debelar o surto da doença - fato que serviu de base para o efetivo combate à moléstia no mundo inteiro.

Doença de Chagas

Em junho de 1907 Chagas foi enviado pelo Instituto à cidade de Lassance, Minas Gerais, perto do Rio São Francisco, para combater uma epidemia de malária entre os trabalhadores de uma nova linha de trem da Estrada de Ferro Central do Brasil, instalando-se durante dois anos num vagão de trem, montando um pequeno laboratório e um consultório para atendimento dos doentes. Diversos métodos de inseticidas foram utilizados na época, como o enxofre ou piretro, que décadas mais tarde popularizou-se com o advento do DDT. Neste tempo, capturou, classificou e estudou os hábitos dos anofelinos, mosquitos transmissores da doença, e examinou o sangue de animais em busca de parasitas. Assim, Chagas identificou no sangue de um sagui uma nova espécie de protozoário, ao qual deu o nome de Trypanosoma minasensis. Um engenheiro da ferrovia alertou-o para a infestação de um inseto hematófago nas residências rurais, da espécie Triatoma infestans, conhecido como barbeiro, assim chamado porque suga o sangue das pessoas durante a noite, atacando o rosto delas. Chagas levou alguns deles ao seu laboratório e percebeu que nos seus intestinos havia outros Trypanosoma minasensis, já numa fase evoluída.[carece de fontes?]

Expedição à Amazônia

Na década de 1910, o Instituto Oswaldo Cruz promoveu viagens científicas no interior brasileiro, com o objetivo de investigar os problemas médicos do país. Em 1912, com a crise do extrativismo da borracha na Amazônia,<[carece de fontes?] o governo federal firma parceria com a instituição para verificar as condições de salubridade do vale do Rio Amazonas e elaborar um plano de exploração racional dos recursos naturais. Assim, em agosto daquele ano, Chagas liderou um grupo que incluía mais dois cientistas e um fotógrafo, onde visitaram a população ribeirinha dos rios Solimões, Negro e Purus e analisaram as condições de moradia, abastecimento de água, esgoto, alimentação e assistência médica. Também realizaram observações clínicas sobre as epidemias que assolavam a região, em especial a malária. Também foram recolhidas amostras de plantas de cunho medicinal, insetos causadores de doenças e peixes foram analisados em busca de novos parasitas.

Gripe espanhola

A gripe espanhola chegou ao Brasil em 1918 e, no Rio de Janeiro, tal enfermidade atacou dois terços da população (por volta de seiscentos mil habitantes) e fez onze mil vítimas, devido às precárias condições de higiene e saneamento, além da falta de assistência médica. Tal quadro fez com que o então presidente da República Venceslau Brás convidasse Carlos Chagas a assumir o controle da situação. Tal ação não foi fácil, pelo fato do próprio estar doente, além de sua mulher e de seus filhos. Porém, dentre suas atitudes, criou um serviço especial de postos de atendimento à população em vinte e sete pontos diferentes da cidade.[carece de fontes?] Ao mesmo tempo que providenciou tal tarefa, criou cinco hospitais emergenciais e publicou cartazes e panfletos de alerta aos habitantes e buscando apoio de profissionais da sua área, conseguindo ajuda da maioria dos clínicos cariocas e de vários membros da Academia Nacional de Medicina.

Direção do Instituto Oswaldo Cruz

Três dias após a morte de Oswaldo Cruz, em 14 de fevereiro de 1917, Chagas foi nomeado para a direção do Instituto de Manguinhos através de um decreto presidencial. Ao assumir o cargo, buscou consolidar o modelo estabelecido por Cruz semelhante ao Instituto Pasteur, onde a autonomia administrativa e financeira eram as características principais, além de estreitar a relação entre a pesquisa, o ensino e a fabricação de produtos medicinais e veterinários. No campo da pesquisa, sua administração ficou marcada pela investigação das principais epidemias que assolavam a zona rural brasileira em sua época, e com o objetivo de controlá-las, inaugurou em 1918 o Hospital Oswaldo Cruz, nas dependências do Instituto, para constituir em um centro de estudos para os pesquisadores do Instituto. Mais tarde, em 1942, o hospital passaria a ser chamado Hospital Evandro Chagas.

