Carlomano da Baviera
Carlomano foi um rei franco da dinastia carolíngia. Foi o filho mais velho do rei da Frância Oriental Luís, o Germânico (r. 817–876) e Ema (r. 843–876), filha de um conde bávaro. Seu pai tornou-o marquês da Panônia em 856, e, com a morte de seu pai em 876, tornou-se rei da Baviera. Nomeado por Luís II da Itália (r. 844–875) como seu sucessor, o Reino da Itália foi tomado por seu tio Carlos, o Calvo (r. 840–877) em 875. Carlomano apenas conquistou-o em 877. Em 879, estava incapacitado, talvez por um AVC, e abdicou a Baviera a Luís, o Jovem (r. 876–882) e a Itália a Carlos, o Gordo (r. 876–888).
Início da vida
A data de nascimento de Carlomano é incerta, mas foi provavelmente em torno de 830. Seu nome pode estar conectado a vontade de seu pai de governar a Alamânia à época da reunião de seu pai em Worms em 829; o primeiro carolíngio homônimo a governar o país em 741–48 subjugou-o aos francos. Carlomano estava velho o suficiente para participar na guerra civil de 840–43, travada entre seu pai e tios, Lotário I (r. 817–855) e Carlos, o Calvo (r. 840–877). Sua primeira aparição pública registrada é como líder de um exército de reforços da Baviera e Alamânia que levou a seu pai em Worms em 842. Ele subsequentemente liderou-o em batalha junto com seu pai e tio (Carlos) contra seu outro tio. Era o começo de uma carreira guerreira. Notker, o Gago, que lamentou o declínio da dinastia uma geração depois, chamou-o "Carlomano, o Belicosíssimo" (em latim: bellicosissimus).
Guardião da fronteira sudeste
Em 856, Luís associou Carlomano a seu governo ao nomeá-lo prefeito da Marca da Panônia, a fronteira bávara defrontando a Grande Morávia e Panônia Inferior. Ele não lhe deu a sede tradicional em Tulln na Panônia, mas segundo os Anais de Fulda (863), deu-lhe o título de "prefeito dos carantanos" (em latim: praelatus Carantanis) e colocou-o mais ao sul, em região mais periférica, talvez como forma de impedir que tentasse tomar o poder de seu pai. De 857 em diante, Carlomano e seu irmão foram testemunhas ocasionais das cartas de seu pai. Em 862, Carlomano revoltou-se e tentou estender seus domínios, mas foi derrotado. Em 865, a partilha da Frância Oriental "em linhas étnicas" que Luís estava preparando foi divulgada em Francoforte: seus três filhos receberam porções de importância junto das fronteiras e foram casados com a aristocracia local das regiões a eles designadas.
Governante da Itália
Em 12 de agosto de 875, Luís II da Itália (r. 844–875) morreu e seu reino foi reclamado por Luís, para seus filhos Carlomano e Carlos; e por Carlos, o Calvo. O Papa João VIII (r. 872–882), lidando com a constante ameaça das invasões da Sicília muçulmana, ficou com Carlos, o Calvo. Carlomano liderou um exército à Itália, onde conferiu um diploma à Abadia de São Clemente, uma das casas mais favorecida de Luís II. No diploma, Carlomano declarou-se o sucessor escolhido de Luís. Segundo os Anais de Fulda, Carlos ofereceu-o "grande soma em ouro e prata e pedras preciosas" para fazê-lo deixar a Itália. Em 28 de agosto de 876, Luís morreu e seus filhos tornaram-se reis em seus reinos atribuídos. Em 6 de outubro de 877, Carlos, o Calvo morreu e mais tarde naquele mês Carlomano conseguiu ser eleito rei da Itália pelos nobres reunidos em Pávia. A atração pela Itália era "o saque que aparentemente era aceitável quando um rei assumiu um reino", fornecendo recompensas que poderiam ser compartilhados com seus apoiantes e mais do que compensar o custo de criar um exército e cruzar os Alpes. Carlomano foi um dos únicos dois reis carolíngios a Itália — seu irmão e sucessor Carlos foi o outro — que não emitiram um capitular no começo de seu reinado a fim de proclamar sua legitimidade e afirmar sua manutenção às tradições do bom governo.
Governante da Baviera
Na Baviera, Carlomano refundou o palácio e mosteiro em Ötting. Ele dedicou-a a Virgem Maria e "numerosos outros santos cujas relíquias eles foram capazes de coletar com ajuda de Deus". Ele nomeou o amigo de seu pi, o estudioso linguístico Baldão, como seu chanceler. Em 878, pode ter sido objeto de uma tentativa de assassinato. Segundo os Anais de Salzburgo, o rei "estava cercado pelo conde Ermemberto e alguns de seus soldados" em Ergolding, mas o conde aparentemente fugiu à Frância Ocidental, onde foi recebido por Luís, o Gago. Carlomano preparou seu filho ilegítimo Arnulfo para a sucessão na Baviera. Em uma carta emitida em Ratisbona, chamou-o "filho régio" (filius regalis), um termo similar a "o filho do rei" (filius regis), que era o título padrão de um filho real legítimo. Essa política teve apoio, como do abade Reginão de Prüm e dos monge de São Galo, mas também detratatores, que apelaram a seu irmão Luís. No começo de 879, Carlomano foi incapacitado por uma enfermidade, possivelmente um AVC. Luís foi a Baviera para receber o reconhecimento da aristocracia como futuro rei. Partiu por volta da páscoa e Arnulfo tomou controle do reino em nome do pai. Removeu alguns condes proeminentes, que apelaram para Luís restaurá-los. Carlomano tentou legitimar as ações de Arnulfo adicionando o nome de seu filho na oração presente em suas cartas, mas em novembro Luís foi a Baviera para forçar uma resolução da sucessão. Ele restaurou os condes depostos e Carlomano formalmente abdicou seu trono bávaro para seu irmão. Também colocou Arnulfo sob proteção de Luís. Seu irmão Carlos datou seu reinado na Itália a partir de novembro de 879, então Carlomano presumivelmente abdicou daquele reino ao mesmo tempo que na Baviera.
Enfermidade e morte
Concernente a condição de Carlomano, os Anais de Fulda (879) registraram que ele perdeu sua voz, mas ainda era capaz de comunicar-se escrevendo. Reginão, escrevendo em sua crônica em torno do ano 880, afirma que ele era "erudito em cartas" (litteris eruditus), o que significa que podia escrever em latim. O encômio inteiro de Região sobre Carlomano afirma: Muitas fontes colocam sua morte em março de 880, mas os Anais de Salzburgo colocam-a em 21 de setembro. Ele foi sepultado numa capela em seu palácio em Ötting. Carlomano deixou um filho ilegítimo, Arnulfo, que continuou como marquês da Caríntia durante os reinados dos irmãos de Carlomano, mas em 887 tornou-se rei da Frância Oriental e em 896 como imperador.


