Guilherme Derrite
Guilherme Muraro Derrite, também conhecido como Capitão Derrite, é um policial militar e político brasileiro, filiado ao Progressistas (PP). Desde fevereiro de 2019, exerce o cargo de deputado federal por São Paulo, eleito em 2018 e reeleito em 2022. Também foi secretário de Segurança Pública de São Paulo no governo Tarcísio de Freitas, cargo do qual se licenciou para reassumir seu mandato na Câmara dos Deputados. Foi o primeiro oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) a ocupar a pasta.
Imagem: Governo do Estado de São Paulo · BY · Openverse
Guilherme Muraro Derrite nasceu em 10 de outubro de 1984 em Sorocaba, no interior do estado de São Paulo. Cursou o ensino médio em escola pública estadual da cidade e, aprovado no vestibular, ingressou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco em 2003. Formou-se como aspirante a oficial em 2006, iniciando a carreira na Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP). Durante sua formação, destacou-se em disciplinas relacionadas a segurança pública e táticas operacionais, o que pavimentou sua trajetória na corporação. É bacharel em ciências sociais e segurança pública, em direito, e possui pós-graduação em ciências jurídicas e direito constitucional pela Universidade Cruzeiro do Sul. Antes de entrar na política, atuou como professor em cursos de formação policial e integrou temporariamente o Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo. Derrite é casado e pai de dois filhos. Reside na capital paulista e mantém perfil ativo nas redes sociais, onde compartilha posicionamentos sobre segurança pública e política.
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Derrite ingressou na carreira militar aos 18 anos, motivado por um "sonho de infância" de servir na polícia, conforme relatado em entrevistas. Aprovado no vestibular da Fuvest e com bolsas em instituições como o Colégio Universitário e o Anglo, optou pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco, em São Paulo, onde iniciou sua formação em 2003, formando-se em dezembro de 2006 como aspirante a oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP). Após sua graduação, Derrite serviu inicialmente em batalhões operacionais na capital. Nesses batalhões, Derrite foi acusado de comandar o grupo de extermínio osasquense batizado de "Eu sou a morte" pelo seu colega de corporação e implicado no crime Wallace Oliveira Faria. Apesar disso, os depoimentos careciam de provas concretas e portanto não avançaram. Em 2010, promovido a 1º tenente, Derrite ingressou na Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), unidade de elite da PMESP especializada no combate ao crime organizado. Entre 2010 e 2013, comandou um pelotão da ROTA, participando de operações contra facções criminosas na capital paulista e região metropolitana. Em 2013, assumiu o comando de outro pelotão de Força Tática no 49º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano.
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Derrite iniciou sua carreira política em 2018, ao deixar a reserva da Polícia Militar para concorrer ao cargo de deputado federal por São Paulo. Foi eleito na ocasião com 119.034 votos para uma vaga de deputado federal pelo Partido Progressista (PP) pelo estado de São Paulo, na 56.ª legislatura da Câmara dos Deputados (2019-2023). Sua campanha enfatizou pautas de segurança pública, com o slogan "Capitão Derrite: Polícia que protege", e contou com apoio de alas conservadoras, incluindo bolsonaristas. Derrite integrou o grupo de deputados policiais e defendeu a defesa das forças de segurança em debates sobre letalidade policial e crime organizado.
Primeiro mandato (2019–2023)
Durante seu primeiro mandato, Derrite destacou-se por sua atuação em pautas relacionadas à segurança pública. Atuou como 2º vice-presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO), de março de 2019 a março de 2021, onde influenciou discussões sobre políticas antiterrorismo e fortalecimento das polícias. Foi suplente nas Comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial (CDHMIR) e de Cultura (CCULT). Como vice-líder do governo Jair Bolsonaro de maio de 2019 a setembro de 2020, e vice-líder do PP em 2021, alinhou-se a pautas conservadoras, como o endurecimento penal e a oposição a medidas de desarmamento civil.
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Foi secretário da Pasta da Segurança Pública do Estado de São Paulo na gestão de Tarcísio de Freitas, empossado em 1.º de janeiro de 2023. Sua gestão foi criticada pelo aumento exponencial de 98% nos índices de violência policial a qual foi atrelada à percepção de impunidade aos agentes policiais que cometeram crimes ou agiram com abuso de poder, mesmo dentro da corporação. A gestão também foi condenada em razão do caso do jovem Marcelo do Amaral, que teve imagens suas gravadas sendo jogado de uma ponte por um Policial Militar, bem como pelas ações letais empregadas na Baixada Santista no início de 2024. Em 6 de dezembro de 2024, os deputados estaduais da oposição da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo protocolaram um pedido de impeachment contra Guilherme Derrite. O pedido foi feito após o aumento de casos de violência policial ocorridos no estado. Também em dezembro de 2024, os deputados estaduais Emídio de Souza e Ivan Valente entraram com ações na Justiça de São Paulo para pedir a suspensão da Ouvidoria Setorial criada pela Secretaria da Segurança Pública, sob a gestão de Guilherme Derrite. A ação pede a suspensão da Resolução 66/2024, que criou o novo aparelho, além da intimação para o Ministério Público de São Paulo acompanhar a questão. Para o deputado, a nova ouvidoria viola princípios constitucionais, e representa um “retrocesso administrativo”. Isso porque, uma vez vinculado diretamente à Secretaria de Segurança Pública, o novo aparelho não teria autonomia garantida, como acontece com a já existente Ouvidoria das Polícias. Além da falta de independência, o pedido aponta que a existência de duas ouvidorias irá gerar uma ambiguidade para o cidadão, desestimulando denúncias contra casos de má conduta policial. Segundo o texto, a criação da “ouvidoria paralela” mina o controle social sob a polícia e fragiliza a credibilidade das instituições públicas. A chamada “ouvidoria paralela” vem sendo questionada por entidades de direitos humanos que a veem como uma tentativa de esvaziamento da Ouvidoria das Polícias — órgão cuja função é receber denúncias, sugestões, reclamações, entre outros, envolvendo os agentes de segurança pública, com autonomia administrativa para apuração de violações.
Retorno ao Progressistas e Pré-Candidatura ao Senado Federal
Em um evento em São Paulo no dia 22 de abril de 2025, Derrite oficializou sua saída do Partido Liberal (PL) e filiação ao Progressistas (PP). A cerimônia contou com a forte presença de figuras políticas, como o Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto; do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL); do deputado federal e presidente estadual do PP em São Paulo, Maurício Neves; além de diversas autoridades. No evento durante a visita a Jair Bolsonaro na Papudinha, prisão em Brasília, no dia 25 de fevereiro de 2026, Derrite também anunciou a sua pré-candidatura ao Senado Federal nas eleições de 2026.
Exoneração
Em 1 de dezembro de 2025, foi exonerado do cargo de Secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo, e retornou de forma definitiva à Câmara dos Deputados para cumprir seu 2° mandato de deputado federal do Brasil (2023–2027), e no mesmo dia foi substituído na pasta de Segurança Pública pelo ex-delegado geral da Polícia Civil do Governo Rodrigo Garcia (2022), Osvaldo Nico Gonçalves, que era o então secretário-adjunto da Pasta.