Direção do Departamento Nacional de Saúde Pública

Ao tomar posse em 1919, para reorganizar a Saúde pública nacional, o presidente Epitácio Pessoa nomeou Carlos Chagas para a então Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP), acumulando a função com aquela praticada em Manguinhos. Um ano seguinte tal instituição se chamaria Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), ligado ao Ministério da Justiça de Negócios Exteriores.[carece de fontes?] Sua primeira atitude, exposta na Biblioteca Nacional em fevereiro de 1921, foi a centralização das atividades, que até então a DNSP vinha trabalhando com a descentralização, onde os estados e municípios brasileiros tinham maior liberdade de organizar seus sistemas sanitários. Acordos com os mesmos foram essenciais para a segunda ação - a interiorização, em busca da erradicação das epidemias rurais, principalmente malária, ancilostomose e tripanossomíase americana. Em paralelo a esse projeto, criou um minucioso de medidas referentes à higiene pública.[carece de fontes?]

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Morte

Carlos Chagas faleceu aos 55 anos de idade, na cidade do Rio de Janeiro. A causa de sua morte foi um infarto do miocárdio e foi enterrado no Cemitério São João Batista.

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Prêmios e homenagens

Idealizador do Centro Internacional de Leprologia, Carlos Chagas recebeu diversas homenagens: uma herma na Praia de Botafogo foi construída em sua memória, de autoria do escultor Modestino Kanto. Um município do estado de Minas Gerais recebeu seu nome, além de cédulas de Cruzado (depois Cruzado Novo) terem circulado com sua imagem durante a década de 1980.[carece de fontes?] A Casa da Cultura de sua cidade natal Oliveira-MG, leva seu nome, sendo Carlos Chagas o mais reconhecido dos cidadãos ilustres de Oliveira. Quanto aos prêmios recebidos, em 1912 chegou o primeiro, o Prêmio Schaudinn, cedido pelo Instituto de Moléstias Tropicais de Hamburgo, Alemanha. Em 1921 foi nomeado Artium Magistrum, Honoris Causa, da Universidade Harvard; em 1923 ganhou o Prêmio Hors-concours, na Conferência Comemorativa sobre o Centenário de Louis Pasteur, em Estrasburgo, França, e em 1925 o Prêmio Kummel, da Universidade de Hamburgo, Alemanha. Ainda receberia em 1926, 1929 e 1934 outros títulos Honoris causa, vindos das universidades de Paris, de Lima e Livre de Bruxelas, respectivamente.

Controvérsia sobre o Prêmio Nobel

A descoberta de Chagas foi reconhecida no país e no exterior como uma das mais importantes conquistas da parasitologia. Foi duas vezes indicado ao Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina (em 1913 e 1921), cada vez por apenas um único indicador brasileiro, mas nunca recebeu o prêmio. Em 1913, 63 cientistas foram indicados para o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, os dois primeiros indicados receberam nove e oito indicações, respectivamente. Em 1921, 42 cientistas foram indicados para o prêmio, os quatro primeiros indicados receberam 11, nove, sete e sete indicações, respectivamente. Cem anos após a descoberta da doença, ainda persistem as especulações sobre as duas indicações oficiais de Carlos Chagas ao Prêmio Nobel. O motivo pelo qual o prêmio não foi concedido ao cientista pode ter sido a forte oposição que ele enfrentou no Brasil de alguns médicos e pesquisadores da época. Chegaram a questionar a existência da doença de Chagas, o que possivelmente influenciou a decisão do Comitê do Nobel de não lhe conceder o prêmio. A análise da base de dados dos arquivos do Prêmio Nobel, com a revelação dos nomes dos indicados, indicados e vencedores dos anos 1901-1951, trouxe informações não apenas sobre o que era considerado uma conquista científica na época, mas também sobre quem eram os cientistas importantes e quais eram as relações entre eles. As conexões dos membros do Comitê do Nobel com a comunidade científica internacional, quase exclusivamente centrada em cientistas europeus e estadunidenses, também influenciaram suas escolhas. O não-reconhecimento das descobertas de Carlos Chagas pelo Comitê do Nobel parece ser mais corretamente explicado por esses fatores do que pelo impacto negativo da oposição no Brasil.

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Fontes consultadas

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